Bruno Latour
| Bruno Latour | |
|---|---|
Bruno Latour em Taiwan, 2017 | |
| Nascimento | 22 de junho de 1947 |
| Morte | |
| Nacionalidade | francês |
| Ocupação | Sociólogo das ciências |
Bruno Paul Louis Latour (Beaune, 22 de junho de 1947 – Paris, 9 de outubro de 2022) foi um filósofo, antropólogo e sociólogo francês, conhecido por suas contribuições aos estudos de ciência e tecnologia, à sociologia da ciência, à antropologia da ciência, à filosofia da ciência e à história da ciência. Foi uma das principais figuras associadas ao desenvolvimento da teoria ator-rede (TAR), juntamente com pesquisadores como Michel Callon, Madeleine Akrich e John Law.[2][3]
Sua obra foi marcada pela crítica a algumas das separações centrais do pensamento moderno, especialmente entre natureza e sociedade, humanos e não humanos, sujeito e objeto, ciência e política. Em lugar de tomar essas divisões como pressupostos da investigação, Latour procurou acompanhar empiricamente as associações que produzem fatos científicos, tecnologias, instituições e formas de organização social.[3]
Latour ganhou projeção internacional a partir de trabalhos etnográficos sobre laboratórios e da formulação, com outros pesquisadores, de uma abordagem que passou a tratar pessoas, instrumentos, organismos, documentos, tecnologias e instituições como elementos de redes heterogêneas. Entre suas obras mais conhecidas estão Laboratory Life (1979), escrita com Steve Woolgar, Science in Action (1987), The Pasteurization of France (1984), We Have Never Been Modern (1991), Pandora's Hope (1999), Politics of Nature (2004), Reassembling the Social (2005) e An Inquiry into Modes of Existence (2013).[4]
Na fase final de sua carreira, seus interesses voltaram-se de maneira crescente para a ecologia política, a crise climática e o Antropoceno, temas articulados a sua crítica da separação entre natureza e sociedade.[5]
Vida e formação
[editar | editar código]Bruno Latour nasceu em 22 de junho de 1947, em Beaune, na Borgonha, França, em uma família ligada à produção vinícola. Estudou filosofia na Universidade de Dijon e concluiu em 1975, na Universidade de Tours, um doutorado de terceiro ciclo em filosofia com a tese Exégèse et ontologie à propos de la résurrection, orientada pelo filósofo e teólogo Claude Bruaire.[6][7]
Entre 1973 e 1975, realizou pesquisas na Costa do Marfim, então no contexto do ORSTOM, organismo francês de pesquisa voltado a países em desenvolvimento. Essa experiência contribuiu para aproximá-lo da antropologia, disciplina que posteriormente seria fundamental para sua abordagem da ciência e da tecnologia.[6]
A experiência africana foi importante para a formulação de uma questão que permaneceria presente em sua obra: como investigar sociedades modernas sem assumir, antecipadamente, uma diferença absoluta entre aqueles que produzem ciência e aqueles que são tradicionalmente tratados pela antropologia como seus objetos? Latour deslocou posteriormente essa questão para os laboratórios, instituições e ambientes técnicos das sociedades ocidentais.
Em 1975, depois de concluir seu doutorado, Latour passou a trabalhar com o neuroendocrinologista Roger Guillemin no Salk Institute, na Califórnia, onde realizou trabalho etnográfico em um laboratório de pesquisa biomédica. Nesse contexto conheceu o sociólogo britânico Steve Woolgar, com quem desenvolveria uma longa colaboração.[6]
O interesse de Latour por laboratórios constituiu uma inflexão importante em sua trajetória. Em vez de estudar a ciência apenas a partir de seus resultados já publicados, ele passou a observá-la como uma atividade cotidiana composta por experimentos, instrumentos, anotações, gráficos, reuniões, artigos, disputas e negociações.
Carreira acadêmica
[editar | editar código]Entre 1977 e 1982, Latour trabalhou no Conservatoire national des arts et métiers (CNAM), em Paris, onde participou de atividades de ensino e pesquisa relacionadas a ciência, tecnologia e sociedade.[3]
Em 1982, ingressou no Centre de Sociologie de l'Innovation (CSI), associado à École des Mines de Paris, instituição na qual permaneceu até 2006. Nesse período, atuou em pesquisas sobre ciência, tecnologia, inovação e controvérsias, em diálogo estreito com Michel Callon e outros pesquisadores que contribuíram para o desenvolvimento da teoria ator-rede.[8][3]
Durante sua trajetória, também foi professor visitante na London School of Economics e no departamento de história da ciência da Universidade Harvard.[8]
Em 2006, ingressou na Sciences Po, em Paris, como professor. Posteriormente tornou-se diretor adjunto e diretor científico da instituição. Também foi fundador do médialab da Sciences Po, laboratório voltado à experimentação com métodos digitais e investigação de fenômenos sociais, e esteve à frente da criação do programa SPEAP (Sciences Po École des Arts Politiques), dedicado às relações entre arte, política e pesquisa.[8][2]
A mudança para a Sciences Po marcou uma ampliação de seus interesses. Embora a ciência e a tecnologia continuassem centrais, suas pesquisas passaram a incorporar com maior intensidade questões relacionadas à democracia, à representação política, à ecologia e às transformações ambientais.[2]
Latour recebeu vários títulos honorários e distinções acadêmicas. Em 2013 recebeu o Prêmio Holberg, concedido por sua contribuição às ciências humanas e sociais e, em particular, por sua análise da modernidade e da distinção entre natureza e sociedade. Em 2021 recebeu o Prêmio Kyoto na categoria de Artes e Filosofia, por seu trabalho sobre as relações entre tecnociência e estrutura social e por sua revisão crítica do dualismo entre natureza e sociedade.[9][5]
Latour morreu em Paris em 9 de outubro de 2022, aos 75 anos.[2]
Primeiros trabalhos sobre ciência
[editar | editar código]A Vida de Laboratório
[editar | editar código]A primeira obra de grande repercussão de Latour foi A Vida de Laboratório: A Construção Social dos Fatos Científicos (Laboratory Life: The Social Construction of Scientific Facts), publicada em 1979 em coautoria com Steve Woolgar. O livro resultou da pesquisa realizada no laboratório de Roger Guillemin no Salk Institute.[6]
A obra tornou-se um marco da etnografia dos laboratórios porque deslocou a atenção dos resultados científicos já estabilizados para as práticas cotidianas por meio das quais tais resultados são produzidos. Latour e Woolgar acompanharam pesquisadores, equipamentos, registros, gráficos, textos, referências e procedimentos experimentais, mostrando como afirmações científicas eram progressivamente transformadas em enunciados mais estáveis.[10]
Uma das contribuições do livro foi mostrar a importância das chamadas inscrições, como gráficos, tabelas, registros e outros elementos materiais que tornam os resultados experimentais comparáveis e transportáveis. O conhecimento científico aparece, assim, como algo produzido por uma rede de operações materiais, textuais e institucionais.
A noção de "construção" utilizada por Latour e Woolgar foi posteriormente objeto de controvérsia. Para Latour, dizer que um fato científico é construído não significa afirmar que ele é simplesmente inventado. Significa acompanhar o conjunto de práticas, instrumentos, textos, pessoas e instituições que permitem que determinada afirmação se estabilize e seja reconhecida como confiável.
Ciência em Ação e a análise das controvérsias
[editar | editar código]Em Ciência em Ação: Como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora (Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers through Society), publicado em 1987, Latour desenvolveu de forma mais explícita uma metodologia para estudar ciência e tecnologia enquanto ainda estão em processo de formação.[4]
O ponto de partida é a observação de que, quando uma afirmação científica é objeto de controvérsia, os elementos que sustentam sua validade permanecem mais visíveis. Pesquisadores apresentam argumentos, realizam experimentos, mobilizam referências, recorrem a instrumentos, procuram colaboradores e constroem alianças. À medida que a controvérsia se encerra, esses elementos podem deixar de ser questionados.
Latour descreveu esse processo por meio da imagem da caixa-preta. Um fato, uma teoria ou uma tecnologia pode tornar-se uma caixa-preta quando suas condições de produção deixam de ser objeto de disputa e passam a ser aceitas como dados. Um equipamento científico utilizado no cotidiano, por exemplo, pode ser tratado simplesmente como uma ferramenta, sem que seus usuários precisem reconstruir permanentemente sua história e suas condições de funcionamento.
A investigação sociológica pode, nessas circunstâncias, "abrir" a caixa-preta e reconstituir as associações que foram necessárias para estabilizá-la.
A relação entre ciência e história
[editar | editar código]A obra de Latour deve ser situada no contexto da transformação da história da ciência e da sociologia da ciência durante o século XX.
Uma historiografia mais antiga frequentemente privilegiava descobertas, teorias e grandes cientistas. Durante o século XX, diferentes autores passaram a enfatizar as dimensões sociais, históricas e institucionais da ciência. Robert K. Merton analisou as normas e instituições da comunidade científica; Thomas Kuhn destacou o papel dos paradigmas e das comunidades científicas; e pesquisadores associados ao Programa Forte procuraram explicar sociologicamente tanto crenças consideradas verdadeiras quanto aquelas consideradas falsas.
Latour participou dessa transformação, mas propôs um deslocamento adicional. Em vez de tomar a "sociedade" como uma explicação geral da ciência, procurou acompanhar as associações específicas por meio das quais uma afirmação científica é produzida.
Essa diferença é importante. Uma explicação que atribua determinado resultado científico simplesmente aos "interesses sociais" pode não ser suficiente para a perspectiva latouriana. Seria necessário verificar como esses interesses se articulam com instrumentos, documentos, organismos vivos, instituições, protocolos, financiamentos e outros elementos.
Desse ponto de vista, a história da ciência também pode ser uma história de práticas materiais: laboratórios, instrumentos, técnicas de medição, registros, dispositivos de visualização, meios de transporte, formas de publicação e infraestruturas.
Louis Pasteur
[editar | editar código]A relação entre a obra de Latour e a história da ciência aparece de modo particularmente claro em The Pasteurization of France, originalmente publicado em francês em 1984 como Les Microbes: guerre et paix e posteriormente traduzido para o inglês.[11]
O livro analisa a emergência da microbiologia e a consolidação da obra de Louis Pasteur na França do século XIX.
Latour não tratou a história de Pasteur apenas como a narrativa de uma descoberta realizada por um indivíduo excepcional. Em vez disso, procurou acompanhar as relações entre pesquisadores, microrganismos, laboratórios, instrumentos, médicos, agricultores, autoridades públicas e outras instituições.
A questão central passa a ser como os resultados produzidos em um laboratório podem adquirir eficácia fora dele e reorganizar práticas sociais. A microbiologia não permanece restrita ao espaço científico: ela interfere na medicina, na agricultura, na indústria, na administração pública e na vida cotidiana.
O caso de Pasteur tornou-se, assim, um exemplo da abordagem latouriana porque permite observar a produção conjunta de conhecimento científico e transformação social.
Teoria ator-rede
[editar | editar código]A teoria ator-rede (TAR) é a abordagem pela qual Latour se tornou mais conhecido. Ela se desenvolveu a partir dos trabalhos realizados no Centre de Sociologie de l'Innovation , sobretudo a partir das décadas de 1980 e 1990, em colaboração com Michel Callon, Madeleine Akrich, John Law e outros pesquisadores.[12]
A TAR procura analisar como fenômenos sociais e técnicos são produzidos por meio de associações entre elementos heterogêneos. Esses elementos podem incluir seres humanos, instituições, documentos, instrumentos, tecnologias, animais, microrganismos, edifícios, leis e outros objetos ou entidades materiais.
Um dos principais princípios metodológicos da abordagem consiste em não determinar antecipadamente quais elementos devem ser considerados relevantes. O pesquisador deve seguir os atores e identificar, no próprio processo empírico, quais associações produzem diferenças na situação estudada.
O termo rede não designa apenas uma infraestrutura estável. Ele se refere à configuração circunstancial de relações produzida pela associação entre diferentes elementos. Uma rede pode se expandir, contrair, mudar de direção, perder conexões ou estabelecer novas alianças.
Por isso, a TAR não deve ser entendida simplesmente como uma teoria sobre redes sociais no sentido estatístico ou estrutural. O conceito de rede empregado por Latour é circunstancial, processual e relacional.
Actantes e agência
[editar | editar código]Um conceito central da TAR é o de actante.
Latour utiliza o termo para evitar que a ação seja atribuída automaticamente apenas a indivíduos humanos. Um actante é qualquer entidade que, em uma situação determinada, seja capaz de produzir uma diferença ou modificar o curso de uma ação.
Isso pode incluir pessoas, grupos, instituições e também objetos, tecnologias ou organismos. Uma porta automática, uma fechadura, um formulário, uma vacina, um microscópio ou uma lei podem alterar o comportamento dos participantes de uma situação.
A atribuição de agência a não humanos não significa que Latour considere objetos dotados de consciência ou intenção humana. A proposta consiste em tratar como questão empírica aquilo que produz efeitos dentro de uma associação.
O conceito permitiu à TAR aproximar o estudo social da ciência do estudo da tecnologia. Uma tecnologia deixa de aparecer apenas como instrumento passivo utilizado por seres humanos e passa a ser considerada parte das relações que constituem uma prática.
Humanos e não humanos
[editar | editar código]A consideração sistemática dos não humanos é uma das características mais controversas da obra de Latour.
O princípio de simetria generalizada procura evitar que o pesquisador atribua previamente aos elementos humanos um tipo de explicação e aos elementos não humanos outro. Se um instrumento, organismo ou objeto técnico participa efetivamente de uma situação, seu papel deve ser investigado juntamente com os demais elementos da associação.
A simetria metodológica não significa que humanos, objetos e organismos sejam moral, ontológica ou biologicamente idênticos. Significa que o pesquisador não deve decidir antecipadamente que somente seres humanos são capazes de produzir diferenças relevantes para a explicação.
A posição foi particularmente influente nos estudos sobre tecnologias e nas pesquisas que aproximam sociologia, antropologia e estudos ambientais.
Tradução e construção de redes
[editar | editar código]Outro conceito relevante é o de tradução, desenvolvido sobretudo nos trabalhos de Michel Callon e incorporado à tradição da teoria ator-rede.
Tradução refere-se ao processo pelo qual diferentes interesses são articulados, transformados e alinhados para que uma associação se estabeleça.
Em um projeto tecnológico, por exemplo, pesquisadores, empresas, governos e usuários podem ter objetivos distintos. Para que o projeto avance, esses interesses precisam ser articulados de maneira que diferentes participantes aceitem alguma forma de compromisso.
O processo de tradução não consiste simplesmente na transmissão de um interesse de um ator para outro. As próprias posições dos participantes podem ser modificadas pela associação.
A noção permite analisar como alianças se formam e como determinadas redes tornam-se mais duráveis que outras.
Inscrições, dispositivos e circulação do conhecimento
[editar | editar código]Latour dedicou atenção especial às formas materiais de representação utilizadas na ciência.
Gráficos, tabelas, mapas, fotografias, diagramas, registros experimentais e artigos científicos podem funcionar como meios de transporte de informações produzidas em um contexto para outros contextos.
Uma inscrição científica pode condensar grande quantidade de trabalho experimental em uma forma que circule entre pesquisadores, periódicos, laboratórios e instituições. Essa capacidade de circulação ajuda a explicar como resultados produzidos localmente podem adquirir alcance mais amplo.
A preocupação com inscrições também aproxima Latour da história material da ciência. Um resultado não existe apenas como uma ideia na mente de um pesquisador; ele precisa ser registrado em formas que possam ser comparadas, citadas, reproduzidas e reutilizadas.
Jamais Fomos Modernos
[editar | editar código]Em We Have Never Been Modern, publicado originalmente em francês em 1991 e em inglês em 1993, Latour desenvolveu uma crítica à autodefinição da modernidade como separação entre natureza e sociedade.[13]
Segundo Latour, as instituições modernas pretendem distinguir um domínio da natureza, considerado objeto da ciência, de um domínio da sociedade, associado à política e à cultura. Na prática, porém, as sociedades modernas produzem constantemente entidades híbridas que atravessam essa divisão.
Questões como mudanças climáticas, organismos geneticamente modificados, energia nuclear, epidemias e tecnologias digitais envolvem simultaneamente elementos físicos, científicos, políticos, econômicos e sociais.
A afirmação de que "jamais fomos modernos" refere-se à contradição entre a separação conceitual desses domínios e a produção prática de híbridos que não se encaixam completamente em nenhum deles.
A obra também apresenta a noção de uma antropologia simétrica, segundo a qual a antropologia deveria ser capaz de estudar tanto as sociedades tradicionalmente tratadas como "outras" quanto os próprios centros modernos nos quais ciência, tecnologia e autoridade são produzidas.[6]
Relação com Thomas Kuhn
[editar | editar código]A obra de Latour é frequentemente comparada à de Thomas Kuhn, especialmente por sua preocupação com a dimensão histórica e coletiva da ciência.
Kuhn argumentou em A Estrutura das Revoluções Científicas que o desenvolvimento científico não é simplesmente um processo cumulativo. A ciência é organizada em torno de paradigmas compartilhados por comunidades científicas, e mudanças profundas podem ocorrer por meio de revoluções científicas.
Latour compartilha com Kuhn a crítica a uma concepção puramente linear da história da ciência, mas desloca a análise para as associações concretas que sustentam práticas científicas.
Enquanto Kuhn enfatiza comunidades científicas, paradigmas e mudanças conceituais, Latour acompanha de maneira mais detalhada os vínculos entre pesquisadores, instrumentos, organismos, documentos, instituições e dispositivos.
As duas perspectivas, portanto, contribuíram para substituir uma história da ciência centrada exclusivamente na acumulação de descobertas por uma análise da ciência como atividade histórica e coletiva.
Relação com o Programa Forte e David Bloor
[editar | editar código]A relação entre Latour e o Programa Forte da sociologia do conhecimento científico foi marcada por proximidades e divergências.
O Programa Forte, associado a pesquisadores como David Bloor, defendia que tanto as crenças consideradas verdadeiras quanto aquelas consideradas falsas deveriam ser objeto de explicação sociológica.
Latour reconhecia a importância desse deslocamento, mas criticava uma explicação na qual a sociedade aparecesse como causa externa capaz de explicar as crenças científicas sem que fossem investigadas as mediações materiais envolvidas em sua produção.
David Bloor respondeu diretamente a Latour em "Anti-Latour", artigo publicado em 1999 em Studies in History and Philosophy of Science, no qual examinou as divergências entre a teoria ator-rede e o Programa Forte.[14]
A controvérsia é relevante para compreender o posicionamento intelectual de Latour: embora seus trabalhos sejam frequentemente associados ao construtivismo social, ele rejeitou explicações que reduzissem a ciência a efeitos de interesses sociais previamente definidos.
Relação com Michel Callon, Madeleine Akrich e John Law
[editar | editar código]A teoria ator-rede foi desenvolvida por um conjunto de pesquisadores, e não por Latour isoladamente.
Michel Callon teve papel central na elaboração da noção de tradução e realizou estudos influentes sobre inovação, ciência e tecnologia. Em seu trabalho clássico sobre os pescadores e as vieiras da baía de Saint-Brieuc, examinou a formação de uma rede sociotécnica envolvendo cientistas, pescadores, organismos marinhos e instituições.[15]
Madeleine Akrich desenvolveu estudos sobre dispositivos técnicos e sobre a maneira pela qual tecnologias incorporam e organizam programas de ação.
John Law aplicou e desenvolveu elementos da teoria ator-rede em estudos organizacionais, enfatizando processos de ordenamento, heterogeneidade e formação de redes.[16]
Assim, "teoria ator-rede" deve ser entendida como o nome de uma tradição intelectual coletiva que recebeu contribuições diferentes de seus principais autores.
Relação com Gabriel Tarde
[editar | editar código]Latour recuperou de maneira sistemática a obra do sociólogo francês Gabriel Tarde, especialmente em seus trabalhos posteriores sobre o conceito de social.
Tarde havia desenvolvido uma sociologia centrada em processos de imitação, inovação e associação. Em vez de explicar as ações a partir de uma entidade coletiva denominada "sociedade", sua abordagem dava atenção às relações e às interações por meio das quais fenômenos coletivos se constituem.
Essa perspectiva aproximava-se do projeto de Latour de tratar o social como algo que deve ser seguido e descrito empiricamente, e não simplesmente como uma causa geral que explica comportamentos.
Em Reassembling the Social, Latour propôs justamente "reagregar" o social a partir das associações concretas entre diferentes elementos.[17]
Relação com Michel Serres
[editar | editar código]O filósofo francês Michel Serres foi outra influência importante sobre Latour.
Serres desenvolveu uma filosofia atenta às relações, às mediações e às conexões entre elementos heterogêneos. Essa perspectiva ajudou a formar um ambiente intelectual no qual as entidades poderiam ser analisadas menos como substâncias isoladas e mais como elementos de relações.
A influência de Serres é particularmente visível na preocupação latouriana com associações entre seres humanos, objetos, tecnologias e processos materiais.
Relação com a etnometodologia
[editar | editar código]Latour também dialogou com a etnometodologia, especialmente com a obra de Harold Garfinkel.
A etnometodologia procura compreender como a ordem social é produzida e tornada inteligível pelos próprios participantes das situações cotidianas. Em vez de começar por estruturas sociais abstratas, o pesquisador acompanha as práticas concretas por meio das quais os indivíduos organizam suas atividades.
Latour compartilha essa preocupação metodológica. Seu princípio de "seguir os atores" procura evitar explicações que imponham, antes da investigação, categorias que os próprios participantes não utilizam ou que não correspondam às associações observadas.
A diferença é que Latour amplia o campo de elementos acompanhados pela investigação, incluindo também objetos, dispositivos, organismos e outras entidades não humanas.
Política, democracia e natureza
[editar | editar código]A partir da década de 1990, Latour passou a tratar de forma crescente de questões políticas.
Em Politics of Nature, argumentou que a separação entre natureza e política não descreve adequadamente situações nas quais decisões coletivas dependem de conhecimentos científicos sobre clima, epidemias, energia, agricultura ou recursos naturais.[18]
Sua preocupação era pensar de que maneira diferentes formas de conhecimento e diferentes entidades poderiam participar da composição de um mundo comum.
Isso não significa que Latour defendesse que objetos ou animais tenham participação política idêntica à dos seres humanos. Seu argumento era que instituições democráticas precisam levar em conta entidades não humanas e processos materiais que afetam diretamente a vida coletiva.
Nesse sentido, a política não poderia ser concebida como atividade exclusivamente humana realizada sobre uma natureza exterior e passiva.
Ecologia e Antropoceno
[editar | editar código]A questão ecológica tornou-se central nos trabalhos finais de Latour.
O conceito de Antropoceno, inicialmente desenvolvido nas ciências do sistema terrestre e popularizado por pesquisadores como Paul Crutzen, tornou-se importante para sua reflexão por indicar uma situação em que atividades humanas passaram a produzir efeitos significativos sobre processos planetários.
Latour utilizou o conceito para questionar a ideia de que a humanidade seria uma entidade separada da Terra. Mudanças climáticas, alteração dos ciclos biogeoquímicos, perda de biodiversidade e transformação dos ecossistemas mostram que os processos sociais e ambientais estão profundamente interligados.
Em Facing Gaia, Latour desenvolveu uma reflexão sobre o chamado "novo regime climático", enfatizando que a crise ambiental exige revisar as categorias políticas utilizadas para compreender a relação entre sociedades humanas e mundo terrestre.[19]
Em Down to Earth, publicou uma reflexão política sobre as transformações ambientais e a necessidade de repensar a orientação política em uma situação marcada pela crise climática.[20]
O Prêmio Kyoto de 2021 destacou justamente essa dimensão da obra de Latour, mencionando sua proposta de abandonar a oposição rígida entre natureza e sociedade e pensar o "terrestre" como uma esfera na qual seres humanos, animais, plantas, relevo, clima e outros componentes materiais estão interligados.[5]
Ciência e crítica
[editar | editar código]A obra de Latour foi alvo de controvérsias sobre o estatuto da verdade científica.
A crítica decorre, em parte, da linguagem da "construção dos fatos" utilizada em Laboratory Life e de sua insistência em acompanhar os processos sociais e materiais pelos quais o conhecimento científico se estabiliza. Alguns críticos consideraram que essa abordagem poderia favorecer uma forma de relativismo epistemológico.
Uma controvérsia importante ocorreu no interior dos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade. Harry Collins e Steven Yearley, no capítulo "Epistemological Chicken", publicado em 1992, criticaram abordagens associadas à teoria ator-rede por questões relativas à explicação e à epistemologia da ciência.[21]
David Bloor publicou posteriormente "Anti-Latour", analisando criticamente as diferenças entre Latour e o Programa Forte.[14]
Latour respondeu a esse tipo de debate não apenas defendendo sua própria abordagem, mas também revisando aspectos do próprio projeto crítico dos Estudos de Ciência e Tecnologia.
No artigo "Why Has Critique Run out of Steam? From Matters of Fact to Matters of Concern", publicado em 2004 na revista Critical Inquiry, argumentou que a crítica contemporânea deveria reconsiderar sua relação com fatos, realidade e objetos de preocupação coletiva.[22]
A posição de Latour não pode, portanto, ser reduzida à afirmação de que "tudo é construção social". Seu trabalho procurou justamente questionar explicações que desconsiderassem o papel dos objetos, dos instrumentos, dos organismos e das condições materiais na produção da realidade social e científica.
Reassembling the Social
[editar | editar código]Em Reassembling the Social, publicado em 2005, Latour apresentou uma formulação mais sistemática de sua proposta sociológica.[17]
O livro parte de uma crítica à utilização da "sociedade" como uma explicação pronta. Em vez de afirmar que um fenômeno ocorre porque "a sociedade" o determina, Latour propõe reconstruir as associações que constituem o fenômeno.
Nesse sentido, "o social" não é necessariamente uma substância ou um domínio separado da realidade. É aquilo que é produzido e mantido por associações entre diferentes entidades.
A sociologia deveria, segundo essa perspectiva, acompanhar os caminhos pelos quais essas associações são construídas, interrompidas, estabilizadas ou modificadas.
O método de "seguir os atores" torna-se, assim, um princípio central. O pesquisador deve observar como os próprios participantes definem suas relações, quais entidades mobilizam e quais conexões produzem efeitos.
Arte, visualização e controvérsias
[editar | editar código]A preocupação de Latour com representação não se restringiu à ciência.
Na Sciences Po, desenvolveu projetos que aproximaram pesquisa, arte, design e política. O programa SPEAP e o médialab fazem parte desse esforço institucional.[8]
Latour também participou de exposições e projetos voltados à relação entre objetos, imagens, ciência e política. Seu interesse por visualização esteve relacionado ao estudo das controvérsias: quando um problema envolve muitos participantes, documentos e relações, mapas e diagramas podem auxiliar tanto na investigação quanto na apresentação dos resultados.
Essa dimensão visual e experimental reforça uma característica de sua obra: Latour não tratava a produção de conhecimento exclusivamente como produção de textos acadêmicos. Diferentes formas de representação poderiam funcionar como instrumentos de pesquisa.
Influência em outros campos
[editar | editar código]A influência de Latour ultrapassou os limites da sociologia e da antropologia da ciência.
Na antropologia, sua obra contribuiu para ampliar a atenção às práticas científicas e tecnológicas e para questionar a separação entre "modernos" e "não modernos".[6]
Nos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade, sua abordagem tornou-se uma das referências mais importantes para pesquisas sobre laboratórios, controvérsias, inovação e tecnologias.
Na história da ciência, contribuiu para o desenvolvimento de estudos atentos aos instrumentos, documentos, práticas materiais e formas de circulação do conhecimento.
Nos estudos organizacionais, elementos da teoria ator-rede foram utilizados para analisar processos de ordenamento, inovação e produção das organizações.[16]
Na geografia, na arquitetura, no design, na comunicação e nos estudos ambientais, sua atenção às relações entre humanos e não humanos também teve ampla recepção.
A própria Sciences Po destacou a influência internacional de Latour em campos como antropologia, administração, marketing, teologia, filosofia, design e artes.[2]
O reconhecimento do Prêmio Kyoto também indicou a influência de sua obra sobre antropologia, filosofia, sociologia, administração, geografia e filosofia política.[3]
Legado
[editar | editar código]O legado de Bruno Latour está associado menos a uma única teoria fechada do que a uma mudança na maneira de formular problemas sobre ciência, tecnologia e sociedade.
Sua obra deslocou a atenção de estruturas abstratas para práticas concretas; de sujeitos isolados para associações; de uma sociedade composta exclusivamente por humanos para coletivos heterogêneos que incluem pessoas, objetos, tecnologias e organismos; e de uma concepção da ciência como resultado acabado para uma análise de sua produção material e institucional.
Um dos efeitos mais importantes dessa transformação foi questionar a oposição simples entre objetividade e construção social.
Para Latour, investigar como um fato é produzido significa reconstruir as condições materiais, sociais e institucionais que tornam possível sua estabilização e circulação.
Essa posição ajudou a reformular o debate sobre a objetividade científica. Em vez de definir objetividade como ausência de mediação, a abordagem latouriana chama atenção para a multiplicidade de mediações que podem tornar uma afirmação mais robusta, reproduzível e resistente à contestação.
A obra de Latour também alterou a maneira de pensar as relações entre ciência e política. Fatos científicos não são produzidos fora da sociedade e posteriormente aplicados a ela; são produzidos dentro de redes compostas por pesquisadores, instituições, instrumentos, organismos, documentos, governos e outros elementos.
Na fase final de sua carreira, essa perspectiva convergiu com a ecologia política. A crise climática passou a ser apresentada como uma situação que evidencia a impossibilidade de separar radicalmente natureza, sociedade, ciência e política.
Por esse conjunto de contribuições, Latour ocupa posição central na história contemporânea dos Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade e permanece como uma das figuras mais influentes na análise das relações entre conhecimento científico, materialidade, tecnologia, política e ambiente.
Principais obras
[editar | editar código]- Laboratory Life: The Social Construction of Scientific Facts (1979), com Steve Woolgar.
- The Pasteurization of France (1984).
- Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers Through Society (1987).
- We Have Never Been Modern (1991).
- Aramis, or the Love of Technology (1992).
- Pandora's Hope: Essays on the Reality of Science Studies (1999).
- Politics of Nature: How to Bring the Sciences into Democracy (2004).
- Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network-Theory (2005).
- Making Things Public: Atmospheres of Democracy (2005), com Peter Weibel.
- The Making of Law: An Ethnography of the Conseil d'État (2009).
- An Inquiry into Modes of Existence: An Anthropology of the Moderns (2013).
- Facing Gaia: Eight Lectures on the New Climatic Regime (2015; tradução inglesa em 2017).
- Down to Earth: Politics in the New Climatic Regime (2017; tradução inglesa em 2018).
- After Lockdown: A Metamorphosis (2021).
Publicações selecionadas
[editar | editar código]Livros
[editar | editar código]- Latour, Bruno; Woolgar, Steve (1986) [1979]. Laboratory life: the construction of scientific facts. Princeton, New Jersey: Princeton University Press. ISBN 978-0-691-09418-2 Originalmente publicado em 1979 em Los Angeles, pela Sage Publications
- Latour, Bruno (1987). Science in action: how to follow scientists and engineers through society. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-79291-3
- —— (1988). The pasteurization of France. Translated by Alan Sheridan and John Law. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-65761-8
- —— (1993). We have never been modern. Translated by Catherine Porter. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-94839-6
- —— (1996). Aramis, or the love of technology. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-04323-7
- —— (1999). Pandora's hope: essays on the reality of science studies. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-65336-8
- —— (2004). Politics of nature: how to bring the sciences into democracy. Translated by Catherine Porter. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-01347-6
- ——; Weibel, Peter (2005). Making things public: atmospheres of democracy. Cambridge, Massachusetts Karlsruhe, Germany: MIT Press ZKM/Center for Art and Media in Karlsruhe. ISBN 978-0-262-12279-5
- —— (2005). Reassembling the social: an introduction to actor-network-theory. Oxford New York: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-925604-4
- —— (2010). On the modern cult of the factish gods. Durham, North Carolina: Duke University Press. ISBN 978-0-8223-4825-2
- —— (2010). The making of law: an ethnography of the Conseil d'Etat. Cambridge, UK Malden, Massachusetts: Polity. ISBN 978-0-7456-3985-7
- —— (2013). Rejoicing: or the torments of religious speech. Translated by Julie Rose. Cambridge, UK: Polity. ISBN 978-0-7456-6007-3
- —— (2013). An inquiry into modes of existence: an anthropology of the moderns. Translated by Catherine Porter. Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0-674-72499-0
- —— (2017). Facing Gaia: Eight Lectures on the New Climatic Regime. Translated by Catherine Porter. Cambridge, United Kingdom: Polity Press. ISBN 978-0-7456-8433-8
- —— (2018). Down to Earth: Politics in the New Climatic Regime. England: Polity Press. ISBN 978-1-5095-3059-5
- —— (2021). After Lockdown: A Metamorphosis. England: Polity Press. ISBN 978-1-5095-5002-9
Capítulos de livros
[editar | editar código]- ——; Callon, Michel (1992), «Don't throw the baby out with the Bath School! A reply to Collins and Yearley», in: Pickering, Andrew, Science as practice and culture, ISBN 978-0-226-66801-7, Chicago, Illinois: University of Chicago Press, pp. 343–368.
- —— (1992), «Where are the missing masses? The sociology of a few mundane artifacts», in: Bijker, Wiebe E.; Law, John, Shaping technology/building society: studies in sociotechnical change, ISBN 978-0-262-52194-9, Cambridge, Massachusetts: MIT Press, pp. 225–258.
- ——; Akrich, Madeline (1992), «A summary of convenient vocabulary for the semiotics of human and nonhuman assemblies», in: Bijker, Wiebe E.; Law, John, Shaping technology/building society: studies in sociotechnical change, ISBN 978-0-262-52194-9, Cambridge, Massachusetts: MIT Press, pp. 259–264.
- —— (1992), «Whose cosmos, which cosmopolitics? Comments on the peace terms of Ulrich Beck», in: Robertson-von Trotha, Caroline Y., Kultur und Gerechtigkeit (Kulturwissenschaft interdisziplinär/Interdisciplinary Studies on Culture and Society, Vol. 2), ISBN 978-3-8329-2604-5, Baden-Baden: Nomos.
- —— (2015), «Les « vues » de l'esprit. une introduction à l'anthropologie des sciences et des techniques» [The "views" of the mind: An introduction to the anthropology of science and technology], in: Emmanuel Alloa, Penser l'image II. Anthropologies du visuel [Think on the image II: Anthropologies of the visual], ISBN 978-2-84066-557-1 (em francês), Dijon: Les presses du réel, pp. 207–256
- —— (2019), «Replies to Question by Daniel Tozzini to Bruno Latour», in: Daniel Tozzini, Strong Program in Sociology of Knowledge and Actor-Network Theory: the dispute within the Sciences Studies (appendices) (em inglês), UFPR, pp. 435–437
Artigos de periódicos
[editar | editar código]- —— (2000). «When things strike back: a possible contribution of 'science studies' to the social sciences» (PDF). British Journal of Sociology. 51 (1): 107–123. doi:10.1111/j.1468-4446.2000.00107.x
- —— (2004). «Why has critique run out of steam? From matters of fact to matters of concern» (PDF). Critical Inquiry. 30 (2): 225–248. doi:10.1086/421123
Referências
- ↑ Biografia na página de Bruno Latour - "Bruno Latour - Biographie". Acesso em 06/04/2016
- 1 2 3 4 5 «Passing of Bruno Latour, Emeritus University Professor at Sciences Po». Sciences Po. 10 de outubro de 2022. Consultado em 24 de agosto de 2026
- 1 2 3 4 5 «Bruno Latour». Kyoto Prize. Consultado em 24 de agosto de 2026
- 1 2 «Bruno Latour — Selected Works». Kyoto Prize. Consultado em 24 de agosto de 2026
- 1 2 3 «Bruno Latour — Philosopher». Kyoto Prize. Consultado em 24 de agosto de 2026
- 1 2 3 4 5 6 Marisol Marini; André S. Bailão (2023). «Bruno Latour». Enciclopédia de Antropologia. Universidade de São Paulo, Departamento de Antropologia. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ «La religion à l'épreuve de l'écologie ; suivi de Exégèse et ontologie / Bruno Latour». Bibliothèque nationale de France. Consultado em 24 de agosto de 2026
- 1 2 3 4 «Bruno Latour». médialab Sciences Po. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ «Bruno Latour». Holberg Prize. Consultado em 24 de agosto de 2026
- ↑ Latour, Bruno; Woolgar, Steve (1979). Laboratory Life: The Social Construction of Scientific Facts. Beverly Hills: Sage
- ↑ Latour, Bruno (1988). The Pasteurization of France. Cambridge: Harvard University Press
- ↑ Law, John (1992). «Notes on the Theory of the Actor-Network: Ordering, Strategy, and Heterogeneity». Systems Practice. 5: 379–393. doi:10.1007/BF01059830
- ↑ Latour, Bruno (1993). We Have Never Been Modern Tradução de Catherine Porter ed. Cambridge: Harvard University Press
- 1 2 Bloor, David (1999). «Anti-Latour». Studies in History and Philosophy of Science Part A. 30 (1): 81–112. doi:10.1016/S0039-3681(98)00038-7
- ↑ Predefinição:Citar capítulo
- 1 2 Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas "Law" - 1 2 Latour, Bruno (2005). Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network-Theory. Oxford: Oxford University Press
- ↑ Latour, Bruno (2004). Politics of Nature: How to Bring the Sciences into Democracy. Cambridge: Harvard University Press
- ↑ Latour, Bruno (2017). Facing Gaia: Eight Lectures on the New Climatic Regime. Cambridge: Polity
- ↑ Latour, Bruno (2018). Down to Earth: Politics in the New Climatic Regime. Cambridge: Polity
- ↑ Predefinição:Citar capítulo
- ↑ Latour, Bruno (2004). «Why Has Critique Run out of Steam? From Matters of Fact to Matters of Concern». Critical Inquiry. 30 (2): 225–248. doi:10.1086/421123
Ligações externas
[editar | editar código]- «Site oficial contendo todos os seus artigos já publicados» (em francês e inglês)
- «Biografia de Bruno Latour» (em inglês)
- "Antropólogo francês Bruno Latour fala sobre natureza e política". Entrevista concedida a Fernando Eichenberg. O Globo, 28 de dezembro de 2013.
- Programa Forte em Sociologia do Conhecimento e Teoria Ator-rede: a disputa dentro dos Sciences Studies
Ver também
[editar | editar código]- Teoria ator-rede
- Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade
- Sociologia da ciência
- Sociologia do conhecimento científico
- Antropologia da ciência
- História da ciência
- Programa Forte
- Thomas Kuhn
- David Bloor
- Michel Callon
- Madeleine Akrich
- John Law
- Gabriel Tarde
- Michel Serres
- Antropoceno
- Ecologia política
Bibliografia
[editar | editar código]Obras de Bruno Latour
[editar | editar código]- LATOUR, Bruno; WOOLGAR, Steve. Laboratory Life: The Social Construction of Scientific Facts. Beverly Hills: Sage Publications, 1979.
- LATOUR, Bruno. The Pasteurization of France. Cambridge: Harvard University Press, 1988.
- LATOUR, Bruno. Science in Action: How to Follow Scientists and Engineers Through Society. Cambridge: Harvard University Press, 1987.
- LATOUR, Bruno. We Have Never Been Modern. Cambridge: Harvard University Press, 1993.
- LATOUR, Bruno. Pandora's Hope: Essays on the Reality of Science Studies. Cambridge: Harvard University Press, 1999.
- LATOUR, Bruno. Politics of Nature: How to Bring the Sciences into Democracy. Cambridge: Harvard University Press, 2004.
- LATOUR, Bruno. Reassembling the Social: An Introduction to Actor-Network-Theory. Oxford: Oxford University Press, 2005.
- LATOUR, Bruno. An Inquiry into Modes of Existence: An Anthropology of the Moderns. Cambridge: Harvard University Press, 2013.
- LATOUR, Bruno. Facing Gaia: Eight Lectures on the New Climatic Regime. Cambridge: Polity Press, 2017.
- LATOUR, Bruno. Down to Earth: Politics in the New Climatic Regime. Cambridge: Polity Press, 2018.
Estudos sobre Latour e a teoria ator-rede
[editar | editar código]- BLOOR, David. Anti-Latour. Studies in History and Philosophy of Science Part A, v. 30, n. 1, p. 81–112, 1999. DOI: 10.1016/S0039-3681(98)00038-7.
- CALLON, Michel. Some Elements of a Sociology of Translation: Domestication of the Scallops and the Fishermen of St Brieuc Bay. In: LAW, John (org.). Power, Action and Belief: A New Sociology of Knowledge?. London: Routledge, 1986. p. 196–223.
- COLLINS, Harry M.; YEARLEY, Steven. Epistemological Chicken. In: PICKERING, Andrew (org.). Science as Practice and Culture. Chicago: University of Chicago Press, 1992. p. 301–326. DOI: 10.7208/9780226668208-011.
- LAW, John. Notes on the Theory of the Actor-Network: Ordering, Strategy, and Heterogeneity. Systems Practice, v. 5, p. 379–393, 1992. DOI: 10.1007/BF01059830.
- KNORR-CETINA, Karin. Epistemic Cultures: How the Sciences Make Knowledge. Cambridge: Harvard University Press, 1999.
- SHAPIN, Steven; SCHAFFER, Simon. Leviathan and the Air-Pump: Hobbes, Boyle, and the Experimental Life. Princeton: Princeton University Press, 1985.
Ligações externas
[editar | editar código]- Site oficial de Bruno Latour
- Bruno Latour no médialab da Sciences Po
- Obituário de Bruno Latour no site da Sciences Po
- Bruno Latour no site do Prêmio Kyoto
- Bruno Latour no site do Prêmio Holberg
- Bruno Latour na Enciclopédia de Antropologia da USP
- Nascidos em 1947
- Mortos em 2022
- Bruno Latour
- Filósofos da França
- Sociólogos da França
- Antropólogos da França
- Filósofos da ciência
- Sociólogos da ciência
- Historiadores da ciência
- Estudos sociais da ciência
- Teoria ator-rede
- Professores da Sciences Po
- Professores da École des Mines de Paris
- Prêmio Kyoto
- Prêmio Holberg
- Naturais de Beaune
