Transtorno bipolar

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Transtorno bipolar
Altos e baixos são experimentados por praticamente qualquer pessoa, e não constituem um distúrbio. As mudanças de humor do transtorno bipolar são notavelmente extremas, duradouras e causam prejuízos significativos na vida do indivíduo.
Classificação e recursos externos
CID-10 F31
CID-9 296.80
OMIM 125480 309200
DiseasesDB 7812
MedlinePlus 001528
eMedicine med/229
MeSH D001714

O transtorno bipolar do humor (TBH), distúrbio bipolar ou transtorno afetivo bipolar (TAB) é um distúrbio mental em que a pessoa alterna entre períodos de depressão e períodos de elevado ânimo.[1][2] O ânimo é significativo e é conhecido como mania ou hipomania, dependendo da gravidade ou se estão ou não presentes sintomas de psicose. Durante o período de mania a pessoa comporta-se ou sente-se anormalmente energética, contente ou irritável.[1] Os doentes geralmente realizam decisões irrefletidas ou sem noção das consequências. Durante as fases maníacas a necessidade de sono tende a ser menor.[2] Durante as fases depressivas a pessoa pode chorar, encarar a vida de forma negativa e evitar o contacto ocular com outras pessoas.[1] O risco de suicídio entre as pessoas com a doença é elevado, sendo superior a 6% ao longo de vinte anos. Verifica-se automutilação em 30–40% dos doentes.[1] Estão geralmente associados ao transtorno bipolar outros problemas mentais, como distúrbio de ansiedade e de consumo de drogas.[1]

As causas ainda não são totalmente compreendidas, mas tanto fatores ambientais como genéticos têm influência.[1] Muitos genes de pequeno efeito contribuem para aumentar o risco.[1][3] Os fatores ambientais incluem historial de abuso infantil e stresse de longa duração.[1] A doença divide-se em "distúrbio bipolar do tipo 1" quando existe pelo menos um episódio maníaco e "distúrbio bipolar do tipo 2" quando existe pelo menos um episódio hipomaníaco e um episódio depressivo maior. Em pessoas com sintomas menos graves e de longa duração pode-se estar na presença de ciclotimia. Quando esta condição tem origem em problemas médicos é classificada à parte.[2] Podem também estar presentes outras condições, incluindo distúrbio do défice de atenção com hiperatividade, distúrbios de personalidade, distúrbios relacionados com o consumo de drogas e uma série de condições médicas.[1] O diagnóstico não requer exames médicos. No entanto, podem ser realizadas análises ao sangue e exames imagiológicos para descartar outros problemas.[4]

O tratamento geralmente tem por base a psicoterapia e medicamentos como estabilizadores de humor e antipsicóticos. Entre os estabilizadores de humor mais comuns estão o lítio e anticonvulsivos. Em pessoas que apresentam risco para si próprias ou para outros e que recusam o tratamento pode ser necessário o internamento em hospital psiquiátrico. Muitos dos problemas comportamentais podem ser feridos com antipsicóticos de curta ação ou benzodiazepinas. Durante os períodos maníacos é recomendada a interrupção dos antidepressivos. Quando os antidepressivos são usados durante os períodos de depressão, devem ser administrados em conjunto com um estabilizador de humor. Em pessoas que não respondem a outro tipo de tratamento pode ser considerada a possibilidade de terapia eletroconvulsiva. No caso do tratamento ser interrompido, é recomendado que seja feito de forma lenta. Muitas pessoas apresentam problemas financeiros, sociais ou de trabalho como consequência da doença. Estas dificuldades estão presentes, em média, entre um quarto a um terço do tempo. O risco de morte por causas naturais em doentes bipolares é o dobro do da população em geral. Isto deve-se a escolhas de vida menos acertadas e aos efeitos secundários da medicação.[1]

Estima-se que cerca de 3% da população norte-americana tenha tido um distúrbio bipolar em determinado momento da vida.[5] Em outros países, a prevalência é menor, chegando a 1%. A idade mais comum em que os sintomas se começam a manifestar é aos 25 anos.[1] A prevalência aparenta ser igual em homens e mulheres.[6] O custo económico da doença é elevado, estimando-se que sejam perdidos 50 dias de trabalho por ano por doente.[7] As pessoas com distúrbio bipolar muitas vezes enfrentam o problema do estigma social.[1]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Considerando as novas definições de espectro bipolar, estima-se que entre 5% e 7% da população mundial teriam o transtorno em algum momento da vida.[8]

A depressão maníaca foi inicialmente descrita em fins do século XIX pelo psiquiatra Emil Kraepelin, que descreveu seus estudos em seu Textbook of Psychiatry. Existem inúmeras variações do distúrbio bipolar, definidas como espectro bipolar. As :

  • TIPO I: Predomínio da fase maníaca (eufórica) com depressão mais leve (distimia).
  • TIPO II: Predomínio da fase depressiva com mania mais leve (hipomania).
  • MISTA: Quando os episódios possuem várias características tanto de mania quanto de depressão simultaneamente.[9]
  • CICLOS RÁPIDOS: Quando os episódios variações humor duram menos de uma semana.
  • CICLOTIMIA: Os sintomas são persistentes por pelo menos dois anos, períodos em que sintomas de hipomania são leves e depressão ou distimia não são tão profundos para ser qualificados como depressão maior.[10]

Na classificação internacional de doenças da OMS (CID-10) deve-se também informar se no momento da consulta o paciente possui sintomas psicóticos, e se estava em um episódio depressivo, maníaco, hipomaníaco, mista ou em remissão. [11]

Classificação antiga

Muitos termos foram usados para se referir a esse transtorno: loucura circular, loucura alternante, loucura intermitente, melancolia maníaca, mas principalmente o termo de Emil Kraepelin psicose maníaco-depressiva[12]. Esses termos foram substituídos quase completamente por terminologias menos estigmatizantes e mais comprometidas com o diagnóstico e tratamento médico.[13]

Os casos de psicose com episódios maníacos e depressivos são atualmente classificados como transtorno esquizoafetivo.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

O transtorno bipolar é caracterizado por mudanças extremas e intensas de humor que ocorrem em tempos distintos, chamados de episódios de humor. Esses episódios geralmente duram pelo menos quatro dias ou vários meses. Entre um episódio e outro podem haver períodos de normalidade. Raramente os episódios de mania e depressão tem a mesma regularidade e intensidade, de modo que é possível ter muitos episódios de euforia e poucos de depressão (bipolar tipo I) ou muitos episódios de depressão e poucos de euforia (bipolar tipo II).[14]

Os episódios de humor, também chamados de fases, são caracterizados por[14]:

  • Fase maníaca: Período de constante bom humor, extroversão ou irritabilidade, que dura pelo menos uma semana. Há um aumento inusual da energia e dedicação a atividades e estudos, impulsividade, distração, impaciência e ritmo. A mudança de humor deve ser suficientemente severa para causar dificuldade perceptível no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou para exigir a hospitalização; ou para provocar uma perda de contato com a realidade (psicose).
  • Fase hipomaníaca: Similar a mania, mas com menor duração e prejuízo as atividades diárias. pelo menos quatro dias consecutivos.
  • Fase depressiva: Período de constante desanimo, quase todos os dias, com perda de interessa em atividades que antes geravam prazer. Sentimento de tristeza, vazio, desesperança ou irritabilidade. Aumento ou diminuição do sono e fome. Dura pelo menos uma semana e deve ser suficientemente severo para causar dificuldade perceptível no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos; ou para exigir a hospitalização.
  • Fase distímica: Similar a depressiva, mas com menor intensidade e maior duração. Causa menos prejuízos nas atividades diárias, mas dura pelo menos um mês.

Causas[editar | editar código-fonte]

As causas são tanto genéticas e/ou congênitas quanto psicossociais com 50% dos portadores apresentando pelo menos um familiar afetado, e com filhos de portadores apresentam risco aumentado de desenvolver a doença, quando comparados com a população.

Influências genéticas, acredita-se que são responsáveis ​​por 60-80% do risco de desenvolver a doença, indicando uma forte componente hereditário. No geral a hereditariedade do espectro bipolar foi estimada em 71%. Os estudos de gêmeos têm sido limitados por amostras relativamente pequenas, mas indicaram uma contribuição genética substancial, bem como a influência ambiental. A relativamente baixa concordância entre gêmeos dizigóticos criados juntos sugere que efeitos ambientais familiares partilhada são limitadas, embora a capacidade de detectá-los tem sido limitada pelo pequeno tamanho das amostras. 

Genéticas[editar | editar código-fonte]

Estudos genéticos sugerem que muitas regiões cromossômicas e genes candidatos por serem responsáveis estão relacionados com a suscetibilidade a doença bipolar com cada gene exercendo um efeito de leve a moderado. O risco de desordem bipolar é quase dez vezes mais elevada em parentes de primeiro grau de pessoas afetadas com transtorno bipolar, quando comparado com a população em geral; Da mesma forma, o risco de desordem depressiva principal é três vezes maior em familiares das pessoas com doença bipolar, quando comparado com a população em geral. 

Embora a primeira ligação genética  para mania foi encontrada em 1969,  os estudos de ligação têm sido inconsistentes.  O maior e mais recente estudo de associação do genoma não conseguiu encontrar qualquer lugar especial, que exerce um grande efeito, reforçando a ideia de que nenhum único gene é responsável por transtorno bipolar na maioria dos casos. 

Achados apontam fortemente para heterogeneidade, com diferentes genes implicados em famílias diferentes.  Associações significativas do genoma, robustos e replicáveis ​​demonstraram vários  polimorfismos de nucleotídeo único, incluindo variantes dentro dos genes CACNA1C, ODZ4, e NCan. 

A idade paterna avançada tem sido associada a um pequeno aumento da chance de transtorno bipolar na prole, consistente com a hipótese de aumento de novas mutações genéticas. 

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Episódio maníaco[editar | editar código-fonte]

Segundo o DSM-V, Episódio maníaco é caracterizado por pelo menos três dos seguintes sintomas por pelo menos uma semana[15]:

  • Autoestima elevada: Sentimento de grandiosidade e intenso bem estar com si mesmo;
  • Necessidade de sono diminuída: Sente-se pronto para o trabalho depois de apenas poucas horas de sono;
  • Verborragia: Falar mais, mais rápido e mais alto que o habitual;
  • Fuga de ideias: Pensamentos acelerados, incontroláveis, resultando em dificuldade de se expressar claramente e rapidamente esquecendo ideias e assuntos anteriores;
  • Facilmente distraído: Atenção constantemente desviada para estímulos externos, resultando em muitos trabalhos concomitantes e incompletos;
  • Inquietude: Gerando aumento no número de atividades feitas no trabalho ou escola;
  • Impulsividade: Falta de autocontrole, impaciência e ansiedade;
  • Comportamentos de risco: Correr mais riscos que o usual, por exemplo, dirigir perigosamente, consumir álcool em excesso, usar drogas ilícitas, não usar preservativo, gastar as economias...
Hipomania

A hipomania é um episódio de mania menos prejudicial e que dura menos tempo, característico do bipolar tipo II. Classifica-se como hipomania se existem pelo menos três sintomas de mania mas[14]:

  • A mudança de humor e funcionamento deve ser diferente da característica e suficiente para ser perceptível por outras pessoas;
  • Não é suficientemente grave para causar dificuldade considerável no trabalho, na escola ou em atividades sociais ou relacionamentos;
  • Não requer hospitalização nem provoca perda de contato com a realidade;
  • Os sintomas não são causados por drogas, toxinas ou outra condição médica.

Depressão[editar | editar código-fonte]

Antidepressivos podem ser ineficazes se não acompanhados de psicoterapia, especialmente em casos que envolvam alcoolismo, tabagismo ou uso de substâncias ilícitas.[16]

A fase depressiva do bipolar é caracterizada por 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedonia[17]:

  • Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo ou triste;
  • Anedonia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
  • Sensação de inutilidade;
  • Culpa excessiva;
  • Dificuldade de concentração: habilidade frequentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
  • Fadiga: cansaço excessivo, falta de energia;
  • Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
  • Distúrbio psicomotor: Agitação ou lentidão cognitiva e motora;
  • Distúrbio alimentar: Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
  • Ideação suicida: Ideias recorrentes de morte ou suicídio.

Ou 3 a 4 sintomas por pelo menos dois anos consecutivos, no caso de distimia. Para diagnóstico de bipolar essa fase não pode ter sido causada por luto, drogas ou outra doença.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

Medicamentoso[editar | editar código-fonte]

O tratamento de transtorno bipolar pode ser tentado com várias classes de medicação, incluindo sais de lítio, anticonvulsivantes, antipsicóticos, antidepressivos e eletroconvulsoterapia. Porém, o tratamento frequentemente é caracterizado por persistência de alguns sintomas e por altos índices de recaídas e internações. [18]

O tratamento adequado do TBH pode ser feito com um ou mais estabilizante de humor como carbonato de lítio (medicação com a melhor evidência),ácido valproico/valproato de sódio/divalproato de sódio, lamotrigina, carbamazepina ou oxcarbazepina). A associação de antidepressivos (de diferentes classes) e de antipsicóticos (em especial os de segunda geração como risperidona, olanzapina, quetiapina, ziprasidona, aripiprazol) pode ser necessária para o controle de episódios de depressão e de mania. [19]

Psicoterapêutico[editar | editar código-fonte]

O tratamento psicoterápico pode ajudar[18]:

  • Aumentando a adesão ao tratamento;
  • Reduzindo dos sintomas residuais;
  • Prevenindo recaídas/recorrências;
  • Reduzindo o número e períodos de hospitalizações;
  • Prevenindo suicídio;
  • Melhorando a qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares;
  • Melhorando as habilidades sociais e o desempenho e;
  • Melhorando a capacidade de lidar com situações estressantes em suas vidas.

Eletroconvulsoterapia[editar | editar código-fonte]

Em alguns casos, quando a medicação e psicoterapia não são suficientes, uma alternativa eficiente, segura é o uso de eletroconvulsoterapia (ECT). A ECT utiliza uma corrente eléctrica breve aplicada ao couro cabeludo, enquanto o paciente está sob anestesia. O processo leva cerca de 15 minutos e é feito duas a três vezes por semana durante um período de seis a doze semanas.[20] Em uma revisão bibliográfica do uso da ECT para tratar episódios maníacos ao longo de um período de 50 anos, quase 80% dos 589 pacientes maníacos tiveram melhoras significativas, inclusive os que não responderam aos medicamentos. [21]

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O TBH acarreta incapacitação e grave sofrimento para os portadores e suas famílias. Dados da Organização Mundial de Saúde, ainda na década de 1990, evidenciaram que o TBH foi a sexta maior causa de incapacitação no mundo. Estimativas indicam que um portador que desenvolve os sintomas da doença aos 20 anos de idade, por exemplo, pode perder 9 anos de vida e 14 anos de produtividade profissional, se não tratado adequadamente.

A mortalidade dos portadores de TBH é elevada, e o suicídio é a causa mais frequente de morte, principalmente entre os jovens. Estima-se que até 50% dos portadores tentem o suicídio ao menos uma vez em suas vidas e 15% efetivamente o cometem. Também doenças clínicas como obesidade, diabetes, e problemas cardiovasculares são mais frequentes entre portadores de Transtorno Bipolar do que na população geral. A associação com a dependência de álcool e drogas não apenas é comum (41% de dependência de álcool e 12% de dependência de alguma droga ilícita), como agrava o curso e o prognóstico do TAB, piora a adesão ao tratamento e aumenta em duas vezes o risco de suicídio.É importante ressaltar que nem todos os portadores do Transtorno Bipolar são dependentes de álcool ou drogas ilícitas.

O início dos sintomas na infância e na adolescência é cada vez mais descrito e, em função de peculiaridades na apresentação clínica, o diagnóstico é difícil. Não raramente as crianças recebem outros diagnósticos, o que retarda a instalação de um tratamento adequado. Isso tem consequências devastadoras, pois o comportamento suicida pode ocorrer em 25% dos adolescentes portadores de TBH.

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Ludwig van Beethoven, compositor e pianista.

No início do século XX, a busca pelas raízes da genialidade era um dos temas mais palpitantes da investigação psicológica. Cientistas de ponta tinham poucas dúvidas de que certos males psíquicos davam asas à imaginação. "Quando um intelecto superior se une a um temperamento psicopático, criam-se as melhores condições para o surgimento daquele tipo de genialidade efetiva que entra para os livros de história", sentenciava o filósofo e psicólogo americano William James (1842-1910). Pessoas assim perseguiriam obsessivamente suas idéias e seus pensamentos - para seu próprio bem ou mal -, e isso as distinguiria de todas as outras.

"Muitas pessoas já me caracterizaram como louco", escreveu certa vez Edgar Allan Poe (1809-1849). "Resta saber se a loucura não representa, talvez, a forma mais elevada de inteligência”. Nessa sua suspeita de que genialidade e loucura talvez estejam intimamente entrelaçadas, o escritor americano não estava sozinho. Muito antes, Platão mostrara acreditar em uma espécie de "loucura divina" como base fundamental de toda criatividade.

A criatividade está muitas vezes relacionada a uma doença mental, com os escritores sendo particularmente suscetíveis, de acordo com um estudo feito em mais de um milhão de pessoas.[22] Escritores tiveram um maior risco de transtornos de ansiedade e transtorno bipolar, esquizofrenia, depressão e abuso de substâncias, conforme os pesquisadores suecos do Instituto Karolinska (2012) e são quase duas vezes mais suscetíveis do que a população em geral ao suicídio. Dançarinos e fotógrafos também estão mais propensos a terem transtorno bipolar e os episódios maníacos ou hipomaníacos do transtorno bipolar podem ser propícios para a expressão criativa em algumas pessoas.

Apesar de certos traços poderem ser benéficos ou desejáveis "É importante ressaltar, porém, que nós não devemos romantizar excessivamente as pessoas com problemas de saúde mental, que em sua grande maioria são retratadas como gênios criativos." [23]

Uma equipe da Universidade Estadual do Oregon ao observar a situação ocupacional de um grande grupo de pacientes bipolares típicos, descobriu que "as pessoas com doença bipolar parecem estar desproporcionalmente concentradas em categorias profissionais mais criativas." Eles também descobriram que a probabilidade de "engajamento em atividades criativas no trabalho " é significativamente maior em bipolares do que nos não bipolares. A medicação pode atenuar a expressão criativa, e não pode ser vista de forma positiva neste contexto.

O transtorno bipolar pode oferecer certas vantagens em relação à criatividade, especialmente naqueles portadores dotados de sintomas mais leves.

Um estudo datado de 2005 tentou desvendar a relação entre a criatividade de Virginia Woolf e sua doença mental, que era mais provavelmente o transtorno bipolar. O psiquiatra Gustavo Figueroa, da Universidade de Valparaiso, Chile, escreveu: "Ela era moderadamente estável, excepcionalmente produtiva de 1915, até o suicídio, em 1941." "Virginia Woolf criou pouco ou nada, durante os períodos em que não esteve muito bem, e foi produtiva entre as crises. Uma análise detalhada de sua própria criatividade ao longo dos anos aponta que as doenças eram a fonte de material para seus romances"[24].

Referências

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  2. a b c American Psychiatry Association (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders 5th ed. (Arlington: American Psychiatric Publishing). pp. 123–154. ISBN 0-89042-555-8. 
  3. Goodwin, Guy M. «Bipolar disorder». Medicine [S.l.: s.n.] 40 (11): 596–598. doi:10.1016/j.mpmed.2012.08.011. 
  4. «Causes Signs & Symptoms Who Is At Risk? Diagnosis Treatments Living With Clinical Trials What Is Bipolar Disorder? Causes Signs & Symptoms Who Is At Risk? Diagnosis Treatments Living With Clinical Trials Bipolar Disorder». NIMH. Consultado em January 24, 2016. 
  5. Schmitt A, Malchow B, Hasan A, Falkai P (February 2014). «The impact of environmental factors in severe psychiatric disorders». Front Neurosci [S.l.: s.n.] 8 (19). doi:10.3389/fnins.2014.00019. PMC 3920481. PMID 24574956. 
  6. Diflorio, A; Jones, I (2010). «Is sex important? Gender differences in bipolar disorder.». International Review of Psychiatry (Abingdon, England) [S.l.: s.n.] 22 (5): 437–52. doi:10.3109/09540261.2010.514601. PMID 21047158. 
  7. Hirschfeld, RM; Vornik, LA (Jun 2005). «Bipolar disorder—costs and comorbidity.». The American journal of managed care [S.l.: s.n.] 11 (3 Suppl): S85–90. PMID 16097719. 
  8. LIMA, Maurício Silva de; TASSI, Juliana; NOVO, Ingrid Parra and MARI, Jair de Jesus. Epidemiologia do transtorno bipolar. Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2005, vol.32, suppl.1 [cited 2016-09-14], pp.15-20. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-60832005000700003&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-6083. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832005000700003.
  9. Goldman, E. (1999). Severe Anxiety, Agitation are Warning Signals of Suicide in Bipolar Patients. Clin Psychiatr News . pg 25.
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  12. BOTELHO, Adauto. Estados mistos da psicose maníaco-depressiva. Hist. cienc. saude-Manguinhos [online]. 2010, vol.17, suppl.2 [cited 2016-09-14], pp.704-708. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702010000600029&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0104-5970. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702010000600029.
  13. MONTANINI, Daniel e BANZATO, Cláudio E. M.. Do estigma da psicose maníaco-depressiva ao incentivo ao tratamento do transtorno bipolar: a evolução da abordagem em dois veículos midiáticos nos últimos 40 anos. J. bras. psiquiatr. [online]. 2012, vol.61, n.2, pp.84-88. ISSN 0047-2085. http://dx.doi.org/10.1590/S0047-20852012000200005.
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