Burang

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Disambig grey.svg Nota: Este artigo é sobre a cidade. Para o distrito, veja Burang (distrito). Para a aldeia do Nepal, veja Muktinath.
China Burang

  • Purang
  • Taklakot
  • 普蘭鎮
  • 普兰镇
  • སྤུ་ཧྲེང་རྫོང་

 
  cidade  
Centro religioso em Burang
Centro religioso em Burang
Localização
Burang está localizado em: Tibete
Burang
Localização de Burang no Tibete
Localização em mapa dinâmico
Coordenadas 30° 17' 39" N 81° 10' 34" E
Região autónoma Tibete
Prefeitura Ngari
Distrito Burang
Características geográficas
População total (2000) [1] 5 026 hab.
Altitude 4 755 m

Burang ou Purang (em tibetano: སྤུ་ཧྲེང་རྫོང་།; Wylie: spu hreng; pinyin tibetano: Purang; chinês tradicional: 普蘭鎮, chinês simplificado: 普兰镇, pinyin: Pǔlán Zhèn; em nepali: तकलाकोट; transl.: Taklakot) é uma cidade da prefeitura de Ngari da região autónoma do Tibete da China. É a capital do distrito homónimo e em 2000 tinha 5 026 habitantes.[1]

O nome tibetano da cidade (spu hreng) é uma corruptela das palavras da língua extinta zhang-zhung pu hrang, que significa "cabeça de cavalo". Os indianos e nepaleses chamam-lhe Takalākoț, do tibetano Takla Kar, o nome dum antigo dzong (forte) existente na cidade.

História[editar | editar código-fonte]

Burang é um antigo entreposto comercial e segundo a tradição, é o local onde viveu Sudhana, uma incarnação de Buda[2] ou um discípulo de Shakyamuni. Num penhasco acima da cidade erguiam-se um grande dzong (forte), o Tegla Kar ("Forte do Tigre Deitado") e o Mosteiro de Simbiling, ambos completamente destruídos por artilharia chinesa em 1967, durante a Revolução Cultural. O mosteiro foi depois parcialmente restaurado. Abaixo destes edifícios encontra-se a Gompa Tsegu ("Mosteiro de Nove Andares"), que provavelmente foi originalmente um estabelecimento Bön.[3] Tsegu ocupa vários terraços, que são acessíveis por escadas de mão, e contém muitas pinturas murais únicas, escurecidas por séculos de fumo.[4]

O Tegla Kar foi possivelmente construído durante a dinastia Zhang-zhung, um antigo reino do oeste e noroeste do Tibete que foi conquistado no início do século VII por Songtsen Gampo (m. c. 650), o fundador do Império Tibetano. O forte tornou-se a principal fortaleza do Reino de Burang no século X, durante o reinado de Kori, um dos dois filhos de Tashi Gon, rei de Guge. Acredita-se que o reino de Burang tenha durado até ao século XV.[nt 1]

Burang é a cidade de passagem para as viagens ao monte Kailash e lago Manasarovar, situados a norte, destinos de peregrinação importantes para as religiões bön, hinduísmo, jainisnmo e budismo. Na cosmologia tradicional dessas religiões, o monte Kailash é o centro do universo e a parikrama (circum-ambulação) em volta do Kailash e tomar banho do Manasarovar são atos de enorme relevância religiosa para os peregrinos.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O maciço do Gurla Mandhata, situado a nordeste de Burang

A cidade situa-se a 4 755 metros de altitude, no vale do rio Karnali, a leste e norte do maciço montanhoso do Abi Gamin (7 355 m de altitude) e a sul do maciço do Gurla Mandhata (monte Namonanyi; 7 694 m). Os lagos lago Manasarovar e Rakshastal situam-se a norte da cidade, sensivelmente a meia distância do monte Kailash. A região é o nexo mitológico e real dos Himalaias, com as nascentes dos três grandes rios do subcontinente indiano — o Indo, o Ganges e o Bramaputra (chamado Yarlung Tsangpo no Tibete) — situadas a menos de 110 km de Burang.

A nascente do Karnali, a chamada "Boca de Pavão", situa-se nos glaciares das encostas setentrionais dos Himalaias situadas 50 km a noroeste de Burang.[7] A "Boca de Leão", nascente do Indo, situa-se 12Nkm a leste do monte Kailash e a "Boca de Elefante", nascente do Sutlej são os lagos Manasarovar e Rakshastal. A "Boca de Cavalo", nascente do Yarlung Tsangpo/Bramaputra situa-se cerca de 90 km a sudeste do lago Manasarovar.

Burang situa-se perto das fronteiras com a Índia e com o Nepal. A cidade fica a cerca de 22 km em linha reta (56 km por estrada) da fronteira nepalesa pela estrada que segue para sudeste ao longo do vale do Karnali. O posto fronteriço situa-se junto a Hilsa, no distrito nepalês de Humla da zona de Karnali. Entre Hilsa e Simikot, a capital do distrito de Humla, há uma estrada ao longo dum trilho histórico. Há também um posto fronteiriço com a Índia no passo de Lipulekh (5 200 de altitude), junto à tríplice fronteira Tibete-Índia-Nepal. Desse passo de montanha há um trilho pedestre que vai até Dharchula, no distrito de Pithoragarh.

A Estrada Nacional chinesa S207 liga Burang à Autoestrada Nacional G219, passando pelos lagos Rakshastal e Manasarovar. O cruzamento com a G219 situa-se 65 km a nordeste de Burang.

Clima[editar | editar código-fonte]

Devido à sua altitude extrema, o clima de Burang é do tipo alpino (classificação de Köppen-Geiger ETH). Os invernos são gelados mas extremamente secos, enquanto que os verões são frios e chuvosos devido à influência dos ventos de monção, apesar dos influências convectivas sejam atenuadas e altitudes tão elevadas. As temperaturas mínimas ficam abaixo do ponto de congelação ao longo de todo o ano, enquanto que as máximas atingem os 10 °C apenas em maio, antes da monção fazer com que o verão seja mais nublado e mais frio. No verão são frequentes as trovoadas com chuva e até tempestades de neve.

Dados climatológicos para Burang
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) -7,7 -5,3 1,3 7,5 10,6 9,3 4,6 3,3 3,7 3,0 -1,3 -6,1 10,6
Temperatura média (°C) -14,4 -12,1 -6,4 -0,5 3,2 3,5 0,7 -0,1 -0,6 -3,5 -9,0 -13,1 -4,4
Temperatura mínima média (°C) -21,0 -18,9 -14,1 -8,4 -4,2 -2,3 -3,2 -3,5 -4,9 -10,0 -16,6 -20,1 -21,0
Precipitação (mm) 3,2 3,3 3,6 11,2 28,5 83,8 103,1 91,5 75,2 20,4 3,8 2,6 430,2
Dias com precipitação (>= 0.1 mm) 4,0 4,1 3,9 6,8 13,2 18,8 20,1 19,3 18,8 8,1 3,0 2,8 122,9

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Como é frequente nos temas históricos relacionados com o Tibete medieval, há muitas contradições entre diferentes relatos, fontes, genealogias, sequência e grafias de monarcas, bem como de designações e delimitação espacial e espacial de reinos ou outras entidades políticas. O rei Kori referido pode eventualmente ser o Khor re mencionado na lista de reis de Guge presente no artigo Guge na data de redação deste texto, baseada nos trabalhos dos tibetólogos Luciano Petech[5] e Roberto Vitali.[6] No entanto, essa mesma lista não menciona um rei Tashi Gon. O último rei de Guge e Purang mencionado nessa lista é do século XI.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b «Gridded Population of the World (GPW)» (em inglês). SEDAC, the Socioeconomic Data and Applications Center. sedac.ciesin.columbia.edu 
  2. Dorje, Gyurme (1999), Thorowgood, Sarah, ed., Tibet Handbook: With Bhutan, ISBN 9781900949330 (em inglês), Footprint Handbooks, p. 350 
  3. Allen, Charles (2000), The Search for Shangri-La: A Journey into Tibetan History, ISBN 9780349111421 (em inglês), Londres: Abacus, p. 55 
  4. Dorje 1999, p. 351.
  5. Petech, Luciano (1980), «'Ya-ts'e, Gu-ge, Pu-rang: A new study», The Central Asiatic Journal, ISSN 0008-9192 (em inglês) (24): 85–111, OCLC 1553665 
  6. Vitali, Roberto (1996), The kingdoms of Gu.ge Pu.hrang, Dharamsala: Tho.ling gtsug.lag.khang 
  7. Snelling, John (1990), The Sacred Mountain: Travellers and Pilgrims at Mount Kailas in Western Tibet and the Great Universal Symbol of the Sacred Mountain, ISBN 9780856921735 (em inglês) 2.ª ed. , East-West Publications, p. 74 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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