Ir para o conteúdo

Boémia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
 Nota: Para outros significados, veja Boémia (desambiguação).
Localização da Boêmia dentro da União Europeia.
Brasão de armas do Reino da Boémia.

Boémia (português europeu) ou Boêmia (português brasileiro) (Čechy em língua checa, Böhmen em alemão) é uma região histórica da Europa Central. Foi parte do Sacro Império Romano-Germânico, do Império Austríaco e do Império Austro-Húngaro. Após a Segunda Guerra Mundial, passou a ser os terços ocidental e médio da atual Chéquia (Česko). Na língua checa "boémio" e "checo" são sinônimos.

Geografia

[editar | editar código]

Com uma área de 52 750 km quadrados e 6,25 milhões de habitantes, de um total de 10,3 milhões de checos, a Boémia é limitada pela Alemanha a oeste, a Polónia a nordeste, a província checa da Morávia a leste e a Áustria ao sul. As fronteiras da Boémia decorrem em grande parte ao longo de cordilheiras como a floresta da Boémia, os Montes Metalíferos (Hercínia) ou as Montanhas dos Gigantes como parte das montanhas Sudetos.

É atravessada pelos rios Elba, Moldava e Ohře, tendo também lagoas e lagos. As principais cidades são Praga, Plzeň, Ústí nad Labem, České Budějovice, Liberec, Pardubice e Hradec Králové. O clima é continental temperado. A população concentra-se nas áreas industrializadas e nas planícies férteis.

A agricultura centra-se, principalmente, no cultivo de centeio, cevada, aveia, batatas, pomares, beterraba açucareira, lúpulo e de linho. Atualmente a economia da Boémia baseia-se nas indústrias agroalimentícia, cervejeira, siderúrgica, mecânica, têxtil, química, da cerâmica, do vidro e da madeira. Também têm importância económica a pecuária, a exploração florestal e a mineração de carvão, ferro, zinco, chumbo, prata, urânio, caulino e grafite.

Tem duas estâncias termais: Karlovy Vary e Mariánské Lázně.

História

[editar | editar código]

O nome Boémia deriva de Boihaemum ou casa dos Boios, um antigo povo celta que migrou para esta região no início do século V a.C e permaneceram habitando a Boêmia até o início da Era Cristã, quando aumentou à pressão do Império Romano e a região foi invadida pelas tribos germânicas dos marcomanos, vindos do oeste. [1]

Após a saída dos marcomanos, as tribos eslavas povoaram a região. Já no começo do século VI, tiveram que expulsar turíngios e longobardos, tribos germânicas que em suas migrações, também chegaram a habitar o território da Boêmia. Houve algumas áreas que no entanto, eslavos e germânicos conviveram durante certo tempo. No final do século VI, os germânicos já haviam sido assimilados pelos eslavos ou migrado para outras regiões. [2]

Ocupação desses territórios pelos povos Eslavos, entre os anos de 900-1024

A pré-história da Boêmia, antes da formação do estado, está muito relacionado com a queda do estado da Morávia no século X, que sobre uma pressão húngara, possibilitou e acelerou os processos de consolidação do estado. Situada em uma planície, no centro da Europa, sempre foi lugar de excelentes condições naturais para ocupação humana, sendo cercado por uma cadeia de montanhas, e estando localizada na bacia do rio Moldava, que deságua no Elba. A região foi ocupada desde o século IV a.C. pelos celtas Boii, que deram a terra o nome que ela é conhecida em muitas línguas: Boiohaemum, Boêmia, Bohmen. Posteriormente, sendo dominado por tribos germânicas, que logo após abandonarem o local, começou a ser controlada por tribos eslavas. Embora, no inicio não tenha ocorrido uma unificação do território, ele sofreu extrema influencia do tchecos, que ocupavam boa parte do terreno, sendo Praga, uma das principais cidades. A unificação da região ocorreu entre os séculos VIII e X, ao reinado de Boleslau I, que conseguiu a subordinação de toda planície sobre os tchecos, sendo estabelecido no séculos XI, a união duradoura entre a Morávia e a Boêmia. Com a queda da Morávia, ficou difícil resistir a pressão dos germânicos, tendo que se subemeter a Otão I, em 950.[3]

No início do século XV, nas Guerras Hussitas, a luta para impor o protestantismo ao país, fez nascer uma forte consciência nacional. Em 1526, o trono passou para às mãos dos reis austríacos Habsburgo e, durante os três séculos seguintes, as terras checas perderam a independência. O estado independente nasceu após a Primeira Guerra Mundial (28 de outubro de 1918).[4] A Boêmia passou a fazer parte da Tchecoslováquia até 1993, data da constituição da República Checa e da República Eslovaca. Na língua checa não há distinção entre os adjetivos "boémio" e "checo." [5]

Ver também

[editar | editar código]

Referências

  1. John Haywood: The Celts - Bronze Age to New Age
  2. genealogiaboemia.wordpress
  3. Kobylinski, Zbigniew (2006). The New Cambridge Medieval History: c.500-c.700. Estados Unidos: Cambridge University Press. p. 13 
  4. PRECLÍK, Vratislav. Masaryk a legie, váz. kniha, 219 str., vydalo nakladatelství Paris Karviná, Žižkova 2379 (734 01 Karviná) ve spolupráci s Masarykovým demokratickým hnutím, 2019, ISBN 978-80-87173-47-3,s. 8 - 48, s. 95 - 116, s. 125 - 148, s. 157-160, s. 165 - 169
  5. (český)
O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Boémia
Ícone de esboço Este artigo sobre Geografia da Chéquia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.