Arquidiocese de Braga

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Arquidiocese de Braga
Archidiœcesis Bracarensis
Sé Catedral Metropolitana Primacial de Braga
Localização
País Portugal Portugal
Arquidiocese metropolitana Arquidiocese de Braga
Dioceses sufragâneas Aveiro
Bragança-Miranda
Coimbra
Lamego
Porto
Viana do Castelo
Vila Real
Viseu
Estatísticas
Área 2 832 km²
Arciprestados Amares
Barcelos
Braga
Cabeceiras de Basto
Celorico de Basto
Esposende
Fafe
Guimarães e Vizela
Póvoa de Lanhoso
Terras de Bouro
Vieira do Minho
Vila do Conde/Póvoa de Varzim
Vila Nova de Famalicão
Vila Verde
Informação
Denominação Católica Romana
Rito Romano e Bracarense
Criação da diocese Século III
Elevação a arquidiocese 1070 (949 anos)
Catedral Sé de Braga
Padroeiro São Martinho de Dume
Governo da arquidiocese
Arcebispo Jorge Ferreira da Costa Ortiga
Jurisdição Arquidiocese Metropolitana
(Sé Primaz das Espanhas)
Contatos
Página oficial www.arquidiocese-braga.pt
dados em catholic-hierarchy.org
Provincia eclesiástica de Braga.svg

A Arquidiocese de Braga, sedeada em Braga, é uma Arquidiocese Metropolitana portuguesa, tendo o seu prelado o título de Primaz das Espanhas. Tem 8 Dioceses sufragâneas integradas na sua Província Eclesiástica.

Data, pelo menos, do século III, sendo conhecido do primeiro período da sua história apenas o Bispo Paterno cujo nome figura nas actas do Concílio de Toledo de 400. Não obstante, a tradição faz de São Pedro de Rates o primeiro bispo da cidade, cerca do ano 45 da nossa era.

Por doação do Conde D. Henrique, de 1112 a 1790[n 1] os Arcebispos de Braga detiveram o senhorio de juro e herdade da cidade de Braga, com jurisdição temporal. Nesse período o título oficial dos prelados bracarenses era Arcebispo e Senhor de Braga, Primaz das Espanhas.

Desde 1999 é Arcebispo Primaz de Braga D. Jorge Ortiga. Tem actualmente como Bispo Auxiliar D. Nuno Almeida.

História[editar | editar código-fonte]

Já no primeiro período de existência Braga tinha dignidade metropolítica, com jurisdição sobre todo o noroeste da Península (Galécia), tendo dela dependentes os bispados de Conímbriga, Viseu, Dume, Lamego, Porto e Egitânia. Do período suévico-visigótico conhecem-se os nomes de 12 Prelados bracarenses. Aquando da invasão árabe, Braga ficou no domínio islâmico e os seus Bispos passaram a residir em Lugo.

Após a reconquista cristã, mesmo antes da fundação da Monarquia, foi definitivamente restaurada a Arquidiocese (1070), tomando o seu arcebispo o título de metropolita de Braga. Depois de contendas com a Sé de Compostela, Pascoal II, em 1103, dá a Braga como sufragâneas as Dioceses de Porto, Coimbra, Lamego e Viseu (em Portugal), e mais cinco em território da Espanha.

Célebre ficou também a contenda com Toledo sobre a primazia — ainda hoje, de resto, o arcebispo de Braga usa o título de Primaz das Espanhas. Nos fins do século XIV, as Dioceses dos reinos de Leão e Galiza deixaram de prestar obediência a Braga. A área da Arquidiocese foi posteriormente reduzida com a criação das Dioceses de Miranda (1545), Bragança (1770), Vila Real (1922) e Viana do Castelo (1977) e ainda pela anexação à de Bragança-Miranda do Arcediagado de Moncorvo (1881). De igual forma, a elevação de Lisboa a arquidiocese em 1394 subtraiu ao seu controlo as antigas sufragâneas do Sul do País.

Entre as particularidades mais notáveis desta Sé, considerada das mais antigas da Península Ibérica, está a de possuir um rito litúrgico próprio (rito bracarense), semelhante ao rito romano; aquando da reforma litúrgica tridentina, Braga pôde manter os seus livros, por terem mais de 200 anos e pelo cuidado que teve nisso o Arcebispo D. Frei Bartolomeu dos Mártires; depois de algumas tergiversações resultantes da tentativa de introduzir o rito romano, o bracarense foi restaurado pelo Sínodo de 1918: os novos breviário e missal, aprovados por bulas de 1919 e 1924 respectivamente, tomaram-se obrigatórios em toda a Arquidiocese em 1924. O rito bracarense permanece válido, mesmo depois da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, mas o seu uso tornou-se facultativo, aquando desta reforma, em 18 de Novembro de 1971.

Actualmente, a Arquidiocese confina-se ao Distrito de Braga e às trinta paróquias do Porto, situadas a norte do Rio Ave, nos Concelhos de Santo Tirso, Póvoa de Varzim e Vila do Conde. Abrange 551 paróquias, agrupadas em 14 Arciprestados, numa área de 2832 km², com cerca de 1.000.000 de habitantes. Os Arciprestados, por sua vez, formam três zonas pastorais. Esta organização conflui para o vértice da pastoral na Arquidiocese, com três órgãos consultivos (os Conselhos Presbítera e Pastoral e o Colégio Arciprestal) e um executivo (o Conselho Episcopal).

Bispos de Braga[editar | editar código-fonte]

Segue-se uma lista com o nome dos bispos da Arquidiocese de Braga. Os bispados considerados lendários vão assinalados com um asterisco:

  1. São Pedro de Rates (45-60) *
  2. São Basílio de Braga (60-95) *
  3. Santo Ovídio (95-130) *
  4. Policarpo (130-200) *
  5. Serfriano (200-230) *
  6. Fabião (230-245) *
  7. Félix (245-263) *
  8. Secundo (263-268) *
  9. Caledónio (268-270) *
  10. Narciso (270-275) *
  11. Paterno I (275-290) *
  12. Grato (290-299) *
  13. Salomão (299-300) *
  14. Sinágrio (300-326) *
  15. Lenóncio (326-328) *
  16. Apolónio (328-366) *
  17. Idácio I (366-381) *
  18. Lampádio (381-400) *
  19. Paterno II (400-405), primeiro bispo historicamente referenciável
  20. Profuturo I (405-410) *
  21. Pancracio ou Pancraciano (410-417) *
  22. Balcónio (417-456)
  23. Valério (456-494) *
  24. Idácio II (494-518) *
  25. Apolinário (518-524) *
  26. Castino (524-525)*
  27. Valério (525-527) *
  28. Ausberto (527-537) *
  29. Julião I (537-538) *
  30. Profuturo II (538-550)
  31. Eleutério (550-561) *
  32. Lucrécio (561-562)
  33. São Martinho de Dume e Braga, Apóstolo dos Suevos (562-579)
  34. Pantardo (580-589)
  35. Benigno (589-612) *
  36. Tolobeu (612-633) *
  37. Julião II (633-653)
  38. Potâmio (653-656)
  39. São Frutuoso de Dume e Braga (656-660)
  40. Manucino (660-661) *
  41. Pancrácio (661-675) *
  42. Leodegísio Julião ou Leodecísio Julião (675-678)
  43. Liúva (678-681)
  44. Quirico (681-687) *
  45. Faustino (688-693)
  46. São Félix Torcato ou São Torcato Félix (693-734), último bispo residente em Braga até à elevação arquiepiscopal em 1070, devido à invasão muçulmana; os seus sucessores estabeleceram-se em Lugo, na Galiza
  47. São Vítor de Braga (734-736)
  48. Erónio (736-737) *
  49. Hermenegildo (737-738) *
  50. Tiago (738-740) *
  51. Odoário (740-780)
  52. Ascárico de Braga (780-811) *
  53. Argimundo (821-832) *
  54. Nostiano (832) *
  55. Ataúlfo (832-840)
  56. Ferdizendo (840-842) *
  57. Dulcídio (842-850) *
  58. Gladila (850-867)
  59. Gomado (867-875) *
  60. Flaviano Recaredo (875-881)
  61. Flaviano (881-889) *
  62. Argimiro (889-910) *
  63. Teodomiro (910-924) *
  64. Hero (924-930)
  65. Silvatano (930-942) *
  66. Gundisalvo ou Gonçalo (942-950)
  67. Hermenegildo (951-985)
  68. Pelágio ou Paio (986-1003)
  69. Diogo ou Tiago (1003-1004)
  70. Flaviano (1004-1017)
  71. Pedro (1017-1058)
  72. Maurelo (1058-1060)
  73. Sigefredo (1060)
  74. Vistrário (1060-1070)

Arcebispos de Braga[editar | editar código-fonte]

  1. D. Pedro (I) de Braga (1071 - 1091)
  2. D. São Geraldo de Moissac (1096 - 1108)
  3. D. Maurício Burdino (1109 - 1118), 1º Senhor de Braga, depois antipapa Gregório VIII
  4. D. Paio Mendes (1118 - 1137), 2º Senhor de Braga
  5. D. João (I) Peculiar (11391175), 3º Senhor de Braga
  6. D. Godinho (1176 - 1188), 4º Senhor de Braga
  7. D. Martinho (I) Pires (1189 - 1209), 5º Senhor de Braga
    • D. Pedro (II) Mendes (1209 - 1212), eleito
  8. D. Estêvão Soares da Silva (1213 - 1228), 6º Senhor de Braga
  9. D. Sancho (I) (1229), 7º Senhor de Braga
  10. D. Silvestre Godinho (1229 - 1240), 8º Senhor de Braga
  11. D. Gualtério (1240 - 1245), 9º Senhor de Braga
  12. D. João (II) Egas (1245 - 1251), 10º Senhor de Braga
  13. D. Sancho (II) (1251 - 1265), 11º Senhor de Braga
  14. D. Martinho (II) Geraldes (1265 - 1271), 12º Senhor de Braga
  15. D. Pedro (III) Julião (12721274), 13º Senhor de Braga, depois Papa João XXI da Igreja Católica
  16. D. Sancho (III) (1275), 14º Senhor de Braga
  17. D. Cardeal Ordonho Alvares (12751278), 15º Senhor de Braga
  18. D. Frei Telo (1279 - 1292), 16º Senhor de Braga
  19. D. Martinho (III) Pires de Oliveira (1295 - 1313), 17º Senhor de Braga
  20. D. João (III) Martins de Soalhães (1313 - 1325), 18º Senhor de Braga, antes bispo de Lisboa
  21. D. Gonçalo Pereira (1326 - 1348), 19º Senhor de Braga , antes bispo de Évora e bispo de Lisboa
  22. D. Guilherme de la Garde (1349 - 1361), 20º Senhor de Braga
  23. D. João (IV) de Cardaillac (1361 - 1371), 21º Senhor de Braga
  24. D. Vasco Fernandes de Toledo (1371 - 1372), 22º Senhor de Braga , antes bispo de Lisboa
  25. D. Lourenço Vicente (1374 - 1397), 23º Senhor de Braga
  26. D. João (V) Garcia (1397 - 1398), 24º Senhor de Braga
  27. D. Martinho (V) Afonso de Miranda ou Martinho Afonso da Charneca (1398 - 1416), 25º Senhor de Braga , antes bispo de Coimbra
  28. D. Fernando da Guerra (1416/1417 - 1467), antes bispo do Algarve e do Porto
  29. D. Luís (I) Pires (1468 - 1480), 27º Senhor de Braga
  30. D. João (VI) de Melo (1481), 28º Senhor de Braga
  31. D. Jorge (II) Vaz da Costa (1486 - 1501), 29º Senhor de Braga
  32. D. Cardeal Jorge (III) da Costa (1501 - 1505), 30º Senhor de Braga, dito Cardeal da Alpedrinha, administrador da diocese a partir de Roma
  33. D. Diogo (I) de Sousa (1505 - 1532), 31º Senhor de Braga
  34. D. Cardeal-Rei D. Henrique (15331540), 32º Senhor de Braga
  35. D. Frei Diogo (II) da Silva, O.F.M. (1540 - 1541), 33º Senhor de Braga
  36. D. D. Duarte de Portugal (1542 - 1543), 34º Senhor de Braga
  37. D. Manuel (I) de Sousa (1545 - 1549), 35º Senhor de Braga
  38. D. Frei Baltasar Limpo (1550 - 1558), 36º Senhor de Braga
  39. D. Beato Frei Bartolomeu Fernandes dos Mártires, O.P. (15591581), 37º Senhor de Braga
  40. D. João (VIII) Afonso de Menezes (1581 - 1587), 38º Senhor de Braga
  41. D. Frei Agostinho de Jesus (1588 - 1609), 39º Senhor de Braga, nascido Pedro de Castro
  42. D. Frei Aleixo de Meneses (16121617), 40º Senhor de Braga
  43. D. Afonso Furtado de Mendonça (1618 - 1626), 41º Senhor de Braga, também bispo da Guarda, bispo de Coimbra-conde de Arganil, arcebispo de Lisboa e vice-rei de Portugal
  44. D. Rodrigo (I) da Cunha (16271635), 42º Senhor de Braga, também arcebispo de Lisboa
  45. D. Sebastião de Matos de Noronha (16351641), 43º Senhor de Braga, também bispo de Elvas; suspeito de conjura contra D. João IV morreu na Torre de Belém
  46. D. Veríssimo de Lencastre (16701677), 45º Senhor de Braga
  47. D. Luís (II) de Sousa (16771690), 46º Senhor de Braga
  48. D. José (I) de Menezes (16901696), 47º Senhor de Braga
  49. D. João (IX) de Sousa (16961703), 48º Senhor de Braga, depois arcebispo de Lisboa
  50. D. Rodrigo (II) de Moura Teles (17041728), 49º Senhor de Braga
  51. Infante D. José de Bragança (17411756), 50º Senhor de Braga
  52. Infante D. Gaspar de Bragança (17581789), 51º Senhor de Braga, menino da Palhavã
  53. D. Frei Caetano Brandão, T.O.R. (17901805), 52º Senhor de Braga
  54. D. José (III) da Costa Torres (1807 - 1813)
  55. D. Frei Miguel da Madre de Deus da Cruz, O.F.M. (18151827)
  56. D. Pedro (V) Paulo de Figueiredo da Cunha e Melo (18431855)
  57. D. José (IV) Joaquim de Azevedo e Moura (18561876)
  58. D. Frei João (X) Crisóstomo de Amorim Pessoa, O.F.M. (18761883)
  59. D. António (I) José de Freitas Honorato (18831898)
  60. D. Manuel (II) Baptista da Cunha (18991913)
  61. D. Manuel (III) Vieira de Matos (19151932)
  62. D. António (II) Bento Martins Júnior (19331963)
  63. D. Francisco Maria da Silva (19631977)
  64. D. Eurico Dias Nogueira (19771999)
  65. D. Jorge (IV) Ferreira da Costa Ortiga (1999 – presente)

Escutismo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Com uma interrupção de 70 anos, de 1402 a 1472, em que a cidade foi pertença da Coroa.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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