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CPI do Crime Organizado

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CPI do Crime Organizado
Mesa diretora da CPI com os senadores Hamilton Mourão, Fabiano Contarato e Alessandro Vieira
Data4 de novembro de 2025 (2025-11-04) - (em curso)
LocalSenado Federal
LocalizaçãoBrasil
Tipocomissão parlamentar de inquérito
CausaInvestigar o crime organizado no Brasil
Participantes18 Integrantes (11 titulares e 7 suplentes)
RelatoriaAlessandro Vieira (MDB-SE)

A CPI do Crime Organizado ou CPICRIME é uma comissão parlamentar de inquérito composta no Senado Federal destinada a apurar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas no território brasileiro, em especial de facções e milícias, investigando-se o modus operandi de cada qual, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região, bem como as respectivas estruturas de tomada de decisão, de modo a permitir a identificação de soluções adequadas para o seu combate, especialmente por meio do aperfeiçoamento da legislação atualmente em vigor. Foi oficialmente instalada em 4 de novembro de 2025.[1]

A primeira votação, para decidir a presidência da comissão, foi lida por analistas políticos como uma vitória para o governo.[2] Por 6 votos a 5, foi escolhido o senador Fabiano Contarato, do Partido dos Trabalhadores, senador pelo Espírito Santo. Como vice, ficou o segundo colocado, Hamilton Mourão, do Republicanos pelo Rio Grande do Sul. A eleição ocorreu para presidir a comissão no dia 4 de novembro de 2025.[3]

Depoimentos

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Foram convidadas a prestar depoimento as seguintes autoridades:[4]

Autoridades Federais

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Autoridades Estaduais

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Foram convidados 11 governadores e seus respectivos secretários de segurança, sendo 4 os daqueles estados considerados mais seguros pelos índices do MJSP: Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal; os 5 considerados menos seguros: Amapá, Alagoas, Bahia, Ceará e Pernambuco; e os representantes do Rio de Janeiro e São Paulo, por serem respectivamente os estados de origem do Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).

Foi convocado o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, suspeito de vazar informações sobre uma operação da Polícia Federal contra o ex-deputado TH Joias.[5]

Especialistas

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Também foram convidados os especialistas em segurança pública Lincoln Gakiya, promotor de justiça do Ministério Público do Estado de São Paulo "pela larga experiência na questão relacionada ao PCC"; Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública; os professores e pesquisadores Joana da Costa Martins Monteiro e Leandro Piquet Carneiro; os jornalistas Josmar Jozino, do portal UOL, Rafael Soares, d'O Globo, e Cecília Olliveira, jornalista investigativa do Instituto Fogo Cruzado; Bruno Paes Manso, pesquisador da USP e ex-jornalista; Allan de Abreu, jornalista investigativo da Revista Piauí; e Rodrigo Pimentel, articulista e consultor em segurança pública, que atuou no Bope do Estado do Rio de Janeiro como capitão.

A convocação de cantores de funk foi descartada pelo relator da comissão.[6]

Integrantes

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Painel de votação da presidência da CPI

A CPI do Crime Organizado é dirigida pela seguinte composição:[7]

Mesa Diretora

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Membros por bloco

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Bloco Parlamentar Titulares Suplentes
Democracia (UNIÃO, PODEMOS, MDB, PSDB) Alessandro Vieira (MDB-SE) Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB)
Márcio Bittar (PL-AC) Sergio Moro (UNIÃO-PR)
Marcos do Val (PODEMOS-ES)
Resistência Democrática (PSB, PSD) Otto Alencar (PSD-BA) Randolfe Rodrigues (PT-AP)
Angelo Coronel (PSD-BA)
Jorge Kajuru (PSB-GO)
Vanguarda (PL, NOVO) Flávio Bolsonaro (PL/RJ) Eduardo Girão (NOVO/CE)
Magno Malta (PL-ES)
Pelo Brasil (PDT, PT) Rogério Carvalho (PT-SE) Jaques Wagner (PT-BA)
Fabiano Contarato (PT-ES)
Aliança (PP, REPUBLICANOS) Hamilton Mourão (REP-RS) Esperidião Amin (PP-SC)

Histórico

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Depoimentos

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Lincoln Gakiya prestando depoimento
Anthony Garotinho prestando depoimento

Em 18 de novembro de 2025, o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em depoimento que o esquema de fraudes financeiras que resultou na prisão do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e de quatro diretores da instituição, pode chegar a 12 bilhões de reais.[8]

Em 25 de novembro, o promotor de Justiça, Lincoln Gakiya, afirmou em depoimento que a polarização política tem prejudicado a atuação integrada de polícias e do Ministério Público no combate às facções.[9]

Em 16 de dezembro, o ex-governador do estado do Rio de Janeiro e ex-secretário de segurança pública Anthony Garotinho afirmou em depoimento que Cláudio Castro e Rodrigo Bacellar seriam os chefes de uma organização criminosa, com braços respectivamente no executivo e legislativo fluminense, com cobrança de propina para aprovação de projetos nas áreas de energia, combustíveis, bem como incentivos fiscais. Disse que 47 dos 70 deputados estaduais na Alerj receberiam uma "mesada" do crime organizado, informação que teria sido obtida através de celulares apreendidos pela Polícia Federal na casa de Rui Bulhões, chefe de gabinete de Bacellar, através da operação Unha e Carne. Relatou ainda a ligação do executivo com organizações criminosas, citando uma trégua negociada para "sete dias sem guerras e roubos" durante a realização do encontro do G20 no Rio de Janeiro.[10] Relatou ainda um caso aonde o Exército Brasileiro teria feito um acordo de cavalheiros com o Comando Vermelho, negociando a devolução de fuzis que foram roubados de uma base militar,[11] o que foi confirmado pelo general de quatro estrelas e hoje senador Hamilton Mourão, vice-presidente da CPI.[12]

Referências

  1. Behnke, Emilly (4 de novembro de 2025). «CPI do Crime é instalada no Senado; veja quem são os titulares do colegiado». CNN Brasil. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  2. Bernardes, Alícia (5 de novembro de 2025). «Governo larga na frente na CPI do Crime Organizado». Correio Braziliense. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  3. Fábio Amato (4 de novembro de 2025). «Fabiano Contarato (PT) é eleito presidente da CPI do Crime Organizado; Vieira será o relator». G1. Consultado em 17 de dezembro de 2025 
  4. Pordeus León, Lucas (4 de novembro de 2025). «CPI do Crime Organizado chama dois ministros e 11 governadores». Agência Brasil. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  5. Afonso Ferreira (9 de dezembro de 2025). «CPI do Crime Organizado convoca presidente da Alerj e também quer ouvir Garotinho». G1. Consultado em 26 de dezembro de 2025 
  6. Moraes, Rute (5 de novembro de 2025). «Relator de CPI do Crime Organizado descarta convocar cantores de funk». R7. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  7. «Composição da CPICRIME». Senado Federal. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  8. «Banco Master: Diretor da PF diz que fraudes financeiras podem chegar a R$ 12 bilhões». G1. 18 de novembro de 2025. Consultado em 17 de dezembro de 2025 
  9. Lima, Kevin; Cunha, Marcela (25 de novembro de 2025). «Promotor que investiga PCC diz que 'polarização política' prejudica forças-tarefas e defende integração de polícias no combate a facções». G1. Consultado em 17 de dezembro de 2025 
  10. «CPI: Garotinho acusa Castro e Bacellar de comandarem grupos criminosos no Rio». Agência Senado. 16 de dezembro de 2025. Consultado em 18 de dezembro de 2025 
  11. TV Senado (17 de dezembro de 2025). EX-GOVERNADOR NARRA CASOS ABSURDOS QUE MOSTRAM QUE COMANDO VERMELHO DOMINA O RIO DE JANEIRO. YouTube. Consultado em 18 de dezembro de 2025 
  12. TV Senado (16 de dezembro de 2025). CPI do Crime Organizado ouve o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho – 16/12/25. YouTube. Em cena em 1h40. Consultado em 18 de dezembro de 2025 

Ver também

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Ligações externas

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