Boa Saúde

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Município de Boa Saúde
"Terra de Nossa Senhora da Saúde"
"Cidade do Coração da Gente"
Pórtico da Cidade

Pórtico da Cidade
Bandeira de Boa Saúde
Brasão de Boa Saúde
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 11 de dezembro
Fundação 1953 (65 anos)
Emancipação 11 de dezembro de 1953
Gentílico boasaudense
Padroeiro(a) Nossa Senhora da Saúde
CEP 59260-000
Prefeito(a) Maria Edice Francisco e Félix (PR)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Boa Saúde
Localização de Boa Saúde no Rio Grande do Norte
Boa Saúde está localizado em: Brasil
Boa Saúde
Localização de Boa Saúde no Brasil
06° 09' 28" S 35° 36' 03" O06° 09' 28" S 35° 36' 03" O
Unidade federativa  Rio Grande do Norte
Mesorregião Agreste Potiguar IBGE/2008[1]
Microrregião Agreste Potiguar IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Norte: Bom Jesus, Macaíba;
Sul: Serrinha e São José do Campestre;
Leste: Lagoa Salgada e Vera Cruz;
Oeste: Serra Caiada e Senador Elói de Souza;
Distância até a capital 59 km
Características geográficas
Área 187,107 km² [2]
Distritos Córrego de São Mateus
População 10 096 hab. IBGE/2017[3]
Densidade 53,96 hab./km²
Altitude 104 m
Clima Semiárido Bsh
Fuso horário [[UTC
Indicadores
IDH-M 0,574 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 34 313,001 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 014,16 IBGE/2008[5]
Página oficial
Prefeitura http://www.boasaude.rn.gov.br
Câmara http://cmboasaude.rn.gov.br/

Boa Saúde (ex-Januário Cicco) é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Norte. Está na microrregião do Agreste Potiguar. De acordo com estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no ano de 2017 sua população era de 10.096 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento da área que constitui o município de Boa Saúde se desenvolveu a partir do início da primeira metade do século XIX, com a expansão do território de São José de Mipibu. A interiorização da Colônia, através do sistema de datas e o avanço da pecuária foram responsáveis pela ocupação das terras. Na data do Lerdo, se desenvolveu o povoado de Boa Saúde; na data de San Matheos o povoado de Córrego de São Mateus e, na data das Almas o sítio Gatos, atual Guarani. Documentos de partilhas de terras comprovam a existência de habitantes na região, bem antes de 1859.

As famílias mais antigas de Boa Saúde, que se tem notícias, são: Saca, Ferreira e Nunes. Pertencente a família Saca, Antônio Badamero muito contribuiu para a formação do povoado, como carpinteiro, pedreiro e oferecendo “arrancho” aos tropeiros. Com a chegada da família Cachoeira, que teria vindo do sertão da Paraíba, a formação do povoado tomou novo impulso. Possuidores de um certo “recurso”, se estabeleceram em várias partes do território com a agricultura e a criação de gado.

Quanto à origem do nome Boa Saúde, existe mais de uma versão. Uma de que romeiros, aconselhados por um padre, voltaram do Juazeiro com a imagem de Nossa Senhora da Saúde e a partir daí o povoado passou a se chamar Boa Saúde. Outra, de que os Cachoeiras teriam construído uma capela, dedicada a Nossa Senhora da Saúde, depois que uma pessoa da família ficou curada após banhar-se no rio, onde existia muito muçambê. E, ainda, que o povoado passou a se chamar Boa Saúde depois que um viajante, hospedado na casa de Antônio Badamero, adoeceu e ao ficar curado, ter exclamado ser um lugar abençoado, um lugar de muita saúde.Depois do ocorrido, Luiz Cachoeira tomou a iniciativa de mandar construir uma capela dedicada a Nossa Senhora da Saúde, cujo pedreiro foi Antônio Badamero.

A imagem de Nossa Senhora da Saúde teria vindo da Europa, o que é mais provável, pois o nome Boa Saúde já era citado em documentos de 1878, enquanto as romarias ao Juazeiro se intensificaram, onze anos depois, a partir de 1889.

Pertencendo a São José de Mipibu, foi a partir do início da década de 1930 que Boa Saúde se fortaleceu como povoado. Possuía, à época uma concorrida feira e com o desenvolvimento da cultura e do comércio do algodão chegou a possuir duas bolandeiras. As principais lideranças da época eram José Heronides da Câmara e Manoel Joaquim de Souza (Neco de Sinhá). Em 1935 foram inaugurados, o mercado e o grupo escolar. Em 1936, passou a zona fiscal com uma agência arrecadadora e, em 1938, foi elevada à categoria de vila. O ideal de emancipação teve início nos últimos anos da década de 1940, tendo como principais lideranças: Antônio Augusto de Souza e Manoel Teixeira de Souza.

Em 1953 foram criados vários municípios no Rio Grande do Norte. Boa Saúde seria um deles se não fosse o veto do Deputado Estadual João Frederico Abott Galvão. Ao invés de município, teve seu território dividido e passou a pertencer aos, recém criados, municípios de Monte Alegre e Serra Caiada. O movimento pela emancipação continuou mais articulado, ainda, e culminou com a criação do município em 11 de dezembro do mesmo ano, recebendo em troca do apoio do Deputado João Frederico a denominação de Januário Cicco. Foi nomeado como primeiro prefeito o Tenente Adauto Rodrigues da Cunha. A primeira eleição municipal foi no dia 3 de outubro de 1954, sendo eleitos como primeiro prefeito constitucional Manoel Teixeira de Souza e como vice-prefeito José Batista Xavier.

Depois de 37 anos como Januário Cicco, em 2 de fevereiro de 1991, o município passou a se chamar Boa Saúde, atendendo a uma antiga reivindicação dos seus moradores, alicerçada na tradição e na devoção a Nossa Senhora da Saúde.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localização[editar | editar código-fonte]

O município de Boa Saúde está localizado na microrregião Agreste Potiguar, e na Zona Homogênea de Planejamento Agreste do Estado. Seu território perfaz 187,2 km², ocupando 0,35% do território do estado do Rio Grande do Norte, sendo ainda abrangido pela Bacia Trairi em sua maioria, e a parte sul é abrangida pela Bacia do Jacu. A altitude da sede é de aproximadamente 104 metros e as coordenadas geográficas dessa área está a 6° 09’ 30” S e 35° 36’ 02” O.

Geologia[editar | editar código-fonte]

A região na qual se insere Boa Saúde está numa faixa de transição entre as rochas cristalinas (oeste) e as sedimentares (leste), resultando com isso em diferenças de relevo e vegetação.As áreas com litologias do Barreiras e Depósitos Colúvio-eluviais são mais planas e com maior capacidade de armazenamento de água, sendo observável nesses locais um maior número de lagoas, mesmo que temporárias.Entre as duas regiões de Depósitos Colúvio-eluviais que cortam o município está encaixado o vale do Rio Trairi que segue da região semiárida a oeste (montante) para uma região de clima úmido a leste (jusante).O restante das litologias existentes no município, são todas rochas cristalinas e metamórficas, onde são verificados solos mais rasos e pedregosos. Essa configuração geológica faz com que o município seja potencialmente alvo de interesses de exploração dos recursos naturais voltados para o ramo da indústria e da construção civil 

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Boa Saúde apresenta seu território inserido em duas Bacias Hidrográficas, a do rio Jacu e a maior parte na do rio Trairi.Os solos rasos da região fazem com que o regime de água desses rios seja intermitente, sendo possível enxergar o leito do rio no período de estiagem onde se observam os afloramentos rochosos metamórficos da região. Durante a estação das chuvas as maiores preocupações estão relacionadas aos efluentes líquidos, uma vez que não existe saneamento básico em nenhuma comunidade de Boa Saúde, exceto na sede. Isto porque as chuvas carreiam os efluentes e materiais dispersos na superfície para os canais de drenagem, causando contaminação das águas que seguem para leste. De uma maneira geral os cursos d’água apresentam boas condições no que se refere à qualidade das águas, mas as suas margens carecem de maiores cuidados quanto à preservação da cobertura vegetal para que sejam evitados os assoreamentos dos canais, bem como impedidas as ocupações nas proximidades das áreas urbanas. Cessadas as chuvas os rios tornam a secar rapidamente, perdurando mais quando os reservatórios artificiais a montante (municípios vizinhos a oeste) permitem a passagem das águas através das comportas das barragens.   

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima é tipo Bsh, segundo Classificação de Köppen, ou seja, clima semiárido caracterizado pela baixa umidade e pouco volume pluviométrico. A temperatura média anual é em torno dos 25 °C e o índice pluviométrico é de 663 milímetros por ano (mm/ano),[6] chegando aos 758 mm/ano no distrito de Córrego de São Mateus.[7]

Dados climatológicos para Boa Saúde
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 31,5 31,3 30,8 30,1 29,1 27,8 27,4 27,9 29,3 30,5 31,1 31,4 29,8
Temperatura média (°C) 26,5 26,4 26,1 25,6 24,9 23,7 23,1 23,3 24,4 25,3 25,8 26,2 25,1
Temperatura mínima média (°C) 21,5 21,6 21,5 21,2 20,7 19,7 18,9 18,8 19,5 20,1 20,6 21,1 20,4
Precipitação (mm) 31 59 102 125 94 88 82 36 19 5 8 14 663
Fonte: Climate-data.org[6]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
19705 243
19806 71028,0%
19916 659-0,8%
20007 68715,4%
20109 01117,2%
Est. 201710 096[8]12,0%
Fonte: CNB/IBGE (1982-2010) [9]

A população de Boa Saúde no censo demográfico de 2010 era de 10.096  habitantes, sendo o 73º município mais populoso do Rio Grande do Norte e apresentando uma densidade populacional de 48,13 km². Desse total, 3.209 habitantes viviam na zona urbana (35,6%) e  5.802 na zona rural (64,4%) .Ao mesmo tempo, 4.374 pessoas eram do sexo feminino (48,54%) e 4.637  do sexo masculino (51,46%), tendo uma razão de sexo de 106,1.[10] Quanto à faixa etária, 5.642 tinham entre 15 e 64 anos (62,61%), 2.576 menos de 15 anos (28,59%) e 793 65 anos ou mais (8,80%).[11]

Índice de Desenvolvimento Humano do município é considerado baixo, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo dados do relatório de 2010, divulgados em 2013, seu valor era de 0,574, sendo o  141º maior do Rio Grande do Norte. Considerando-se apenas o índice de longevidade, seu valor é de 0,771 , o valor do índice de renda é de 0,511 e o de educação é de 0,481.[11] Em 2010, 43,8% da população vivia acima da linha de pobreza, 32,7% abaixo da linha de indigência e 23,5% entre as linhas de indigência e de pobreza. No mesmo ano, os 20% mais ricos eram responsáveis por 55,4% do rendimento total municipal, valor mais de 25,4 superior à dos 20% mais pobres, que era de apenas 2,2%.

Padroeira da Cidade[editar | editar código-fonte]

A devoção a Nossa Senhora da Saúde, na cidade de Boa Saúde, no Rio Grande do Norte, começou com a construção da capela e a vinda da imagem da Europa, mais provavelmente de Portugal, por iniciativa de Luiz Francisco da Costa, conhecido como Luiz Cachoeira.  São muitos os devotos de Nossa Senhora da Saúde, que durante o ano, visitam sua igreja para obter ou agradecer uma graça por sua intercessão. Mas,  nos dias 31 de janeiro, 01 e 02 de fevereiro milhares de pessoas, participam da tradicional Festa em honra a  Padroeira.  A consolidação dessa devoção a Nossa Senhora da Saúde, segundo a tradição, completa mais de 139 anos em fevereiro de 2017, uma vez que o documento mais antigo que se conhece e faz referências ao nome de Boa Saúde, data de 22 de junho de 1878 (Fonte: Boa Saúde Origem e História, paginas 31 e 32).  Assim, podemos dizer, sem sombra de dúvidas, que a festividade em honra a Nossa Senhora da Saúde é a mais forte tradição sócio-religiosa da nossa terra reunindo milhares de pessoas dos municípios vizinhos, de outras regiões  e de outros estados. Ela faz parte da nossa história e se constitui num patrimônio imaterial da cidade de Boa Saúde, no Rio Grande do Norte, e do nosso povo.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). IBGE. 10 out. 2002. Consultado em 5 de dezembro de 2010. 
  3. «ESTIMATIVAS DA POPULAÇÃO RESIDENTE NO BRASIL E UNIDADES DA FEDERAÇÃO COM DATA DE REFERÊNCIA EM 1 DE JULHO DE 2014» (PDF). IBGE. 1 de julho de 2014. Consultado em 9 de março de 2015. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 4 de setembro de 2013. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 11 de dezembro de 2010. 
  6. a b «Clima: Boa Saúde». Climate-Data.org. Consultado em 17 de janeiro de 2016.. Cópia arquivada em 7 de novembro de 2017 
  7. a b «Clima: Córr. de São Mateus». Climate-Data.org. Consultado em 24 de dezembro de 2017.. Cópia arquivada em 9 de março de 2016 
  8. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome IBGE_Pop_2016
  9. «População dos municípios das capitais e Percentual da população dos municípios das capitais em relação aos das unidades da federação nos Censos Demográficos». 25 de março de 2014. Cópia arquivada em 25 de março de 2014 
  10. «IBGE Censo 2010». censo2010.ibge.gov.br. Consultado em 23 de fevereiro de 2017. 
  11. a b «Januário Cicco». Atlas Brasil. Consultado em 23 de Fevereiro de 2017. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre municípios do estado do Rio Grande do Norte é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.