CP400

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CP400
Computador doméstico
Cp400ii-2.jpg
CP400 Color II
Fabricante: Prológica Computadores Pessoais
Arquitetura TRS-80 Color
Lançamento: 1983 (31–32 anos)
Descontinuado: 1987 (27–28 anos)
Sistema operativo: Microsoft Extended Color BASIC, Tandy RSDOS, Microware OS-9, TSC Flex9
Microprocessador: Motorola 6809E em 0,89 ou 1,8 MHz
Memória: 16 KiB a 64 KiB
Tela: TV Colorida / Monitor RGB
Alimentação: 110/220 volts
Antecessor: CP300
Sucessor: CP450
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Portal Tecnologias da informação

O CP 400 foi um computador doméstico de 8 bits produzido no Brasil pela Prológica em meados da década de 1980, em plena Reserva de Mercado e baseado no TRS-80 Color Computer (também chamado de "CoCo", contração de "Color Computer") da Tandy/Radio Shack americana, o qual foi o primeiro computador da Tandy a gerar imagens gráficas em cores a um baixo custo de produção.

Características[editar | editar código-fonte]

  • Memória:
    • ROM: 16 KBytes (contendo o "Extended Color BASIC" ou "ECB")
    • RAM: versões de 16 ou 64 KBytes
  • Teclado:
    • Modelo 1: "chiclete" com 55 teclas, incorporado ao gabinete
    • Modelo 2: "profissional" com 59 teclas, incorporado ao gabinete
  • Display: Microprocessador Motorola MC6847, 9 cores
    • Modo texto (com 32 x 16 caracteres)
    • Gráficos de baixa resolução (com 64 x 32 pixels)
    • Gráficos de média e alta resolução (podendo chegar aos 256 x 192 pixels, 2 cores por pixel, totalizando 49.152 pontos)
  • Suporte à impressora serial, joysticks analógicos, gravador de fita cassete e unidade de disco flexível (CP450)
  • Porta de expansão (onde era possível conectar cartuchos com programas, jogos etc)
  • Outras Portas:
    • 1 saída para TV colorida PAL-M, canais 3 ou 4 VHF
    • 1 porta serial RS-232C
    • 2 portas para joysticks analógicos
    • 1 porta para monitor RGB
    • 1 porta para gravador cassete
    • 1 porta para fonte de energia externa 110/220V
  • Armazenamento Magnético:
    • Gravador cassete em 1500 bauds, com controle remoto do motor
    • Unidade de disquete CP450, com até dois drives de 180K, face simples

Histórico[editar | editar código-fonte]

A primeira versão do CP 400 Color, lançado no Natal de 1983[1] , tinha um teclado de plástico (bastante semelhante aos TK's da Microdigital Eletrônica), com teclas nas cores branca, vermelha, verde e azul, e, devido a um erro de projeto, poderia ter problemas com superaquecimento em seu transformador interno. Já a segunda versão, o CP 400 Color II, lançado no final de 1985, tinha um teclado semelhante ao dos PC's atuais, com pequenas molas e teclas de plástico branco mais largas do que o da primeira versão (que recebeu o curioso apelido de "perereca", visto que as teclas tinham facilidade de saltar do teclado) e sem os mesmos problemas de superaquecimento.

O design do primeiro modelo foi concebido pelo arquiteto italiano pós-moderno, Luciano Devia, representante da Escola de Turim. Segundo o artista, as teclas pequenas e coloridas davam "um ar meio brincalhão ao micro", por ser ele de uso doméstico, precisando assim "se harmonizar com objetos até decorativos"[2] . O segundo modelo deixou de ter teclas coloridas e acrescentou outras três teclas (PA1, PA2 e PA3), que podiam ser programadas em linguagem de máquina pelo usuário e, assim, auxiliar na operação do micro[3] . Apesar do design do CP 400 ser atribuído ao referido artista italiano, sua notável semelhança com o Timex Sinclair 2068 (ou Timex Computer 2068), lançado também no final de 1983 nos Estados Unidos, continua ainda inexplicável.

No começo a concorrência que o CP 400 tinha até era reduzida, pois somente os Apples e os TK's mais avançados (95 e 90x) podiam fazer frente aos gráficos e as cores dele. Mas isso mudou drasticamente com o lançamento do padrão MSX, pela Gradiente e pela Epcom/Sharp, em meados de 1986. Bastante superior gráfica e sonoramente, o MSX ingressou de maneira impressionante no cenário brasileiro de microcomputadores e deixou todos os concorrentes (incluindo o CP 400) para trás.

Além do Prológica CP 400, foram lançados no Brasil outros microcomputadores compatíveis com o padrão TRS-80 Color: o Codimex CD6809, o LZ/Novo Tempo Color64, o Dynacom MX-1600 (Dynacom) e o Engetécnica/Varix VC50 (ou Varix 50). Também a Microdigital, chegou a planejar o lançamento de outra máquica compatível com esta linha: o TKS800; chegou a ser apresentado em Feiras de Informática, mas nunca foi de fato lançado no mercado (ver vaporware). Houve ainda, no mercado brasileiro, um semi-compatível: o Sysdata Microcolor (ou TColor), clone do obscuro Tandy MC-10, empregando o microprocessador Motorola 6803 ao invés do Motorola 6809. Todavia, todos esses equipamentos tiveram pouca ou quase nenhuma repercussão no mercado nacional, seja, em um primeiro momento, pelo grande sucesso de vendas do CP 400, seja, por fim, pela grande expansão da linha MSX no Brasil, que acabou por relegar o padrão TRS-80 Color ao desuso.

O CP 400 e todos os seus periféricos originais deixaram de ser fabricados pela Prológica, em sua unidade do bairro de Socorro, em São Paulo[4] , no início de 1987[5] . No entanto, pouco tempo antes, em abril de 1986, vendia cerca de duas mil e quinhentas unidades ao mês, segundo informações fornecidas pela própria Prológica[6] . [7]

Com o fim da linha de produção e o rareamento de informações e suporte ao CP 400, boa parte de seus usuários aderiu ao padrão MSX, enquanto que alguns outros, percebendo o início de um novo tempo no mercado de microcomputadores, migraram para o padrão IBM PC, de 16 bits.

Memória RAM[editar | editar código-fonte]

Embora o CP 400 fosse encontrado em duas versões, de 16 ou 64 KBytes de RAM, essa memória não estava totalmente liberada para o usuário. Com efeito, para a versão de 16 KBytes, o total de memória disponível é de cerca de 8 Kbytes; e para a versão de 64 KBytes, este total passa a ser de cerca de 24 KBytes. Isso ocorre porque o CP 400 usa 16 KBytes para endereçar a memória ROM, que contém o Extended Color BASIC, e 16 KBytes para o uso de cartuchos, enquanto que outros 8 KBytes são usados para alocar a memória de vídeo de alta resolução[8] .

Porta de Expansão[editar | editar código-fonte]

Da mesma forma que o Timex Sinclair 2068, o CP 400 possuía um conector de expansão, protegido por uma porta levadiça, no lado direito da unidade. Tal conector, de 40 pinos dispostos em duas fileiras de vinte, era usado para se ligar a unidade de disquetes CP450 ou conexão de cartuchos de programa em ROM, para carregamento instantâneo.

A própria Prológica lançou dezenas de títulos de jogos e utilitários, entre eles: Bingo, Castelo, Damas, Dinossauros, Editor, Escalada, Esqui, Ilhas, Invasores, Labirinto, Nebula, Saltimbanco, Tênis, Terror e Xadrez. Todos eles, na verdade, eram programas desenvolvidos originariamente para o Tandy Color Computer norte-americano, mas traduzidos e acondicionados em um novo formato físico de cartucho, especialmente projetado para uso no CP 400 (com efeito, não era possível usar os cartuchos do CP 400 em outros computadores compatíveis com o padrão TRS-80 Color, nem usar no CP 400 cartuchos projetados para essas outras máquinas).

Portas de Entrada/Saída[editar | editar código-fonte]

Na parte traseira do CP 400 encontravam-se diversas portas no padrão DIN, para conexão com outros acessórios e periféricos. Ao contrário da Dynacom, que preferiu alterar por conta própria o projeto do TRS-80 Color Computer da Tandy em seu MX-1600, adotando assim conectores mais fáceis de se encontrar no mercado brasileiro, a Prológica - bem como outras fabricantes nacionais de computadores compatíveis com a linha TRS-Color - preferiu nesta matéria manter fidelidade ao projeto norte-americano.

RS232C[editar | editar código-fonte]

A interface serial compatível com o padrão RS232C permitia a conexão do CP 400 a uma impressora paralela ou a um modem. Empregava um conector DIN fêmea de apenas 4 pinos:

  • Pino 1: (CD) Detecção do sinal de portadora
  • Pino 2: (RX) Recepção de dados
  • Pino 3: (GND) Terra (tensão de referência 0)
  • Pino 4: (TX) Transmissão de dados

Gravador[editar | editar código-fonte]

O meio de armazenamento padrão do CP 400 se dava através da conexão com um gravador cassete comum, através de um cabo triplo ligado aos conectores EAR (fone de ouvido), MIC (microfone) e REM (controle remoto). O CP 400 empregava um conector DIN fêmea de 5 pinos:

  • Pino 1: (REM) Saída para a tomada de controle remoto
  • Pino 2: (EAR) Entrada para a tomada de fone de ouvido
  • Pino 3: (GND) Terra
  • Pino 4: (MIC) Saída para a tomada de microfone ou auxiliar
  • Pino 5: (REM) Saída para a tomada de controle remoto

O gravador expressamente indicado pela Prológica[9] para os usuários do CP 400 era o National RQ2222, que também anunciava nas páginas da revista Geração Prológica. Entre outras características, o RQ2222 possuía um sistema de cabeçote próprio para uso com microcomputadores e contador de fita, facilitando a localização dos programas gravados na cassete. Para uma melhor performance do aparelho, evitando-se erros indesejáveis na gravação ou leitura das fitas magnéticas, recomendava-se o uso da tonalidade na posição '10' (agudo máximo) e volume '2' para gravação ou '7' para leitura[9] .

Joysticks[editar | editar código-fonte]

O CP 400 possuía duas tomadas independentes para a ligação de dois joysticks analógicos (esquerdo e direito), empregando conectores DIN fêmeas de 5 pinos:

  • Pino 1: Entrada do comparador (direita-esquerda)
  • Pino 2: Entrada do comparador (para cima-para baixo)
  • Pino 3: Terra
  • Pino 4: Botão de disparo (Fogo!)
  • Pino 5: Vcc +5V (limitado por corrente)

Monitor de Vídeo[editar | editar código-fonte]

Era empregado um conector DIN fêmea de 7 pinos, no entanto a disposição da pinagem diferia entre o CP 400 Color I e o CP 400 Color II, possuindo este último recursos adicionais:

CP 400 Color I[editar | editar código-fonte]

  • Pino 1: (Não usado)
  • Pino 2: (Não usado)
  • Pino 3: (Não usado)
  • Pino 4: Terra
  • Pino 5: Vídeo
  • Pino 6: Terra
  • Pino 7: Áudio

CP 400 Color II[editar | editar código-fonte]

  • Pino 1: Luminância
  • Pino 2: (Não usado)
  • Pino 3: Vcc +5v
  • Pino 4: Áudio
  • Pino 5: Terra
  • Pino 6: Terra
  • Pino 7: Vídeo

Sistemas Operacionais[editar | editar código-fonte]

A versão de 64 KBytes de RAM do CP 400 Color era capaz de executar os aclamados sistemas operacionais OS-9 Level 1, da Microware, e o Flex9, da TSC, desde que empregada em conjunto com a unidade de disco CP450, ainda que com apenas um único drive. Não era possível, porém, executar o OS-9 Level 2, desenvolvido para o Tandy Color Computer 3, o qual possuía muito mais recursos tecnológicos que o CP 400, que era, por sua vez, apenas compatível com o Tandy Color Computer 2.

A Prológica oferecia também, nativa à sua unidade CP450, o denominado DOS400. Na verdade, tratava-se do "Disk Extended Color BASIC" (DECB ou RSDOS), da Tandy Radio Shack, renomeado e, muito provavelmente, usado ilimitadamente sem prévia licença ou conhecimento da empresa estadunidense (prática que chegou a ser "muito comum" no Brasil na época da Reserva de Mercado e que possivelmente contribuiu para o fim da Prológica, quando esta foi processada por pirataria pela Microsoft[10] ).

Muito embora a Prológica pretendesse lançar, em 1985, uma placa de compatibilidade com o então conhecidíssimo sistema operacional CP/M, da Digital Research, permitindo assim o uso de programas e aplicativos profissionais desenvolvidos para esse ambiente e utilizado por outros equipamentos produzidos pela empresa (CP500, Sistema 600 e Sistema 700), não há notícias de que de fato o tenha feito.

Informação e Suporte[editar | editar código-fonte]

Mesmo o CP 400 respondendo por boa parte do faturamento da Prológica, esta nunca ofereceu grande apoio técnico para os seus usuários. Até mesmo a Editele - uma empresa pertencente ao grupo Prológica - especializada na publicação de livros técnicos na área de Informática, disponibilizou tão somente um único título: "Indo Além com o CP 400 Color", de Paulo Addair (1985), que apresentava listagens de programas visando explorar recursos mais avançados do equipamento. Fora este título, a Editele, como seria de se esperar, foi responsável pelos manuais oficiais do CP 400 ("CP 400 Color: Manual de Operação e Linguagem" e "DOS400: Sistema de Operação em Disco", que acompanhavam o CP 400 e a unidade CP450, respectivamente).

O mercado editorial brasileiro também não deu muita atenção para os usuários do CP 400. Pouquíssimos títulos foram publicados:

  • "30 Programas para o TRS-80 Color Computer e Similares Nacionais", de Mário Mendes Junior, ed. Ciência Moderna Computação.
  • "Brincando com o TRS-Color", de Victor Mirshawka, ed. Nobel.
  • "TRS-80 Color: Guia de Referência", de Roberto Valois, ed. Campus.
  • "Tudo sobre os Microcomputadores TRS-80 Color para Meninos", de Eli Rozendo Moreira dos Santos, ed. Ediouro.

Em razão disso, software houses como Micromaq, Plansoft, Peek & Poke, Softkristian e Engesoft, entre outras, reproduziam e comercializavam obras estrangeiras, sobretudo de autores norte-americanos, tendo em vista o sucesso da linha TRS-80 Color naquele país e a avidez por informação entre os usuários brasileiros.

Ao contrário dos Estados Unidos, onde surgiram diversas revistas mensais especializadas no Color Computer, tais como The Rainbow Magazine, Hot CoCo e Color Computer Magazine, no Brasil não surgiu nenhuma. Esporadicamente, no entanto, era possível encontrar listagens em Color BASIC em revistas genéricas de informática, em especial na então respeitadíssima Micro Sistemas. Por outro lado, a revista Geração Prológica, publicada pela Editele, teve vida breve: apenas 18 números; matérias e programas relacionados ao CP 400 ocorrem apenas entre os números 9 e 17.

Referências

  1. (03 de agosto de 1983) "Prológica apresenta suas novidades".
  2. Folha de S. Paulo, 05 de Dezembro de 1985, Caderno de Informática
  3. Folha de S. Paulo, 19 de Novembro de 1986, Caderno de Informática
  4. Folha de S. Paulo, 02 de Janeiro de 1985, Caderno de Informática
  5. Folha de S. Paulo, 25 de Março de 1987, Caderno de Informática
  6. Folha de S. Paulo, 09 de Setembro de 1986, Caderno de Informática
  7. (02 de janeiro de 1985) "Prológica cresce o dobro da média nacional".
  8. "Revista Geração Prológica" 11: p.7.
  9. a b "Revista Geração Prológica" 11: p.3.
  10. ROCHA, Fabrício. Solution 16, um all-in-one brasileiro. Visitado em 23 de setembro de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]