Caio Suetônio Paulino

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Caio Suetonio Paulino foi um político e general romano que viveu no século I. É conhecido por ser o comandante que derrotou a revolta encabeçada pela rainha Boudica.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Tendo sido pretor, foi destinado à Mauritânia em 42 na qualidade de legado com ordem de suprimir uma revolta. Foi o primeiro romano que cruzou a cordilheira do Atlas. Plínio, o Velho descreve a sua histórica marcha na sua obra Naturalis Historia.

Em 59 foi designado governador da Britânia, em substituição de Quinto Verânio. Paulino continuou a agressiva política de Verânio, subjugando as tribos assentadas no território do atual Gales, e durante os seus dois primeiros anos no cargo teve sucesso. A sua reputação como general rivalizava com a de Cneu Domício Córbulo. Sob as suas ordens serviram dois futuros governadores da província: Quinto Petílio Cerial como legado da Legio IX Hispanica, e Cneu Júlio Agrícola como tribuno militar da Legio II Augusta.

Em 61 Suetônio assediou a ilha de Man ou Mona (Anglesey), que constituía o refúgio central dos druidas fugitivos da ilha e exercia como a sua capital. As tribos do sudeste aproveitaram a ausência do general e rebelaram-se liderados pela rainha Boudica dos icenos. A destruição da colônia romana situada em Camuloduno (Colchester) obrigou a legião dirigida por Petílio Cerial a regressar. Após arrasar a ilha de Man, Suetônio marchou através da estrada construída sobre o território de Watling Street para Londínio (Londres), o próximo objetivo dos rebeldes. Contudo, os romanos julgaram que careciam de suficientes tropas para defender a cidade e ordenaram a sua evacuação. À sua chegada, os rebeldes destruíram-na e fizeram o mesmo com Verulâmio (Santo Albano).

Suetônio reagrupou as tropas da XIV Gemina, alguns destacamentos da XX Valeria Victrix e um grande número de tropas auxiliares. A II Augusta, acampada em Exeter, era disponível, mas o seu prefeito, Poênio Póstumo, decidiu não levar em conta a chamada. Contudo, Suetônio foi capaz de reunir uma considerável força, composta por cerca de dez mil homens, em minoria com referência às tropas de Boudica (100 000 homens segundo Tácito e 230 000 segundo Dião Cássio). Os dois exércitos enfrentaram-se num lugar desconhecido nas imediações de um desfiladeiro, provavelmente na região de Midlands do Oeste, na que foi chamada depois a Batalha de Watling Street. Durante a batalha, a tática e a disciplina das legiões romanas triunfaram sobre as hordas britanas. A fuga dos britanos viu-se dificultada pela presença das suas próprias famílias e os seus carros, que acamparam num anel em torno do campo de batalha, e portanto converteu-se num autêntico massacre. Tácito estima as baixas dos britanos ao redor de 80 000 homens comparado com os 400 romanos. A própria Boudica envenenou-se e Póstumo suicidou-se ao dar-se conta que negara aos seus homens a sua parte da vitória.

Após a grande vitória, Suetônio reagrupou o seu exército, reforçado por legionários e alguns auxiliares de diferente nacionalidade, e iniciou uma série de expedições de castigo pelo território das tribos que apoiaram a rebelião de Boudica. O novo procurator da província, Caio Júlio Alpino Classiciano informou ao imperador Nero que as atividades de Paulino estavam destinadas a continuar as hostilidades e foi criado um processo contra o governador dirigido pelo liberto Policlito. Os investigadores, utilizando como desculpa a perda de uns barcos, depuseram Paulino e substituíram-no pelo mais conciliador Públio Petrônio Turpiliano.

Suetônio foi designado consul ordinarius em 66. Em 69, durante o ano de guerras civis que seguiram à morte de Nero (conhecido como o ano dos quatro imperadores), Suetônio uniu-se a Otão e foi designado comandante e conselheiro militar. Ele e Públio Mário Celso derrotaram um dos generais de Vitélio, Aulo Cecina Alieno nas imediações de Cremona. Porém, Suetônio não foi capaz de seguir as suas tropas e foi acusado de traição. Quando o exército de Cecina se uniu às tropas de Fábio Valente, Suetônio aconselhou a Otão evitar a batalha, mas não foi escutado, resultando na decisiva derrota do imperador em Bedriacum. Suetônio foi capturado por Vitélio após a derrota, mas obteve o perdão do novo imperador ao afirmar que conduzira deliberadamente para a derrota de Otão, embora isto provavelmente fosse incerto.

Precedido por:
Aulo Licínio Nerva Siliano e Marco Júlio Vestino Ático
Cônsul do Império Romano junto a Caio Luccio Telesino
66
Sucedido por:
Lúcio Júlio Rufo e Fonteyo Capito
Precedido por:
Quinto Verânio
Governador da Província Romana da Britania
5862
Sucedido por:
Públio Petrônio Turpiliano

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Fontes primárias[editar | editar código-fonte]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]