Blues rock
| Blues rock | |
|---|---|
| Origens estilísticas | |
| Contexto cultural | Década de 1960 na Inglaterra e Estados Unidos |
| Instrumentos típicos | |
| Popularidade | Alta na década de 1960 e 1970 |
| Formas derivadas | |
| Gêneros de fusão | |
Blues rock é um gênero de fusão de rock e blues que se baseia nos acordes, escalas e na improvisação instrumental do blues.[1] É principalmente uma música de conjunto de estilo elétrico, com instrumentação semelhante ao blues elétrico e ao rock (guitarra elétrica, baixo elétrico, bateria e, por vezes, teclados e harmónica). Desde os seus primórdios, do início a meados da década de 1960, o blues rock passou por várias mudanças estilísticas e, ao longo do caminho, inspirou e influenciou o hard rock, o southern rock e o heavy metal inicial.
O gênero começou com músicos de rock no Reino Unido e nos Estados Unidos a interpretarem canções de blues americanas. Tipicamente, recriavam canções de Chicago blues, como as de Willie Dixon, Muddy Waters e Jimmy Reed, em andamentos mais rápidos e com um som mais agressivo comum ao rock. No Reino Unido, o estilo foi popularizado por grupos como os The Rolling Stones, The Yardbirds e The Animals, que levaram várias canções de blues às tabelas pop. Nos Estados Unidos, Lonnie Mack, a Paul Butterfield Blues Band e Canned Heat estiveram entre os primeiros expoentes. Algumas destas bandas também tocavam longas e elaboradas improvisações, como era então comum em discos de jazz.[2] No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o estilo tornou-se mais orientado para o hard rock. Johnny Winter, os primeiros The Allman Brothers Band e os ZZ Top representaram uma tendência de hard rock, juntamente com Led Zeppelin, Ten Years After, Chicken Shack e Foghat no Reino Unido.
Juntamente com o hard rock, as canções de blues rock tornaram-se o núcleo da música tocada nas rádios de album-oriented rock nos Estados Unidos e, mais tarde, do formato de rock clássico ali estabelecido durante a década de 1980.[3]
Características
[editar | editar código]O blues deu ao rock o amor incondicional de uma mãe, nutrindo-o nas suas fases difíceis e proporcionando sempre um regresso acolhedor, por mais longe que se tenha afastado de casa.
Dave Lifton de Ultimate Classic Rock (16 de dezembro de 2016).[4]
O blues rock pode ser caracterizado pela improvisação de carácter blues, longas jams boogie geralmente centradas em solos de guitarra elétrica, e frequentemente por um som e uma sensação mais pesados e orientados por riffs nas canções do que os encontrados no blues típico ao estilo de Chicago. As bandas de blues rock "tomaram emprestada a ideia de um conjunto instrumental e de amplificação alta do rock and roll". Também é frequentemente tocado a um andamento rápido, distinguindo-o novamente do blues.[2]
As canções de blues rock seguem frequentemente estruturas típicas do blues, como o blues de doze compassos, de dezesseis compassos, etc. Utilizam também a progressão I-IV-V, embora existam exceções, havendo algumas peças com uma secção "B", enquanto outras permanecem no I. A versão de "Stormy Monday" de The Allman Brothers Band, que utiliza substituições de acordes com base na interpretação de 1961 de Bobby "Blue" Bland, acrescenta uma seção de solo em que "o ritmo muda sem esforço para uma sensação de jazz em tempo 6/8 mais rápido".[5] A tonalidade é geralmente maior, mas também pode ser menor, como em "Black Magic Woman".
Uma diferença notável é o uso frequente de colcheias retas ou ritmo de rock em vez dos tercetos normalmente encontrados no blues. Um exemplo é a canção "Crossroads", de Cream. Embora tenha sido adaptado de "Cross Road Blues", de Robert Johnson, o baixo "combina-se com a bateria para criar e enfatizar continuamente a continuidade no impulso métrico regular".[6]
Décadas de 1960 e 1970
[editar | editar código]
A música rock utiliza ritmos impulsionados e técnicas de guitarra elétrica, como distorção e power chords, já usadas por guitarristas de blues elétrico dos anos 1950, particularmente músicos do Memphis blues, como Joe Hill Louis, Willie Johnson e Pat Hare.[7][8] As características que o blues rock adotou do blues elétrico incluem a sua textura densa, a instrumentação básica de bandas de blues,[9] o estilo vocal áspero e declamatório, riffs de guitarra pesados, solos de guitarra com bending na escala blues, batida forte, textura espessa carregada de riffs e apresentações com posturas marcantes.[10] Precursores do blues rock incluíram músicos do Chicago blues como Elmore James, Albert King e Freddie King, que começaram a incorporar elementos de rock and roll nas suas músicas de blues desde o final da década de 1950 até ao início da década de 1960.[11][12][13]
Em 1963, surgiu o guitarrista solo de rock americano Lonnie Mack, cujo estilo peculiar e acelerado de guitarra blues elétrica [14] passou a ser identificado com o advento do blues rock como um gênero distinto. Seus instrumentais desse período eram reconhecíveis como músicas de blues ou rhythm and blues, mas ele se baseava fortemente em técnicas de palhetada rápida derivadas dos gêneros tradicionais americanos de country e bluegrass . Os mais conhecidos deles são os singles de sucesso de Billboard de 1963 "Memphis " e "Wham!".[15] Quase na mesma época, foi formada a Paul Butterfield Blues Band. Liderada pelo gaitista e cantor Paul Butterfield, a banda incluía dois membros da banda de turnê de Howlin' Wolf, o baixista Jerome Arnold e o baterista Sam Lay, e mais tarde dois guitarristas elétricos, Mike Bloomfield e Elvin Bishop.[16] Em 1965, seu álbum de estreia, The Paul Butterfield Blues Band, foi lançado. Michael Erlewine, do AllMusic, comentou: "Acostumados a ouvir blues tocado por grupos como os Rolling Stones, aquele primeiro álbum teve um enorme impacto em jovens músicos de rock (principalmente brancos)."[15] O segundo álbum, East West (1966), introduziu solos extensos – a faixa instrumental que dá título ao álbum, com 13 minutos de duração, incluía influências de jazz e raga indiano – que serviram de modelo para o rock psicodélico e acid rock.[15] Em 1965, os ávidos colecionadores de blues Bob Hite e Alan Wilson formaram o Canned Heat. Suas primeiras gravações focavam-se em versões elétricas de canções do Delta blues, mas logo começaram a explorar longas improvisações musicais ("jams") construídas em torno de canções de John Lee Hooker.[15]

No Reino Unido, vários músicos aprimoraram suas habilidades em algumas bandas britânicas de blues, principalmente as de Cyril Davies e Alexis Korner.[17] Enquanto os primeiros grupos de british rhythm and blues, como The Rolling Stones, The Yardbirds e The Animals, incorporavam R&B, rock and roll e pop americanos, John Mayall adotou uma abordagem de blues elétrico mais distinta.[17] Em 1966, ele lançou o Blues Breakers with Eric Clapton, o primeiro de vários álbuns influentes de blues rock.[18] Quando Eric Clapton deixou Mayall para formar o Cream, eles criaram um estilo híbrido com blues, rock e jazz improvisation, que foi o mais inovador até então.[19] A banda britânica Fleetwood Mac inicialmente tocava blues elétrico de orientação tradicional, mas logo evoluiu.[20] Seu guitarrista, Peter Green, que substituiu Clapton em Mayall, trouxe muitas inovações para sua música.[21] Chicken Shack, Jethro Tull, Keef Hartley Band e Climax Blues Band gravaram músicas de blues rock.
A guitarra elétrica de Jimi Hendrix (veterano de muitos grupos americanos de rhythm and blues e soul do início e meados da década de 1960) e seus power trios, The Jimi Hendrix Experience e o Band of Gypsys, teve uma influência ampla e duradoura no desenvolvimento do blues rock, especialmente para guitarristas. Clapton continuou a explorar vários estilos musicais e contribuiu para levar o blues rock ao mainstream.[17] No final da década de 1960, Jeff Beck, com sua banda Jeff Beck Group, desenvolveu o blues rock em uma forma de heavy rock.[17] Jimmy Page, que substituiu Beck no Yardbirds, seguiu o exemplo com o Led Zeppelin [17] e se tornou uma força importante na cena heavy metal da década de 1970. Outros músicos de blues rock na década de 1970 incluem Pat Travers, Rory Gallagher, Robin Trower e Roy Buchanan.
No início da década de 1970, bandas americanas como o Aerosmith fundiram o blues com uma pegada de hard rock. O blues rock cresceu e passou a incluir bandas southern rock, como Allman Brothers Band, ZZ Top e Lynyrd Skynyrd, enquanto a cena britânica, com exceção do surgimento de grupos como Status Quo e Foghat, se concentrou na inovação do heavy metal.[22]
Década de 1980 até o presente
[editar | editar código]
Embora o blues rock e o hard rock compartilhassem muitas semelhanças no início da década de 1970, estilos de blues mais tradicionais influenciaram o blues rock na década de 1980.[2] The Fabulous Thunderbirds, Stevie Ray Vaughan, Georgia Satellites e Robert Cray gravaram os seus trabalhos mais conhecidos. Os guitarristas Gary Moore, Jeff Healey e Kenny Wayne Shepherd se tornaram atrações populares em apresentações ao vivo na década de 1990. Cantoras de blues como Bonnie Raitt, Susan Tedeschi, Joanne Shaw Taylor, Beth Hart, Shannon Curfman e Sue Foley gravaram álbuns de blues rock.[23]
Músicos como Jon Spencer Blues Explosion e Ben Harper lançaram canções de blues rock alternativo. Gary Clark Jr., conhecido por sua fusão de blues, rock e soul, foi classificado como um artista de blues rock,[24] com Jonathan Bernstein, da revista Rolling Stone referindo-se aos álbuns de Clark, Blak and Blu (2012) e The Story of Sonny Boy Slim (2015), como "imersos em um estilo de produção de blues-rock moderno e elegante".[25]
Formada em 2017, Bulls of Prey é uma banda húngara de sucesso neste gênero. O músico de blues rock Joe Bonamassa fundou Keeping the Blues Alive Records em 2020. Larry McCray, Robert Jon & the Wreck, Joanna Connor e outros lançaram músicas pela gravadora. Dion também teve vários álbuns número um pela KTBA.[26]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ a b c «Blues-Rock». AllMusic. Consultado em 10 de maio de 2015
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ Lifton, Dave (16 de dezembro de 2016). «The History of Country-Rock: The '50s and '60s». Ultimate Classic Rock (em inglês). Consultado em 8 de dezembro de 2025
- ↑ Poe 2006.
- ↑ Headlam 1997, pp. 63–71.
- ↑ Palmer 1992, pp. 24–27.
- ↑ Palmer 1980, p. 12: "Black country bluesmen made raw, heavily amplified boogie records of their own, especially in Memphis, where guitarists like Joe Hill Louis, Willie Johnson (with the early Howlin' Wolf band) and Pat Hare (with Little Junior Parker) played driving rhythms and scorching, distorted solos that might be counted the distant ancestors of heavy metal."
- ↑ Campbell & Brody 2007, pp. 80–81.
- ↑ Campbell & Brody 2007, p. 201.
- ↑ Dicaire 1999.
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ Santelli 1997, pp. 377-378.
- ↑ Guterman 1992, p. 34.
- ↑ a b c d Prown & Newquist 1997, p. 25.
- ↑ Erlewine 1996, pp. 40–42.
- ↑ a b c d e Eder 1996, pp. 376–378.
- ↑ Guralnick 1989, p. 27.
- ↑ Adelt 2011, pp. 72–73.
- ↑ Unterberger 1996, pp. 85–87.
- ↑ Brackett 2007, p. 25.
- ↑ Prown & Newquist 1997, p. 113.
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
- ↑ «Blues-Rock Music Style Overview». AllMusic. Consultado em 25 de outubro de 2023
Bibliografia
[editar | editar código]- Adelt, Ulrich (2011). Blues Music in the Sixties: A Story in Black and White. New Brunswick, New Jersey: Rutgers University Press. ISBN 978-0813551746
- Brackett, Donald (2007). Fleetwood Mac: 40 Years of Creative Chaos. Westport, Connecticut: Praeger. ISBN 978-0-275-99338-2
- Campbell, Michael; Brody, James (2007). Rock and Roll: An Introduction. [S.l.]: Cengage Learning. ISBN 978-1111794538
- Christe, Ian (2004). Sound of the Beast. [S.l.]: Allison & Busby. ISBN 0-7490-8351-4
- Dicaire, David (1999). «Elmore James». Blues Singers. [S.l.]: McFarland. ISBN 978-0786406067
- Erlewine, Michael Erlewine; Bogdanov, Vladimir; Woodstra; Koda, Cub, eds. (1996). «British Blues». All Music Guide to the Blues. San Francisco: Miller Freeman Books. ISBN 0-87930-424-3
- Erlewine, Michael Erlewine; Bogdanov, Vladimir; Woodstra; Koda, Cub, eds. (1996). «Paul Butterfield Blues Band». All Music Guide to the Blues. San Francisco: Miller Freeman Books. ISBN 0-87930-424-3
- Guralnick, Peter (1989). Feel Like Going Home: Portraits in Blues and Rock 'n' Roll. [S.l.]: Perennial Library. ISBN 978-0060971755
- Guterman, Jimmy (1992). The Best Rock 'N' Roll Records of All Time. [S.l.]: Carol. ISBN 978-0806513256
- Headlam, Dave (1997). «Blues Transformations in the Music of Cream». In: Covach; Boone. Understanding Rock: Essays in Musical Analysis. [S.l.]: Oxford University Press. ISBN 978-0-19510-0051
- Palmer, Robert (1980). Miller, ed. The Rolling Stone Illustrated History of Rock & Roll. New York City: Rolling Stone. ISBN 039-4513223
- Palmer, Robert (1992). «The Church of the Sonic Guitar». In: Anthony DeCurtis. Present Tense: Rock & Roll and Culture. Durham, North Carolina: Duke University Press. ISBN 0-8223-1265-4
- Poe, Randy (2006). Skydog: The Duane Allman Story. San Francisco, California: Backbeat Books. ISBN 0-87930-891-5
- Prown, Pete; Newquist, Harvey P. (1997). Legends of Rock Guitar: The Essential Reference of Rock's Greatest Guitarists. [S.l.]: Hal Leonard. ISBN 0-7935-4042-9
- Santelli, Robert (1997). The Best of the Blues: The 101 Essential Albums. [S.l.]: Penguin Books. ISBN 978-0140237559
- Erlewine, Michael Erlewine; Bogdanov, Vladimir; Woodstra; Koda, Cub, eds. (1996). «Blues Rock». All Music Guide to the Blues. San Francisco: Miller Freeman Books. ISBN 0-87930-424-3
- Weinstein, Deena (2000). Heavy Metal: The Music and Its Culture. [S.l.]: Da Capo Press. ISBN 0-306-80970-2