Toxina botulínica

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Toxina botulínica
Star of life caution.svg Aviso médico
Nome IUPAC (sistemática)
Não se aplica a peptídio
Identificadores
CAS 93384-43-1
ATC  ?
PubChem 7847848
DrugBank DB00083
Informação química
Fórmula molecular C6760H10447N1743O2010S32 
Massa molar 149 kDa
Farmacocinética
Biodisponibilidade Imediata e Absoluta
Metabolismo Sistêmico
Meia-vida 10 horas
Excreção Urina
Considerações terapêuticas
Administração Intramuscular
DL50  ?
Toxina Botulínica Tipo A

A toxina botulínica é uma neurotoxina, produzida pela bactéria Clostridium botulinum.

A Clostridium botulinum é uma bactéria anaeróbia, que em condições apropriadas à sua reprodução (10°C, sem oxigênio e certo nível de acidez), cresce e produz sete sorotipos diferentes de toxina (A, B, C1, D, E, F e G). Dentre esses, o sorotipo A é o mais potente.

Para fins terapêuticos, é utilizada uma forma purificada, congelada a vácuo e estéril da toxina botulínica tipo A, produzida a partir da cultura da cepa Hall da bactéria Clostridium botulinum. Esta forma proporciona maior duração dos efeitos terapêuticos. Quando aplicada em pequenas doses, ela bloqueia a liberação de acetilcolina (neurotransmissor responsável por levar as mensagens elétricas do cérebro aos músculos) e, como resultado, o músculo não recebe a mensagem para contrair.

Origem[editar | editar código-fonte]

No final da década de 60, o oftalmologista americano Alan B. Scott, que buscava alternativas para o tratamento não cirúrgico do estrabismo, obteve do Dr. Edward J. Schantz, amostras da toxina botulínica tipo A para testá-la em músculos extra-oculares de macacos. A experiência foi bem sucedida e Scott publicou seu primeiro trabalho sobre o assunto em 1973,[1] confirmando a toxina botulínica tipo A como uma alternativa eficaz para o tratamento não cirúrgico do estrabismo.

Ainda na década de 70, Scott recebeu autorização do FDA (Food and Drug Administration), órgão que regula o setor de medicamentos dos Estados Unidos para utilizar a toxina em seres humanos, conduzindo estudos durante os anos de 1977 e 1978. Ele descobriu que o produto, quando injetado, relaxava os músculos. Deduziu então que uma aplicação local, em determinados músculos, interrompia momentaneamente o movimento muscular anormal e, dessa forma, corrigia o problema.

E foi a partir do uso terapêutico, que surgiu o uso cosmético. Quando o casal canadense Jean e Alastair Carruthers, oftalmologista e dermatologista respectivamente, observou a melhora das rugas em pacientes tratados para indicações terapêuticas, como blefaroespamo, iniciaram os primeiros estudos na área. Deste então, o uso cosmético da toxina botulínica tipo A evoluiu e se expandiu em todo mundo.

Marcas[editar | editar código-fonte]

XEOMIN®[editar | editar código-fonte]

O Xeomin® é uma neurotoxina botulínica tipo A inovadora produzida pela Merz Pharmaceuticals. Xeomin® é destinado ao tratamento sintomático do blefarospasmo, da distonia cervical com componente rotacional predominante (torcicolo espasmódico) em adultos e espasticidade dos membros superiores em adultos. O Xeomin® é a primeira formulação de neurotoxina botulínica tipo A que é completamente livre de complexos proteicos. Xeomin® também está indicado para a melhora temporária da aparência das linhas faciais hipercinéticas.

BOTOX®[editar | editar código-fonte]

Botox é a marca referência da toxina butinolina tipo A, produzida pela farmacêutica americana Allergan.

No Brasil, a marca BOTOX® foi aprovada em 1992 para indicações terapêuticas e, em 2000, para o tratamento de rugas e hiperidrose axilar e palmar. Mas por ser a primeira aprovada, BOTOX® tornou-se muito conhecida e, por isso, sinônimo do procedimento.[2]

Nos Estados Unidos, ela foi aprovada em 2002 pelo FDA (Food and Drug Administration) para o uso cosmético e em 2004 para hiperidrose até hoje é a única marca de toxina botulínica tipo A aprovada para esse fim naquele país.

Outras Marcas[editar | editar código-fonte]

BOTULIFT® (Bergamo); PROSIGNE (Cristália); XEOMIN (Merz).[3]

Indicações[editar | editar código-fonte]

Dentre as indicações da toxina botulínica tipo A aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) estão distonias; desordens autônomas caracterizadas por hipersecreção; uso cosmético; hiperatividade muscular involuntária; desordens dolorosas musculoesqueléticas; dor de cabeça[3]

Como em estrabismo, blefaroespasmo, espasmo hemifacial, distonias, espasticidade e bruxismo. Além das indicações terapêuticas, o medicamento é amplamente conhecido no tratamento de linhas faciais hipercinéticas e para o tratamento da hiperidrose palmar e axilar.

A toxina botulínica é também utilizada para tratamento em crianças com problemas musculares. Esta toxina permite, que depois de aplicada na zona em causa (ex: pernas), a criança tenha mais flexibilidade muscular.

Aplicada diretamente nos músculos comprometidos, a toxina provoca um relaxamento e bloqueia a atividade motora involuntária, o que reduz a dor e aumenta a amplitude de movimento dos pacientes. O relaxamento e a melhora na movimentação são fundamentais em todas as etapas do tratamento – permitem que o fisioterapeuta maneje os membros afetados, por exemplo. O tratamento com a toxina pode reduzir o uso de medicação antiespástica e, inclusive, retardar ou evitar intervenções cirúrgicas.

Uso Estético[editar | editar código-fonte]

A toxina botulínica tem sido utilizada para tratamento de rugas de expressão[carece de fontes?], sorriso deprimido, e também para tratamento de hiperidrose palmar e ou axilar.

O efeito começa após 24 horas da aplicação e é bem notável após 3 dias. Se necessário alguma complementação, esta deverá ser realizada 20 dias após a aplicação.

Em 2007, os tratamentos estéticos não-cirúrgicos lideraram o ranking do ASAPS (Sociedade Americana de Cirurgia Plástica e Estética) com 9.621.999 procedimentos realizados.[carece de fontes?] Entre os que se destacam como os mais populares e os mais procurados são a aplicação com Toxina Botulínica Tipo A (2.775.176) e o preenchimento com ácido hialurônico (1.448.716).

Os dados confirmam a tendência de que os pacientes buscam tratamentos mais simples, práticos e não-invasivos. Ao todo, em 2007, os tratamentos não-cirúrgicos atingiram 82% dos procedimentos estéticos, contra os 18% restante, que foram cirúrgicos. Desde 1997, estes dados representam um incremento de 754% para os procedimentos não cirúrgicos contra 114% para os cirúrgicos.

As mulheres representam o público que mais procura o procedimento, mas a preferência dos homens também cresce de forma interessante (91% mulheres e 9% homens). A faixa de idade em que se concentrou o maior número de tratamentos compreende pessoas entre 35 e 50 anos (46% do total), seguido pelas pessoas entre 19 e 34 anos (21% do total), mais de 65 (6% do total) e por último, menos de 18 anos (menos de 2% do total).

Tratamento Para Doenças Urológicas[editar | editar código-fonte]

A toxina botulínica tipo A pode ser usado para Doenças Urológicas como incontinência urinária e bexiga hiperativa.Ela é aplicada diretamente na parede da bexiga, fazendo com o que haja um relaxamento temporário da musculatura, um controle da vontade de urinar e, acima de tudo uma melhora na qualidade de vida do paciente, que retorna às suas atividades rotineiras sem vergonha ou medo de que ocorra uma libertação acidental e involuntária de urina.

Botox na Odontologia[editar | editar código-fonte]

A toxina botulínica vem sendo usada cada vez mais pelos dentistas para o tratamento principalmente do bruxismo e correção do sorriso gengival. Para o bruxismo a toxina é injetada no músculo masseter para reduzir sua potência e estimulo para o bruxismo com resultados surpreendentes. Para o sorriso gengival a toxina é injetada no musculo responsável pelo levantamento do lábio superior em pessoas que mostram demasiadamente a gengiva quando sorriem. [4]

Efeitos Adversos[editar | editar código-fonte]

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Efeitos Fora do Alvo[editar | editar código-fonte]

Os efeitos da toxina botulínica podem, em alguns casos, ser observados à distância do ponto de injeção. Os sintomas que são consistentes com o mecanismo de ação descrito para a toxina botulínica foram reportados de horas a semanas após a injeção, e podem incluir fraqueza muscular, ptose, diplopia, visão borrada, flacidez facial, desordens de deglutição e fala, constipação, aspiração, pneumonia, dificuldade respiratória e depressão respiratória. [5].

A dosagem aplicada para fins terapêuticos e estéticos é muito pequena e incapaz de desencadear as reações do envenenamento alimentar do botulismo. Contudo, a agência Food and Drug Administration (FDA) emitiu um alerta para o uso do medicamento após a ocorrência alguns casos de efeitos colaterais severos registrados em pacientes após o uso do fármaco. [6].

Envenenamento[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Botulismo

A toxina botulínica A é o veneno letal mais conhecido, um milhão de vezes mais mortífero que a dioxina, o veneno mais letal produzido pelo homem. Para a toxina butinolina A, a dose letal que matará 50% de uma população teste é de meros 0,00000003mg da substancia por quilo de peso corporal. Estima-se que 28g poderia matar cem milhões de pessoas.

Profissionais habilitados[editar | editar código-fonte]

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (no Brasil) entende que o Botox é aplicável por meio de técnicas injetáveis e perfurocortantes, e que não é considerado procedimento invasivo cirúrgico, não sendo exclusivo aos médicos. Entretanto somente os médicos,farmacêuticos, biomédicos e dentistas tem resoluções de seus respectivos conselhos regulamentando a pratica deste procedimento.

Desnaturação[editar | editar código-fonte]

A toxina botulínica sofre processo de desnaturação em temperaturas maiores do que 80 °C.[7]

Referências

  1. Alan B Scott, Carter C Collins: "Division of Labor in Human Extraocular Muscle". Archives of Ophthalmology, vol. 90, no. 4, pg. 319-322. Outubro de 1973.
  2. Lista de casos de degenerescência de marca
  3. a b Caetano, Norival (2016). BRP- guia de remédios 2016/17 [S.l.: s.n.] ISBN 978-85-8271-293-1. 
  4. «Botox - Toxina Botulínica 【ツ】 Dentista Sorridere Porto Alegre». Consultado em 2016-09-01. 
  5. «Bula Para Profissionais de Saúde» (PDF). 2015-09-22. Consultado em 2015-09-22. 
  6. «FDA adverte para uso do Botox». 2008-02-13. Consultado em 2008-02-13. 
  7. Jay, James M., Loessner, Martin J., Golden, David A. (2005). «Chapter 24: Food Poisoning Caused by Gram-Positive Sporeforming Bacteria». Modern Food Microbiology: Seventh Edition (New York: Springer Science + Business Media, Inc.). p. 581. ISBN 0-387-23180-3. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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