Brás Soares de Sousa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Disambig grey.svg Nota: Se procura por pelo seu neto, 8.º capitão do donatário na ilha de Santa Maria, veja Brás Soares de Sousa (neto).
Brás Soares de Sousa
'
Nascimento 1570
Ocupação ,

Brás Soares de Sousa (c. 1570Capitania de Pernambuco, 1634) foi o 6.º capitão do donatário na ilha de Santa Maria, nos Açores.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido Brás Soares de Albuquerque, ao suceder ao pai no morgadio teve que assumir o sobrenome deste (Sousa). No contexto da Dinastia Filipina, foi confirmado no cargo de capitão da ilha de Santa Maria a 16 de Julho de 1594, sucedendo a Jerónimo Coutinho.

Serviu na Praça-forte de Ceuta de 1613 a 1615, e esteve embarcado na Armada das ilhas de 1615, 1617, 1618 e 1621, vindo a ser recompensado por esses serviços com a Comenda da Ilha de Santa Maria da Ordem de Nosso Senhor Jesus Cristo, começando a gozar os seus proventos a partir de 24 de junho de 1623. Entretanto, tendo os recursos anteriores desta comenda sido consumidos no Real serviço, o soberano impunha a Brás Soares de Sousa a obrigação de doar, por cinco anos a partir de então, os rendimentos da dita comenda para a fortificação que o soberano ia ordenar para a dita ilha. Nesse período não os poderia receber e cobraria ao Provedor da Fazenda das Ilhas Terceiras, que conservaria esses montantes em arca separada e fechada os recursos para se despender na obra da fortificação, por ordem do Conselho de Fazenda. Concluída a fortificação, no período aprazado, aquele rendimento deveria ser aplicado aos reparos das igrejas conforme o necessário, a ser estipulado pela Mesa da Consciência e Ordens.[1]

Terá combatido na Praça-forte de Mazagão, assim como os corsários ingleses da armada do conde de Cumberland e piratas da Barbária[2] que assaltaram Vila do Porto respectivamente em 1589 e 1616.

Na Biblioteca Nacional da Ajuda em Lisboa, conserva-se cópia de carta de Filipe III de Portugal (1621-1640) a Brás Soares de Sousa, datada de 7 de setembro de 1628 sobre uma queixa deste último, na qualidade de procurador de seu pai enquanto capitão do donatário da ilha de Santa Maria, sobre Simão Goardes Peixoto.[3]

Numa viagem que fez a Lisboa, adoeceu e foi tratado na casa de uma fidalga, Maria da Câmara, viúve de João Nunes Velho, que era filha de um sobrinho de Gonçalo Velho. Tendo ali sendo muito bem tratado, e como esta parenta era pobre, Brás Soares desposou uma filha dela, D. Dorotea da Câmara, demonstrando assim a sua gratidão.

Voltou para Santa Maria acompanhado da esposa, com quem teve três filhos: Pero Soares, Manuel de Sousa e António Soares, e mais algumas filhas, duas das quais professaram como freiras no Convento da Esperança, em Ponta Delgada.

Durante a primeira das invasões holandesas do Brasil (1624-1625), tomou parte da chamada "Jornada dos Vassalos", a poderosa esquadra que libertou Salvador em 1625.[4] No seu regresso, foi agraciado com a Comenda de Nossa Senhora da Assunção.

Quando da segunda invasão (1630-1654), pereceu em combate na capitania de Pernambuco, em 1634.

Referências

  1. "Comenda de Santa Maria dada como recompensa de serviços a Braz Soares de Sousa em 1624". Carta de Filipe III de Portugal, 13 de julho de 1624, in Arquivo dos Açores, vol. XI, p. 308-310.
  2. FIGUEIREDO, 1990:68.
  3. 51-VIII-22, fl. 82.
  4. Frei Vicente do Salvador, Historia do Brazil. 1627. in: Capítulo XXXIV - Da armada que Sua Majestade mandou a socorrer e recuperar a Bahia, e dos fidalgos portugueses que se embarcaram.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FIGUEIREDO, Jaime de. Ilha de Gonçalo Velho: da descoberta até ao Aeroporto (2a. ed.). Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 1990. 160p. mapas, fotos, estatísticas.

Ver também[editar | editar código-fonte]