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Cândido Palma de Melo

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Cândido Palma de Melo
Nome completoCândido Palma Teixeira de Melo
Nascimento
Morte
29 de abril de 2003 (81 anos)
NacionalidadePortugal portuguesa

Cândido Palma Teixeira de Melo (Santa Maria da Graça, Setúbal, 192229 de abril de 2003) foi um arquitecto português.

Biografia / Obra

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Maqueta do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian

Era filho de Filipe Teixeira de Melo, natural de Palmela, e de Alice Rosa da Conceição Palma, doméstica, natural de Setúbal (freguesia de São Julião).[1]

Estudou na Casa Pia de Lisboa. Formou-se na Escola de Belas Artes de Lisboa (1947).

A 5 de julho de 1947, casou civilmente em Lisboa com Maria Fernanda Palma Moniz (São Julião, Setúbal, c. 1926), doméstica, filha do comerciante José Ramos Moniz e de Rita Rosa Palma Moniz, doméstica, ambos também naturais de Setúbal (freguesia de São Julião).[1]

Participou ativamente no I Congresso Nacional de Arquitectura (1948), apresentando uma comunicação sobre o ensino da arquitetura em Portugal (juntamente com Conceição e Silva). Foi colaborador no ateliê de Keil do Amaral (1945-1951). Em 1955 constituiu ateliê com Artur Pires Martins.[2][3][4]

A sua obra afirma-se no quadro da terceira geração do modernismo nacional. Nos blocos que projetou para Olivais Norte (com Artur Pires Martins), prevalecem "soluções tipificadas pelo International Style", referenciando-se aos ensinamentos de Le Corbusier e das suas unidades de habitação.[5] Entre muitos outros projetos, são também de sua autoria a Estalagem de Nova Oeiras,[6] as Gares do aeroporto de Lourenço Marques e da Beira (Moçambique), do Sal (Cabo Verde) e o Edifício Amarelo (Rua Braamcamp, Lisboa. Nota: embora a cor inicial fosse o amarelo, atualmente está pintado de branco)[7][8]

Pioneiro na luta contra as barreiras arquitetónicas, no início da década de 1990 Palma de Melo recebeu o Helios award, atribuído pela Comissão Europeia pelo seu trabalho ao nível das acessibilidades. Embora por razões pessoais (duas das suas três filhas tinham uma doença degenerativa do sistema nervoso central), a sua ação neste domínio foi determinante para colocar em marcha, ainda na década de 1960, o movimento que havia de culminar com a alteração do decreto-lei na origem do que hoje vigora.[2][9]

Peça de mobiliário infantil, CRPCCG

Palma de Melo foi autor do projeto do Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian (CRPCCG), Lisboa (inaugurado em 1970). Foi presidente da direção da antiga Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de 1980 a 1996 e desempenhou um papel de grande importância no processo de descentralização da APPC, mantendo na Direção Nacional uma grande coesão entre os vários núcleos entretanto surgidos (Norte, Centro e Sul). Projetou mais 3 Centros de Reabilitação (Porto, Coimbra e Beja), orientou algumas adaptações de instalação dos Centros noutros locais e projetou residências adaptadas para pessoas com deficiência no Porto e em Lisboa.[10]

Estudado desde a fase de programa em grande proximidade com o pessoal técnico de cada departamento, o projeto do CRPCCG apresentou soluções funcionais e formais inovadoras. "O edifício faz-se pela justaposição de estruturas hexagonais que, vistas de cima, se assemelham aos favos de mel das abelhas. Uma construção original e, à época, única nas suas caraterísticas de harmonia e na funcionalidade das suas instalações". Palma de Melo desenhou também um conjunto de peças de mobiliário que traduz a sua preocupação com as questões da inclusão social; concebidas para serem utilizadas indistintamente por pessoas com ou sem deficiência, muitas dessas peças, de grande funcionalidade, são ainda hoje utilizadas no CRPCCG.[2][9][11]

Cândido Palma de Melo foi nomeado Membro Honorário da Associação dos Arquitectos Portugueses em 1994.[12]

Morreu a 29 de abril de 2003.[1]

Algumas obras

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Centro de Reabilitação de Paralisia Cerebral Calouste Gulbenkian, Lisboa

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Edifício "Amarelo", rua Braamcamp e rua Alexandre Herculano, Lisboa

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Ligações externas

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Referências

  1. a b c «Livro de registo de casamentos da 2.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1947-05-14 - 1947-07-19)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 562 e 562v, assento 560 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o A.A.V.V. – Ciência e Arte: a arquitetura de Palma de Melo. Lisboa: Departamento de Arquitetura e Urbanismo – ISCTE-IUL, 2014. ISBN 978-989-732-346-1
  3. A.A.V.V. – Keil Amaral arquiteto. Lisboa: Associação dos Arquitetos Portugueses, 1992, p. 26
  4. «Palma de Melo – Biografia». Arte com H. Consultado em 14 de abril de 2014 
  5. Ana Vaz Milheiro (Maio de 2009). «Prefácio – Habitar em coletivo: arquitetura portuguesa antes do SAAL» (PDF). Consultado em 15 de abril de 2014 
  6. http://www.novaoeiras.com/historia.html NOVA OEIRAS UM POUCO DE HISTÓRIA
  7. «A obra inovadora de Palma de Melo em exposição». DN – Artes. 11 de setembro de 2013. Consultado em 15 de abril de 2014. Arquivado do original em 18 de junho de 2015 
  8. «Palma de Melo – Biografia». Arte com H. Consultado em 15 de abril de 2014 
  9. a b Bárbara Cruz (8 de setembro de 2013). «Um Arquiteto com H Maiúsculo». Diário de Notícias. Consultado em 14 de abril de 2014 
  10. Informações fornecidas pelo CRPCCG.
  11. Melo, Palma de – "Centro de reabilitação Calouste Gulbenkian", Arquitetura nº 116, 1970
  12. «Membros honorários». Consultado em 24 de Novembro de 2011 
  13. A.A.V.V. – Guia Urbanístico e Arquitetónico de Lisboa. Lisboa: Associação de Arquitetos Portugueses, 1987, p. 254
  14. «Prémio SECIL de Arquitetura 1992». Consultado em 24 de Novembro de 2011. Arquivado do original em 15 de abril de 2014 
  15. «Associação Casapiana de Solidariedade». Consultado em 24 de Novembro de 2011. Arquivado do original em 2 de junho de 2014 
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