Brasil 247

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Brasil 247
País Brasil
Fundação 2011
Fundador Leonardo Attuch
Idioma língua portuguesa
Site https://www.brasil247.com/

Brasil 247 é um portal brasileiro de notícias e análises política, com linha editorial identificada com a esquerda política. Foi fundado em março de 2011 pelo jornalista Leonardo Attuch, que atualmente ocupa o cargo de diretor-presidente e integrante do conselho editorial.

Foi o primeiro portal com conteúdo desenvolvido exclusivamente para dispositivos iPad, inspirado no The Daily. Posteriormente, tornou-se o segundo do mundo a ser projetado para plataformas móveis,[1] com previsão de investimento de 4 milhões de reais ao longo de 12 meses.[2] Com o encerramento do The Daily em 2012, tornou-se o mais antigo empreendimento jornalístico em operação desenvolvido para plataformas móveis, a nível mundial.[1]

Sua missão declarada é "empoderar o público por meio da informação e do conhecimento, e promover a defesa intransigente de uma democracia plena".[3]

História[editar | editar código-fonte]

Entrevista com Leonardo Attuch sobre o nascimento do Brasil 247

O Brasil 247 foi lançado em 2011 pela Editora 247, casa editorial fundada pelo jornalista de investigação Leonardo Attuch, sendo o primeiro sítio noticioso do Brasil especificamente desenhado para aplicativos móveis. O fundador do site tinha por objetivo que este servisse uma função de vigilante que se propunha a quebrar o vínculo entre corporações e governos, modelando-o em blogues de política norte-americanos como AlterNet e Daily Kos. Não obstante, e diferentemente do The Daily, o Brasil 247 permite acesso gratuito aos seus conteúdos. As matérias são replicações de críticas, opiniões e análises de autoria de uma parte da intelectualidade nacional, com um público fixo em jornais e revistas de informação.[1]

Visando o desenvolvimento de uma rede noticiosa alternativa numa multitude de tópicos, o Brasil 247 capitalizou a sua posição como "primeiro site noticioso brasileiro digital nativo" para receber um significativo capital fundacional, assim como investimento privado, incluindo de grandes corporações públicas como o Banco do Brasil e a Petrobras. Em 2014, o Brasil 247 era autossustentável, empregando 22 profissionais.[1] Com o crescimento do site, a sua linha progressista, e ligações ao então governo brasileiro, provocaram ataques vindos da mídia tradicional, e de ativistas conservadores notáveis, muitos dos quais se tornariam mais tarde apoiantes de Jair Bolsonaro.[4]

De linha editorial progressista com viés de abordagem vinculado ao Partido dos Trabalhadores,[1] foi descrito por veículos do grupo Folha como "pró-governo" à época do Governo Dilma Rousseff.[5] Durante a eleição presidencial no Brasil em 2014, opositores[quem?] do PT acusaram sites alinhados com o governo de serem financiados pelo Palácio do Planalto.[necessário esclarecer] Segundo a Folha de S.Paulo, o Brasil 247 havia recebido 1,7 milhão de reais desde 2011, tendo sua receita com a publicidade das empresas estatais dobrada em 2012 e mais do que dobrada em 2013.[6]

Fez oposição ao Governo Michel Temer, após o impeachment de Dilma Roussef. De acordo com O Globo, logo após assumir interinamente, Michel Temer suspendeu 11 milhões em contratos das empresas estatais com veículos relacionados a política. Entre eles, o Brasil 247 era o maior destinatário das verbas de patrocínio do governo federal, com uma previsão de 2,1 milhões de reais de patrocínio naquele ano.[7]

Durante a eleição presidencial de 2018, apoiou Fernando Haddad e marcou posição contra Jair Bolsonaro. Nesse período, o portal chegou a ter em média 70 milhões de páginas visitadas por mês.[8] Ainda em 2018, o Brasil 247 fez duras críticas à série O Mecanismo. O site fez várias postagens classificando a série como "criminosa", e citou um movimento de internautas que estariam cancelando a assinatura na Netflix, responsável pelo lançamento da série em 2018.[9]

Em setembro de 2021, a TV 247 lançou em sua plataforma do YouTube o documentário Bolsonaro e Adélio, Uma Fakeada no Coração do Brasil, que levanta a tese conspiratória de que o atentado contra Jair Bolsonaro seria uma armação com a intenção de favorecer sua candidatura a presidente.[10] Um dia após o lançamento, a produção alcançou quase 500 mil visualizações e chegou a ocupar um dos Trending Topics do Twitter.[11] O vídeo foi removido no dia 10 de agosto de 2022, pois de acordo com o YouTube, "Nossa política de discurso de ódio proíbe conteúdo que negue, banalize ou minimize eventos históricos violentos, incluindo o esfaqueamento de Jair Bolsonaro".[12]

Em janeiro de 2022, durante o lançamento da pré-candidatura de Ciro Gomes para a eleição presidencial no Brasil em 2022,[13] o pré-candidato, em resposta ao diretor editorial do Brasil 247 Luís Costa Pinto, acusou o veículo de ser um "panfleto" a favor de Lula, e afirmou que o site era financiado com "dinheiro sujo". O portal rebateu as acusações.[necessário esclarecer][14]

Em março de 2022, o Brasil 247 foi incluído na lista de fontes não confiáveis da enciclopédia livre Wikipédia.[15] A decisão comunitária foi criticada pelo site, que diz ter sido baseada na opinião política de um administrador.[16] O portal chegou a lançou uma série de notícias, acusando editores e administradores da Wikipédia lusófona sob a expressão "O caso Wikipédia".[17]

Citação na Operação Lava Jato[editar | editar código-fonte]

Em 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, o lobista Milton Pascowitch declarou, em delação premiada, que sua empresa, a Jamp Engenheiros, teria repassado 180 mil reais à Editora 247 Ltda., a pedido de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT.[18][19] Segundo o lobista, a operação foi feita com base em contrato de prestação de serviços estabelecido entre a Jamp e a Consist Software. Esta, por sua vez, teria acertado contratos com o site Brasil 247. Pascowitch afirmou não ter sido prestado nenhum serviço pela Consist que justificasse o pagamento, feito em quatro parcelas. Em nota à imprensa, o Brasil 247 rebateu as afirmações do delator, afirmando que foi contratada pela Jamp para a produção de conteúdo sobre o setor de engenharia e que os serviços foram efetivamente prestados, tendo sido emitidas as respectivas notas fiscais e recolhidos os impostos devidos.[20]

Cobertura da pandemia de COVID-19[editar | editar código-fonte]

Segundo o estudo Political Communication in the Time of Coronavirus, do cientista político Peter Van Aelst, e do especialista em comunicação pública Jay G. Blumler, a cobertura da pandemia de COVID-19 pelo Brasil 247 revela dois objetivos principais e interligados: criar uma crítica à forma como Bolsonaro geriu a pandemia, como parte de cortes de financiamento estruturais mais alargados sobre a as instituições de saúde pública; e fornecer uma contra-narrativa robusta à demonização de outras nações, em particular a China, levada a cabo por Bolsonaro. A aspiração do Brasil 247 em se tornar um site noticioso progressista de âmbito nacional e conteúdo exaustivo, e a sua relação conturbada com a Direita brasileira, explicam a dupla abordagem do site nesta cobertura, atacando a Direita ao mesmo tempo que providencia copiosa informação no esforço nacional para combater o vírus.[4]

Das 205 matérias analisadas no estudo, 40% eram ou críticas a Bolsonaro, ou à resposta federal à pandemia. Embora o site espelhasse o jornal O Globo e outra imprensa dominante na cobertura das próprias ataques de Covid-19 de Bolsonaro, as matérias do Brasil 247 muitas vezes tenderam a estar mais focadas nos efeitos nocivos deste comportamento na capacidade de resposta do governo. A segunda tendência principal na cobertura da pandemia pelo Brasil 247 - 40 matérias, ou 19% da cobertura total sobre a pandemia - é uma tentativa para preencher uma falta de informação percepcionada no conhecimento público, respeitante à relação entre o surto no Brasil e noutras nações.[4]

Através desta cobertura, o Brasil 247 reescreveu a narrativa da pandemia, destacando os erros e deslizes de Bolsonaro no contexto mais alargado dos cortes neoliberais na saúde pública, e na retórica anticientífica, ao mesmo tempo que criava um cenário mais cosmopolita e complexo da crise pandêmica e da resposta coletiva global.[4]

Atentado contra Jair Bolsonaro[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Atentado contra Jair Bolsonaro

No dia 12 de setembro de 2021, o Brasil 247 postou em seu canal do Youtube um documentário de autoria do repórter investigativo Joaquim de Carvalho entitulado Bolsonaro e Adélio - Uma Fakeada no Coração do Brasil. O documentário argumenta que o candidato à presidência Jair Bolsonaro teria forjado o próprio atentado para evitar os debates presidenciais antes do segundo turno durante as eleições de 2018.[21] O documentário origina do pressuposto de que a Polícia Federal não teria investigado de forma que o atentado poderia ter sido forjado. O filme foi analisado e classificado como uma teoria da conspiração por jornais como Folha de S. Paulo, Gazeta do Povo, CartaCapital e do Observatório da Imprensa, e contradiz os pareceres da Polícia Federal.[22][23][24][25]

O vídeo foi derrubado da plataforma YouTube em 10 de agosto de 2022. O YouTube alega que sua política de discurso de ódio não permitia negação, banalização ou minimização de eventos históricos, incluindo a facada contra Jair Bolsonaro.[26] O Partido da Causa Operária repudiou o ato, o classificando como censura.[27]

Corpo editorial[editar | editar código-fonte]

O site apresenta os seguintes membros em seu conselho editorial:[28]

Referências

  1. a b c d e Carlos Alberto Zanotti (15 de abril de 2014), «Proposta editorial e mecanismos de financiamento do mais antigo jornal em operação, no mundo, para plataformas móveis», Conexão, ISSN 2178-2687, 13 (25), Wikidata Q110687089 
  2. «Primeiro jornal brasileiro para iPad chega com duas edições diárias». G1. 15 de março de 2011. Consultado em 17 de julho de 2017. Cópia arquivada em 21 de agosto de 2017 
  3. Lina Moscoso (outubro–dezembro de 2020). «Modelo de produção das mídias alternativas como saídas democráticas para a desinformação». Revista Observatório. ISSN 2447-4266. Consultado em 23 de março de 2022. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2021 
  4. a b c d Peter Van Aelst; Jay G. Blumler (13 de setembro de 2021), Political Communication in the Time of Coronavirus, ISBN 978-1-00-046718-5 (em inglês), OL 33930932M, Wikidata Q110688480 
  5. Antenore, Armando (2016). «Falso testemunho». Revista Piauí. Consultado em 25 de março de 2022. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2022 
  6. «Sites alinhados ao governo foram beneficiados com gasto em publicidade». Folha de S.Paulo. 17 de dezembro de 2014. Consultado em 16 de julho de 2019. Cópia arquivada em 16 de julho de 2019 
  7. «Temer suspende patrocínio de R$ 11 milhões para blogs políticos». O Globo. 18 de junho de 2016. Consultado em 25 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2022 
  8. {{citar web|ultimo=Cerqueira|primeiro=Raul Prospero Marques|url=https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/23072/2/Raul%20Prospero%20Marques%20Caldeira.pdf%7Ctitulo=Polarização nas Eleições de 2018: Análise Discursiva dos Portais de Notícia Brasil 247 e O Antagonista|data=2020|acessodata=24-01-2022|website=[[PUC-SP|pagina=15|arquivodata=2022-01-24|arquivourl=https://web.archive.org/web/20220124230432/https://tede.pucsp.br/bitstream/handle/23072/2/Raul%20Prospero%20Marques%20Caldeira.pdf}}
  9. «Dilma e site de esquerda citado na Lava Jato acusam Netflix e Padilha de deturparem fatos em série». noticias.uol.com.br. Consultado em 16 de julho de 2019. Cópia arquivada em 14 de maio de 2019 
  10. «Petistas estimulam tese fantasiosa de que facada de Adélio em Bolsonaro foi forjada». Folha de S.Paulo. 16 de setembro de 2021. Consultado em 25 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 25 de janeiro de 2022 
  11. Tribuna, A. (13 de setembro de 2021). «Documentário sobre a facada dada em Bolsonaro viraliza no Twitter». A Tribuna RJ. Consultado em 25 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 14 de setembro de 2021 
  12. «YouTube remove vídeos que questionam se facada em Bolsonaro ocorreu». Metrópoles. 10 de agosto de 2022. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  13. «Brasil 247 anuncia apoio a Lula e Luís Costa Pinto na direção editorial». Poder360. 16 de dezembro de 2021. Consultado em 24 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2022 
  14. «Ciro Gomes acusa Brasil 247 de ser panfleto de Lula». Poder360. 23 de janeiro de 2022. Consultado em 24 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 23 de janeiro de 2022 
  15. «Em ano eleitoral, Wikipédia vira 'campo de guerra' para edições de biografias de políticos». O Globo. 20 de março de 2022. Consultado em 25 de março de 2022. Cópia arquivada em 24 de março de 2022 
  16. Attuch, Leonardo (24 de março de 2022). «Wikipédia no Brasil está sendo capturada por interesses políticos antes das eleições presidenciais». Brasil 247. Consultado em 25 de março de 2022. Cópia arquivada em 24 de março de 2022 
  17. «O caso Wikipédia». Brasil 247. Consultado em 8 de julho de 2022 
  18. PROCURADORIA, DA REPÚBLICA NO PARANÁ (2015). «EXCELENTÍSSIMO JUIZ DA 13ª VARA FEDERAL DA SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE CURITIBA – SEÇÃO JUDICIÁRIA DO PARANÁ» (PDF). Ministério Público Federal: 30-32; 43; 50; 53. Consultado em 14 de dezembro de 2021 
  19. Lima, Wilson (3 de agosto de 2015). «Editora 247 recebeu propina a pedido de Vaccari, diz lobista». Congresso em Foco. Consultado em 24 de janeiro de 2022. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2022 
  20. «Site 'Brasil 247' recebeu propina de Vaccari, diz lobista». Carta Capital. 3 de agosto de 2015. Consultado em 6 de março de 2016. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2021 
  21. «Usuários voltam a questionar facada em Bolsonaro no Twitter». Poder360. 3 de janeiro de 2022. Consultado em 26 de julho de 2022. Cópia arquivada em 26 de julho de 2022 
  22. Ranier Bragon (16 de setembro de 2021). «Petistas estimulam tese fantasiosa de que facada de Adélio em Bolsonaro foi forjada». Folha de S.Paulo. Consultado em 26 de julho de 2022. Cópia arquivada em 26 de julho de 2022 
  23. «Desmentindo a fakeada no coração do Brasil, ou: Quem mandou matar Bolsonaro?». Gazeta do Povo. 2 de outubro de 2021. Consultado em 26 de julho de 2022 
  24. Camilo Aggio (19 de setembro de 2021). «Essa 'fakeada' tem cara de fake - CartaCapital». Carta Capital. Consultado em 27 de julho de 2022. Cópia arquivada em 27 de julho de 2022 
  25. Camilo Aggio (29 de setembro de 2021). «Teorias conspiratórias e por que elas importam». Observatório da Imprensa. Consultado em 27 de julho de 2022. Cópia arquivada em 27 de julho de 2022 
  26. «YouTube remove vídeos que questionam se facada em Bolsonaro ocorreu». Metrópoles. 10 de agosto de 2022. Consultado em 10 de agosto de 2022 
  27. «PCO repudida a censura do Youtube contra o Brasil 247 e sua TV». Partido da Causa Operária. 10 de agosto de 2022. Consultado em 18 de agosto de 2022. Cópia arquivada em 18 de agosto de 2022 
  28. «Conselho editorial». Brasil 247. Consultado em 23 de março de 2022. Cópia arquivada em 22 de março de 2022 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]