Brandoa

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Portugal Brandoa 
  Freguesia portuguesa extinta  
Símbolos
Bandeira de Brandoa
Bandeira
Brasão de armas de Brandoa
Brasão de armas
Gentílico Brandoense
Localização
Localização no município da Amadora
Localização no município da Amadora
Brandoa está localizado em: Portugal Continental
Brandoa
Localização de Brandoa em
Mapa de Brandoa
Coordenadas 38° 45' 58" N 9° 12' 52" O
município primitivo Amadora
município (s) atual (is) Amadora
Freguesia (s) atual (is) Encosta do Sol
História
Extinção 2013
Características geográficas
Área total 2,39 km²
População total (2011) 17 805 hab.
Densidade 7 449,8 hab./km²
Outras informações
Orago Santa Teresinha do Menino Jesus

Brandoa foi uma freguesia portuguesa do município da Amadora, com 2,22 km² de área e 17 805 habitantes (2011). Densidade: 8 020,3 hab/km².

Foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo agregado a freguesia de Alfornelos, para formar uma nova freguesia denominada Encosta do Sol.[1]

População[editar | editar código-fonte]

População da freguesia de Brandoa [2]
1864 1878 1890 1900 1911 1920 1930 1940 1950 1960 1970 1981 1991 2001 2011
22 968 28 566 15 647 17 805

Criada pela Lei 45/79 [3], de 11 de Setembro

História[editar | editar código-fonte]

As primeiras referências que existem sobre este local datam de 1575. Nos arredores de Lisboa havia uma quinta de nome Brandoa. O nome da quinta teve origem nos seus proprietários – Dr.º Jerónimo Vaz Brandão e mais tarde a sua filha Maria Brandoa.

Brandoa é uma palavra de origem céltica, que advém do nome feminino, cuja forma mais antiga, tem como terminação o ditongo nasal ão que passa ao, exemplo: Brandão / Brandoa.

A quinta pertenceu sucessivamente a várias famílias, estando no final da década de 50 (1958/1959) na posse da família Freitas que, devido a problemas financeiros, hipotecam a quinta por 800 contos.[4] Data também dessa altura o início do loteamento ilegal.

Em meados de 1960 dá-se início ao processo de construção clandestina. Este processo está directamente relacionado com o surto emigratório das populações do campo para a cidade, o que veio provocar uma falta de resposta da grande cidade ao problema da habitação.

A Brandoa era uma zona de fácil acesso, pois encontrava-se na periferia da cidade e nos limites do Concelho de Oeiras, local pouco vigiado pelos fiscais camarários. A 1ª fase de construção foi na vertente da Paiã, sendo os construtores, na maioria operários da construção civil, os próprios habitantes dos prédios.

Em 1961 a Câmara Municipal de Oeiras publica vários anúncios nos jornais e editais, alertando para o facto de toda a construção na zona da Brandoa ser clandestina e se encontrar por isso sujeita a demolição.

Mas estes avisos não evitaram a proliferação dos prédios. Em 1962 devido ao número de prédios já edificados (360) a Câmara propõe, pela primeira vez, a urbanização desta área. Mas a resolução do problema tarda em chegar. Em 1969 verifica-se o desmoronamento de um prédio de 6 andares. A partir desta data a Brandoa é o centro das atenções das entidades públicas e órgãos de comunicação social nacionais e estrangeiros. As entidades camarárias e governamentais são então chamadas a "responder" pelo desenvolvimento de um bairro clandestino com as dimensões da Brandoa. A Câmara manda embargar todos os prédios em construção.

A Brandoa passa então a ser denominada o "maior bairro clandestino da Europa"[5].

Em 1971 já existe no Bairro uma Comissão de Moradores que reivindica alguns melhoramentos, como é o caso da água, electricidade, saneamento básico e asfaltamento das vias de comunicação. No ano seguinte iniciam-se algumas obras de saneamento básico.

Em 1973 é constituído o Gabinete do Plano da Brandoa, que faz o levantamento do cadastro da propriedade e que classifica os edifícios com o objectivo de efectuar obras de melhoramentos. O trabalho deste Gabinete nunca chegou a ser concluído. E as condições de vida da população residente não sofreram alterações significativas. É também a partir deste período que o Movimento Associativo começa a desenvolver-se nas suas variadas componentes (social, cultural e desportiva).

No dia 1 de Novembro de 1975, o Padre Sidónio Peixe assume a responsabilidade Pastoral da Brandoa. A sua presença e preserverança, foi decisiva para a evolução da Brandoa. Escolhe como Padroeira, Santa Teresinha do Menino Jesus. Foi-lhe atribuído o nome de uma Avenida, junto à Igreja Paroquial, já em 2012.

Em 1979 é criado o Município da Amadora e no ano seguinte em 22 de Fevereiro, toma posse a primeira Junta de Freguesia da Brandoa.

A Freguesia da Brandoa é então constituída por sete Bairros: Azinhaga dos Besouros; Casal de Alfornelos; Rua de Alfornelos; Urbanização de Alfornelos; 11 de Março; Quinta da Laje; e Brandoa.

É a partir da década de 80 que se começam a fazer sentir as melhorias nas condições de vida da população residente. São criadas infra-estruturas básicas e equipamentos sociais como creches, o Edifício do ATL, a escolas, parques infantis, centro de apoio à população idosa, constroem-se e mantêm-se espaços verdes. Inicia-se o processo de urbanização e legalização dos prédios. A nova construção obedece já a regras de planeamento urbanístico, devidamente legalizados.

Em 1989, foi inaugurado o Edifício da Igreja Paroquial.

A pouco e pouco, a Brandoa começa a transformar-se, quer no seu aspecto físico, quer ao nível da população residente. As necessidades agora são outras e a Junta de Freguesia tem tentado responder aos anseios da população, dinamizando e apoiando uma série de actividades no âmbito cultural, recreativo e desportivo, possibilitando à população residente uma melhor qualidade de vida e tentando que esta localidade não seja apenas um dormitório da grande cidade.

Em 1997 procedeu-se à divisão administrativa da Freguesia dando origem à nova Freguesia de Alfornelos[6], vem transformar a realidade física e social da Brandoa, que passou a ser constituída apenas pelos Bairros da Brandoa, Casal e Rua de Alfornelos.

No ano 2002, na Brandoa esteve a funcionar o espaço de internet e serviços, espaços verdes ou públicos urbanos, equipamentos para a terceira idade, o Parque Urbano da Paiã, ligações rodoviárias e ligações ao nível da rede viária entre o troço da Brandoa - Falagueira e o Casal da Mira são algumas das ocupações já definidas neste Programa.

Em 2004 com a construção do Bairro da Urbanização do Casal da Mira deu-se início à expansão da zona norte da Freguesia onde se situa o Dolce Vita Tejo e um bairro residencial.

No ano 2005 foi acabado o projecto de construção o Jardim Luís de Camões, financiado pelo projecto da Uniao Europeia, entretanto do ano 2006 o projecto deixou de receber o apoio e espaço foi fechado.

Como alternativa a câmara sugeriu espaço da câmara municipal da amadora que fica perto da estação da Amadora.

Em 2002 com a aprovação do PROQUAL (Programa Integrado de Qualificação das Áreas Suburbanas da Área Metropolitana de Lisboa) para a Brandoa, está a proceder-se à requalificação sócio-urbanística. Deste modo, prevê-se a criação de um Centro de Juventude, um Centro Cívico que terá um Centro de Dia e Centro de Convívio e Lazer. Neste equipamento, vamos instalar associações da Brandoa, um Pavilhão Polidesportivo e criar o Jardim Luís de Camões e zonas envolventes, um novo Mercado, uma nova escola que integrará creche, jardim de infância, ATL e 1º Ciclo do Ensino Básico, um centro de escritórios


Notas e referências

  1. Unidade Técnica para a Reorganização Administrativa do Território Pronúncia da Assembleia Municipal da Amadora sobre a Reorganização Administrativa do Território. Acedido a 1 de julho de 2013.
  2. Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
  3. Diário da República - https://dre.tretas.org/dre/209689/
  4. 800.000 Escudos Portugueses equivalente a aproximadamente 4.000 Euros
  5. Isabel Osório / Odacir Júnio (25 de julho de 2012). «A Brandoa dos anos 60». SIC Notícias. Consultado em 5 de janeiro de 2012 
  6. Assembleia da República (12 de julho de 1997). «Reorganização administrativa do concelho da Amadora, mediante a criação das freguesias de Alfornelos, São Brás e Venda Nova» (PDF). Diário da República I Série A / nº 159 (Lei n.o 37/97). Consultado em 5 de janeiro de 2012 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências