Brigitte Bardot

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Brigitte Bardot
BB em 1969.
Outros nomes BB
Nascimento 28 de setembro de 1934 (81 anos)
Paris, França
Nacionalidade França francesa
Ocupação atriz, cantora, modelo e ativista
Atividade 1952 - 1973 (como atriz)
1973 - Atualmente (como ativista)
Cônjuge Roger Vadim (1952 – 1957)
Jacques Charrier (1959 – 1962)
Gunter Sachs (1966 – 1969)
Bernard d'Ormale (1992 - atualmente)
IMDb: (inglês)

Brigitte Anne-Marie Bardot (Paris, 28 de Setembro de 1934) é uma ex-atriz e atual ativista francesa. Conhecida por suas iniciais, BB, é considerada o grande símbolo sexual dos anos 50 e 60. Tornou-se ativista dos direitos animais, após se retirar do mundo do entretenimento e se afastar da vida pública.

Ícone de popularidade da década de 1960, foi eleita pela revista americana TIME um dos cem nomes mais influentes da história da moda.[1][2] Bardot tornou-se uma estrela internacional em 1957, após protagonizar o polêmico filme E Deus Criou a Mulher, produzido pelo seu então marido, Roger Vadim. Ela chamava a atenção da intelectualidade francesa e Simone de Beauvoir a descreveu como "uma locomotiva da história das mulheres", além de ter sido considerada a mulher mais livre do Pós-Guerra na França.

Considerada uma mulher a frente de seu tempo, mesmo sem ganhar grandes prêmios no cinema, Brigitte causava histeria na imprensa mundial e era uma das poucas atrizes não americanas de sua época que recebiam grande atenção da imprensa dos Estados Unidos,[3] onde surgiu o termo "Bardot mania" para qualificar a adoração que ela suscitava. Seu estilo natural com seus cabelos longos e loiros, (inéditos para época), tornaram-se mania entre as mulheres e influenciou todo o estilo e comportamento das gerações das décadas de 1950 e 1960, mudando para sempre a forma de representar o feminino.[4].

Distante do sucesso e do glamour do cinema há quatro décadas, engajada numa polêmica cruzada em defesa dos direitos animais e tendo sido processada várias vezes por suas duras críticas sobre a islamização da França, Bardot ainda se mantém firme como um ícone de sensualidade e beleza feminina, inspirando a moda e também vários artistas da contemporaneidade. Foi eleita uma das dez atrizes mais belas da história do cinema por uma pesquisa realizada na Inglaterra em 2009.[5] Em 1985 ela foi premiada com a Legião de Honra Francesa, mas causou polêmica ao recusar o prêmio[6].

Infância e adolescência[editar | editar código-fonte]

Seu pai, Louis Bardot, foi um industrial da alta burguesia francesa. Sua mãe, Anne-Marie, era catorze anos mais jovem que seu pai e casaram-se em 1933. Ela também tem uma irmã, Mijanou Bardot, que também atuou no cinema. Recebeu influência da mãe nas artes da dança e música. Em 1947, foi aceita no conservatório de dança e música de Paris (Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris) e cursou as aulas de balé por três anos.

Com o apoio e incentivo da mãe, começou a fazer trabalhos de moda em 1949, aos quinze anos, e em 1950 foi capa da edição de março da revista Elle francesa,[7] trabalho que chamou a atenção do então jovem cineasta Roger Vadim. Vadim mostrou a capa da revista ao cineasta e roteirista Marc Allégret, que convidou Brigitte para um teste para seu filme "Les lauriers sont coupés". BB foi escolhida para o papel, mas o filme acabou não sendo realizado. Mesmo assim, esta oportunidade fez com que ela pensasse em se tornar atriz. Mais do que isso, seu encontro com Vadim, que assistiu ao teste, iria influenciar sua carreira e sua vida.[8]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Brigitte Bardot em 1959 no filme Voulez-vous danser avec moi?.

Brigitte Bardot estreou no cinema aos 17 anos no filme Le Trou normand (1952) e no mesmo ano, após dois anos de namoro à revelia dos pais, casou-se com Roger Vadim. Em seu segundo filme, Manina, la fille sans voile, suas cenas de biquíni fizeram com que seu pai recorresse à Justiça para impedir que as cenas fossem levadas ao cinema, sem sucesso. [9]Entre 1952 e 1957 ela fez dezessete filmes, nenhum de grande sucesso, dramas românticos ou históricos, sendo três filmes em inglês, entre eles Helena de Troia, mas foi o grande centro de atenção da mídia presente ao Festival de Cannes de 1953. Vadim não estava contente com isso e achava que Brigitte estava sendo subestimada pela indústria. A nouvelle vague francesa, inspirada no neorrealismo italiano, estava começando a crescer internacionalmente e ele, acreditando que Bardot poderia estrelar filmes de arte nessa linha, a escalou para o papel principal de seu novo filme, E Deus Criou a Mulher (1956), com a então jovem sensação masculina do cinema francês, Jean-Louis Trintignant. O filme, sobre uma adolescente amoral numa pequena e respeitável cidade do litoral, fez um grande sucesso e causou grande escândalo mundial. Quando chegou aos Estados Unidos, o filme estourou as receitas, transformando BB em um fenômeno da noite para o dia, com suas cenas de biquíni percorrendo as telas de cinema do mundo todo.

O estilo Bardot marcou um antes e um depois no mundo feminino. Na foto, de 1962, ela aparece com um de seus famosos penteados que, ainda hoje, continuam a ser imitados por mulheres do mundo todo.
Bardot na Itália em 1961.

Além disto, o filme chegou a ser proibido em alguns países, e foi condenado pela Liga da decência católica. A cena em que ela dança descalça em cima de uma mesa é considerada uma das mais eróticas da história do cinema.

Na moralista Hollywood dos anos 50, onde o maior símbolo sexual, Marilyn Monroe, no máximo havia aparecido nas telas de maiô, seu perfil erótico a transformou numa aposta arriscada para os estúdios, e isso, além de seu sotaque e seu inglês limitado, a impediram de fazer uma grande carreira no cinema dos Estados Unidos. De qualquer modo, ela se tornou a mais famosa atriz europeia nos Estados Unidos e permanecer na França beneficiou sua imagem. Durante a década de 1960, quando a Europa, principalmente Londres e Paris, começou a ser o novo centro irradiador de moda e comportamento e Hollywood saiu por um tempo da luz dos holofotes, ela acabou eleita a deusa sexual da década. Verdadeiro ou falso, nesta época se dizia que Brigitte Bardot era mais importante para a balança comercial francesa que as exportações da indústria automobilística do país,[8]sendo descrita por Charles de Gaulle como "A exportação francesa mais importante que os carros da Renault".[10]

Bardot se divorciou de Vadim em 1957 e dois anos depois casou-se com o ator Jacques Charrier, que lhe deu seu único filho, Nicolas-Jacques Charrier, e com quem estrelou Babette Vai à Guerra (1959). Seu casamento foi alvo constante dos paparazzi e houve choques e mudanças no rumo de sua carreira. Seus filmes se tornaram mais substanciais, mas isto trouxe uma grande pressão tornando dúbio o seu status de celebridade do cinema, pois ao mesmo tempo em que tinha aclamação da crítica na França, continuava sendo a bombshell glamourosa para o resto do mundo.

Seu filme de 1960, A Verdade, no qual atuou ao lado de Sami Frey, foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Em 1962, filmou com Louis Malle e Marcello Mastroianni Vida Privada, um filme quase autobiográfico sobre uma celebridade do cinema sem vida pessoal, graças a perseguição constante da imprensa. Pouco depois deste filme, BB retirou-se da vida agitada das metrópoles europeias para uma vida de semirreclusão, mudando-se para uma mansão (La Madrague) em Saint Tropez, no sudoeste da França.

Em 1963 ela estrelou o aclamado filme de Jean-Luc Godard, O Desprezo, no qual Bardot foi utilizada principalmente como um objeto estético mas que, ao mesmo tempo, pode mostrar toda sua versatilidade como atriz. No longa, Godard utiliza o relacionamento conturbado de um casal para mostrar, de forma não explícita, seu modo de ver o cinema como arte ao mesmo tempo em que critica o cinema precisamente comercial.

Além do cinema, Brigitte Bardot se envolveu também na moda e na música pop, firmando-se como um ícone fashion. Em 1965, a 20th Century Fox produziu um filme, Minha Querida Brigitte, estrelado pelo consagrado James Stewart, e no qual ela foi convidada para fazer algumas aparições como ela mesma, sendo esta uma das poucas produções de Hollywood em que ela aparece. Inicialmente, o filme era para se chamar Erasmus with freackles, mas Bardot aceitou participar apenas com a condição de que seu nome não constasse nos créditos e em qualquer outro tipo de material promocional. Desta maneira, a única forma que os produtores encontraram de captar o fascínio dos americanos por BB, foi alterar o nome do filme para alertar o público que ela aparecia. Suas cenas foram gravadas durante três dias em Paris.[11][12] Ainda em 1965, após uma turnê internacional para divulgar Viva Maria!, ela foi indicada e concorreu ao BAFTA na categoria de Melhor Atriz Estrangeira por sua interpretação no filme, que foi de grande sucesso.[13]

Sua passagem pelo Festival de Cannes de 1967, onde fazia alguns anos que ela não aparecia, foi marcada pela histeria coletiva dos fotógrafos e jornalistas presentes ao evento. Durante sua entrada no Palácio dos Festivais, os paparazzi e jornalistas se empurravam e gritavam seu nome tentando fotografa-la, causando um alvoroço sem precedentes. Em sua biografia, BB disse que naquela noite sentiu-se como um animal sendo perseguido por caçadores.

Pelo resto da década, seu mito de ícone sexual foi alimentado por filmes como Histórias Extraordinárias, que, além dela, contou com um elenco repleto de outras estrelas como Alain Delon, Jane Fonda e Terence Stamp, Shalako, no qual ela contracenou ao lado do primeiro James Bond do cinema, Sean Connery, além de As Noviças, com Annie Girardot, As Petroleiras, com Claudia Cardinale e Se Don Juan Fosse Mulher, de 1973, onde ela e Jane Birkin escandalizaram o mundo ao protagonizarem uma cena de sexo lésbico, entre outros e vários musicais de televisão e gravações de discos produzidos por Sacha Distel e Serge Gainsbourg.

Ativismo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Fundação Brigitte Bardot

Em 1973, pouco antes de completar quarenta anos, Brigitte anunciou que estava encerrando sua carreira. Após mais de cinquenta filmes e de gravar dezenas de discos, ela recolheu-se a La Madrague definitivamente, escolheu usar a fama pessoal para defender os direitos animais e tornou-se vegetariana. Em 1977 atraiu atenção mundial para sua causa ao denunciar in loco o massacre de bebês-foca no norte do Canadá. Em 1986, ergueu uma fundação, Fondation Brigitte-Bardot, declarada de utilidade pública pelo governo francês em 1992, e que em 1995 nomeou o Dalai Lama como seu membro honorário. Entre 1989 e 1992, BB também apresentou na tv francesa uma série chamada S.O.S. Animaux, copatrocinada por sua fundação. Entre outras causas, ela atuou e liderou campanhas contra a caça das baleias, as experiências em laboratório com animais, pela proibição de brigas autorizadas entre cães e contra o uso de casacos de pele.

Politica, controvérsia e processos[editar | editar código-fonte]

Entusiasta e apoiadora da política de Charles de Gaulle nos anos 1960,[14] em especial no tocante à independência da Argélia, nos anos 1990 entretanto, suas posições políticas e sociais, principalmente sobre a imigração árabe e a homossexualidade, lhe causaram diversos processos e lhe custaram muito da popularidade conquistada no cinema e em seu ativismo pró-animais, sendo hoje, uma personalidade muito antipatizada pela nova geração de franceses.

Seu livro autobiográfico de 1996, grande sucesso de vendas na França, trazia diversas referências e críticas principalmente ao Islamismo.

Hoje casada com um ex-conselheiro do Front National de Jean-Marie Le Pen, representante da extrema-direita francesa, entre 1997 e 2003 ela foi processada por diversas entidades muçulmanas, devido a suas críticas aos imigrantes islamitas do país, ao crescimento do número de mesquitas, ao sacrifício de animais usado em vários de seus rituais e foi acusada de racismo e suposto incitamento antirracional contra imigrantes, chegando a ser condenada, em tribunal, a pagar 5 000 euros de multas.[15]

Brigitte Bardot em Nice, 2002.

Por comentários recebidos como insultuosos aos homossexuais, feitos em seu livro de 2003, A Scream in the Silence, que também trata da 'islamização' da França, foi processada por entidades de defesa de minorias. No entanto, Bardot, que anos atrás reconheceu ter mantido relações sexuais com uma mulher jovem, deixou registrado que respeita e não possui nada contra os homossexuais, mas é contra a adoção de crianças por casais do mesmo sexo. Dias depois da grande polêmica, ela concedeu entrevista a uma revista gay francesa onde negou as acusações de homofobia, declarando:[16]

"Tirando o meu marido, que um dia talvez até troque de lado, estou cercada de homossexuais, há muito tempo são meus amigos, meu apoio, meus filhos adotivos e confidentes, só não quero que adotem. Infelizmente tudo o que faço ou digo é sempre motivo para polêmicas".[17]


Em junho de 2008, Bardot foi pela quinta vez condenada num processo de incitação ao racismo por um tribunal de Paris, após fazer uma declaração em carta aberta ao então Ministro do Interior Nicolas Sarkozy: "Estamos fartos de ser manipulados por essa população que destrói nosso país impondo seus atos", escreveu BB na carta, sendo assim, obrigada a pagar 15 mil euros de multa.[18]Os protestos de Bardot tem a ver com os rituais muçulmanos de sacrifício de animais, durante a tradicional festa Eid ul-Adha, realizada pelos imigrantes de países islâmicos que vivem na França.[19]

Brigitte Bardot durante uma manifestação em defesa dos Direitos Animais em Bruxelas, 1995.

Durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos de 2008, Brigitte Bardot novamente ganhou destaque nos noticiários internacionais após uma carta declarada em nome de sua fundação para a candidata Republicana Sarah Palin, na qual criticava duramente a ex-governadora do Alaska por sua postura em relação ao aquecimento global, controle de armas e a exploração do petróleo na região, sem se preocupar com os ursos polares. Em sua declaração, Brigitte dizia que Sarah Palin era uma "grande irresponsável" e uma "desgraça para o meio ambiente", e que desejava a derrota dos republicanos, já que o mundo sairia "ganhando" com isso.[20]

Em Outubro de 2010 foi anunciado na imprensa que Brigitte Bardot estaria estudando a proposta de candidatar-se à Presidência francesa nas eleições de 2012, liderando um grupo ecologista. O jornal Le Parisien acrescentou que a atriz recebeu a proposta de ser a cara da Aliança Ecologista Independente, uma formação verde dirigida por Antoine Waechter, um conhecido ecologista.[21]

Em janeiro de 2013, Brigitte Bardot ameaçou pedir nacionalidade russa se dois elefantes fossem sacrificados em um circo, no sul da França.[22]A notícia rapidamente percorreu os principais canais de comunicação ao redor do mundo, pois a ameaça de Bardot veio um dia depois de Gérard Depardieu causar uma tempestade na França ao se tornar um cidadão russo, em protesto contra as altas taxas de impostos propostas pelo governo socialista. Dias depois, em entrevista a televisão francesa, Brigitte declarou estar "cansada da França", e que também não queria mais viver em um país que havia se tornado um "cemitério" de animais.

Influências na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Estátua de Brigitte Bardot em Búzios, Rio de Janeiro.
  • Além de ser a responsável pela popularização de Saint Tropez, na França, ao se mudar para lá no começo dos anos 1960, no verão de 1964 Brigitte Bardot também mudou a vida de uma pequena cidade do litoral do Rio de Janeiro chamada Armação dos Búzios, então distrito de Cabo Frio, onde ficou hospedada em suas visitas pelo Brasil, na companhia do namorado Bob Zaguri, um playboy e produtor marroquino que viveu muitos anos no Brasil. Depois da visita de BB, acompanhada diariamente pela imprensa e recheada de fotografias, Búzios foi 'descoberta', virou município e tornou-se um dos pontos mais sofisticados e procurados do verão brasileiro, inclusive por estrangeiros.[23] Em sua homenagem , a Prefeitura local criou a Orla Bardot, na Praia da Armação, e instalou ali uma estátua de bronze da atriz em tamanho natural. O único cinema do sofisticado balneário também leva seu nome, e existem outras dezenas de referências a ela em todos os cantos da cidade.[23] Em sua biografia, ela deixou registrado que os períodos passados na região foram as épocas mais lindas de sua vida. Em 2008 foi filmado o curta-metragem "Maria Ninguém" sobre a ida de Brigitte Bardot ao Balneário de Búzios, com Fernanda Lima interpretando BB.[24]
  • Ela é reconhecida por ter popularizado o biquíni usando-o em seus primeiros filmes, nas aparições em Cannes e em dezenas de fotos de revistas.
  • Além do biquíni, Bardot é reconhecida também por lançar as sapatilhas. BB, que fez balé clássico durante 12 anos, pediu para que Rose Repetto - criadora da famosa marca Repetto - desenvolvesse um modelo de sapatilhas que ela pudesse usar no dia a dia, o resultado foi o modelo cendrillon, que Brigitte amou loucamente e a usou em algumas cenas de E Deus Criou a Mulher e também no tapete do Festival de Cannes daquele ano.[25].
  • BB era idolatrada por John Lennon e Paul McCartney, que fizeram planos de fazer um filme dos Beatles junto com ela, nunca realizado, na linha de Os Reis do Iê-Iê-Iê (br)..[8][26][27] As primeiras companheiras dos dois - esposa e noiva, respectivamente- Cynthia Lennon e Jane Asher, usavam seus cabelos inspirados na cor e no corte do usado por BB.[28] Ela e Lennon encontraram-se num hotel uma vez em 1968, apresentados pelo agente de imprensa dos Beatles. No entanto, segundo ele contou mais tarde em memórias , nenhum impressionou o outro: 'Eu estava numa viagem de ácido, e ela estava de saída'.[29]
  • Em 1970, o escultor francês Alain Gourdon usou Brigitte como modelo para o busto de Marianne, o emblema nacional da França.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Bardot e Sami Frey em Saint Tropez, 1963.

Além dos escândalos de qual foi protagonista, Brigitte Bardot também foi conhecida por sua vida conturbada e polêmica. Era chamada pela mídia sensacionalista de "devoradora de homens" devido a rapidez com que terminava seus relacionamentos e pela quantidade deles. Na biografia que escreveu sobre BB em 2013, a jornalista Ginette Vincendeau revelou que ao longo de sua vida Bardot teve 100 amantes - incluindo mulheres - e que a pressão trazida pela fama a fez entrar em colapso, tentando suicídio quatro vezes e abandonando seu único filho.[31] Durante o período em que atuou no cinema, sua carreira foi marcada por três casamentos. O primeiro foi em 1950 com Roger Vadim, sendo ele o responsável por assessorá-la e lançar ela ao sucesso. Vadim e Bardot se divorciaram em 1956, depois dela o trair com Jean-Louis Trintignant durante as filmagens de E Deus Criou a mulher. O segundo foi em 1959 com o ator Jacques Charrier, os dois atuaram juntos no filme Babette s'en va-t-en guerre e foi ele quem deu a Bardot seu único filho, Nicolas Jacques Charrier, o qual ela abandonou com o pai quando os dois se separaram.[32]

O casamento com Jacques Charrier foi o último relacionamento que Bardot deu satisfação aos seus amigos, família e sociedade. Conforme ficou registrado em sua biografia, Bardot afirma que foi "forçada" a se casar com Jacques. O grande momento veio quando ficou sabendo que estava grávida, ela tentou abortar, mas não conseguiu nenhum médico que aceitasse esconder a notícia, pois ela já havia se submetido a dois abortos dolorosos durante o tempo que esteve casada com Roger Vadim.

O terceiro casamento foi com o playboy e multimilionário alemão Gunter Sachs.[32] Eles se conheceram em 1966, apresentados por amigos em comum. Algumas horas depois de terem se conhecido, Sachs enviou um helicóptero até a casa de Bardot em Saint-Tropez, na Riviera francesa, que cobriu a casa dela com pétalas de rosas vermelhas. Os dois se casaram quatro semanas depois em Las Vegas. Segundo o juiz que realizou a cerimônia, aquele foi o “casamento mais secreto do século”. Após se casarem, os dois passaram a lua de mel do Tahiti. Günter Sachs fez parte do jet set europeu durante os anos 60 e no início da década ele já aparecia na capa de alguns tablóides devido ao seu romance com a rainha iraniana Soraya Esfandiary, então esposa do xá Reza Pahlevi. Apesar de bilionário, foi sua união com Brigitte Bardot que o tornou reconhecido internacionalmente.

O quarto e último casamento realizado em 1992, e que perdura até hoje, foi com Bernard D'Ormale, um conselheiro político de Jean-Marie Le Pen, ex-presidente da Frente Nacional francesa, principal partido de extrema-direita da França.[33]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Filme Personagem Título em Português
1952 Manina, la file sans voile Manina Manina, a moça sem véu
Le trou normand Javotte Lemoine Le trou normand
1953 Le Portrait de son père Domino O retrato de seu pai
Un acte d'amour Mimi Mais forte que a Morte
1954 Si Versailles m'était conté Mademoiselle de Rozille Se Versalhes falasse
Tradita Anna A Noite de Núpcias
1955 Futures Vedettes Sophie Futuras vedetes
Le Fils de Caroline chérie Pilar d'Aranda Os amores do filho de Carolina
Les Grandes Manœuvres Lucie As Grandes manobras
Doctor at Sea Hélène Colbert A Noiva do Comandante
1956 Helen of Troy Andraste Helena de Tróia
Et Dieu... créa la femme Juliette Hardy E Deus criou a mulher
La Mariée est trop belle Chouchou Brotinho do outro Mundo
1957 Une Parisienne Brigitte Laurier br: Uma Parisiense
pt: O príncipe e a parisiense
1958 Les bijoutiers du clair de lune Ursula br: Vingança de Mulher
pt: Ao cair da noite
En cas de malheur Yvette Maudet Amar é Minha Profissão
1959 Babette s'en va-t-en guerre Babette Babette vai à Guerra
La femme et le Pantin Eva Marchand A Mulher e o Fantoche
Voulez-vous danser avec moi? Virginie Dandieu Você quer dançar comigo?
1960 La vérité Dominique Marceau A Verdade
Le testament d'Orphée Ela mesma O Testamento de Orfeu
1961 Les amours célèbres Agnes Bernauer Amores célebres
1962 Vie privée Jill Vida Privada
Le Repos du guerrier Geneviève Le Theil O repouso do guerreiro
1963 Le Mépris Camille Javal O Desprezo
1964 Une ravissante idiote Penelope Lightfeather As malícias do Amor
1965 Viva María! Maria I Viva Maria!
Dear Brigitte Ela mesma Minha Querida Brigitte
1966 Masculin, féminin Ela mesma Masculino-Feminino
Marie Soleil Ela mesma Marie Soleil
1967 À coeur joie Cécile Eu sou o Amor
1968 Histoires extraordinaires Giuseppina Histórias Extraordinárias
Shalako Countess Irina Lazaar Shalako
1969 Les Femmes Clara As Mulheres
1970 L'Ours et la Poupée Felicia O urso e a boneca
Les novices Agnès As Noviças
1971 Les Pétroleuses Louise As Petroleiras
Boulevard du Rhum Linda Larue Boulevard du Rum
1973 Don Juan 1973 ou Si Don Juan était une femme... Jeanne Se Don Juan Fosse Mulher
1974 L'histoire très bonne et très joyeuse de Colinot Trousse-Chemise Arabelle As aventuras de Colinot

Referências

  1. «Revista Time elege os 100 nomes mais influentes na moda». Terra Noticias. Consultado em 02/09/2012. 
  2. http://ffw.com.br/noticias/moda/lista-da-time-distingue-os-100-melhores-da-moda-dos-ultimos-anos/
  3. http://cinema.terra.com.br/cannes/fotos/0,,OI200726-EI20164,00-De+Bardot+a+Jolie+veja+as+divas+que+deslumbraram+Cannes.html
  4. http://lifestyle.publico.pt/noticias/318141_e-brigitte-bardot-mudou-a-mulher
  5. http://g1.globo.com/Noticias/Cinema/0,,MUL997534-7086,00.html
  6. http://www.independent.co.uk/news/world/europe/the-big-question-how-does-the-french-honours-system-work-and-why-has-kylie-been-decorated-822752.html
  7. The Biography Channel - Brigitte Bardot Biography
  8. a b c Robinson, Jeffrey (1994). Bardot - Two Lives. Simon & Schuster Editora(Londres). ASIN: B000KK1LBM.
  9. http://www.filmsite.org/sexinfilms12.html
  10. [1]Charles de Gaulle describing Brigitte Bardot - La Seduction: How the French Play the Game of Life
  11. [2] Dear Brigitte no IMDb (Trivia)
  12. http://www.rottentomatoes.com/m/dear_brigitte/
  13. http://www.imdb.com/event/ev0000123/1967
  14. Drinking champagne with: Brigitte Bardot; And God Created An Animal Lover de Alan Riding
  15. Brigitte Bardot unleashes colourful diatribe against Muslims and modern France : Indybay
  16. http://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/09/e-contra-natureza-diz-alain-delon-sobre-homossexualidade.html
  17. http://diversao.terra.com.br/gente/noticias/0,,OI3519276-EI13419,00-Brigitte+Bardot+nega+acusacoes+de+homofobia.html
  18. [3]Estadão - Brigitte Bardot é condenada
  19. Yahoo Notícias/Reuters
  20. http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u453555.shtml
  21. «Brigitte Bardot candidate à la présidentielle de 2012 ?». 
  22. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/01/brigitte-bardot-tambem-ameaca-pedir-nacionalidade-russa-1.html
  23. a b BuziosOnline.com
  24. «Fernanda Lima encarna Brigitte Bardot em filme». Quem. Consultado em 20/04/2011. 
  25. [4]
  26. Miles, Barry (1998). Many Years From Now Vintage -Random House [S.l.] ISBN 0-7493-8658-4.  p69
  27. Spitz, Bob (2005). The Beatles: The Biography Little, Brown and Company (Nova York) [S.l.] ISBN 1-84513-160-6.  p171
  28. Lennon, Cynthia - A Twist of Lennon
  29. Lennon, John (1986). Skywriting by Word of Mouth Harper Collins [S.l.] ISBN 0-06-015656-2.  p24
  30. «PLAYBOY INTERVIEW: BOB DYLAN». interferenza.com. Consultado em 02/09/2012. 
  31. [5]Daily Mail: Brigitte Bardot had 100 lovers - including woman.
  32. a b «Brigitte Bardot, les hommes de sa vie». Paris Match. Consultado em 26/02/2015. 
  33. «BERNARD D’ORMALE, LE RÉAC DE BB!». délit d'images. Consultado em 26/02/2015. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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