Bracara Augusta

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Bracara Augusta
Personificação de Bracara Augusta.
Localização atual
Coordenadas 41° 32' 39" N 8° 25' 19" O
País Portugal Portugal
Região geográfica Minho
Cidade atual Portugal Braga
Dados históricos
Fundação César Augusto - entre os anos 15 e 13 a.C.
Início da ocupação Antiguidade Clássica
Civilizações Vexilloid of the Roman Empire.svg Império Romano
15 a.C. - 395

Labarum of Constantine the Great.svg Império Romano do Ocidente
395 - 411

Reino Suevo
411 -585

Reino Visigodo
585 - 717
Notas
Acesso público Sim

Bracara Augusta, é o nome romano da actual cidade de Braga, no norte de Portugal, fundada pelo imperado Augusto, entre os anos 15 e 13 a.C., foi a antiga capital da província romana da Gallaecia e do Reino Suevo.

Toponímia[editar | editar código-fonte]

Imperador Augusto

O nome da cidade romana é uma conjunção entre o nome do povo indígena residente os Bracari e o nome do imperador Augusto (r. 27 a.C.–14 d.C.) em homenagem a aliança firmada entre os dois.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Fundação (138 a.C. a 14 d.C.)[editar | editar código-fonte]

Em antes da fundação[editar | editar código-fonte]

Campanhas militares romanas:
  Bruto em (138–136 a.C.)
  Júlio Cesar em (62 a.C.)
  Augusto 1ª expedição das guerras cantábricas
  Augusto 2ª expedição (as duas entre 26–19 a.C.)

Embora a primeira expedição militar ao noroeste da Península Ibérica tenha decorrido, a seguir a morte de Viriato, nos anos 138 - 136 antes de Cristo, comandada pelo cônsul romano Décimo Júnio Bruto Galaico,[2] que ganha, segundo ele, uma grande batalha contra os Brácaros. É só no tempo de Augusto, com as guerras cantábricas, que a conquista é definitiva, e que começa a real romanização do território. Uma das primeiras etapas, é a fundação de grandes cidades, e a construção de vias entre elas, para a completa integração das populações no mundo romano. É com essa finalidade, que durante a estadia de Augusto em território peninsular, entre os anos 15 e 13 antes de Cristo[2] foi fundada, a cidade de Bracara Augusta, para promover e difundir a cultura romana nos numerosos povoados das proximidades. Alguns autores defendem a existência dum castro,[3] ou dum ‘’oppidum’’ (lugar fortificado extenso, citado por Plínio, o Velho, como oppidum dos Bracari[4]), em antes da fundação da cidade de Braga. Na defesa dessa tesa, a descoberta em 2002 dum balneário por baixo da estação do caminho de ferro, datado da idade do ferro[5]. Só que até hoje, é a única descoberta dum edifício pré-romano na cidade de Braga. Por isso se esse ‘’oppidum ‘’, existir, ainda não foi descoberto, o que dá asas a outras teorias em que o espaço ocupado pela cidade, era em antes da fundação, um espaço importante para os indígenas mas não construido, o sitio poderá então ter sido ocupado por:

  • Um acampamento militar romano,[6] como no caso de Astorga e Lugo.
  • Um local de encontro dos diversos castros da região, onde se reuniam os chefes, os anciãs para tomar decisões importantes ou sanar as divergências[7]
  • Um local sagrado (com um eventual templo, árvore, penedo) para prolongar a ideia anterior de local de encontro, mas desta de natureza religiosa[8]. Sendo os principais argumentos a existência, dum lado da cidade, da Fonte do ídolo, (lugar erigido por, Celicus Franto, um colono “romanizado” de Ascobriga, a deuses pagãs no primeiro século d.C.) mas que já podia ter sido um local sagrado em antes, e do outro, do balneário, outro presumível local de culto.
  • Um mercado, local de encontro mas também de troca.

Enfim, podia ser isso tudo ao mesmo tempo, ou seja, esse espaço central com muitos castros a volta, podia ser ao mesmo tempo um local de encontro, uma feira, um sitio em parte sagrado e mesmo, talvez ocupado com construções precárias. Todavia, é muito provável que o balneário não seja o único monumento pré-romano na zona, e que haja ainda muito por descobrir.[9]

Os primeiros anos[editar | editar código-fonte]

A cidade foi construida de forma planeada, conforme um projeto clássico de forma ortogonal (ruas alinhadas e com cruzamentos a ângulo direito) orientada Noroeste/Sudeste. Era dividida por quarteirões quadrados, de área construída de 120 x 120 pés (35,52 m por 35,52 m), ocupando no seu todo, uma área retangular de 29,85 ha.[2] A sua origem é civil e a governação partilhada com as elites Bracari. As primeiras décadas da cidade foram marcadas por grande crescimento. Foram construídas as primeiras infraestrutura urbanas (saneamento (cloaca)), abriram-se estradas[10], foi capital conventual, talvez desde o tempo de Augusto, ou Tibério, desenvolveram-se atividades económicas (metalurgia, olaria e comércio) e novos bairros. Foram formadas condições para que inúmeros indígenas, e alguns militares e imigrantes se deslocassem para ali viver. Nos anos 50 d.C. o comércio já desempenhava um papel fulcral na cidade e na região.

A cidade Flávio-Antonina (68 a 192 d.C.)[editar | editar código-fonte]

A cidade sofre reestruturações, devido à dimensão que terá atingido. São reparadas as antigas vias e Bracara beneficia duma nova ligação com Astorga pela Via Nova (Geira). Continuam as construções de edifícios públicos e a “monumentalização” da cidade com teatro, termas, templos, anfiteatro.[10] Aumentam os bairros e assiste-se à instalação de pessoas abastadas na zona oriental da cidade. Sabemos pela obra de Plínio, o Velho que o convento bracarense é dividido em 24 civitates[nota 1] e tem uma população de 285 000 pessoas livres, sendo o mais povoado do Noroeste peninsular[nota 2][11]. Verificou-se a promoção jurídica de peregrinos à cidadania romana, das elites da cidade e da região envolvente. O forte comércio é caracterizado pelas importações de vidro, cerâmica e objetos de adorno, alguns produtos importados eram de grande qualidade e gosto refinado, o que sugere a existência de uma poderosa elite. As exportações eram marcadas pela cerâmica de qualidade e metais. A cidade no Alto Império era já de referência a nível peninsular.

Século III[editar | editar código-fonte]

Muralha romana de Lugo, Galiza

A Crise do terceiro século instalada no Império, atinge também Bracara Augusta que conhece pela primeira vez um abrandamento do seu crescimento. Fim do século III inicio do IV, uma imponente muralha de 5 - 6 m de largura, com torreões, é mesmo construida em volta duma parte da cidade (mais de 48 hectares), e transforma por completo a sua configuração: Algumas casas e monumentos como o teatro e o anfiteatro são em parte destruídos para aproveitar a pedra para a nova construção, muitas ruas transformam-se em beco sem saída, e passam para o domínio privado, a cidade divide-se em cidade de entre-murros e bairros periféricos que mantém todavia as suas atividades[10]. Nem tudo é negativo, porque no tempo do imperador Caracala é criada a nova província de “Hispania Nova Citerior Antonina” (futura Galécia)[12]. E a cidade é visitada pelos imperadores Galiano (253 a 268 d.C.) e Claúdio II (268 a 270 d.C.).

Baixo-império (285 a 409 d.C.)[editar | editar código-fonte]

Conventos da Galécia

Entre 284 e 289 d.C. por ordem de Diocleciano Bracara Augusta é promovida a capital da recém criada província de Galécia que integra os três conventos do Noroeste peninsular (Convento bracarense, Convento lucense e Convento asturicense) e parte do convento de Clunia.[12] Com esta decisão, a cidade sofre uma nova expansão urbana, reestruturam-se e criam-se edifícios públicos, requalifica-se as vias, introduz-se melhoramentos na cidade, enriquecimento da população, inclusão de zona de banhos e pavimento de mosaicos nas vivendas privadas. O comércio intensifica-se fortemente e aparecem os ateliers de cerâmica. A decretal do Papa S. Sirício em 385 ao bispo de Tarragona, faz uma referência à uma província eclesiástica da Galécia[13], sugerindo que Bracara Augusta possuía já um bispado. Fato confirmado, no ano de 400 d.C., pela presença do seu arcebispo, Paternus, no Primeiro Concílio de Toledo.[12] A cidade torna-se capital da província eclesiástica e assume a centralidade do Noroeste peninsular.

Bracara Augusta, importante nó rodoviário[editar | editar código-fonte]

Vias romanas

Braga, bem antes de se tornar capital de província, já estava ligada ao triângulo político-administrativo, estabelecido por Augusto, da futura província de Galécia com vértices nas três cidades: Bracara Augusta (Braga), Lucus Augusti (Lugo) e Astúrica Augusta (Astorga) por varias vias:

  • Via XVII: Braga-Astorga por Chaves.
  • Via XIX: Braga-Astorga por Lugo.
  • Via XX: Braga-Astorga, via em parte fluvial e marítima.

Mas também as cidades mais importantes da Lusitânia como Emerita (Mérida, capital da província) via Scallabis (Santarém, conventus) pela Via XVI.[1] Por volta do ano 80 esse rede é reforçada com a criação da

  • Via XVIII ou Via Nova: Braga-Astorga, caminho mais direto cortando entre a Serra Amarela e a Serra do Gerês.

Alta Idade Média[editar | editar código-fonte]

O reino Suevo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Reino Suevo
A formação do reino suevo[editar | editar código-fonte]
Repartição da Hispânia em 411

Os Suevos (povo germânico), sobre pressão dos Hunos, atravessam o rio Reno gelado, na noite de 31 de dezembro de 406, para encontrar refúgio dentro das fronteiras do Império Romano. Em outubro de 409, chegam na Península Ibérica, e em 411 ao convento Bracarense.[14] Assim acaba a longa ‘’Pax Romana’’ para Bracara Augusta, não que a chegada fosse violenta ( pelo testemunho de Paulo Orósio, sabemos que por pouco tempo "trocaram a espada pelo arado[15]"), mas porque muito rapidamente entrarem em conflito com os seus vizinhos os Vândalos Asdingos, que ocupavam também parte da Galécia. Em 419 os Suevos do rei Hermerico são atacados e cercados na Batalha dos montes Nervasos pelos Vândalos do rei Gunderico, Astério conde de Hispânia com tropas romanas vem ao seu socorro e muitos Vândalos são massacrados em Braga pelo vigário Maurocellus, na sua retirada para a Bética.[16]

Bracara capital do reino suevo[editar | editar código-fonte]
Reino Suevo em 455

Tendo os Visigodos, em nome dos romanos, derrotados os Alanos que ocupavam a Lusitânia pouco tempo antes, os Suevos tomam conta desse território e Bracara Augusta torna-se a capital política do Reino Suevo que englobava a extinta região da Galécia, e se prolongava até ao rio Guadalquivir.
Esse curto reino de 174 anos, é no entanto, o primeiro reino medieval do ocidente, o primeiro reino católico e enfim o primeiro reino “bárbaro” a cunhar moeda. De fato, em Bracara foram cunhados síliqua de prata com dum lado a efígie do imperador Honório e do outro uma cruz laureada com as letras “B e R” por Bracara e a inscrição “ivssv richiari reges” por “Por ordem do rei Requiário[17]. Requiário que foi convertido ao catolicismo por Balcónio, bispo de Bracara e fundador duma escola teológica na cidade[18], figura proeminente do catolicismo bracarense com Paulo Orósio (que contactou diretamente com Sto. Agostinho e com S. Jerónimo), os dois Avitos (um peregrino no Oriente, outro peregrino em Roma)[18]. Depois de vários sucessos os Suevos alargam ainda mais o seu território. Os Visigodos sempre aliados e mesmo federados dos romanos são novamente enviados para a Península. Primeiro enviam uma embaixada para pôr os Suevos na ordem, sem resultados, e como resposta a segunda tentativa de dialogo dos Visigodos, Requiário, ataca a região de Tarragona na atual Catalunha. Fartos, os Visigodos atacam também e derrotam os Suevos perto de Astorga (na batalha do Rio Órbigo), muitos deles escapam, e durante a perseguição, os Visigodos atacam e saqueiam Bracara, no domingo 28 de outubro de 456. São feitos muitos prisioneiros “romanos”, as Igrejas são profanadas, os padres são despidos das suas vestes sacerdotais, até a nudez. Curiosamente segundo Idácio, Bracara caiu sem derrame de sangue e violações (Astorga não terá a mesma sorte e será em parte incendiada). Teodorico e seus Visigodos depois de ter capturado e morto Requiário no Porto seguem para a Lusitânia, e deixam o convento bracarense nas mãos de bandas armadas de saqueadores[19].
O reino de Galécia é dominado indiretamente pelos Visigodos, os Suevos encontrando-se numa clara posição de vassalagem e dividem-se em dois reinos. Bracara, já não sendo a única capital perde influência, ao invés Lugo e sobretudo Porto ganham importância. Com a morte de Idácio, depois de 469, ficamos sem informação até 561, e a ordem do rei Ariamiro, de proceder ao Primeiro Concílio de Braga, entre os anos 561 e 563, na presidência de Lucrécio, bispo de Bracara. Seguido em 572, no reino de Miro, pelo segundo concílio de Braga, presidido desta por São Martinho, bispo de Dume e de Braga, novamente única capital do reino. Essa curta fase marca um renascimento dum certo esplendor político e religioso de Bracara, muito influenciada pelo Império Bizantino. E deve muito a obra de (re)organização, e de formação (inclusivo do próprio rei, Miro), do culto bispo São Martinho de Dume. O Paroquial suevo é exemplo disso, que não só prova esse grande esforço de organização na Igreja, mas também na administração civil do reino.
Em 585, o reino Suevo, acaba, dominado pelo Reino Visigótico, durante 130 anos. Bracara deixa de ser definitivamente capital política dum estado, guardando no entanto o seu estatuto de capital eclesiástica. Durante esses dois reinos germânicos, apesar do saque, houve uma relativa continuidade, económica, com uma certa prosperidade da cidade, e na configuração e ocupação do espaço. Embora a cidade vi-se alguns dos seus monumentos transformados e a qualidade da reconstrução ser de modo geral de nível inferior a do período romano. No entanto, algumas construções religiosas, como a basílica de Dume e em particular a capela de São Frutuoso mostram sinais evidente da utilização de materiais nobres, como mármore e calcários[20]. A periferia até conhece um desenvolvimento, ilustrada com a construção de varias igrejas (S. Vicente, S. Vítor, e S. Pedro de Maximinos)[21].

Paços Reais[editar | editar código-fonte]

Curiosamente, parece que os reis suevos nunca viveram em Bracara mas sim nos seus arredores, Teodomiro terá dado o seu nome a freguesia de Mire de Tibães[nota 3][22] e perto do seu palácio São Martinho terá fundado um mosteiro.[23][24] Santa Marta das Cortiças é outro lugar com um palácio real ao lado duma basílica.[18] No alto do monte e ao lado dum castro, numa clara posição defensiva, (talvez depois do saque de Teodorico).

Da Islamização à Reconquista (século VIII a X)[editar | editar código-fonte]

A entrada dos mouros na Península ocorreu com o desembarque em Gibraltar a 27 de abril de 711 de Tárique. Seis anos depois, em 717, os Mouros tomam Bracara,[20] e a sede da diocese bracarense é transferida até 1070 para Lugo. A resistência cristã recuou de forma mais permanente até ficar confinada numa pequena zona montanhosa das Astúrias. Porém menos de 40 anos depois, no tempo de Afonso I das Astúrias, Braga é de novo em zona cristã, embora numa zona muito perigosa, demasiada perto da fronteira do Douro. O século X é marcado, após um período de paz, por diversas destruições sangrentas de Almançor, governador do Alandalus, que consegue inverter o avanço da reconquista. Verifica-se uma vasta destruição muçulmana na Galiza, em 997, por Almançor e seu exército, que saqueou as cidades galegas do Porto, até Santiago de Compostela, mas não sabemos se passou por Braga.[20] Todavia o cronista árabe Ibne Abd AI-Hunim AI-Himiari, citando um texto do geógrafo AI-Brak (século XI), fala duma cidade destruída.[25]

Esta cidade de Braga, que remontava a Antiguidade, foi uma das fundações dos romanos e uma das suas residências reais. Assemelhava-se a Mérida pela solidez dos seus edifícios e ordenação das muralhas. Está hoje quase inteiramente destruída e deserta: foi demolida pelos muçulmanos que expulsaram a população ...
 
Ibne Abd AI-Hunim AI-Himiari.

A cidade de Braga[editar | editar código-fonte]

Braga medieval, num mapa de 1594

A cidade de Braga que nasce no século XI, tem pouco a ver com a antiga e rica Bracara.[nota 4] Depois de D. Fernando I de Leão ter conquistado Coimbra, por decisão real, Braga torna a ser sede episcopal com a nomeação do bispo D. Pedro de Braga que manda reconstruir a Sé ( sobre restos de um antigo templo romano dedicado à deusa Ísis, que teria mais tarde sido convertido numa igreja cristã). A cidade medieval desenvolve-se em torno da Sé fortificada, ocupando só o quarto noreste da antiga Bracara até a muralha romano do norte,[21] o resto da cidade é aos poucos destruído e transformado em campos e hortas. O que confirma a crónica árabe, Braga perdeu certamente mais de metade da sua população, e toda a zona Oeste ocupada com monumentos públicos, fórum, termas, teatro e anfiteatro é abandonada. Uma muralha circundante é construida a volta da cidade medieval em antes do século XIII.[21] Braga foi oferecida como dote, por Afonso VI de Leão e Castela, à sua filha D. Teresa, no seu casamento com D. Henrique de Borgonha. Estes últimos foram senhores da cidade entre 1096 a 1112. Em 1112, doam a cidade aos Arcebispos.

De Bracara a Braga

Escavações[editar | editar código-fonte]

Termas de Bracara Augusta

Felizmente a memória de Bracara Augusta não ficou completamente apagada, já no tempo do rei D. Manuel, com o arcebispo de Braga D. Diogo de Sousa houve a preocupação de proteger os vestígios romanos, com a colocação no recém criado, campo de Santa Ana (Av. Central) de mais de uma dezena de miliários . Outro arcebispo de Braga, entre 1626 e 1634, Rodrigo da Cunha descreve na sua “História Ecclesiástica dos Arcebispos de Braga” a suposta fundação de Braga, citando vários autores, e emite a acertada opinião que Bracara não ocupava o mesmo espaço que Braga

As memorias antigas, que há em Braga mostram que foi sempre cidade grandiosa. Sua primeira fundação, e assento não foi no lugar onde hoje se vê. Teve seu principio junto à Igreja de São Pedro de Maximinos onde se mostram hoje ruínas de grandes edifícios que dão testemunho de sua antiga majestade, e ainda aparece um como meio circulo lugar onde estava o anfiteatro …
 
História Ecclesiástica dos Arcebispos de Braga, D. Rodrigo da Cunha .

Outro membro do clérigo, Jerónimo Contador de Argote foi um grande historiador e defensor do património de Braga como se nota na sua importante obra “Memórias Históricas do Arcebispado de Braga”. As transformações do século XIX e inicio do século XX em Braga afetaram principalmente os edifícios medievais como por exemplo a destruição do castelo em novembro de 1905 pela Câmara.[26] No fim do século passado, porém Braga conheceu um crescimento exponencial que ameaçou a partir de 1970 as ruínas romanas, as grandes quintas que cercavam a cidade foram transformadas em estradas e loteamentos. Depois de algumas destruições, o Cónego Arlindo Ribeiro da Cunha, é dos primeiros a indignar-se, sem resultados. Em janeiro de 1976, quatro funcionários da Universidade do Minho ( Dr . Barreto Nunes, Dr. Mendes Atanazio, Dr. Artur Norton e Arqt o Cameira) alertam o M.E.I.C (Ministério da Educação e Investigação Científica, que tutelava a Junta Nacional de Educação com funções de proteção e conservação de monumentos e obras de arte) do risco de destruição iminente da colina de Maximinos, em fevereiro é criado a C.O.D.E.P. (Comissão de Defesa e Estudo do Património). Em Abril o professor Jorge de Alarcão dirige uma primeira campanha de sondagens. Processo que culmina em 20 de novembro, com a visita do Primeiro Ministro Dr . Mário Soares no campo arqueológico :

Não se construirá mais em Braga sobre ruínas romanas
 
Dr . Mário Soares.

A antecessora, da atual Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho (U.A.U.M.) criado em 1976 para orientar o salvamento de Bracara Augusta, desenvolve-se a partir de 1977 com os seguintes resultados[27]:

Insula romana sob edifício da Escola da Sé

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Civitate: A civitate era uma subdivisão territorial dum conventus tendo em consideração seus componentes étnicos, seus povos.
  2. O convento de Lugo tem 166 000 pessoas livres e Astorga 240 000
  3. Mire de Miro ou Teodomiro vem de Mereis: Célebre, e Tibães talvez de þiubjo: Clandestino ou seja Teodomiro clandestino ou escondido
  4. Ausónio na Ordo Urbium Nobilium, fala da rica ou opulente Bracara

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Bracara Augusta

Referências

  1. a b Bracara Augusta-A grande plateforma viária do Noroeste da Hispania, Francisco de Sande Lemos, 2002
  2. a b c Topografia e urbanismo fundacional de Bracara Augusta, Manuela Martins UMinho; UAUM; Lab2PT, Maria do Carmo Ribeiro UMinho; UAUM; Lab2PT, Jorge Ribeiro Bolseiro de pós doc FCT; UMinho; Lab2PT, Ricardo Mar Universidade Rovira i Virgili, Tarragona, editor servizo de Publicacións da Deputación de Lugo
  3. SILVA, Armando Coelho F. da (1986) - A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal, Câmara Municipal de Paços de Ferreira
  4. História Natural (livro IV, XXXIV, 112) "Bracarum oppidum Augusta..."
  5. Artigo do Diário do Minho (DM) do 7/04/2004
  6. SCHULTEN , Adolf (1943) - Los cantabros y astures y su guerra con Roma, (Madrid)
  7. TRANOY, Alain (1981 ), tese de doutoramento - La Galice Romaine, Difusion du Bocard, Paris.
  8. Rodriguez Colmenero, La "Fonte Do idolo" (Braga), Santuario Rupestre de una Ciudad Romana, 2006
  9. Antes de Bracara Augusta, Francisco Sande Lemos, Forum 42-43, Jul 2007/Jan 2008, Pág 203-239
  10. a b c Urbanismo e Arquitectura em Bracara Augusta. Balanço dos contributos da Arqueologia Urbana, Maria Manuela Martins, Simulacra Romae Bracara Augusta
  11. História Natural de Plínio, o Velho, livro III, IV, 28. "Simili modo Bracarum XXIIII civitates CCLXXXV capitum, ex quibus praeter ipsos Bracaros Bibali, Coelerni, Callaeci, Equasei, Limici, Querquerni citra fastidium nominentur. "
  12. a b c Autarcia e Comércio em Bracara Augusta Contributo para o estudo económico da cidade no período Alto-Imperial, Rui Morais, UAUM · Unidade de Arqueologia da Universidade do Minho em parceria com o NARQ · Núcleo de Arqueologia da Universidade do Minho, Braga 2005
  13. Nunc fraternitatis tuae animum ad servandos canones et tenenda decretalia constituta magis ac magis incitamus, ut haec quae ad tua rescripsimus consulta, in omnium coepiscoporum nostrorum perferri facias notionem, et non solum eorum qui in tua sunt dioecesi constituti, sed etiam ad universos Carthaginenses ac Baeticos, Lusitanos atque Gallicios, vel eos qui vicinos tibi collimitant hinc inde provinciis, haec quae a Nobis sunt salubri ordinatione disposita, sub litterarum tuarum prosecutione mittantur. Enchiridion Symbolorum editado por Denzinger‐Schonmetzer, 1962, nº. 184. Tradução: "Agora sempre mais estimulamos a disposição de ânimo de Tua Fraternidade a observar os cânones e a manter os decretos estabelecidos, no sentido, de que, quanto temos dado por resposta á tua consulta, tu o faças chegar ao conhecimento de todos os nossos coepíscopos, e não só dos que estão constituídos em tua diocese; mas também a todos os bispos cartagineses e béticos, lusitanos e galícios, ou seja, aos bispos das províncias vizinhas da tua, seja mandado, acompanhando uma carta tua, tudo quanto por Nós em salutar disposição foi estabelecido" em Blog Ofício Católico
  14. Crónica de Idácio de Chaves
  15. ’’quamquam et post hoc quoque continuo barbari exsecrati gladios suos ad aratra conuersi ...’’. Historiarum Adversum Paganos, Paulo Orósio, Livro VII, 41-8
  16. ’’Wandali Suevorum obsidione dimissa, instante Asterio Hispaniarum comite, sub vicario Maurocello, aliquantis Bracarae in exitu suo occisis, relicta Gallaecia ad Baeticam transierunt’’. Crónica do bispo Idácio de Chaves
  17. In tempore sueborum, El tiempo do los Suevos en la Gallaecia, Jorge López Quiroga y Artemio Manuel Martínez Tejera, Deputación Provincial de Ourense, 2017
  18. a b c A Basílica paleocristã e o edifício palatino de Sta. Marta das Cortiças (Falperra): As escavações de F. Russell Cortez e de J. J. Rigaud de Sousa, de Mário J. Barroca, Andreia Arezes, Rui Morais
  19. ’’Mox Hispanias rex Gothorum Theudoricus cum ingenti exercitu suo, et cum voluntate et ordinatione Aviti imperatoris ingreditur. Cui cum multitudine Suevorum rex Rechiarius occurrens duodecimo de Asturicensi urbe milliario, ad fluvium nomine Urbicum, tertio nonas Octobris die, sexta feria inito mox certamine superatur: caesis suorum agminibus, aliquantis captis, plurimisque fugatis, ipse ad extremas sedes Gallaeciae plagatus vix evadit ac profugus. Theudorico rege cum exercitu ad Bracaram extremam civitatem Gallaeciae pertendente, quinto kal. Novemb. die dominico, etsi incruenta, fit tamen satis moesta et lacrymabilis ejusdem direptio civitatis. Romanorum magna agitur captivitas captivorum, sanctorum basilicae effractae, altaria sublata atque confracta, virgines Dei exin quidem adductae, sed integritate servata, clerus usque ad nuditatem pudoris exutus, promiscui sexus cum parvulis, de locis refugii sanctis populus omnis abstractus, jumentorum, pecorum, camelorumque horrore locus sacer impletus, scripta super Jerusalem ex parte coelestis irae revocavit exempla. II. Rechiarius ad locum qui Portucale appellatur, profugus regi Theudorico captivus adducitur: quo in custodiam redacto, caeteris qui de priore certamine superfuerant, tradentibus se Suevis, aliquantis nihilominus interfectis, regnum destructum et finitum est Suevorum ... In conventus parte Bracarensis latrocinantum depraedatio perpetratur.’’ Cronica de Idácio
  20. a b c A Capela de S. Frutuoso– Elementos para o seu estudo e compreensão. Rui Ferreira, Doutorando em Estudos Culturais pela Universidade do Minho, Braga, 2012
  21. a b c A evolução da paisagem urbana de Braga desde a época romana até a Idade Moderna. Síntese de resultados, Maria do Carmo Ribeiro, professora auxiliar do Departamento de História UM
  22. Joseph-Maria Piel, "Os nomes germânicos na toponímia portuguesa"
  23. José Carlos Gonçalves Peixoto, Mestre em Ciências da Educação; Professor; Coordenador do Departamento de Ciências Sociais e Humanas. «História por um canudo». Consultado em 2 de novembro de 2021 
  24. Frei Leão de S. Tomás, em Benedita Lusitana: «A uma légua da cidade de Braga, para o lado Norte, estiveram antigamente uns Paços e casas de prazer do Rei Teodomiro entre os grandes de Sobrado e Mire vizinhos ao Rio Cávado (...). Perto destes Paços do rei, em lugar mais alto e eminente à vista do mesmo rio, ficava um sítio retirado e solitário que a S. Martinho Dumiense pareceu muito acomodado, para nele se fundar um Mosteiro de Monges. (...) O rei como era tão pio mandou logo se edificasse e se dedicasse a S. Martinho Turunense, de quem era devotíssimo devoto...»
  25. Coelho Borges, António (1989). Portugal na Espanha Árabe vol.1. Lisboa: Caminho. ISBN 9789722104104 
  26. Revista do Arqueólogo Português p.375
  27. Dossier-Salvamento de Bracara Augusta(1976 - 1989) de Manuela Delgado, Manuela Martins, Francisco Sande Lemos, U.A.U.M, Forum Nª outubro de 1989
  28. a b c O espaço construído de Bracara Augusta no Alto Imperio, Manuela Martins e Maria do Carma Ribeiro da Universidade do Minho; UAUM; Lab2PT, Jorge Ribeiro Bolseiro de pós doc FCT; UMinho, Fernanda Magalhães e Cristina Braga Bolseiras de doutoramento FCT; UMinho em Philtáte Studia et acta antiquae Callaeciae Vol.2

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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