Brasiguaios

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Os brasiguaios são brasileiros (e seus descendentes) estabelecidos em território da República do Paraguai, em áreas fronteiriças com o Brasil, principalmente nas regiões chamadas Canindeyú e Alto Paraná, no sudeste do Paraguai. Estimados em 350 000, são, em sua maioria, agricultores de origem alemã, italiana ou eslava e falantes do idioma português. [carece de fontes?] O nome origina-se na junção das palavras "brasileiro" e "paraguaio".

História dos brasiguaios[editar | editar código-fonte]

Na década de 1960, começou a migração significativa de brasileiros, um grande número do estado do Paraná e Rio Grande do Sul estimulada por políticas de desenvolvimento agrário em ambos países. Em 1967, com a mudança da lei que proibia estrangeiros de comprar terras no Paraguai, o número de brasileiros no Paraguai aumentou rapidamente[1][2]. Não se sabe quando o termo surgiu, sabe-se que já é usado desde a década de 1970[1]. No entanto, o termo Brasiguaio tornou-se popular em 1985, quando um grande grupo de brasiguaios retornou ao Brasil com a assistência do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST)[3]. A migração maciça aumentou com a construção da hidrelétrica de Itaipu – muitos agricultores que tiveram suas propriedades invadidas pelo espelho d'água da barragem receberam indenizações insuficientes para a compra de novas terras no Brasil. Optaram, então, por deslocar-se para o vizinho Paraguai, onde as terras eram cerca de oito vezes mais baratas. Além disso, no ano de 1967, o governo paraguaio abolira uma lei que proibia a compra por estrangeiros de terras na faixa de 150 quilômetros de suas fronteiras. Um fator adicional a estimular a migração a partir do Paraná foi a crescente mecanização da produção de soja naquele estado, que resultou na concentração de extensas áreas de plantio na posse de grandes empresas. Os pequenos agricultores brasileiros buscaram, então, as terras mais baratas do outro lado da fronteira.

A situação atual dos brasiguaios[editar | editar código-fonte]

A presença dos brasiguaios, apesar de trazer um surto de crescimento econômico à região[carece de fontes?], provocou sentimentos nacionalistas e xenófobos entre os paraguaios. A situação foi assunto de ampla reportagem no programa Altas Horas da Rede Globo e no jornal The New York Times, cujo interesse pelo Mercosul cresceu após as pressões do governo de George W.Bush para antecipar a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Os paraguaios, segundo o jornal, preocupam-se com o enfraquecimento de sua identidade nacional na região fronteiriça, já que os estrangeiros mantêm sua própria língua, usam sua própria moeda, hasteiam sua própria bandeira e são donos das terras mais produtivas[carece de fontes?]. Outra queixa é que seus filhos crescem falando português como segunda língua, em vez do guarani e do espanhol. Temos que proteger nossa identidade ou estaremos perdidos como nação nessa onda de globalização e Mercosul, diz Adilio Ramírez López, diretor de uma escola local.

Outra fonte de atrito é a questão racial, uma vez que a maioria dos brasiguaios têm pele clara e feições europeias, enquanto a maior parte dos paraguaios é de origem hispano-guarani. Transmissões de rádio em guarani exortam os camponeses sem terra a atacarem os brasiguaios, incendiando suas casas ou invadindo suas lojas, o que levou a imprensa brasileira a falar sobre limpeza étnica[carece de fontes?]. Os brasiguaios se queixam da discriminação contra seus filhos nas escolas locais e a intimidação das autoridades de imigração, já que grande parte deles nunca recebeu documentos de identidade paraguaios[carece de fontes?]. Ao mesmo tempo, muitos brasiguaios nascidos no Paraguai não conseguem documentos brasileiros, o que impede algumas famílias hostilizadas de voltar ao Brasil[carece de fontes?].

Um censo da Igreja Católica feito há quase vinte anos estimava que o número de brasiguaios era de 300 000, cerca de dez por cento da população paraguaia na época. Hoje, podem chegar a 400 000, mas esses dados são incompletos devido ao número impreciso de imigrantes clandestinos. Em San Alberto de Mbaracayú, cerca de oitenta por cento dos 23 000 habitantes são descendentes de brasileiros e, votando em bloco, como a lei Paraguaia não permite que estrangeiros sejam candidatos em eleições, elegeram como prefeito Romildo Maia de Souza, Paraguaio filho de Brasileiros [carece de fontes?]. Mais diz que a solução para o problema virá à medida que paraguaios e brasiguaios aprendam a conviver entre si.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Estrada, Marcos (8 de setembro de 2014). «The impact of land policies on international migration: The case of the Brasiguaios». International Migration Institute: University of Oxford. Consultado em 20 de setembro de 2014 
  2. Albuquerque, Jose Lindomar (2010). A Dinâmica das Fronteiras: os Brasiguaios na Fronteira entre o Brasil e o Paraguai. [S.l.]: Annablume 
  3. Sprandel, Marcia (1992). Brasiguaios : conflito e identidade em fronteiras internacionais. [S.l.]: Universidade Federal do Rio de Janeiro 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]