Bioquímico

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Bioquímico[nota 1] (contração de bio e químico= químico da vida) é o profissional que estuda e aplica as leis da química e bioquímica para o entendimento e a aplicação tecnológica dos organismos vivos (bioquímica industrial, biotecnologia e bioprocessos) para benefícios comerciais e industriais, e/ou benefícios a saúde humana e animal, a agropecuária e ao meio ambiente.

O bioquímico[editar | editar código-fonte]

A bioquímica, anteriormente chamada de química biológica ou fisiológica,[1] é uma ciência interdisciplinar que estuda principalmente a química dos processos biológicos que ocorrem em todos os seres vivos. É voltada principalmente para o estudo e tecnologia da estrutura e função de componentes celulares como proteínas, carboidratos, lipídios, ácidos nucléicos e outras biomoléculas.Surgiu a partir das investigações de fisiologistas e químicos sobre compostos e conversões químicas em seres humanos e plantas no século XIX[2][3] O termo bioquímica foi proposto pelo químico e médico alemão Carl Neuberg (1877-1956) em 1903, embora no século 19 grandes pesquisadores como Wohler, Liebig, Pasteur e Claude Bernard estudassem a química da vida sobre outras denominações..[1][4] Vale destacar que o primeiro instituto de pesquisa estruturado e voltado unicamente para a química da vida surgiu em 1872, como Instituto de Química Fisiológica da Universidade de Strasbourg enquanto que em 1880 a universidade norte-americana de Yale estruturou os primeiros cursos regulares de química fisiológica. Por volta de 1899, quando a universidade inglesa de Cambridge criou o laboratório de química dentro do departamento de fisiologia, a química da vida já estava estabelecida como ciência, sob diferentes denominações.[1]

O Bioquímico, portanto,é o profissional que estuda a bioquímica de um ponto de vista de ciência básica e aplicada tecnologicamente e industrialmente. Os bioquímicos utilizam ferramentas e conceitos da química e da biologia, particularmente da química orgânica, físico-química, biologia celular, biologia molecular e genética, para a elucidação dos sistemas vivos e para sua aplicação tecnológica e industrial.Desta forma o bioquímico possui conhecimentos científicos, capacitação técnica e habilidades para atuar em ensino superior, pesquisa, desenvolvimento e inovação, controle e garantia de qualidade, produção industrial, laboratórios, comércio de produtos científicos, laboratoriais e industriais, bioeconomia, além de aprender sobre os princípios éticos e legais relativos à profissão no âmbito do seu exercício profissional.

Alguns bioquímicos de renome[editar | editar código-fonte]

Bacharelado e licenciaturas em bioquímica[editar | editar código-fonte]

É preciso ressaltar que os cursos de graduação em bioquímica são tradicionais em países da Europa (Reino Unido, Alemanha, Espanha, Portugal, França e Itália),na America Latina (Argentina, Paraguai, Uruguai,Chile,Colombia, México e Guatemala) no Canadá, na Austrália e nos Estados Unidos. Neste último país, os cursos de bacharelado em bioquímica existem desde a década de 50. Segundo a ASBMB (American Society for Biochemistry and Molecular Biology) existem cerca de 600 Instituições nos Estados Unidos que oferecem os cursos de bioquímica/biologia molecular e estima-se que cerca de 2000 bacharéis foram graduados nos anos de 2001-2002. No Reino Unido existem mais de 100 cursos de graduação em bioquímica.[5][6]

A licenciatura em bioquímica, em Portugal, foi criada em 1979, na Universidade de Coimbra,[7] sendo prontamente seguido de diversas outras universidades. [8] O bioquímico português Ruy Eugénio Pinto falecido em 2009, é considerado um dos pais da primeira licenciatura em bioquímica naquele país. [9]

O bacharelado em bioquímica, no Brasil, foi criado em 2001, na Universidade Federal de Viçosa, [10][11] visando suprir a necessidade crescente de profissionais qualificados para atuar nas áreas de pesquisa e desenvolvimento tecnológico das diversas áreas relacionadas com o curso.[12]

Em moldes semelhantes, foi criado em 2008, o segundo curso de graduação em bioquímica do Brasil; a Universidade Federal de São João del Rei,[13] implantou o curso em seu campus de expansão Divinópolis (Centro-oeste)[14]. Mais recentemente ainda,no Instituto de Química da USP começou a ser oferecido um Bacharelado em Química com ênfase em bioquímica e foi criado o terceiro curso de graduação em Bioquímica, na Universidade Estadual de Maringá (UEM).[5]

A fortíssima base de cálculo, química orgânica e física (as mesmas dos cursos de química), bem como em biologia, bioquímica e biotecnologia, fornece conhecimentos técnicos fundamentais em diversas áreas: melhoria contínua de produtos e processos, pesquisa e desenvolvimento, controle e garantia de qualidade, produção biotecnológica e bioquímica,gestão de projetos, de laboratórios e de inovações, assessoria e consultoria científica, vendas e representação técnica, elaboração e análise de documentações técnico-científicas e patentes. Além disso, existe forte incentivo a empregabilidade dos alunos através do empreendedorismo (empresas-juniores) e estágios obrigatórios ou eletivos em empresas e indústrias. Com isso, os Bacharéis em Bioquímica já fazem parte de empresas e indústrias nas áreas de química, farmacêutica, biotecnológica, de alimentos, de cosméticos, de biocombustíveis, agronômica, veterinária, papel e celulose, entre muitas outras. Como exemplos citamos Sucos Tial, GranBio, Natura, Valee, Souza Cruz,Aspen pharma, Pratti Donaduzzi. Já entre os órgãos governamentais, temos bioquímicos atuando como concursados no Lanagro,Inmetro, BioManguinhos/Fiocruz, SAAE-Viçosa.[1][15]

Em 2014 foi criado o Movimento BioquímicaBrasil, com site, página de facebook e vídeo de divulgação no youtube dedicados a divulgar o Bacharel em Bioquímica e a divulgar a ciência Bioquímica.[15] Entre 2015 e 2016, o movimento conseguiu definir a identidade do bioquímico brasileiro e algumas simbologias, como o dia do bioquímico brasileiro (8 de Maio) e um símbolo único da profissão,disponibilizado gratuitamente no site do Movimento BioquímicaBrasil[15]

Campos de atuação[editar | editar código-fonte]

As atribuições profissionais do bioquímico no Brasil são conferidas pelo Conselho Regional de Química.[16] [15]As mesmas atribuições ocorrem em Portugal.[17]

  • Pesquisa, desenvolvimento e inovação industriais e acadêmicas;
  • Melhoria contínua de produtos e processos industriais;
  • Análises laboratoriais diversas (análises de fármacos, águas, cosméticos, alimentos, toxicológicas, clínicas,biotecnológicas, agroquímicas etc...);
  • Garantia e controle de qualidade;
  • Gestão de laboratórios: direção, supervisão e responsabilidade técnica;
  • Gestão de inovações e patentes;
  • Empreendedorismo;
  • Gestão de projetos;
  • Comércio, marketing e representação técnica de produtos científicos, laboratoriais e industriais;
  • Assessoria e consultoria científica;
  • Ensino em universidades públicas e privadas;
  • Bioinformática;
  • Bioestatística;
  • Perícia criminal: perito criminal nas áreas de genética forense e química forense;
  • Operação e manutenção de equipamentos laboratoriais e industriais;
  • Estudos de viabilidade técnico-ecônomica;
  • Biossegurança e segurança química;
  • Bioética.

Locais de atuação[editar | editar código-fonte]

Na prática, os bioquímicos se dividem entre ambientes corporativos (escritórios), laboratoriais, universitários (salas de aula) e industriais (plantas de produção)[15] [16] conforme abaixo:

Alguns setores de grande importância[editar | editar código-fonte]

Diferenças para outras profissões[editar | editar código-fonte]

A bioquímica é uma ciência e tecnologia essencial para diversas profissões como biólogos,biomédicos, agrônomos, veterinários etc.. A profissão e o curso nasceram da necessidade de unificação desses conhecimentos em um só perfil, o perfil de bioquímico. No Brasil,considera-se como origem do bioquímico: a química, a biologia, a farmácia, a agronomia e a engenharia química. As profissões abaixo ás vezes podem ser confundidas com o bioquímico:

  • · Bioquímico: Tem como foco o estudo da bioquímica pura e da bioquímica aplicada em diversos setores industriais e laboratoriais: pesquisa, desenvolvimento,

garantia e controle qualidade, melhoria contínua de produtos e processos bioquímicos, gestão de laboratórios e plantas produtivas, gestão de patentes e inovação.

O Bioquímico atua como se fosse um químico ou químico industrial especializado na interface com a biologia e biotecnologia, em indústrias farmacêuticas, 

de alimentos, de cosméticos, papel e celulose, biotecnológica, veterinária e em laboratórios de análises ambientais, de águas e esgotos, análises clínicas,

análises de alimentos, análises de fármacos e cosméticos.É considerado um profissional da química e da biotecnologia;[18]

  • · Engenheiro Bioquímico: O engenheiro tem como foco o estudo dos processos industriais: produção, estocagem, acondicionamento, conservação, garantia e 

controle de qualidade relacionados a processos bioquímicos e biotecnológicos industriais.O Engenheiro Bioquímico atua como se fosse um engenheiro químico 

especializado na interface com a biologia e biotecnologia, nas industrias acima citadas. É considerado um profissional da química, da engenharia e da biotecnologia;[19]

  • · Farmacêutico: Tem como foco o medicamento e a saúde humana, aplicando para isso conhecimentos específicos da bioquímica humana para orientar o 

paciente ao uso racional de medicamentos (atenção e assistência farmacêuticas; dispensação de medicamentos). Atua em farmácias, drogarias,laboratórios de

análises clínicas, indústria farmacêutica e hospitais. No Brasil, deve obedecer regulamentações específicas do Sistema Único de Saúde (SUS) e 

Vigilância sanitária (Anvisa). É considerado um profissional de saúde, e dependendo da interpretação pessoal, também um profissional da química.[20] Por bastante tempo, os cursos de graduação em farmácia no Brasil denominaram-se Farmácia-Bioquímica, em errônea alusão à habilitação em análises clínicas . Isto gerou na sociedade, e mesmo nos meios acadêmicos, a falsa noção de que bioquímica seria análises clínicas somente e seria sinônimo de farmácia, o que de fato não é verdadeiro.[21][nota 1][nota 2]

  • Profissões biológicas: Como dito acima, a bioquímica vive na interface entre química e biologia e assim é utilizada como ciência e tecnologia por biólogos, biomédicos e biotecnologistas. Entretanto, deve-se ter com clareza que estas carreiras tem forte embasamento biológico, enquanto que o bioquímico tem forte embasamento químico e de ciências exatas. Nas graduações em biotecnologia a grade curricular possui disciplinas obrigatórias de ciências biológicas diversas como zoologia, evolução, ecologia, fisiologia, entomologia, botânica etc (o conceito de biotecnologia é o mais amplo possível, sendo o de qualquer tecnologia derivada das ciências biológicas, por isso o biotecnologista ser muito mais próximo ao biólogo que ao profissional da química. Inclusive, o termo biotecnologia é carregado de apelo de marketing: deve-se ter cuidado com a graduação e universidade escolhidas!).Já na grade curricular de bioquímica as disciplinas obrigatórias serão as que o definem como profissional da química, ou seja, química orgânica, bioquímicas, físico-químicas, físicas, metabolismo e processos fermentativos etc...sendo que as disciplinas biológicas são optativas (eletivas), para ajudar a compor uma ênfase em biotecnologia (o conceito de biotecnologia, para o bioquímico, é o de qualquer tecnologia derivada dos conhecimentos molecures da química, bioquímica, biologia molecular, metabolismo e processos fermentativos), daí os bioquímicos entenderem ser profissionais da química e da biotecnologia, ao mesmo tempo.

    Referências

    Notas[editar | editar código-fonte]

    1. a b No Brasil, não se deve confundir bioquímico com farmacêutico. São profissionais distintos, apesar de atuarem em segmentos relacionados.
    2. a b As análises clínicas bioquímicas fazem parte do campo das análises clínicas, embora não sejam sinonimas. Existem outros setores nas análises clínicas.

    Bibliografia[editar | editar código-fonte]

    MENEGHINI, Rogério; FONSECA, Lúcia. Índices alternativos de avaliação da produção científica em bioquímica no Brasil. Ciência e Cultura, São Paulo, v. 42, n. 9, p. 629-46, set. 1990.

    Ver também[editar | editar código-fonte]

    Ligações externas[editar | editar código-fonte]