Caçada selvagem

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A Caçada selvagem: Asgårdsreien (1872) por Peter Nicolai Arbo

A caçada selvagem é um tema que historicamente ocorre no folclore europeu (ATU E501). Normalmente envolve um grupo fantasmagórico ou sobrenatural de caçadores, vestidos com roupas de caça e acompanhados por cavalos, cães farejadores, etc., em uma perseguição desenfreada pelos céus, através da terra ou acima dela.

Os caçadores podem ser seres fantásticos: elfos, fadas ou espíritos de mortos,[1] e o líder da caçada é muitas vezes uma figura nomeada associada ao deus Woden[2] (ou outras representações do mesmo deus, como o Wuotan alemânico no Wuotis Heer ("Exército de Wuodan") da Suíça Central, Suábia, etc.), mas podem diferentemente ser uma figura histórica ou lendária como Teodorico, o Grande, o rei dinamarquês Valdemar Atterdag, o psicopompo galês Gwyn ap Nudd, figuras bíblicas como Herodes, Caim, Gabriel ou o Diabo, ou uma alma ou espírito perdido não identificado, seja homem ou mulher

Acreditava-se que ver a caça selvagem fosse presságio de alguma catástrofe como guerra ou peste ou, na melhor das hipóteses, a morte de quem a testemunhou.[3] As pessoas que encontrassem a Caçada também poderiam ser sequestradas para o submundo ou para o reino das fadas.[4] Em alguns casos também se acreditava que os espíritos das pessoas eram puxados durante o sono para se juntar à cavalgada.[5]

O conceito foi desenvolvido baseado na mitologia comparada por Jacob Grimm no livro Deutsche Mythologie (1835) como um resquício da tradição germânica pagã, mas mitos populares comparáveis são encontrados em toda a Europa Ocidental, Setentrional e Central.[2] Grimm popularizou o termo Wilde Jagd ("Caçada selvagem") para o fenômeno.

Dados comparativos e terminologia[editar | editar código-fonte]

Com base na abordagem comparativa, no folclore alemão, o fenômeno é muitas vezes referido como Wilde Jagd (alemão: "caçacda/perseguição selvagem") ou Wildes Heer (alemão: "hostes selvagens"). Na Alemanha, onde ele também era conhecido como "Exército Selvagem ", ou "Exército Furioso ", seu líder era identificado com várias entidades, incluindo Wodan (ou "Woden"), Knecht Ruprecht (cf. Krampus), Berchtold (ou Berchta), e Holda (ou "Holle"). A Caçada Selvagem também era conhecida do folclore pós-medieval.[6]

Na Inglaterra, ela era conhecida como Herlaþing (inglês Antigo: "Assembleia de Herla"), Woden Hunt (Caçada de Woden), Herod's Hunt (Caçada de Herodes), Cain's Hunt (Caçada de Caim),[7] Devil's Dandy Dogs (na Cornualha),[8] Gabriel's Hounds (Cães de Gabriel- no norte da Inglaterra),[9] e Ghost Riders (Cavaleiros Fantasmas- América do Norte).[10] No País de Gales, um mito popular semelhante é conhecido como Cŵn Annwn (Galês: "cães de Annwn").

Na Escandinávia, a Caçada Selvagem é conhecida como Oskoreia ou Asgårdsreia (originalmente oskurreia) (norueguês: "cavaleiros ruidosos", "O Passeio de Asgard"),[11] e Odens jakt ou Vilda jakten (sueco: "a caçada de Odin" ou "caçada selvagem").

Na França, era conhecida como Mesnée d'Hellequin (francês antigo: "família de Hellequin"); no Canadá torna-se Chasse-galerie. Na Europa Central eslava ocidental é conhecida como divoký hon ou štvaní (checo: "caça selvagem", "isca"), Dziki Gon ou Dziki Łów (polonês), e Divja jaga (esloveno: "grupo de caça selvagem" ou "caça selvagem"). Outras variações do mesmo mito popular são Caccia Morta ou Caccia selvaggia na Itália; Estantiga (de Hoste Antiga, em galego:, Hostia, Compaña e Santa Compaña, na Galiza; Güestia em Astúrias; Hueste de Animas ("hoste de almas") em León; Hueste de Guerra (hoste de guerra) ou Cortejo de Gente de Muerte na Extremadura e Conde Arnau, na Catalunha.

"A Caçada Selvagem de Wodan" (1882) por Friedrich Wilhelm Heine

Referências culturais[editar | editar código-fonte]

A Caçada Selvagem é tema do Estudo Transcendental nº 8 em Dó Menor, "Wilde Jagd" de Franz Liszt,[12] e aparece na ópera de 1821 Der Freischütz de Karl Maria von Weber[13] e no oratório de Arnold Schönberg Gurre-Lieder, de 1911.[14]

O tema da canção country americana de Stan Jones "Ghost Riders in the Sky", de 1948, que fala sobre caubóis perseguindo o gado do Diabo no céu noturno, lembra o mito europeu.[15] O músico folk sueco The Tallest Man on Earth lançou um álbum em 2010 intitulado The Wild Hunt, e em 2013 a banda de black metal Watain, também sueca, lançou um álbum deo mesmo título

Na série de histórias em quadrinhos de Mike Mignola, Hellboy, duas versões do mito da Caçada estão presentes. Em The Wild Hunt, o herói recebe um convite de nobres britânicos para participar de uma caça gigantesca, "The Wild Hunt", que eles chamam segundo a lenda de "Herne, deus da caçada".[16] Em King Vold, Hellboy encontra o "Rei Vold, o caçador voador" cuja figura é baseada no conto folclórico norueguês "O Caçador Voador (o rei sem cabeça Volmer e seus cães)" de acordo com Mignola..[17]

O filme, The Wild Hunt é um drama de terror canadense de 2009 pelo diretor Alexandre Franchi. A série da MTV Teen Wolf apresenta a Caçada Selvagem como os principais vilões da primeira metade da sexta temporada. Ela leva a lenda um pouco mais além, dizendo que a Caça Selvagem apaga as pessoas de existência, e aqueles tomados pela Caçada tornam-se membros, após eles serem apagados e esquecidos.[18] The Pilots,' do escritor Australiano Tim Winton ' pré-selecionado para o Booker Prize, menciona uma visão de Caçada Selvagem que se torna a base para a própria 'busca selvagem" do protagonista da história.[19]

A Caçada é representada na série de romances de fantasia Wiedźmin de Andrzej Sapkowski e no video game de RPG de 2015 da CD Projekt Red The Witcher 3: Wild Hunt, baseado nos livros, depois de ter sido muito referenciada durante os eventos e flashbacks de The Witcher 2.[20]

A trilogia The Dark Artifices de Cassandra Clare, publicada de 2016 à 2018, e em alguns contos do mesmo universo, contam com algumas aparições da Caçada e seu líder, Gwyn ap Nudd, é um personagem recorrente.

Referências

  1. Katharine M.Briggs, An Encyclopedia of Fairies, Hobgoblins, Brownies, Boogies, and Other Supernatural Creatures, s.v. "Wild Hunt", p 437. ISBN 0-394-73467-X. Katherine M. Briggs, The Fairies in English Tradition and Literature, pp 49–50 University of Chicago Press, London, 1967
  2. a b Schön, Ebbe. (2004). Asa-Tors hammare, Gudar och jättar i tro och tradition (Fält & Hässler, Värnamo). ISBN 91-89660-41-2 pp. 201–205.
  3. See, for example, Chambers's Encyclopaedia, 1901, s.v. "Wild Hunt": "[Gabriel's Hounds]...portend death or calamity to the house over which they hang"; "the cry of the Seven Whistlers... a death omen".
  4. A girl who saw Wild Edric's Ride was warned by her father to put her apron over her head to avoid the sight. Katharine Briggs, An Encyclopedia of Fairies, Hobgoblins, Brownies, Boogies, and Other Supernatural Creatures, "Infringement of fairy privacy", p 233. ISBN 0-394-73467-X
  5. Ronald Hutton, The Pagan Religions of the Ancient British Isles: Their Nature and Legacy, p 307, ISBN 0-631-18946-7
  6. Langer, Johnni (16 de novembro de 2015). Dicionário de mitologia nórdica: Símbolos, mitos e ritos. [S.l.]: hedra. ISBN 9788577154555 
  7. "Na Idade Média, o wild hunt também era chamado de Caim caça, Caim de ser outro progenitor do Judeu Errante": Venécia Newall, "O Judeu como uma bruxa figura", em Katharine Maria Briggs, e Newall, eds. A Bruxa Figura: o Folclore Ensaios de um Grupo de Estudiosos, na Inglaterra, 2004:103.o-f.
  8. Encyclopaedia of the Celts: Devil's Dandy Dogs – Diuran the Rhymer Arquivado em 2006-10-28 no Wayback Machine..
  9. Chamado assim, no norte da Inglaterra, de acordo com Robert Chambers, O Livro dos Dias de hoje: uma mistura de antiguidades populares, vol. II, 1883, sob a expressão "o dia 11 de outubro: Spectre-cães";
    "...Ele muitas vezes vai começar,
    Para sobrecarga, estão varrendo Gabriel Cães,
    Condenado, com seu ímpio senhor, o vôo de hart
    Para perseguir para sempre através de aërial razão," (William Wordsworth), "Apesar de estreita ser que o velho homem se importa" (1807), citado em Edwin Sidney Hartland inglês Fada e Outros Contos, De 1890, "Spectre-Cães"; "de Gabriel cães são gansos selvagens, assim chamado porque seu som em voo é como uma matilha de cães de caça em pleno grito", observa Robert Hendrickson, em Salgado Palavras, 1984:78.
  10. «Ghost Riders in the Sky». Western Folklore. 23. doi:10.2307/1498899 
  11. A origem deste nome é incerto, e a referência para Asgard é considerado uma corrupção por alguns estudiosos (Dano-norueguês de interpretação).
  12. https://www.classicalconnect.com/Piano_Music/Liszt/Transcendental/3991  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  13. http://www.danielmcadam.com/freischutz.html  Em falta ou vazio |título= (ajuda)
  14. Schoenberg and Words: The Modernist Years. [S.l.: s.n.] 
  15. «Ghost Riders In the Sky: The Wild Hunt and the Eternal Stampede» 
  16. Mignola, Mike. Hellboy. Vol. 9: The Wild Hunt. [S.l.: s.n.] ISBN 978-1-59582-431-8 
  17. Mignola, Mike. Hellboy. Vol. 4: The Right Hand of Doom. [S.l.: s.n.] ISBN 978-1-59307-093-9 
  18. «'Teen Wolf' season 6: What is the Wild Hunt and who are the Ghost Riders?» 
  19. The Fiction of Tim Winton: Earthed and Sacred. [S.l.: s.n.] 
  20. «How The Witcher 3 puts misery back into mythology»