Brenda Lee

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Brenda Lee
Quiosque da Casa de Apoio Brenda Lee na Feira Cultural LGBT de São Paulo, 2009
Nascimento 10 de janeiro de 1948
Bodocó, PE
Morte 28 de maio de 1996 (48 anos)
São Paulo, SP
Nacionalidade brasileira
Ocupação Militante LGBT

Brenda Lee (Bodocó, 10 de janeiro de 1948São Paulo, 28 de maio de 1996) foi uma militante transexual brasileira dos direitos LGBT. Brenda foi considerada o «anjo da guarda das travestis» e tinha como objetivo ajudar a todos, doentes ou não, que eram discriminados pela sociedade.

Seu trabalho tornou um referencial e um marco importante e, por isso, em 21 de outubro de 2008 foi instituído o «Prêmio Brenda Lee» concedido quinquenalmente para sete categorias por ocasião das comemorações do Dia Mundial de Combate à Aids e aniversário do Programa Estadual DST/Aids do Estado de São Paulo.[1]

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascida como Cícero Caetano Leonardo no interior de Pernambuco,[2] Brenda era muito efeminada ainda na infância, o que desde cedo lhe tornou alvo de preconceitos. Inicialmente adotou o nome social de Caetana, mas ao se estabelecer em São Paulo escolheu o nome que a tornaria conhecida: Brenda Lee.[2]

Militância[editar | editar código-fonte]

Brenda chegou a São Paulo aos catorze anos e tornou-se figura conhecida e festejada do bairro do Bixiga. Comprou uma casa nesse bairro e acolheu o primeiro portador do vírus HIV em 1984 numa época em que predominava muita desinformação e preconceito sobre a AIDS, quando até mesmo os familiares rejeitavam quem sofria dessa doença e não havia infraestrutura para acolher quem recebia alta hospitalar e não tinha onde morar.

A «Casa de Apoio Brenda Lee», também conhecida como «Palácio das Princesas», foi instituída formalmente em 1988 para abrigar pessoas homossexuais e portadores de HIV rejeitados por parentes e também com o objetivo de dar assistência médica, social, moral e material, fossem elas travestis ou não.[3][4] A casa, que ficava na Rua Major Diogo, 779 começou com três pacientes ainda no ano de sua compra.

Em 1988, o cineasta suíço Pierre-Alain Meier dirigiu o filme-documentário intitulado Dores de Amor, no qual expôs a vida nua e crua de quatro mulheres transgêneras. Além da própria Brenda, figuravam Andréa de Mayo, Cláudia Wonder, Condessa Mônica e Thelma Lipp.

Morte[editar | editar código-fonte]

No dia 28 de maio de 1996, Brenda foi brutalmente assassinada com um tiro na boca e outro no peito e seu corpo foi encontrado em um terreno baldio pois descobrira que o motorista da Casa de Apoio Brenda Lee havia falsificado um cheque emitido pela vítima.[3] Sua missa de corpo presente — realizada pelo padre Júlio Lancellotti, representando o cardeal Dom Paulo Evaristo Arns — foi rezada na sede da casa de apoio, na rua Major Diogo, na Bela Vista.[3] O caso foi solucionado pela Equipe B-Leste da Divisão de Homicídios do DHPP da Polícia Civil de São Paulo e levou a prisão os autores do crime, um deles, um soldado PM.

Google Doodle Celebration[editar | editar código-fonte]

Em 29 de janeiro de 2019, o Google adicionou em sua página principal para o Brasil um doodle em homenagem ao Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais:[5]


Referências

  1. «Portaria Interna PE-DST/Aids - 4, de 21 de outubro de 2008» (PDF). Diário Oficial do Estado de São Paulo. 21 de outubro de 2008. Consultado em 21 de setembro de 2010 
  2. a b Rita Colaço (2009). «Brenda Lee e o seu "Palácio das Princesas": A travesti que inaugurou o serviço de apoio aos homossexuais expulsos de casa e aos soropositivos». Consultado em 21 de setembro de 2010 
  3. a b c «Brenda Lee: Há 14 anos, Brasil perdia uma das pioneiras da luta contra a aids». Agência de Notícia da AIDS. 28 de maio de 2010. Consultado em 21 de setembro de 2010 
  4. «453 anos de São Paulo: GAPA e Brenda Lee dividem o mérito de terem iniciado trabalho de acolhimento às pessoas com HIV na capital paulistana». Agência de Notícia da AIDS. 24 de janeiro de 2007. Consultado em 21 de setembro de 2010 
  5. «Celebrating Brenda Lee». www.google.com (em inglês). Consultado em 29 de janeiro de 2019 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]