Bruta Crispina

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Bruta Crispina
Imperatriz-consorte romana
Altes Museum - Bildnis der Crispina.jpg
Busto de Bruta Crispina.
Governo
Reinado julho de 178-182
Consorte Cômodo
Antecessor(a) Lucila
Sucessor(a) Flávia Ticiana
Dinastia Nerva-antonina
Vida
Nome completo Bruttia Crispina
Nascimento 164
Roma
Morte 191 (27 anos)
Capri
Pai Caio Bruto Presente
Mãe Valéria

Bruta Crispina ou Brútia (Roma, 164 - Capri, 191) foi uma imperatriz-consorte romana, esposa do imperador Cômodo[1] . Ela não teve filhos, o que provocou uma crise de sucessão conhecida como "ano dos cinco imperadores" em 193, iniciando com o brevíssimo reinado de Pertinax.

Família[editar | editar código-fonte]

Crispina veio de uma ilustre família aristocrática e era filha do cônsul por duas vezes Caio Bruto Presente[2] com sua esposa Valéria[3] . Os avôs paternos dela eram o cônsul e senador Caio Bruto Presente e a rica herdeira Laberta Hostília Crispina, filha de outro cônsul por duas vezes, Mânio Labério Máximo.

O irmão de Crispina era o futuro cônsul Lúcio Bruto Quíncio Crispino. A família de seu pai era originária de Volceios, na Lucânia, e era intimamente ligada aos imperadores Trajano, Adriano, Antonino Pio e Marco Aurélio. É possível que Crispina tenha nascido e sido criada lá ou em Roma.

Casamento[editar | editar código-fonte]

Crispina se casou com Cômodo, então com dezesseis anos, no verão de 178 e deu-lhe, na forma de dote, um grande número de propriedades. Estas, quando somadas ao tesouro imperial, deu-lhe controle sobre uma parte substancial do território da Lucânia[4] [5] [6] . A cerimônia em si foi modesta, mas foi comemorada através da cunhagem de moedas e em generosas distribuições para a população[7] . Um epitalâmio para a ocasião foi composto pelo sofista Júlio Pólux[8] .

Ao se casar, Crispina recebeu o título de augusta[9] e, assim, se tornou imperatriz-consorte do Império Romano pois seu marido havia sido elevado a co-imperador juntamente com o sogro dela, Marco Aurélio. A imperatriz anterior, Faustina, a Jovem, seria sua sogra se não tivesse morrido três anos antes do casamento.

Como a maior parte dos casamentos entre jovens nobres, o de Crispina foi arrumado pelos paters: no caso de Crispina, pelo seu pai e pelo seu sogro. Cômodo não gostava da esposa, provavelmente pelo seu temperamento— ela era bela, mas diz-se que era também vaidosa e arrogante—, mas também por que Cômodo sabidamente preferia a companhia masculina. Crispina é descrita como sendo uma pessoa graciosa, mas não existem medalhas com sua aparência[10] .

Como augusta, Crispina foi muito homenageada em imagens públicas, principalmente nos dois últimos anos do reinado de seu sogro e nos primeiros no de seu marido[9] . Ela não parece ter tido influência sobre o marido durante o seu bizarro reinado. Porém, ela não estava isenta de participar nas intrigas da corte, pois sua cunhada, Lucila, era uma mulher ambiciosa e tinha ciúmes de Crispina, a imperatriz reinante, por causa de sua posição e do poder que detinha[11] .

O casamento de Crispina e Cômodo não produziu filhos por culpa principalmente dele[12] , o que levou a uma crise de sucessão. Na realidade, tanto Anístio Burro (com quem Cômodo dividiu seu primeiro consulado como único governante) quanto Caio Árrio Antonino, que eram provavelmente relacionados com a família imperial, foram supostamente executados por "suspeita de aspirarem ao trono"[13] .

Depois de dez anos de casamento, Crispina acabou sendo falsamente acusada de adultério e foi banida para a ilha de Capri em 188, onde ela foi posteriormente executada[14] . Livre da esposa, Cômodo não se casou novamente, mas a se relacionar com uma amante chamada Márcia, que, diz-se, conspirou depois para matá-lo[15] .

Morte[editar | editar código-fonte]

Com base numa leitura errônea da História Augusta (5.9) e de Dião Cássio (73.4.6), sua queda é por vezes incorretamente associada a uma conspiração de Lucila para assassinar Cômodo em 181 ou 182. Seu nome continua a aparecer nas inscrições até pelo menos 191 (CIL VIII, 02366). O eventual exílio e morde de Crispina, contudo, parece ter sido resultado da queda de Marco Aurélio Cleandro ou da incapacidade de Cômodo de ter filhos com ela para assegurar a sucessão dinástica[16] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bruta Crispina
Nascimento: 164 Morte: 191
Títulos reais
Precedido por:
Faustina, a Jovem
Imperatriz-consorte romana
178–182
Sucedido por:
Flávia Ticiana

Referências

  1. Boatwright, Mary T. (2003). Hadrian and the Cities of the Roman Empire (Princeton: Princeton University Press). p. 64. ISBN 9780691094939. 
  2. Drinkwater], edited by Timothy Venning ; [introduction by John F. (2010). A chronology of the Roman Empire Continuum [S.l.] p. 551. ISBN 9781441154781. 
  3. Chidester Egbert, James (1896). Introduction to the Study of Latin Inscriptions American Book Co. [S.l.] p. 107. 
  4. Buck, Alastair M. Small ; Robert J. (1994). The excavations of San Giovanni di Ruoti University of Toronto Press [S.l.] p. 27. ISBN 9780802059482. 
  5. Adams, Geoff W (2012). Marcus Aurelius in Historia Augusta and Beyond Rowman & Littlefield [S.l.] p. 123. ISBN 0739176382. 
  6. Mennen, Inge (2011). Power and status in the Roman Empire, AD 193-284 (Leiden: Brill). p. 90. ISBN 9789004203594. 
  7. The Cambridge ancient history. 3rd ed. ed. Cambridge University Press [S.l.] 1970. p. 182. ISBN 9780521263351.  |nome1= sem |sobrenome1= em Authors list (Ajuda)
  8. Swain, Simon (1996). Hellenism and Empire : Language, Classicism, and Power in the Greek world, AD 50-250 Clarendon Press [S.l.] p. 54. ISBN 9780198147725. 
  9. a b Varner, Eric R. (2004). Monumenta Graeca et Romana. damnatio memoriae and Roman imperial portraiture Brill [S.l.] p. 152. ISBN 9789004135772. 
  10. Morgan, Sydney (2010). Woman and Her Master:, Volume 2 Cambridge University Press [S.l.] p. 244. ISBN 9781108019347. 
  11. Potter, David S. (2004). The Roman Empire at bay : AD 180-395 Reprinted. ed. (600: Routledge). ISBN 9780415100571. 
  12. Yeo, Allen M. Ward, Fritz M. Heichelheim, Cedric A. (2003). A History of the Roman people 4th ed. ed. Prentice Hall [S.l.] p. 379. ISBN 9780130384805. 
  13. Ackeren, edited by Marcel van (2012). A Companion to Marcus Aurelius Wiley-Blackwell [S.l.] p. 237. ISBN 9781405192859. 
  14. Roger Michael Kean, Oliver Frey (2005). The Complete Chronicle of the Emperors of Rome (em inglês) Thalamus [S.l.] p. 100. 
  15. Freisenbruch, Annelise (2011). The First Ladies of Rome: The Women Behind the Caesars Random House [S.l.] p. 6. ISBN 1446499065. 
  16. Hekster, O., Commodus: An Emperor at the Crossroads, Gieben, 2002, pp. 71-72.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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