Blairo Maggi

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Blairo Maggi
Ministro de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Período 12 de maio de 2016
até a atualidade
Presidente Michel Temer
Antecessor(a) Kátia Abreu
Senador pelo Mato Grosso
Período 1 de fevereiro de 2011
até 12 de maio de 2016
53° Governador do Mato Grosso
Período 1 de janeiro de 2003
até 31 de março de 2010
Vice-governador Silval Barbosa
Antecessor(a) Rogério Salles
Sucessor(a) Silval Barbosa
Vida
Nascimento 29 de maio de 1956 (60 anos)
Nacionalidade Brasil brasileiro
Dados pessoais
Progenitores Mãe: Lúcia Borges Maggi
Pai: André Antônio Maggi
Esposa Terezinha Maggi
Partido PPS (2001-2006)
PR (2006-2016)
PP (2016-presente)
Profissão Agrônomo

Blairo Borges Maggi (Torres, 29 de maio de 1956) é um agrônomo, empresário e político brasileiro.

Blairo é o atual ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento[1] do governo Michel Temer, desde maio de 2016. Foi o 53º governador de Mato Grosso de 2003 a 2010 e Senador da República pelo mesmo Estado de 2011 até maio de 2016[2][3][4].

Biografia[editar | editar código-fonte]

Formação acadêmica e início da carreira[editar | editar código-fonte]

Graduado em Agronomia pela Universidade Federal do Paraná, Blairo chegou a Mato Grosso para plantar soja em Itiquira, no sul do estado. O negócio prosperou, dando origem ao atual Grupo Amaggi fundado por Blairo, um dos grupos empresariais que mais produzem e exportam soja do País bem como com negócios em diversas atividades econômicas, incluindo logística de transportes, pecuária e produção de energia elétrica.

Desenvolvimento como agrônomo e como empresário[editar | editar código-fonte]

O pai de Blairo, André Antônio Maggi, havia fundado em 1973 a Sementes Maggi, uma produtora de sementes de soja cujo cultivo começava a avançar pelo cerrado e produtora a qual tornou-se depois o Grupo Amaggi fundado por Blairo e o qual é um dos principais acionistas junto de sua mãe Lúcia, do cunhado Itamar Locks e da irmã Marli[5].

Posição da família Maggi em empreendedorismo[editar | editar código-fonte]

Os Maggi foram os líderes mundiais na produção de soja nos 1990 e início dos 2000, o que rendeu ao político a fama de "rei da soja"[6][7]. Em 2014, segundo a revista Forbes, a família era a sétima mais rica do país[8], sendo Blairo o segundo político mais rico do Brasil[9].

Considerado o maior produtor individual de soja do mundo, Blairo Maggi (através do Grupo Amaggi) é responsável por 5% da produção anual do grão brasileiro.[1] Na safra de 2005/2006 perdeu o título para seu primo Eraí Maggi Scheffer, presidente do Grupo Bom Futuro.

Vida pública[editar | editar código-fonte]

O início[editar | editar código-fonte]

Blairo ingressou na política como suplente do senador Jonas Pinheiro, ocupando o posto de primeiro suplente do senador eleito em 1994. Naquela época, era filiado ao Partido Progressista (PP). A proximidade com o senador refletiu em todo o seu governo eleito em 2002. Governou Mato Grosso de 2003 a 2007, tendo sido reeleito para o termo 2007-2010.

Primeira campanha pelo governo de Mato Grosso[editar | editar código-fonte]

Em 2002, ao postular pela primeira vez o governo de Mato Grosso, admitiu preferir a candidatura de Lula à Presidência da República em relação ao seu então correligionário Ciro Gomes, indicado pelo PPS[10]. Eleito com 51% dos votos, priorizou os investimentos em infraestrutura no estado, tendo pavimentado mais de mil quilômetros de rodovias estaduais[11].

Campanha pela reeleição[editar | editar código-fonte]

Por apoiar oficialmente a reeleição do petista[12] contra a campanha de Ciro, quatro anos depois, ao se reeleger governador, deixou o Partido Popular Socialista e filiou-se ao Partido da República (PR), meses depois.[13] Participou, assim, da base de sustentação política, como governador, no segundo governo Lula. Nesta época, o Greenpeace o elegeu o rei do desmatamento e lhe concedeu o prêmio Motoserra de Ouro.[14] Como senador, no início do primeiro governo Dilma, continuou apoiando o PT, tendo sido, inclusive, cotado para assumir o Ministério dos Transportes na época.[15][16] Opôs-se a ela, contudo, sobretudo no seu segundo governo, apoiando o prosseguimento do processo de Impeachment que depôs a Presidente.[17] Nesta feita, deixou o PR e se filiou ao Partido Progressista (PP) para compor o governo Michel Temer[18].

À frente do governo[editar | editar código-fonte]

Em 2008, Maggi criou o programa denominado MT Legal, que visa estimular a regularização e legalização fundiária, além de monitorar as propriedades rurais do seu estado através de imagens de satélite. Todavia, o estado de Mato Grosso não só continua incluído no chamado "Arco do Desmatamento" (a parte da Amazônia Legal que mais perde área florestada) como o ritmo do desmatamento do estado dobrou (depois do seu governo), entre agosto de 2012 e julho de 2013. Mato Grosso foi o estado que mais desmatou, depois do Pará, respondendo por 621 km² dos 2.007 km² de acréscimo à área devastada, nesse período.[19]

Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes de 2009[20].

Também em 2009, a Revista Forbes[21] considerou o empresário como 62º entre os 67 líderes mais influentes do mundo. Entre os critérios avaliados pela revista estão o grau de influência sobre outras pessoas, capacidade de liderança, importância econômica e as áreas de atuação que, no caso de Maggi, são política, industrial, na produção de alimentos e na logística de transportes.

Desfiliou-se do Partido Popular Socialista (PPS) por apoiar a reeleição do presidente Lula em 2006 a troco da renegociação de dívidas dos produtores rurais brasileiros com o Banco do Brasil e a prerrogativa de indicar ou vetar nomes para alguns cargos no governo federal, entre outros entendimentos candidamente expostos pelo governador na campanha pela reeleição de Lula.

Renunciou ao cargo para poder ser candidato ao Senado Federal[22].

No Senado[editar | editar código-fonte]

Em 2010, foi eleito com mais de um milhão de votos para compor o Senado Federal pelo Mato Grosso. Foi seguido, então, por Pedro Taques, eleito com ele, que por sua vez recebeu pouco mais de 700 mil votos[23].

Em 27 de fevereiro de 2013, Blairo assumiu a presidência da Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle do Senado Federal, apesar da resistência dos parlamentares ligados ao movimento ambientalista[24].

Em novembro de 2015, anunciou seu ingresso ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB)[25]. Porém meses depois, em março de 2016, recuou na decisão e confirmou que continuaria no Partido da República (PR), ao menos até as eleições de 2016.[26]

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2016, filiou-se ao Partido Progressista (PP), a fim de representar o partido no governo Michel Temer, assumindo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento[27]. Técnico na área, Maggi assumiu a pasta no lugar de Kátia Abreu, com o desafio de atender ao segmento que responde por mais de um quarto do PIB brasileiro: o agronegócio.

Logo após sua posse o ambientalista Daniel Nepstad - referência em ecologia ambiental e respeitado em todo o mundo[carece de fontes?] - afirmou que Blairo Maggi fará sim uma agenda ambiental brasileira, vez que, quebrou paradigmas ao sair das críticas que recebeu em 2005 -  quando o Greenpeace entregou um prêmio ao empresário denominado "Motosserra de Ouro". Conforme cita o ambientalista, Blairo foi responsável por levar uma delegação de 35 pessoas à Bali, em 2007, para participar da Conferência para Acordo do Clima (COP). Fruto dessa experiência, Maggi estipulou um ambicioso plano de redução do desmatamento em Mato Grosso, e no ano de 2009 conseguiu abaixar as taxas em 87%[carece de fontes?]. Trabalho que o credencia para o desempenho da nova função, por mostrar que desenvolvimento e produção podem sim caminhar lado a lado com o meio ambiente.

À frente da pasta, Maggi lançou o Plano Agro+ no intuito de reduzir a burocracia de diversos processos do setor, assim como de atualizá-los. A iniciativa foi a primeira, entre os Ministérios do novo governo, criada com essa intenção[28]. As medidas incluíram redução da fiscalização sanitária, poucos meses antes da Operação Carne Fraca. Em setembro do mesmo ano, em viagem oficial à China, expressou o objetivo de expandir em mais de 3% a participação brasileira no comércio mundial de alimentos num prazo de cinco anos, saindo dos então 7% e alcançando 10%[29]. Na ocasião, fez críticas às restrições chinesas, como a demora na habilitação de novas plantas, que, segundo ele, ocorreriam para impor a compra de produtos chineses pelo Brasil[30].

Após o escândalo provocado pela Operação Carne Fraca, que evidenciou as falhas nas fiscalizações sanitárias, corrupção e fraudes, as exportações brasileiras de carne caíram 19%.[31]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Blairo é casado com Terezinha Maggi, e possui com ela três filhos: André, Belisa e Ticiane.

A família Maggi é inteiramente católica.

Prêmio Motosserra de Ouro[editar | editar código-fonte]

Em 2005, quando governava Mato Grosso, Blairo foi contemplado com o antiprêmio Motosserra de Ouro - criado pela ONG ambientalista Greenpeace - por sua relevante contribuição ao desmatamento e à destruição da Floresta Amazônica[32]. No entanto, Maggi se recusou a receber o prêmio, que seria entregue pela Mulher Samambaia durante um movimentado evento conduzido pelo Repórter Vesgo[33][34][35].

O desmatamento do ano ficou em cerca de 24.597 km², dos quais mais de 48% apenas no estado governado por Blairo. Maggi chegou a afirmar que "Esse negócio de floresta não tem o menor futuro".[36]

Quatro anos após, em 2010, o Greenpeace novamente presenteou o governador Maggi - dessa vez, com uma caixa de bombons de cupuaçu[37][fonte confiável?], fruto de uma árvore originária da Amazônia brasileira. Maggi foi premiado por implementar o programa MT Legal, criado por ele mesmo em 2008 com a finalidade de promover o licenciamento ambiental e o uso de tecnologias de controle do uso do solo através de imagens de satélite, além de fiscalizar as atividades desenvolvidas nas propriedades rurais, de modo a preservar matas ciliares e nascentes e afinal reduzir o passivo ambiental do seu estado.[carece de fontes?] Até outubro de 2011, segundo informado no site de Blairo Maggi, o programa havia cadastrado 20 milhões de hectares de propriedades - cerca de metade da área de produção agrícola de Mato Grosso[38].

Operação Carne Fraca[editar | editar código-fonte]

Como Ministro da Agricultura, Blairo anunciou medidas que chamou de “desburocratização do agronegócio”, cujo ponto fundamental foi a redução da fiscalização sanitária. Blairo Maggi (PP) afirmou que “Temos de confiar mais nas empresas que fazem. Quem vai penalizar as empresas, uma vez erradas, pegas numa infração, é o sistema de fiscalização, mas é principalmente o mercado que tem de punir aquele que faz as coisas erradas” [39]. Poucos meses após o anúncio, a Operação Carne Fraca se tornou conhecida, evidenciando a corrupção sistêmica dos agentes e processos que deveriam garantir a qualidade da carne e de seus derivados.

Mais gafes[editar | editar código-fonte]

Durante a 22ª Conferência do Clima em Marrakech, uma dos encontros mais importantes da ONU, o ministro minimizou o conflito agrário, afirmando, sobre o número de mortes de ambientalistas no ano, que "é só 50". Naquele ano houve, no mundo, 200 mortes do tipo, sendo 50 no Brasil, o que fez do país o campeão mundial de assassinato de ambientalistas.[40]

Também afirmou que o meio ambiente era protegido pela "consciência dos agricultores" que, segundo ele, seria maior que a lei. Alguns meses antes Blairo havia proposto o fim do licenciamento ambiental, ainda durante a comoção iniciada após o Rompimento de barragem em Mariana, da mineradora Samarco, que causou prejuízos ambientais bilionários e dezenas de mortes.[41]

Referências

  1. «Blairo Maggi (PP), ministro da Agricultura do governo Temer». G1.globo.com. 12 de maio de 2016. Consultado em 2 de agosto de 2016 
  2. «A surpresa dos novos rostos». IstoÉ. 14 de outubro de 2002. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  3. «Blairo Maggi é eleito senador por Mato Grosso». Jornal do Brasil. 3 de outubro de 2010. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  4. «Blairo Maggi assume Ministério da Agricultura». Sociedade Nacional de Agricultura. 13 de maio de 2016. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  5. «Família do senador Blairo Maggi entra na lista de bilionários da Forbes». Estado de Minas. 11 de abril de 2014. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  6. «Blairo Maggi: 60 mais poderosos do Brasil». iG São Paulo. Consultado em 2 de agosto de 2016 
  7. «Família Maggi, do 'rei da soja', entra na lista de bilionários da 'Forbes'». Estadão. 11 de abril de 2014. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  8. «Revista Forbes elege família Maggi como 7ª mais rica do Brasil». Olhar Direto. 15 de maio de 2014. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  9. «The Richest Politicians In Brazil» (em inglês). Forbes. Consultado em 6 de fevereiro de 2014 
  10. «Maggi defende apoio a Lula em Mato Grosso». Terra. 10 de outubro de 2002. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  11. «Blairo Borges Maggi». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  12. «Apoio a Lula mantém ponte entre agronegócio e governo, diz Maggi». O Globo. 17 de outubro de 2006. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  13. «Após meses sem partido, Blairo Maggi filia-se ao PR». Estadão. 5 de março de 2007. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  14. MacSwan, Angus (20 de junho de 2005). «Blairo Maggi é premiado com "Motosserra de Ouro" do Greenpeace». Consultado em 7 de setembro de 2016 
  15. Bastos Moreno, Jorge (16 de fevereiro de 2002). «Dilma volta a convidar Blairo Maggi para o Ministério dos Transportes». O Globo. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  16. «Blairo Maggi recusa convite de Dilma». Tribuna do Norte. 9 de julho de 2011. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  17. Maggi, Blairo (30 de março de 2016). «Por que apoio o impeachment». Imprensa Blairo Maggi. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  18. Mascarenhas, Gabriel; Valente, Rubens (17 de maio de 2016). «Blairo Maggi se filia ao PP e já traça planos para Agricultura». Folha de S. Paulo. Consultado em 7 de setembro de 2016 
  19. Amazônia teve 2007 km² desmatados entre agosto de 2012 e julho passado. Por Cleide Carvalho. O Globo 19 de agosto de 2013.
  20. «Os 100 brasileiros mais influentes de 2009», Globo, Época, consultado em 20 de dezembro de 2009 
  21. «Blairo Maggi», Forbes, 2009 .
  22. "Blairo Maggi deixa governo de MT para concorrer ao Senado". Terra. 31 de março de 2010.
  23. «MT elege Blairo Maggi e Pedro Taques ao Senado». G1.globo.com. 3 de outubro de 2010. Consultado em 6 de setembro de 2016 
  24. Blairo Maggi assume presidência da Comissão de Meio Ambiente. Terra, 27 de Fevereiro de 2013.
  25. Blairo Maggi se filia ao PMDB em Brasília e diz que era 'desejo antigo'. G1 MT, 17 de novembro de 2015.
  26. Senador Blairo Maggi (MT) descarta filiação ao PMDB antes das eleições. G1 MT, 08 de março de 2016.
  27. Blairo Maggi se filia ao PP. Estadão', 11 de maio de 2016.
  28. «Governo lança Plano Agro+ para reduzir burocracia no setor». Canal Rural. 24 de agosto de 2016. Consultado em 6 de setembro de 2016 
  29. «Blairo Maggi: Seminário em Xangai é oportunidade para aumentar exportações». Portal Planalto. 1 de setembro de 2016. Consultado em 6 de setembro de 2016 
  30. «China: Blairo Maggi diz que o Brasil tem condições de atender demanda mundial de alimentos». Agrolink. 5 de setembro de 2016. Consultado em 6 de setembro de 2016 
  31. «Exportações de carnes caem 19% após início da Carne Fraca». O Globo. 27 de março de 2017 
  32. Blairo Maggi é premiado com Motosserra de Ouro do Greenpeace. Globo Rural.
  33. Desmatamento leva Pânico ao Mato Grosso, Greenpeace, 15 de junho 2005
  34. Vídeo: Humoristas do programa Pânico na TV tentam entregar o prêmio Motosserra de Ouro ao governador Blairo Maggi. 15 de junho de 2005
  35. Soya king wins Chainsaw [Rei da soja ganha Motossera], Greenpeace .
  36. «Maggi, o Barão da Soja, é também o rei do desmatamento». Brasil 
  37. «ONG dá caixa de bombons ao invés de motosserra para Blairo Maggi», BR, Olhar direto , 16 de março de 2010.
  38. Site do senador Blairo Maggi.
  39. «Governo deixou a fiscalização com as empresas e deu no que deu - Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito». Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito. 26 de março de 2017 
  40. «Mais respeito, senhor ministro!». Brasil 
  41. «Mais respeito, senhor ministro!». Brasil 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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