Cachorro-vinagre

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaCachorro-vinagre
Bush Dog (Speothos venaticus) (Captive specimen) (39662598515).jpg
Estado de conservação
Quase ameaçada
Quase ameaçada (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Família: Canidae
Género: Speothos
Espécie: S. venaticus[2]
Nome binomial
Speothos venaticus
Lund, 1842
Distribuição geográfica
Bush Dog area.png

O cachorro-vinagre (nome científico: Speothos venaticus), também conhecido como cachorro-do-mato-vinagre[3], janauí ou januara na Amazônia e jaracambé ou aracambé no Brasil meridional[4], é um canídeo nativo da América do Sul, que é encontrado em florestas da Amazônia. Esses animais são extremamente adaptados a ambientes aquáticos, conseguindo mergulhar e nadar com notável facilidade. Em consequência dessa característica, os cachorros-vinagre são classificados como animais semiaquáticos. [5]

Segundo a União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais, o cachorro-vinagre é uma espécie “quase ameaçada”.  A espécie encontra-se nessas condições por conta do isolamento e da esparsa densidade das suas populações. Além disso, um outro fator agravante é a destruição do seu habitat.[5]

Os cachorros-vinagre geralmente vivem e caçam em bandos de até dez indivíduos, esses animais apresentam ainda uma estrutura social expressivamente hierarquizada. E assim como os lobos-cinzentos, a comunicação entre o grupo é feita por meio de latidos. [5]

Os primeiros registros escritos da espécie são de 1842, e essa informação se obteve através de fósseis encontrados em cavernas brasileiras. Posteriormente à descoberta, animais vivos também foram descobertos.  A caça do cachorro-vinagre não tinha como interesse ganhos econômicos, e pelo que se sabe até então, algumas tribos de nativos brasileiros os tinham como animais de estimação.  [5]

Características físicas[editar | editar código-fonte]

O cachorro-vinagre tem a coloração castanho avermelhada, sendo o dorso mais claro que o resto do corpo. A cabeça, por sua vez, apresenta coloração mais clara, podendo estender-se até a metade do dorso. As orelhas arredondadas, as pernas e cauda curtas são as características que o distinguem dos demais canídeos brasileiros. Além disso, esses animais apresentam membranas interdigitais que possibilitam seu hábito semi-aquático.[6]

Convívio social[editar | editar código-fonte]

Ao observar um grupo de seis indíviduos, Macdonald (1996) concluiu que a sociabilidade desses animais é compulsiva, tendo como base a quantidade de comportamentos tipicamente afiliativos, tais como: dormirem em contato, uns com outros; deslocarem-se, majoritariamente, em filas indianas e o surpreendente fato de se alimentarem juntos apresentando mínima agressividade uns com os outros. Além disso, observou-se que os atos de um membro dependiam diretamente do que os outros membros do grupo fariam. Por exemplo, caso um dos indivíduos decidir levantar-se após o período de descanso e nenhum dos outros membros do grupo o seguir (preferencialmente em fila indiana), o mesmo retornaria ao grupo e iniciaria a tentativa de incitar os movimentos dos seus similares. [4]

Quando tratamos da relação familiar, há clara dominância dos pais sobre os outros componentes do grupo. Essa dominância é respeitada a ponto de, caso uma a fêmea dominante se reproduza, todos os outros animais do grupo apresentarão comportamentos alo-parentais. Inclusive, um desses eventos pôde ser observado na Amazônia peruana, onde um jovem cachorro-vinagre cuidava de um filhote enquanto os adultos forrageavam a área. [4]

A relação familiar entre esses animais é intensa a ponto de influenciar o ciclo reprodutivo: fêmeas que são criadas como ambos os pais não entram no estado de estro, e só começam a ciclar quando pareadas com um macho. Esse fenômeno ocorre apenas em mamíferos monogâmicos que vivem em grupos familiares. [4]

Kleiman (1972) observou que, ao contrário de outras espécies, o cachorro-vinagre consegue viver pacificamente com animais familiares do mesmo sexo. Por outro lado, ao serem postos lado a lado com animais não-familiares esboçaram reações completamente opostas, tais como: lutas imediatas e violentas. [4]

Devido ao hábito de viver em grupos, o Speothos é capaz de emitir uma série de chamados de contato, com o intuito de expressar e emitir o estado motivacional do emissor. Essa característica evolutiva pode ter se originado pela necessidade de comunicação entre os indivíduos de um determinado grupo em ambientes onde há dificuldades de manter-se o contato visual. Outro mecanismo utilizado é a urina especializada para cada um dos sexos, que são utilizados tanto como sinais olfativos quanto visuais. [4]

A submissão do grupo em relação ao casal dominante já foi citada anteriormente, e um sinal característico de submissão expressado por esses animais é conhecido como “sorriso de submissão”, que no caso dos cachorros-vinagre se estende de canto a canto da boca de forma exagerada.[4]

Gestação[editar | editar código-fonte]

A gestação do cachorro-vinagre dura em média 67 dias, resultando em quatro a cinco filhotes. Quando está prenha, a fêmea tem preferência por tocas de tatu. Geralmente a ocupação dessas tocas é feita de forma compulsória, ou seja, a fêmea expulsa o tatu - ou qualquer outro animal - que estiver ocupando a toca. O que revela o caráter corajoso da espécie. A expectativa de vida do Speothos venaticus é de, em média, 10 anos. [7]

A maioria dos canídeos observados apresentam ciclos de reprodução sazonais, mas para a fêmea da espécie (Speothos venaticus), o ciclo sexual é o monoestral.[4] Ou seja, só vão realização a ovocitação/ovulação duas vezes ao ano, o mesmo ocorre com animais da espécie Canis lupus familiares.[8]

Caça e hábitos alimentares[editar | editar código-fonte]

Dentre os canídeos, o cachorro-vinagre é o único que caça em grupos. [4]

O Speothos venaticus, assim como a maioria dos carnívoros, tem uma dentição especializada para que a alimentação seja facilitada. O hábito de caçar em bando possibilita ao cachorro-vinagre capturar presas muito maiores que eles mesmos.[4]

Devido a sua condição semiaquática, o cachorro-vinagre pode capturar suas presas tanto na terra, quanto na água. Pesquisadores observaram ainda que em determinadas situações, parte do grupo se divide com o intuito de perseguir a presa por terra, enquanto a outra parte do grupo entra na água. Devido a essa especialização da espécie, o animal consegue capturar e matar a paca – que, por sua vez, tende a se refugiar dos predadores entrando na água. [4] Pôde-se notar que enquanto os outros canídeos pequenos têm hábitos de caça noturnos, o cachorro-vinagre é ativo durante o dia. Já os canídeos grandes têm hábitos noturnos e diurnos. [4]

Dieta[editar | editar código-fonte]

A dieta do cachorro-vinagre é exclusivamente carnívora. No Pantanal e no Cerrado, a principal presa é o tatu-galinha (Dasypus novemcinctus). Existem pesquisadores que dizem, ainda, que a principal presa do animal é a paca, (Agouti paca) e outros roedores de médio porte, como as cutias (Dasyprocta spp. e Myoprocta spp).[6]

Os cachorros-vinagre podem predar animais de grande porte também, como é o caso dos veados, catetos e tatus. Essa informação foi obtida após pesquisadores encontrarem fezes do cachorro-vinage, que continham pêlos de quati, cutia e roedores menores. E penas semelhantes às dos tinamídeos, aves terrestres comuns na área. O local onde as amostras de fezes foram encontradas é a Amazônia Peruana. [6]

Avaliação de risco de extinção[editar | editar código-fonte]

Cerrado[editar | editar código-fonte]

Baseando-se em análises quantitativas através de modelagem de viabilidade populacional (VORTEX), parâmetros biológicos e demográficos, além de informações do leste do Mato Grosso, chegou-se à conclusão de que provavelmente, em 100 anos haverá ocorrido a extinção de 100% da espécie. Os fatores observados, tais como: alta mortalidade em decorrência de doenças, principalmente sarna sarcóptica, e o abate por cães domésticos ou pessoas. [6]

Em consequência dos dados obtidos, a espécie foi considerada Em Perigo (EN) nesse bioma.[6]

Mata Atlântica[editar | editar código-fonte]

Na Mata Atlântica a situação é ainda mais crítica, sendo os únicos registros da espécie dos estados de São Paulo e Paraná. O tamanho efetivo da população nessa área é de 178 indivíduos, perdendo apenas para as outras duas maiores subpopulações da espécie no bioma, que são, respectivamente: a do fragmento de Paranapiacaba (SP) e a do Parque Nacional do Iguaçu (PR), não passando de 50 indivíduos adultos da espécie em cada.[6]

Amazônia e Pantanal[editar | editar código-fonte]

Tanto na Amazônia, quanto no Pantanal, a espécie apresenta melhores condições. Foram calculadas, com base em áreas de vida de grupos monitorados, o tamanho efetivo da população nestas áreas, e chegou-se ao número estimado de 8.813 indivíduos na Amazônia e 367 no Pantanal. A espécie foi considerada vulnerável na Amazônia, baseando-se no critério C1. Já no Pantanal, devido a taxa de desmatamento superior a 10% durante o período de 18 anos – o que compreende a 3 gerações – , e o aumento da mortalidade da espécie, ocasionado por doenças e abate por cães domésticos e seres “humanos”, a espécie foi considerada vulnerável (VU) pelos critérios C2a(i) e D1.[6]

Categoria de Risco Estado Pesquisa realizada por: Ano
Considerada Vulnerável (CV) Paraná IAP - Instituto Ambiental do Paraná 2010
Criticamente em Perigo (CR) A2ac Minas Gerais COPAM - Conselho Estadual de Política Ambiental 2010
Dados Insuficientes (DD) São Paulo -- 2010

Nas avaliações feitas nos anos de 1982, 1986, 1988, 1990, 1994, 1996 e 2004, a espécie foi considerada vulnerável (VU).[6]

Distribuição geográfica e subespécies[editar | editar código-fonte]

O speothos venaticus está presente desde o Panamá até o sul do Brasil, especificamente no norte do Pará. A espécie também está presente no Paraguai, no norte da Argentina, oeste da Bolívia, Peru e Equador. Nos estados do Amapá, Pará, Maranhão e Tocantins há uma ampla distribuição da espécie. [6]

As subespécies encontradas são:

  • S. v. venaticus:  Interior das Guianas, norte e centro do Brasil até Mato Grosso, nordeste do Peru, leste do Equador, leste da Bolívia e norte do Paraguai e localidade tipo em Lagoa Santa, MG.[6]
  • S. v. wingei: Sudeste do Brasil.[6]
  • S.v. panamensis: Noroeste da América do Sul.[6]
Locais de conhecidos em cada estado:
Estado Cidade
Amazonas Boca do Acre
Bahia Porto Seguro
Ceará Aratuba
Maranhão Terras Indígenas a e b, Terra Indígena Caru, , local próximo a Nova Vida (Buriticupu), Nova Olinda, Miritiua, próximo ao Rio Uru, Terra Indígena Pindaré, Vila Nova dos Martírios (Bico do Papagaio), Pirapema, Conceição do Lago Açu, local próximo a Bacabal, Chapada Limpa, local próximo a Papagaio (Barra do Corda), Gerais de Balsas, Rio Pedra Furada na Serra do Penitente.
Mato Grosso Alta Floresta, RPPN SESC Pantanal da Nhecolândia
Pará Igarapé
São Paulo Parque Estadual Carlos Botelho.
Paraná APA de Guaraqueçaba

Ameaças à espécie[editar | editar código-fonte]

A principal ameaça à continuidade da existência da espécie é a perda e degradação do seu habitat causadas pelo desmatamento, exploração madeireira. Alem dos fatores citados anteriormente, existem outros fatores que influenciam diretamente na diminuição da população, tais como:

Adensamento humano;

Caça direcionada à espécies que servem como presas para a espécie - o que, consequentemente, acaba diminuindo a quantidade de alimento disponível;

Atropelamentos - devido ao crescimento da população humana em seu habitat, os atropelamentos passaram a ser recorrentes;

Doenças - raiva, parvovirose, sarna sarcóptica - que são transmitidas pelo contato com animais domésticos. [6]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. DeMatteo, K., Michalski , F. & Leite-Pitman, M.R.P. (2011). Speothos venaticus (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de 2012 Versão 2. Página visitada em 30 de novembro de 2012.
  2. Wozencraft, W.C. (2005). Wilson, D.E.; Reeder, D.M. (eds.), ed. Mammal Species of the World 3 ed. Baltimore: Johns Hopkins University Press. ISBN 978-0-8018-8221-0. OCLC 62265494 
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.308
  4. a b c d e f g h i j k l Beisiegel, Beatriz (1999). «Contribuição ao estudo da história natural do cachorro do mato, Cerdocyon thous, e do cachorro vinagre, Speothos venaticus». Universidade de São Paulo. Consultado em 7 de novembro de 2018 
  5. a b c d «Mamíferos em extinção». Portal Amazônia. Consultado em 3 de dezembro de 2018 
  6. a b c d e f g h i j k l m Jorge, Rodrigo Pinto Silva; Beisiegel, Beatriz de Mello; Lima, Edson de Souza; Jorge, Maria Luisa da Silva Pinto; Leite-Pitman, Maria Renata Pereira; Paula, Rogério Cunha de (30 de junho de 2013). «Avaliação do risco de extinção do cachorro-vinagre Speothos venaticus (Lund, 1842) no Brasil». Biodiversidade Brasileira. 0 (1): 179–190. ISSN 2236-2886 
  7. «Cachorro Vinagre». Portal São Francisco. Consultado em 8 de novembro de 2018 
  8. Almeida, Jorge Mamede de (1 jan, 1999). Embriologia Veterinária Comparada. [S.l.]: Guanabara Koogan  Verifique data em: |ano= (ajuda);

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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