Caio Hostílio Mancino

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Caio Hostílio Mancino
Cônsul da República Romana
Consulado 137 a.C.

Caio Hostílio Mancino (em latim: Gaius Hostilius Mancinus ) foi um político da gente Hostília da República Romana eleito cônsul em 137 a.C. com Marco Emílio Lépido Porcina. Era filho de Aulo Hostílio Mancino, cônsul em 170 a.C. e provavelmente irmão do cônsul de 145 a.C., Lúcio Hostílio Mancino.

Campanha na Guerra Numantina[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Guerra Numantina
Mapa da conquista da Hispânia mostrando a posição de Numância, onde atuou Caio Hostílio Mancino

Em 140 a.C., Mancino foi nomeado pretor e, no ano seguinte, já como propretor, o Senado enviou-o à Hispânia Citerior com ordens de esmagar os numantinos que estava em revolta. Em 137 a.C., foi eleito cônsul com Marco Emílio Lépido Porcina, obtendo a administração proconsular da província da Hispânia Citerior, enquanto ao seu companheiro lhe correspondeu a Hispânia Ulterior.

Com esta nomeação, substituiu Quinto Pompeu Aulo e Marco Popílio Lenas, que tentaram sem sucesso vencer os numantinos. Independentemente do péssimo precedente, com Hostílio a situação piorou ainda mais, pois ele foi derrotado em todos os combates contra os rebeldes. Numa ocasião, os numantinos saíram de Numância, que estava cercada, e conseguiram cercar acampamento romano, obrigando Mancino a aceitar um tratado muito desfavorável aos interesses romanos — que poderia ter sido ainda muito pior se não estivesse presente o seu questor, Tibério Graco[1] — para salvar a vida dos 20 000 soldados sob as suas ordens e a sua própria.

Punição[editar | editar código-fonte]

Enquanto o povo romano recebeu Graco como um herói, Mancino acabou imputado pelo senado, que rejeitou o acordo firmado por ele. Cipião Emiliano salvou Graco e outros militares do mesmo destino do comandante, que os senadores enviaram a Numância para responder por que o seu tratado não seria cumprido, repetindo o que já havia sido feito quase 100 anos antes, quando, depois da derrota na Batalha das Forcas Caudinas (321 a.C.), os vinte comandantes responsáveis pelo desastre foram entregues aos samnitas.[2]

Segundo Apiano, Hostílio foi levado a Numância, mas os numantinos se recusaram a ficar com ele.[3] Quando retornou a Roma, Hostílio retomou o seu assento no Senado, mas foi expulso violentamente pelo tribuno da plebe Públio Rutílio, que afirmou que ele havia perdido a cidadania romana ao ser entregue a Numância, que, ao não ser efetivada, provocou um conflito jurídico. No final, decidiu-se que ele perderia pelo menos os seus direitos civis. Contudo, é provável que ele os tenha recuperado posteriormente, pois sabe-se, por Aurélio Vítor, que ele foi eleito pretor depois.[4] Por causa de sua desastrosa campanha em território hispânico, Plutarco o descreveu assim:

Varão não vituperável, mas o general mais infeliz de todos os romanos.
 
Plutarco, Vida de Tibério Greaco, 5.1[5].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Cônsul da República Romana
SPQR.svg
Precedido por:
'Públio Cornélio Cipião Násica Serapião

com Décimo Júnio Bruto Galaico

Marco Emílio Lépido Porcina
137 a.C.

com Caio Hostílio Mancino

Sucedido por:
'Lúcio Fúrio Filo

com Sexto Atílio Serrano


Referências

  1. Plutarco, Tibério Graco 5.4.
  2. Plutarco, Tibério Graco, 7.2-3.
  3. Apiano, História Romana, Sect. 83.
  4. Aurélio Vítor, Vir. Chustr. 59
  5. Plutarco, Tibério Graco 5,1.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Broughton, T. Robert S. (1951). The Magistrates of the Roman Republic. Volume I, 509 B.C. - 100 B.C. (em inglês). I, número XV. Nova Iorque: The American Philological Association. 578 páginas 
  • (em alemão) Petrus C. Nadig: [8] H. Mancinus, C.. In: Der Neue Pauly (DNP). Volume 5, Metzler, Stuttgart 1998, ISBN 3-476-01475-4, Pg. 746–747.