Cachalote-pigmeu

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCachalote-pigmeu
Kogia breviceps.jpg
Pygmy sperm whale size.svg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Kogiidae
Género: Kogia
Espécie: K. breviceps
Nome binomial
Kogia breviceps
(de Blainville, 1838)
Distribuição geográfica
Mapa de distribuição do cachalote pigmeu.
Mapa de distribuição do cachalote pigmeu.

O Cachalote-Pigmeu (Kogia breviceps) atinge apenas 4 m de comprimento e é mais comum nos mares austrais, embora também nas águas dos Açores; alimenta-se de cefalópodes e crustáceos.

O tamanho da população é desconhecido mas aparentemente são raros. Nos Açores esta regra também se aplica e quando são observados, normalmente mergulham antes da embarcação poder se aproximar.

Estudos de conteúdos estomacais realizados em animais arrojados demostram que esta espécie se alimenta em profundidade, principalmente de cefalópodes. A maioria dos avistamentos de cachalotes pigmeus são de animais solitários ou em pequenos grupos, normalmente menos de cinco indivíduos. Os nascimentos parecem ocorrer na primavera e verão.

Quando atingem a maturidade sexual ao 3-5 anos de idade, as fêmeas podem reproduzir anualmente. Não é uma espécie fácil de ver no mar pois é de difícil detecção, a não ser que o mar esteja extremamente calmo. No entanto, esta espécie está entre os cetáceos de pequeno porte que arrojam mais frequentemente. Quando são avistados no mar, emergem lentamente e muitas vezes repousam sem qualquer movimento ou bufo visível.

Descrição Geral[editar | editar código-fonte]

O cachalote é caracterizado por uma cabeça muito grande, especialmente nos machos, que normalmente ocupa um terço do comprimento do animal. O nome específico macrocéfalo deriva do grego e significa "cabeça grande". Ao contrário da pele lisa da maioria das outras grandes baleias, a pele na parte de trás do cachalote geralmente é cheia de solavancos e tem sido comparada a uma ameixa seca pelos amantes da observação de baleias. Tem uma cor cinza uniforme, embora possa parecer marrom na luz do sol; também foram observadas baleias brancas albinas. Talvez não surpreendentemente, o cachalote tem o maior e mais pesado cérebro de todos os animais modernos e extintos conhecidos (pesando em média 7 kg em um macho adulto). Apesar disso, o cérebro não é grande comparado ao tamanho do corpo.

Onde ocorre a respiração está localizado muito perto da frente da cabeça e é movido para o lado esquerdo da baleia. Isto dá origem a um sopro frontal de tamanho substancial. O cachalote não tem uma barbatana dorsal verdadeira, mas há uma série de excrescências no terço caudal das costas. O maior foi chamado de "corcunda" pelos baleeiros e sua forma é comumente confundida com a barbatana dorsal.

Também a cauda é triangular e é muito fina. Antes de mergulhar o animal levanta-a por uma altura considerável na superfície da água.

Os cachalotes têm 20 a 26 pares de dentes em forma de cone na mandíbula inferior, cada um com 8 a 20 cm de comprimento. Cada dente pode pesar quase um quilograma. A razão para a presença dos dentes não é conhecida com certeza. Acredita-se que eles não são necessários para comer lula e de fato na natureza foram encontrados cachalotes sem dentes em boa saúde. A opinião científica geral atual é que os dentes são usados ​​na agressão entre machos da mesma espécie. Essa hipótese é motivada pela forma cônica e pelo grande espaço entre um dente e outro. Além disso, os cachalotes masculinos frequentemente mostram cicatrizes que parecem ser causadas pelos dentes de outros machos. Dentes rudimentares estão presentes na mandíbula superior, mas raramente abrem na boca.

Os cachalotes estão entre os cetáceos que mostram um maior dimorfismo sexual (que é uma grande diferença entre machos e fêmeas). Os machos são geralmente 30-50% mais longos que as fêmeas (16-18 m versus 12-14 m) e pesam duas vezes (50 toneladas versus 25 toneladas). Ao nascer, tanto os machos como as fêmeas medem cerca de 4 m de comprimento e pesam 1 tonelada.

Devido à caça intensiva, o tamanho dos cachalotes diminuiu drasticamente, principalmente porque os machos maiores foram mortos primeiro e mais intensamente, já que eram mais ricos em espermacete (o óleo de esperma era de grande valor nos séculos XVIII e XIX. século). No museu de Nantucket existe uma mandíbula de esperma de 5,5 m de comprimento. A mandíbula cresce até 20-25% do comprimento total do cachalote. Então esta baleia poderia ter 28 m de comprimento e pesar cerca de 150 toneladas. Outro teste dos grandes machos do passado está no museu de New Bedford e é uma mandíbula de 5,2 metros de comprimento de um macho que poderia ter medido cerca de 25,6 metros de comprimento e ter uma massa de cerca de 120-130 toneladas. Além disso, os registros a bordo localizados nos museus de Nantucket e Bedford são ricos em referências a machos que, dada a quantidade de óleo obtida a partir deles, tinham aproximadamente o mesmo tamanho desses dois espécimes. Hoje, os cachalotes machos geralmente não ultrapassam 18 m de comprimento e 52 toneladas de peso.Hoje, os cachalotes machos geralmente não excedem 18 m de comprimento e 52 toneladas de peso. Os maiores cachalotes já observados eram comparáveis ​​em tamanho à baleia comum (menor que a baleia azul), o que torna a baleia cachalote a segunda ou terceira maior espécie viva.

Os cachalotes são um excelente exemplo de espécies que adotaram a estratégia K, o que sugere que as espécies se desenvolvem principalmente sob condições ambientais muito estáveis. Essa evolução relativamente "fácil" levou a espécie a ter baixa taxa de natalidade, maturação lenta e alta longevidade. As fêmeas dão à luz uma vez a cada quatro a seis anos e o período de gestação dura pelo menos 12 meses e talvez dure 18 meses. A amamentação dura de dois a três anos. A puberdade dura entre 10 e 20 anos nos homens. Os machos continuam a crescer mesmo aos 30-40 anos e atingem seu tamanho normal por volta dos 50 anos. Os cachalotes vivem até 80 anos.

O cachalote possui alguns registros do mundo natural:

  1. O maior animal com dentes conhecidos.
  2. O maior cérebro de todos os seres vivos da Terra. O cérebro de um cachalote maduro pesa 7 kg e até espécimes existiam com cérebros pesando 9 kg.
  3. O mamífero que mergulha mais fundo (até a profundidade de 2200 metros), prendendo a respiração por mais de 2 horas.
  4. De acordo com um artigo da National Geographic de 2003, o cachalote seria o animal mais ruidoso do mundo. As pressões do cachalote têm um nível de emissão que excede 230 dB a uma pressão de um micro pascal e a uma distância de um metro.[1]

Distribuição[editar | editar código-fonte]

O Cachalote Pigmeu é uma espécie cosmopolita, frequentando águas temperadas, subtropicais  e  tropicais  de  todos  os  oceanos  (Leatherwood  &  Reeves  1983).  O conhecimento da sua distribuição baseia-se, quase exclusivamente, em registos de arrojamentos.

No  Atlântico  Norte,  as  principais  concentrações  localizam-se  na  Costa  Sudeste dos Estados Unidos da América, e para o Atlântico Nordeste a sua presença foi já assinalada em vários pontos da costa europeia: Holanda, Irlanda, França (Duguy 1977, Duguy & Robienau 1982), Espanha (Nores & Perez 1982) e Portugal (incluindo  os  Arquipélagos dos  Açores  e  da  Madeira)  (Maul  &  Sergeant  1977,  Teixeira 1978, Reiner 1981, Martins et al. 1985, Sequeira et al. 1992).

Existem  igualmente  registos  da  sua  presença  na  costa  oeste-africana  (Cadenat 1959), apesar de, tal como se verifica para outros pontos da sua área de distribuição, não existir qualquer tipo de informação sobre efetivos e tendências populacionais.

Considera-se ainda que pode utilizar toda a área da Zona Econômica Exclusiva da Madeira, especialmente junto às ilhas e bancos submarinos.[2]

Habitat[editar | editar código-fonte]

Aparentemente o Cachalote Pigmeu é cosmopolita, habitando águas profundas dos mares temperados, sub-temperados e tropicais.

Podem ser solitários ou formarem pequenos grupos. Por pertencerem a águas oceânicas, dificilmente são visualizadas nas praias do Estado.

População[editar | editar código-fonte]

Não existe qualquer tipo de informação sobre a abundância e o estatuto populacional a nível mundial (Leatherwood & Reeves 1983). Nas áreas onde ocorre regularmente, o Cachalote Pigmeu pode ser observado individualmente ou em pequenos grupos, até 6 animais. A incidência de arrojamentos em algumas regiões, como por exemplo na Florida (EUA) e na África do Sul, sugere que o cachalote-pigmeu é  relativamente  comum localmente  (Reeves  et  al. 2002).

Devido ao seu comportamento pouco conspícuo tem sido considerado comum, inclusive no Arquipélago da Madeira. No entanto, com o maior esforço de observação no mar tem aumentado o número de avistamentos desta espécie, indiciando que  poderá  ser  mais comum  do  que  atualmente  se  julga.  Não  há  informação disponível  sobre  tendência populacional.[2]

Características[editar | editar código-fonte]

Os representantes desta espécie, assim como o Cachalote-Anão, têm características que são comuns aos cachalotes, e daí o seu nome não ultrapassando, no entanto, os 3.5m de comprimento. São animais muito tímidos que evitam a aproximação de embarcações, e o pouco que se sabe da sua biologia advém principalmente de animais arrojados.

Possuem a cabeça quadrangular com um órgão denominado espermacete, relacionado a sua flutuabilidade. Medem de modo geral 4m e tem coloração cinza-azulado escuro no dorso, com ventre mais claro. A boca é uma de suas características mais marcantes, assemelhando-se muito a de um tubarão. Apresenta ainda marcas brancas que dão a impressão de que possuem guelras, nadadeiras peitorais pequenas bem próximas à cabeça, assim como uma pequena nadadeira dorsal. Alimentam-se de lulas, pequenos peixes e crustáceos. São considerados ameaçados de extinção como todos os cetáceos, apesar da deficiência de dados, devido à captura acidental em redes de pesca. Essa espécie tem o peculiar comportamento de flutuar imóvel sobre a superfície da água. Quando ameaçado, pode liberar um líquido intestinal avermelhado que funciona como chamariz para despistar a ameaça. O reconhecimento das da existência de duas espécies de Kogia  é muito recente (1966). É um animal pelágico.[3]

O cachalote é a maior das baleias com dentes, facilmente reconhecido pela sua enorme cabeça quadrada e maxilar inferior estreito. Este mamífero cetáceo pertence à família dos Physeteridae. Os cachalotes pigmeus e anão (Kogia breviceps e K. simus) são os únicos outros membros desse grupo.[4]

Fatores de Ameaça[editar | editar código-fonte]

A captura acidental em artes de pesca e a poluição por organoclorados e metais pesados são  considerados  atualmente  os  principais  fatores  de  ameaça  para esta espécie. Em áreas onde se assiste a um desenvolvimento de atividades de observação  de cetáceos  (e.g.  Madeira),  estas  poderão  constituir-se  como  uma ameaça  potencial para  a  espécie,  pela  perturbação  introduzida  no  habitat  e também pelo perigo de eventuais colisões com embarcações.[2]

Medidas de Conservação[editar | editar código-fonte]

No  Continente  está  em  vigor    legislação  específica  nacional  de  proteção  de mamíferos  marinhos,  bem  como  transposição  e  regulamentação  de  legislação internacional.  O  "Guia  de  Identificação  de  Cetáceos"  (Sequeira  &  Farinha  1998) foi produzido como material de divulgação.[2]

Na  Madeira,  para  além  da  legislação  internacional  em  vigor,  foi  implementada legislação regional de proteção. O Museu da Baleia dinamiza a investigação, a divulgação e sensibilização para a conservação dos cetáceos neste Arquipélago.

No  âmbito  do  "Projeto  para  a  Conservação  dos  Cetáceos  no  Arquipélago  da Madeira", promove-se a avaliação dos efetivos populacionais, estudos de biologia e ecologia, bem como a avaliação das principais ameaças no sentido de apresentar às entidades  competentes  propostas  de  novas  medidas  de  conservação  e campanhas de  educação  e  sensibilização  ambiental.  Uma  das  medidas  de conservação atualmente  em  processo  de  implementação  é  o  regulamento  de adesão voluntária para as embarcações comerciais de observação de cetáceos no  sentido  de  minimizar  o impacto  desta  atividade  na  Região  Autônoma  da Madeira. Igualmente no âmbito daquele projeto, está a ser preparado um plano de monitorização das populações de cetáceos a longo prazo.[2]

Ciclo de Vida[editar | editar código-fonte]

Os cachalotes atingem a maturidade sexual entre os 7 e 13 anos de idade e a maturidade física entre os 25 e 45 anos. Depois de um período de gestação entre os 15 e 16 meses, a fêmea dá à luz só uma cria, que fica com a mãe por vários anos até alcançar a maturidade. Há registros de que chegam a viver até 62 anos.

Os cachalotes são comercialmente valiosos e têm sido caçados por vários séculos. A baleia branca do romance de Herman Melville, Moby Dick (1851), é provavelmente uma baleia cachalote albina.[4]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Os Cachalotes Pigmeus são avistado em zonas temperadas quentes e tropicais, normalmente oceânicas, em todo o mundo. Parecem preferir águas mais temperadas que os cachalotes anões, que são avistados em águas mais tropicais. É muito difícil distinguir entre estas duas espécies no mar. Os cachalotes pigmeus são maiores, e a barbatana dorsal é mais pequena, redonda e encontra-se numa posição mais posterior no dorso.

Devido à dificuldade de detectar esta espécie no mar, não é uma espécie frequente nos Açores. No entanto, todos os anos, temos um ou dois avistamentos de cachalotes pigmeus, principalmente em Julho e Agosto, apesar de já terem sido vistos entre Maio e Outubro. Todos os avistamentos ocorreram em dia de mar chão (muito calmo).

Podem apenas submergir lentamente, ou arquear um pouco dorso se se assustarem com alguma embarcação ou qualquer outra coisa. Normalmente, quando assustados expelem um fluido de cor castanho-avermelhado, que mimetiza a tinta dos chocos, para poderem escapar, sem serem detectados.[5]

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Referências[editar | editar código-fonte]

1.https://it.wikipedia.org/wiki/Physeter_macrocephalus

2. http://kazor-pt.blogspot.com/2011/09/kogia-breviceps-cachalote-pigmeu.html

3. https://www.ufrgs.br/faunadigitalrs/mamiferos/ordem-cetartiodactyla/familia-kogidae/cachalote-pigmeu-kogia-breviceps/

4.https://www.espacotalassa.com/pt-pt/cetaceos/cachalote-pygmeu/

5..https://escola.britannica.com.br/levels/fundamental/article/cachalote/574445

  1. «Physeter macrocephalus». Wikipedia (em italiano). 31 de agosto de 2018 
  2. a b c d e Cardoso, José (sábado, 24 de setembro de 2011). «Um açoriano no Litoral Alentejano: Kogia breviceps, Cachalote-pigmeu». Um açoriano no Litoral Alentejano. Consultado em 20 de setembro de 2018.  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. «Cachalote pigmeu (Kogia breviceps) - Fauna Digital do Rio Grande do Sul». Fauna Digital do Rio Grande do Sul 
  4. a b «Cachalote pygmeu - Observação de cetáceos pelo Espaço Talassa». Espaço Talassa 
  5. «cachalote -- Britannica Escola». escola.britannica.com.br. Consultado em 18 de outubro de 2018.