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Cação-listrado

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCação-listrado


Estado de conservação
Espécie em perigo
Em perigo (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Divisão: Selachii
Filo: Chordata
Classe: Chondrichthyes
Subclasse: Elasmobranchii
Ordem: Carcharhiniformes
Família: Triakidae
Género: Triakis [en]
Espécie: T. scyllium
Nome binomial
Triakis scyllium
J. P. Müller & Henle, 1839
Distribuição geográfica
Área de distribuição do cação-listrado[2]
Área de distribuição do cação-listrado[2]
Sinónimos
Hemigaleus pingi Evermann & Shaw, 1927

O cação-listrado (Triakis scyllium) é uma espécie de tubarão da família Triakidae, comum no noroeste do Oceano Pacífico, do extremo sul do Extremo Oriente Russo até Taiwan. Encontrado na zona demersal ou próximo a ela, prefere habitats costeiros rasos com fundos arenosos ou vegetados e também entra em água salobra. Este tubarão atinge 1,5 m de comprimento. Possui um focinho curto e arredondado, com barbatanas geralmente estreitas; as barbatanas peitorais são largas e triangulares, e a margem posterior da primeira barbatana dorsal é quase vertical. Sua coloração é cinza no dorso e mais clara na face ventral; tubarões jovens apresentam selas e pontos escuros, que desvanecem com a idade.

Noturno e majoritariamente solitário, o cação-listrado alimenta-se de invertebrados bentônicos e peixes ósseos. É ovovivíparo, com os embriões em desenvolvimento sustentados por vitelo. Após o acasalamento no verão, as fêmeas têm até 42 filhotes após um período de gestação de 9 a 12 meses. O cação-listrado não representa perigo para humanos e adapta-se bem ao cativeiro. É capturado como fauna acompanhante no Japão, Taiwan e provavelmente em outras áreas de sua distribuição; pode ser consumido, mas não é tão valorizado quanto espécies relacionadas. Como a pesca não parece ter reduzido sua população, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou-o como ameaçado.[1]

Taxonomia

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A primeira descrição científica do cação-listrado foi feita pelos biólogos alemães Johannes Peter Müller e Friedrich Gustav Jakob Henle, com base em um espécime seco do Japão, em sua obra de 1838–41, Systematische Beschreibung der Plagiostomen. Eles atribuíram o epíteto específico scyllium, derivado do grego antigo skylion ("tubarão-cachorro"), e classificaram-no no gênero Triakis.[3] Dentro do gênero, ele é colocado no subgênero Triakis, junto com o tubarão-leopardo (T. (Triakis) semifasciata).[2]

Distribuição e habitat

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Nativo do noroeste do Oceano Pacífico, o cação-listrado ocorre do extremo sul do Extremo Oriente Russo até Taiwan, incluindo Japão, Coreia e leste da China; registros nas Filipinas são questionáveis.[1] Este tubarão comum, bentônico, é encontrado em plataformas continentais e insulares, geralmente próximo à costa, mas também a profundidades de até 150 metros.[4] Frequenta áreas arenosas e leitos de macroalgas e capim-marinho do gênero Zostera; além disso, tolera água salobra e entra em estuários e baías.[1]

Descrição

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As marcações do cação-listrado tornam-se indistintas com a idade.

O cação-listrado é uma espécie de corpo moderadamente esguio, crescendo até 1,5 m de comprimento. O focinho é curto, largo e arredondado; as narinas, bem separadas, são precedidas por uma aba de pele que não alcança a boca. Os olhos ovais horizontais estão posicionados no topo da cabeça, equipados com membranas nictitantes rudimentares (terceiras pálpebras protetoras) e com cristas proeminentes abaixo. A boca forma um arco curto e largo, com sulcos longos nos cantos que se estendem a ambas as mandíbulas. Cada dente possui uma cúspide central afiada, de vertical a oblíqua, flanqueada por cúspides menores. Há cinco pares de fendas branquiais.[2]

A maioria das barbatanas é relativamente estreita; em adultos, as barbatanas peitorais são largas e aproximadamente triangulares. A primeira barbatana dorsal, moderadamente alta, está posicionada a meio caminho entre as barbatanas peitorais e pélvicas, com a margem posterior quase vertical próximo ao ápice. A segunda barbatana dorsal tem cerca de três quartos da altura da primeira e é maior que a barbatana anal. A barbatana caudal possui um lobo inferior bem desenvolvido e uma incisura ventral proeminente perto da ponta do lobo superior; em tubarões jovens, o lobo inferior da barbatana caudal é menos distinto.[2] A espécie é cinza no dorso, com selas escuras e pontos pretos espalhados que desvanecem com a idade; a face ventral é esbranquiçada.[4]

Biologia e ecologia

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Os equiúros são uma importante fonte de alimento para cações-listrados pequenos.

O cação-listrado é noturno e geralmente solitário, embora vários indivíduos possam descansar juntos, às vezes empilhados uns sobre os outros dentro de uma caverna.[4][5] Alimenta-se principalmente de crustáceos (como camarão, caranguejos, caranguejo-eremitas e tamarutacas), cefalópodes (incluindo polvos) e equiúros; poliquetas, tunicados, vermes da classe Sipuncula e pequenos peixes ósseos bentônicos (como Pleuronectiformes, carangídeos, cienídeos e peixes das famílias Congridae e Haemulidae) são consumidos ocasionalmente. Camarões e equiúros são presas importantes para tubarões de até 70 cm; cefalópodes predominam na dieta de tubarões maiores.[6]

O acasalamento ocorre durante o verão, com o macho nadando paralelo à fêmea e segurando sua barbatana peitoral com os dentes; assim fixado, ele gira a porção distal de seu corpo para inserir um único clásper na cloaca dela para a cópula. O cação-listrado é ovovivíparo, com os embriões sustentados pelo vitelo até o nascimento. As fêmeas têm ninhadas de 9 a 26 filhotes após um período de gestação de 9 a 12 meses, embora ninhadas de até 42 filhotes tenham sido registradas.[5][7][8]

Em 2016, no Aquário de Uozu [en], no Japão, dois filhotes nasceram em um tanque com apenas fêmeas, e a partenogênese foi confirmada.[9]

Os recém-nascidos medem 18–20 cm de comprimento. Os machos atingem a maturidade sexual entre 5 e 6 anos, com 93–106 cm ­cm de comprimento, e vivem até 15 anos. As fêmeas amadurecem entre 6 e 7 anos, com 106–107 cm, e vivem até 18 anos.[1] Parasitas conhecidos incluem as tênias Callitetrarhynchus gracilis,[10] Onchobothrium triacis e Phyllobothrium serratum,[11] a sanguessuga Stibarobdella macrothela,[12] e os copépodes Achtheinus impenderus,[13] Caligus punctatus,[14] Kroyeria triakos[15] e Pseudopandarus scyllii.[16]

Interações com humanos

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Cação-listrado vivo em exibição em um restaurante na China.

Inofensivo aos humanos,[17] o cação-listrado é frequentemente exibido em aquários públicos na China e no Japão,[1] e reproduziu-se em cativeiro.[8] Indivíduos sobreviveram em cativeiro por mais de cinco anos.[5] Esta espécie é frequentemente capturada como fauna acompanhante no Japão em redes de emalhar e redes de pesca; a carne é ocasionalmente vendida, mas é considerada de qualidade inferior à de outros tubarões da família Triakidae da região. É capturado em menor quantidade em Taiwan e provavelmente também pescado na Coreia e norte da China. No Japão, pode ser encontrado em áreas rochosas que oferecem refúgio contra a pressão pesqueira.[1]

Ver também

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Referências

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  1. a b c d e f g Rigby, C.L.; Walls, R.H.L.; Derrick, D.; Dyldin, Y.V.; Herman, K.; Ishihara, H.; Jeong, C.-H.; Semba, Y.; Tanaka, S.; Volvenko, I.V.; Yamaguchi, A. (2021). «Triakis scyllium». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2021: e.T161395A124476903. doi:10.2305/IUCN.UK.2021-1.RLTS.T161395A124476903.enAcessível livremente. Consultado em 19 de novembro de 2021 
  2. a b c d Compagno, L.J.V. (1984). Sharks of the World: An Annotated and Illustrated Catalogue of Shark Species Known to Date. Roma: Food and Agricultural Organization. p. 432. ISBN 92-5-101384-5 
  3. Müller, J.; F.G.J. Henle (1838–1841). Systematische Beschreibung der Plagiostomen. [S.l.]: Veit und Comp. pp. 63–64 
  4. a b c Hennemann, R.M. (2001). Sharks & Rays: Elasmobranch Guide of the World segunda ed. [S.l.]: IKAN – Unterwasserarchiv. 113 páginas. ISBN 3-925919-33-3 
  5. a b c Michael, S.W. (1993). Reef Sharks & Rays of the World. [S.l.]: Sea Challengers. p. 59. ISBN 0-930118-18-9 
  6. Kamura, S.; Hashimoto, H. (2004). «The food habits of four species of triakid sharks, Triakis scyllium, Hemitriakis japanica, Mustelus griseus and Mustelus manazo, in the central Seto Inland Sea, Japan». Fisheries Science. 70 (6): 1019–1035. Bibcode:2004FisSc..70.1019K. doi:10.1111/j.1444-2906.2004.00902.xAcessível livremente 
  7. Ni, J.; Li, J.; Xu, Y. (1992). «Preliminary observation on the feeding habits and reproduction of Triakis scyllium». Journal of Oceanography of Huanghai & Bohai Seas. 10 (1): 42–46. Consultado em 8 de maio de 2011. Cópia arquivada em 9 de junho de 2013 
  8. a b Michael, S.W. (2001). Aquarium Sharks & Rays. [S.l.]: T.F.H. Publications. p. 229. ISBN 1-890087-57-2 
  9. «メスしか泳いでないのになぜ? 赤ちゃんザメ誕生 富山». 朝日新聞. 25 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 14 de setembro de 2016 
  10. Williams, H.H.; Jones, A. (1994). Parasitic Worms of Fish. [S.l.]: CRC Press. p. 390. ISBN 0-85066-425-X 
  11. Yamaguti, S. (1952). «Studies on the helminth fauna of Japan. Part 49. Cestodes of fishes, II». Acta Medicinae Okayama. 8: 1–76. Consultado em 8 de maio de 2011. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2011 
  12. Yamauchi, T.; Ota, Y.; Nagasawa, K. (20 de agosto de 2008). «Stibarobdella macrothela (Annelida, Hirudinida, Piscicolidae) from Elasmobranchs in Japanese Waters, with New Host Records». Biogeography. 10: 53–57 
  13. Shen, C.J.; Wang, K.N. (1959). «A new parasitic copepod, Achtheinus impenderus (Coligoida, Pandaridae), from a shark taken at Peitaiho, Hopei Province». Acta Zoologica Sinica. 10 (1): 27–31 
  14. Boxshall, G.A.; Defaye, D., eds. (1993). Pathogens of Wild and Farmed Fish: Sea Lice. [S.l.]: CRC Press. p. 16. ISBN 0-13-015504-7 
  15. Izawa, K. (2008). «Redescription of four species of Kroyeria and Kroeyerina (Copepoda, Siphonostomatoida, Kroyeriidae) infecting Japanese sharks». Crustaceana. 81 (6): 695–724. doi:10.1163/156854008784513465 
  16. Yamaguti, S.; Yamasu, T. (1959). «Parasitic copepods from fishes of Japan with descriptions of 26 new species and remarks on two known species». Biological Journal of Okayama University. 5 (3/4): 89–165 
  17. Froese, Rainer; Pauly, Daniel (eds.) (2011). "Triakis scyllium" em FishBase. Versão maio 2011.
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