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Bom Jesus do Galho

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Município de Bom Jesus do Galho
"Bonja"
Vista do Cristo Paz de Bom Jesus do Galho

Vista do Cristo Paz de Bom Jesus do Galho
Bandeira de Bom Jesus do Galho
Brasão de Bom Jesus do Galho
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 31 de dezembro de 1943 (73 anos)
Gentílico bonjesuense
Prefeito(a) Jadir José da Silva (DEM)
(2013–2016)
Localização
Localização de Bom Jesus do Galho
Localização de Bom Jesus do Galho em Minas Gerais
Bom Jesus do Galho está localizado em: Brasil
Bom Jesus do Galho
Localização de Bom Jesus do Galho no Brasil
19° 49' 44" S 42° 18' 57" O19° 49' 44" S 42° 18' 57" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Vale do Rio Doce IBGE/2013[1]
Microrregião Caratinga IBGE/2013[1]
Região metropolitana Vale do Aço
Municípios limítrofes Norte: Timóteo e Caratinga;
Noroeste: Marliéria;
Oeste: Pingo-d'Água e Córrego Novo;
Sul: Raul Soares;
Leste: Caratinga, Entre Folhas e Vargem Alegre.
Distância até a capital 304 km
Características geográficas
Área 592,289 km² [2]
Distritos Passa Dez, Quartel do Sacramento, Revés de Belém e Sede[3]
População 15 500 hab. estatísticas IBGE/2016[4]
Densidade 26,17 hab./km²
Altitude 550 m
Clima tropical quente semiúmido Aw
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,623 médio PNUD/2010[5]
PIB R$ 100 469 mil IBGE/2012[6]
PIB per capita R$ 6 591,58 IBGE/2012[7]
Página oficial

Bom Jesus do Galho é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Pertence à Mesorregião do Vale do Rio Doce, àMicrorregião de Caratinga e ao colar metropolitano do Vale do Aço e localiza-se a leste da capital do estado, estando desta cerca de 300 km.[8] Ocupa uma área de 592,289 km², sendo que 2,2 km² estão em perímetro urbano,[9] e sua população em 2016 era de 15 500 habitantes.[4]

A sede tem uma temperatura média anual de 21,3 °C[10] e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 65% da população vivendo na zona urbana,[11] Bom Jesus do Galho contava, em 2009, com dezesseis estabelecimentos de saúde.[12] O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,623, classificado como médio em relação ao estado.[5]

A exploração da área do atual município teve início no século XVIII, quando chegam os primeiros civilizados, que estavam a explorar o Vale do Rio Doce e mais tarde adquirir terras dos indígenas. As disputas por território geraram vários conflitos, mas a catequização dos índios, defendida por Guido Marlière, fez com que fosse possível formar um povoado. Este se desenvolveu em função da agricultura, sendo elevado a distrito, pertencente a Caratinga, em 1877 e emancipado em 31 de dezembro de 1943.[13][3]

As principais manifestações culturais presentes no município são o artesanato e os grupos teatrais e de manifestação tradicional popular,[14] além dos eventos festivos, tais como o Carnaval, a Festa do Bonjesuense Ausente e as comemorações religiosas da Semana Santa e da Festa do Jubileu do Senhor do Bom Jesus.[15] Também destacam-se as cachoeiras e lagoas propícias a banhos e os atrativos naturais ligados ao complexo do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), além do Cristo Paz da cidade.[16]

História[editar | editar código-fonte]

Até o século XVIII, o lugar era habitado exclusivamente pelos índios botocudos. A região de Ouro Preto passava por uma decadência na extração de ouro e com isso expedições adentaram o Vale do Rio Doce à procura do metal até o atual município de Conselheiro Pena (onde chegaram em 1781). Os exploradores instalaram um ponto de parada em Quartel do Sacramento e próximo dali construíram uma ponte sobre o Rio Doce em 1779. No começo do século XIX, houve interesse por parte dos colonos de habitarem o Vale do Rio Doce, passando a disputar as terras com os índios. Durante as disputas, os indígenas incendiaram a antiga ponte, que foi reconstruída na década de 1930 pela Acesita e atualmente é conhecida como Ponte Queimada,[13][17] situada onde hoje se encontra a divisa entre Pingo-d'Água e Marliéria.[18]

Ruas em Revés de Belém, distrito criado em 1996.

Em 1820, o soldado francês Guido Marlière substitui as batalhas contra os índios pela catequização dos mesmos, facilitando o povoamento, e em 1847, Reginaldo Lopes e João José da Silva tomam posse de sesmarias de terras na cidade. Nas décadas seguintes observa-se um considerável desenvolvimento em função da agricultura e um notável fluxo migratório para o atual município, em especial com pessoas de origem de Araponga, Jequeri, Ervália e Viçosa.[13] O topônimo "Bom Jesus" foi uma homenagem que Adão Coelho fez após recorrer ao Senhor Bom Jesus e se curar de uma enfermidade, por volta de 1880. Adão doou terreno para construir uma pequena capela, onde situa-se a Igreja Matriz. Ao seu redor se formou um pequeno núcleo urbano, que teve um abrupto crescimento após a chegada da Estrada de Ferro Leopoldina, na década de 30, sendo desativada décadas depois.[13]

Dada a evolução econômica e demográfica, pela lei provincial nº 2.407, de 5 de novembro de 1877, é criado a partir do povoado o distrito de Galho (subordinado a Caratinga), recebendo a denominação de Bom Jesus do Galho pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911. Pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, o distrito perde área para a criação de Vermelho Velho, pertencente a Matipó.[3] Sua emancipação ocorreu pelo decreto-lei estadual nº 1.058, de 31 de dezembro de 1943,[19] constituído pela sede municipal e pelo distrito de Vermelho Velho, que voltou a fazer parte de Bom Jesus do Galho.[3]

Pela estadual nº 336, de 27 de dezembro de 1948, foram criados os distritos de Córrego Novo e Passa Dez, ao mesmo tempo que Vermelho Velho voltou a ser desmembrado de Bom Jesus do Galho, agora anexado a Raul Soares. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, houve a criação do distrito de Quartel do Sacramento e Córrego Novo foi elevado a município. A lei complementar nº 7, de 2 de agosto de 1996, criou o distrito de Revés de Belém, restando a partir de então três distritos, além da sede municipal: Passa Dez, Quartel do Sacramento e Revés de Belém.[3]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de 592,289 km²,[2] sendo que 2,2378 km² constituem a zona urbana e os 588,733 km² restantes constituem a zona rural.[9] Situa-se a 19º49'44" de latitude sul e 42°18'58" de longitude oeste e está a uma distância de 304 quilômetros a leste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano do Vale do Aço juntamente com outras 23 cidades (além dos quatro municípios principais) desde janeiro de 2012.[20] Seus municípios limítrofes são Timóteo e Caratinga, a norte; Marliéria, a noroeste; Pingo-d'Água e Córrego Novo, a oeste; Raul Soares, a sul; Caratinga, a leste e nordeste; e Entre Folhas e Vargem Alegre, a leste.[8]

Relevo, hidrografia e meio ambiente[editar | editar código-fonte]

Pastagens em Bom Jesus do Galho.

O relevo do município de Bom Jesus do Galho é predominantemente ondulado. Em aproximadamente 60 % do território bonjesuense há o predomínio de lugares ondulados, enquanto cerca de 25 % é coberto por áreas com mares de morros e terrenos montanhosos e os 15 % restantes são áreas planas.[8] A altitude máxima encontra-se na cabeceira do Córrego dos Batistas, que chega aos 986 metros, enquanto que a altitude mínima está na Lagoa Branca, com 253 metros. Já o ponto central da cidade está a 550 m.[8]

A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram a poluição de corpos d'água.[21] O território municipal se encontra nos limites do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que é a maior reserva de Mata Atlântica do estado de Minas Gerais, no entanto o predomínio é do reflorestamento com eucalipto visando a alimentar as indústrias do Vale do Aço.[22]

O território é banhado por vários pequenos rios e córregos, sendo os principais o Córrego dos Batistas e os ribeirões do Boi, do Galho e Sacramento, os quais fazem parte da Bacia do Rio Doce.[8][23] Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979,[24] que também atingiram vários municípios do leste mineiro,[25] e em 2004 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios.[26] Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas na região, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e Agência Nacional de Águas (ANA) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.[27]

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados diários de chuva registrados
em Bom Jesus do Galho por meses
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 119,0 mm 20/01/1987 Julho 43,2 mm 19/07/1941
Fevereiro 100,0 mm 02/02/1988 Agosto 38,0 mm 29/08/1990
Março 78,0 mm 04/03/2005 Setembro 73,7 mm 06/09/2009
Abril 104,6 mm 04/04/1968 Outubro 89,6 mm 30/10/1944
Maio 74,6 mm 30/05/1979 Novembro 150,3 mm 10/11/1999
Junho 29,4 mm 11/06/1978 Dezembro 136,0 mm 14/12/1987
Fonte: Agência Nacional de Águas (ANA)[28]

O clima bonjesuense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical sub-quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen),[29] tendo temperatura média anual de 21,3 °C com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas.[30][31] Os meses mais quentes, fevereiro e março, têm temperatura média de 23,7 °C, sendo a média máxima de 28,9 °C e a mínima de 18,5 °C. E o mês mais frio, julho, de 18,0 °C, sendo 24,5 °C e 11,5 °C as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.[10]

A precipitação média anual é de 1 203,8 mm, sendo junho o mês mais seco, quando ocorrem apenas 13,4 mm. Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em 226,4 mm.[10] Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos 30 °C, especialmente entre julho e setembro. Em julho de 2013, por exemplo, a precipitação de chuva em Bom Jesus do Galho não passou dos 0 mm.[32] Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.[21][33][34]

Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), desde 1941 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Bom Jesus do Galho foi de 150,3 mm, no dia 10 de novembro de 1999.[35] Outros grandes acumulados foram de 136,0 mm, em 14 de dezembro de 1987;[36] 120,2 mm, em 24 de dezembro de 1994;[37] e 119,0 mm, em 20 de janeiro de 1987.[38] De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 416º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 3,9858 raios por quilômetro quadrado.[39]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1970 21 841
1980 17 446 -20,1%
1991 17 519 0,4%
2000 16 173 -7,7%
2010 15 364 -5,0%
Est. 2016 15 500 -4,2%
Fonte: Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística
(IBGE)[40]

Em 2010, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 15 364 habitantes.[11] Segundo o censo daquele ano, 7 824 habitantes eram homens e 7 840 habitantes eram mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, 10 024 habitantes viviam na zona urbana e 5 340 na zona rural.[11] Já segundo estatísticas divulgadas em 2016, a população municipal era de 15 500 habitantes.[4] Da população total em 2010, 3 516 habitantes (22,88%) tinham menos de 15 anos de idade, 10 141 habitantes (66,00%) tinham de 15 a 64 anos e 1 707 pessoas (11,11%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,0 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 1,8.[41]

Em 2010, a população bonjesuense era composta por 5 405 brancos (35,18%); 951 negros (6,19%); 37 amarelos (0,24%); 8 969 pardos (58,38%) e dois indígenas (0,01%).[42] Considerando-se a região de nascimento, 12 eram nascidos na Região Norte (0,08%), 61 na Região Nordeste (0,40%), 15 160 no Sudeste (98,67%), 45 no Sul (0,29%) e 18 no Centro-Oeste (0,12%). 14 978 habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (97,49%) e, desse total, 10 697 eram nascidos em Bom Jesus do Galho (69,62%).[43] Entre os 386 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 97 pessoas (0,63%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 52 residentes (0,34%), e pelo Paraná, com 45 habitantes residentes no município (0,29%).[44]

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Bom Jesus do Galho é considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,623 (o 3631º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,491, o valor do índice de longevidade é de 0,800 e o de renda é de 0,615.[5] De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 48,7% e em 2010, 71,8 da população vivia acima da linha da pobreza, 15,1% encontrava-se na linha da pobreza e 13,1% estava abaixo[45] e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,5, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor.[46] A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 51,0%, ou seja, 17 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 3,1%.[45]

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Bom Jesus do Galho está composta por: 11 825 católicos (76,96%), 2 576 evangélicos (16,77%), 872 pessoas sem religião (5,68%), 22 espíritas (0,14%) e 0,45% estão divididas entre outras religiões.[47]

Política e administração[editar | editar código-fonte]

A administração municipal se dá pelos poderes Executivo e Legislativo.[48] William Motos, do Partido Progressista (PP), é o representante do poder Executivo de Bom Jesus do Galho eleito nas eleições municipais de 2016, ao conquistar um total de 5 651 votos (57,09% dos eleitores),[49] sucedendo a Jadir José da Silva, do Democratas (DEM).[50] O poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por onze vereadores eleitos para mandatos de quatro anos (em observância ao disposto no artigo 29 da Constituição[51]). Nas eleições de 2016 foram eleitas três cadeiras do Partido Popular Socialista (PPS), três cadeiras do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), duas cadeiras do Partido Socialista Brasileiro (PRB), uma cadeira do Partido Republicano da Ordem Social (PROS), uma do Partido dos Trabalhadores (PT) e uma do Partido Verde (PV). Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (lei de diretrizes orçamentárias).[49]

Apesar de não ser sede de uma comarca, o município pertence à Comarca de Caratinga, classificada de entrância especial, que reúne, além de Bom Jesus do Galho, os municípios de Caratinga, Córrego Novo, Entre Folhas, Imbé de Minas, Piedade de Caratinga, Pingo-d'Água, Santa Bárbara do Leste, Santa Rita de Minas, Ubaporanga e Vargem Alegre e foi instalada em 7 de maio de 1892.[52] Havia 11 478 eleitores em dezembro de 2013, o que representava 0,076% do total do estado de Minas Gerais.[53]

Economia[editar | editar código-fonte]

O Produto Interno Bruto (PIB) de Bom Jesus do Galho é um dos maiores de sua microrregião, destacando-se na agropecuária e na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2011, o PIB do município era de R$ 92 547 mil.[54] 2 530 mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes[54] e o PIB per capita era de R$ 6 048,05.[54] Em 2010, 51,16% da população maior de 18 anos era economicamente ativa, enquanto que a taxa de desocupação era de 8,55%.[41] Salários juntamente com outras remunerações somavam 8 410 mil reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,5 salários mínimos. Havia 220 unidades locais e 218 empresas atuantes.[55]

Setor primário
Produção de cana-de-açúcar, mandioca e milho (2012)[56]
Produto Área colhida (hectares) Produção (tonelada)
Cana-de-açúcar 90 4 500
Mandioca 300 1 818
Milho 800 1 500

A agricultura é segundo setor mais relevante na economia de Bom Jesus do Galho. Em 2011, de todo o PIB da cidade, 23 169 mil reais era o valor adicionado bruto da agropecuária,[54] enquanto que em 2010, 48,65% da população economicamente ativa do município estava ocupada no setor.[41] Segundo o IBGE, em 2012 o município possuía um rebanho de 22 597 bovinos, 163 bubalinos, 52 caprinos, 217 equinos, 199 muares, onze ovinos, 303 suínos e 16 144 aves, entre estas 6 023 galinhas e 10 121 galos, frangos e pintinhos.[57] Neste mesmo ano, a cidade produziu 10 953 mil litros de leite de 8 927 vacas, 42 mil dúzias de ovos de galinha e 5 260 quilos de mel de abelha.[57]

Na lavoura temporária, são produzidos principalmente a cana-de-açúcar (4 500 toneladas produzidas e 90 hectares cultivados), a mandioca (1 818 toneladas e 300 hectares) e o milho (1 500 toneladas e 600 hectares), além do arroz, da batata doce, do feijão e do girassol.[56] Já na lavoura permanente, destacam-se o café (1 800 toneladas produzidas e 2 mil hectares cultivados), a laranja (300 toneladas produzidas e 15 hectares cultivados) e a banana (140 toneladas e 14 hectares), além do coco-da-baía, do limão e da tangerina.[58]

Setores secundário e terciário
Cultivo e extração de eucalipto em Bom Jesus do Galho.

A indústria, em 2011, era o setor menos relevante para a economia do município. 10 302 reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário).[54] A produção industrial ainda é incipiente na cidade, mesmo que comece a dar sinais de aprimoramento, sendo resumida principalmente à extração de madeira, em especial do eucalipto, para suprir à demanda das siderúrgicas da Região Metropolitana do Vale do Aço, como da Aperam South America (em Timóteo), da Usiminas (em Ipatinga) e da Cenibra (em Belo Oriente), sendo que muitas dessas empresas mantêm propriedades em Bom Jesus do Galho.[22][59] Segundo estatísticas do ano de 2010, 3,17% dos trabalhadores de Bom Jesus do Galho estavam ocupados no setor industrial.[41]

A chegada dos primeiros moradores do então povoado de Galho, transformado em distrito de Caratinga em 1887, trouxe o primeiro movimento comercial, mas somente no final do século XIX, com o estabelecimento do núcleo urbano, é que a atividade se consolidou. Ao redor da capela construída a mando de Adão Coelho, surgiram as primeiras moradias e lojas.[13] Em 2010, 7,48% da população ocupada estava empregada no setor de construção, 0,86% nos setores de utilidade pública, 9,83% no comércio e 27,50% no setor de serviços[41] e em 2011, 56 546 reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor terciário.[54]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Habitação e criminalidade[editar | editar código-fonte]

Loteamento em Bom Jesus do Galho, próximo à divisa com Vargem Alegre.

No ano de 2010, a cidade tinha 4 819 domicílios particulares permanentes. Desse total, 4 736 eram casas, 59 eram apartamentos, oito eram casas de vila ou em condomínios e 16 eram habitações em casas de cômodos ou cortiços. Do total de domicílios, 3 597 são imóveis próprios (3 544 já quitados e 53 em aquisição), 526 foram alugados, 660 foram cedidos (304 cedidos por empregador e 356 cedidos de outra forma) e 36 foram ocupados sob outra condição.[60] Parte dessas residências conta com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. 2 950 domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água (61,21% do total); 4 727 (98,09%) possuíam banheiros para uso exclusivo das residências; 2 954 (61,29% deles) eram atendidos por algum tipo de serviço de coleta de lixo; e 4 738 (98,31%) possuíam abastecimento de energia elétrica.[60]

A criminalidade ainda é um problema presente em Bom Jesus do Galho.[61] Entre 2006 e 2008, a taxa de homicídios no município foi de 10,7 para cada 100 mil habitantes, ficando no 151° lugar a nível estadual e no 1645° lugar a nível nacional.[62] Neste período, a taxa de suicídios também foi de 6,4 para cada 100 mil habitantes, ficando no 117° lugar a nível estadual e no 837° lugar a nível nacional.[63] Já em relação à taxa de óbitos por acidentes de transito, o índice foi de 23,6 para cada 100 mil habitantes, ficando no 93° lugar a nível estadual e no 844° lugar a nível nacional.[64] Por força da Constituição Federal do Brasil, o município possui uma Guarda Municipal, que tem função de proteger os bens, serviços e instalações públicas.[65]

Saúde e educação[editar | editar código-fonte]

Em 2009, o município possuía 16 estabelecimentos de saúde entre hospitais, pronto-socorros, postos de saúde e serviços odontológicos, sendo doze públicos (um federal e onze municipais) e quatro privados. Do total de estabelecimentos, 15 faziam parte do Sistema Único de Saúde (SUS).[12] Em 2013, 100% das crianças menores de 1 ano de idade estavam com a carteira de vacinação em dia.[66] Em 2012, foram registrados 184 nascidos vivos, sendo que o índice de mortalidade infantil neste ano foi de 21,7 óbitos de crianças menores de cinco anos de idade a cada mil nascidos.[66] Em 2010, 7,24% das mulheres de 10 a 17 anos tiveram filhos (todas acima dos 15 anos) e a taxa de atividade entre meninas de 10 a 14 anos era de 7,90%.[41] 99,7% das crianças foram pesadas pelo Programa Saúde da Família em 2013, sendo que nenhuma delas estava desnutrida.[45]

Na área da educação, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) médio entre as escolas públicas de Bom Jesus do Galho era, no ano de 2011, de 5,0 (numa escala de avaliação que vai de nota 1 a 10), sendo que a nota obtida por alunos do 5º ano (antiga 4ª série) foi de 5,7 e do 9º ano (antiga 8ª série) foi de 4,4; o valor das escolas públicas de todo o Brasil era de 4,0.[67] Em 2010, 25,8% das crianças com faixa etária entre sete e quatorze anos não estavam cursando o ensino fundamental. A taxa de conclusão, entre jovens de 15 a 17 anos, era de 46,2% e o percentual de alfabetização de jovens e adolescentes entre 15 e 24 anos era de 98,0%. A distorção idade-série entre alunos do ensino fundamental, ou seja, com com idade superior à recomendada, era de 7,0% para os anos iniciais e 25,4% nos anos finais e, no ensino médio, a defasagem chegava a 18,8%.[67] Dentre os habitantes de 18 anos ou mais, 30,14% tinham completado o ensino fundamental e 15,83% o ensino médio, sendo que a população tinha em média 8,98 anos esperados de estudo.[41]

Em 2010, de acordo com dados da amostra do censo demográfico, da população total, 3 754 habitantes frequentavam creches e/ou escolas. Desse total, 12 frequentavam creches, 243 estavam no ensino pré-escolar, 365 na classe de alfabetização, 44 na alfabetização de jovens e adultos, 1 932 no ensino fundamental, 603 no ensino médio, 223 na educação de jovens e adultos do ensino fundamental, 137 na educação de jovens e adultos do ensino médio, onze na especialização de nível superior, 178 em cursos superiores de graduação e seis em mestrado. 11 610 pessoas não frequentavam unidades escolares, sendo que 2 729 nunca haviam frequentado e 8 881 haviam frequentado alguma vez.[68] O município contava, em 2012, com aproximadamente 2 941 matrículas nas instituições de ensino da cidade e, neste mesmo ano, das dez escolas do ensino fundamental, cinco pertenciam à rede pública municipal e cinco à rede pública estadual. As três escolas que ofereciam ensino médio pertenciam à rede pública estadual.[69]

Educação de Bom Jesus do Galho em números (2012)[69]
Nível Matrículas Docentes Escolas (total)
Ensino pré-escolar 263 13 3
Ensino fundamental 2 089 140 10
Ensino médio 589 45 3

Comunicação e serviços básicos[editar | editar código-fonte]

Ruas não asfaltadas no distrito de Revés de Belém.
Trecho da LMG-759 no município.

O código de área (DDD) de Bom Jesus do Galho é 033[70] e o Código de Endereçamento Postal (CEP) é 35340-000.[71] No dia 10 de novembro de 2008, o município passou a ser servido pela portabilidade, juntamente com outros municípios com o mesmo DDD. A portabilidade é um serviço que possibilita a troca da operadora sem a necessidade de se trocar o número do aparelho.[72]

A responsável pelo serviço de abastecimento de energia elétrica é a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Segundo a empresa, em 2003 havia 4 786 consumidores e foram consumidos 5 947 752 KWh de energia.[8] Já o serviço de abastecimento de água e coleta de esgoto da cidade é feito pela Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), sendo que em 2008 havia 3 657 unidades consumidoras e eram distribuídos em média 1 445 m³ de água tratada por dia.[73]

Transportes[editar | editar código-fonte]

A frota municipal no ano de 2012 era de 3 524 veículos, sendo 1 263 automóveis, 98 caminhões, 182 caminhonetes, 47 caminhonetas, seis micro-ônibus, 1 858 motocicletas, 29 motonetas, 24 ônibus, um utilitário e 16 classificados como outros tipos de veículos.[74] Bom Jesus do Galho é atendida por duas rodovias federais: a BR-458 e a BR-262, que começa em Vitória, no Espírito Santo, passa por cidades como Belo Horizonte, Uberaba e Campo Grande e termina junto à fronteira com a Bolívia, em Corumbá, Mato Grosso do Sul. Também há a MG-329, que começa em Rio Casca e termina na BR-116, em Caratinga.[8][75] A LMG-759 liga a cidade de Córrego Novo à BR-458, passando por Revés de Belém.[76] A Univale Transportes mantém linhas regulares que ligam a cidade e seus distritos a Córrego Novo, Pingo-d'Água, Ipatinga e Coronel Fabriciano.[77]

No final da década de 1920, o então distrito pertencente a Caratinga, emancipado em 1943, passou a ter transporte ferroviário, sendo atendido pela Estrada de Ferro Leopoldina. A estação ferroviária da localidade foi inaugurada em 14 de dezembro de 1930 e a chegada da ferrovia foi um dos fatores do crescimento populacional, no entanto o terminal ferroviário foi fechado na década de 80, após o desativamento da ferrovia, e o prédio é utilizado hoje como sede da APAE da cidade.[78] Em 2008, especulou-se a relocação do Aeroporto de Ipatinga, para o município a fim de que a Usiminas expandisse suas instalações naquele local, no entanto a área pretendida foi transferida para Belo Oriente, devido à proximidade com o Parque Estadual do Rio Doce, e em 2011 optou-se pela ampliação do terminal.[79][80]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Espaços e instituições culturais[editar | editar código-fonte]

Vista da Lagoa Bonita.

Bom Jesus do Galho conta com um conselho municipal de cultura e um conselho de preservação do patrimônio, criados em 2003 e sendo ambos paritários e de caráter consultivo, deliberativo, normativo e fiscalizador.[81] Também há legislações municipais de proteção ao patrimônio cultural material e imaterial, ministradas por uma secretaria municipal exclusiva, que é o órgão gestor da cultura no município.[82] Dentre os espaços culturais, destaca-se a existência de uma biblioteca mantida pelo poder público municipal, clubes, associações recreativas e estádios ou ginásios poliesportivos, segundo o IBGE em 2005 e 2012.[83][84]

Há existência de equipes artísticas de teatro, grupos de manifestação tradicional popular e grupos de capoeira, de acordo com o IBGE em 2012.[14] O artesanato também é uma das formas mais espontâneas da expressão cultural bonjesuense, sendo que, segundo o IBGE, a principal atividade artesanal desenvolvida em Bom Jesus do Galho é o bordado.[85]

Atrativos e eventos[editar | editar código-fonte]

Turistas em Bom Jesus do Galho.

Os principais atrativos de Bom Jesus do Galho são as várias trilhas, matas, lagoas, cachoeiras existentes na zona rural e um Cristo Paz na sede do município. O município é limítrofe ao Parque Estadual do Rio Doce (PERD), que abriga a maior reserva de Mata Atlântica do estado de Minas Gerais e um notável conjunto lagunar e seu complexo abrange atrativos em suas cercanias.[16][22] Nos limites do PERD, próxima ao distrito de Revés de Belém, encontra-se a chamada Ponte Perdida, que foi construída em 1966 como parte de um projeto de uma rodovia que ligaria Coronel Fabriciano e Timóteo a Caratinga. As obras, no entanto, foram embargadas em 1973 sob pressão ambientalista, visto que a estrada cortaria o parque estadual.[86] Algumas lagoas são liberadas para banhos e por vezes pesca em certas épocas do ano, como as lagoas Bonita, do Cristal, do Jacaré, Manoel Antônio de Brito e Redonda.[22][87][88]

Dentre os eventos, destacam-se o Carnaval de Bom Jesus do Galho, que é organizado em fevereiro ou março e conta com desfiles de blocos carnavalescos da cidade, shows com bandas regionais e outras apresentações artísticas;[89] as comemorações da Semana Santa, em março ou abril, com missas, procissões e encenações em homenagem à vida, paixão e ressurreição de Jesus;[90] a Festa do Bonjesuense Ausente, com espetáculos e atividades culturais, esportivas e artísticas em uma confraternização entre a população local e os naturais de Bom Jesus do Galho que não residem mais na cidade;[91] e a Festa do Jubileu do Senhor do Bom Jesus, que é realizada desde a década de 1910, anualmente em setembro, com missas e atrações culturais religiosas em celebração ao Jubileu.[92][93][15]

Vista panorâmica da cidade a partir do Cristo Paz.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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