Cair Niça Begum

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Cair Niça Begum
Rainha consorte do Império Safávida
Reinado fevereiro de 1578-26 de julho de 1579
 
Descendência Abas I
Casa Safávida (casamento)
  Caspim, Império Safávida
Pai Mir Abdulá Cã II
Religião islamismo

Cair Niça Begum (Khayr al-Nisa Begum; m. 26 de julho de 1579), conhecido pelo título de Madi Ulia (Mahd-i Ulya, "do berço melhor qualificado") foi princesa iraniana mazandarani do Principado Marachida, que era esposa do Maomé Codabanda (r. 1578–1587) e mãe de Abas I. Na primeira parte do reinado de seu marido ela foi figura política poderosa em seu próprio direito e governou a Pérsia de facto entre fevereiro de 1578 e julho de 1579.[1]

Vida[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Tamaspe I (r. 1524–1576)
Abas I (r. 1588–1629)

Cair era filha de Mir Abdulá Cã II, o governante marachida da província de Tabaristão, que alegou descender do quarta imame xiita Ali ibne Huceine,[2] cuja família governou a região desde meados do século XIV. Em 1565-6, fugiu à corte safávida após seu primo Mir Sultão-Murade Cã matou seu pai. Lá, casou-se com o filho do Tamaspe I (r. 1524–1576), Maomé Codabanda. O desejo de vingar-se pelo assassino de seu pai foi mantido por toda sua vida.[3]

Governo[editar | editar código-fonte]

Em 1578, à morte de seu irmão Ismail II, Codabanda tornou-se xá. Maomé foi governante fraco e a principal mulher na corte, sua irmã Pari Cã Canum (que aliou-se com as poderosas fações quizilbaches do exército) acreditou que podia facilmente controlá-lo. Do dia que Maomé foi nomeado rei, Cair tomou controle de seus assuntos. Ela estava ciente da deficiência do marido e para reparar sua falta de retidão e qualidade resolveu tentar tornar-se a governante do Império Safávida. Maomé e ela chegaram as cercanias de Caspim em 12 de fevereiro de 1578. Isso causou o fim do governo indisputado que Pari Cã gozou por dois meses e 22 dias. Embora ainda fosse a monarca efetiva, encontrou oposição de Cair e seus aliados. Quando alcançaram a cidade, Pari recebeu-os com grandeza e desfile, sentada numa liteira dourada, enquanto era protegida por 4 000-5 000 guardas privado assistentes pessoais internos do harém e atendentes cortesãos.[4]

Cair foi continuamente informada nas recepções sociais ocorridas em Caspim da grande quantidade de influência e poder que Pari mantinha, assim ratificando o que ela já havia dito a Mirza Salmane Jaberi, antigo vizir de Ismail II. Ela então percebeu que enquanto Pari estivesse viva, ela não seria capaz de controlar os assuntos do Império Safávida e tornar-se governante de facto do país. Ela então começou a planejar a morte de sua rival. A ordem foi cumprida em 12 de fevereiro de 1578, quando Calil Cã Afchar, que havia servido como tutor de Pari durante o reinado de Tamaspe, estrangulou-a até a morte.[4] O poderoso tio de Pari, Xamcal Sultão, foi executado pouco depois, enquanto o filho infante de Ismail II, Xoja Adim Maomé Safavi, foi assassinado.[2]

Cair agora assumiu controle efetivo da Pérsia. Ela se manteve informada de todas as questões políticas no país e criou sua própria rede de apoio ao nomear amigos e parentes a postos importantes. Ela favoreceu os "tajiques" (persas) em vez dos quizilbaches. Seu principal objetivo era promover a carreira de seu filho mais velho Hâmeza (às custas de seu irmão Abas) e procurar vingança para seu pai. Uma vez que o assassino já havia morrido, ela voltou sua atenção para seu filho Hâmeza. Líderes quizilbaches fizeram a Mirza uma promessa de salvo-contudo, mas quando estava viajando à capital, os apoiantes capturaram e mataram ele.[2][5]

Queda[editar | editar código-fonte]

Irritado com as ações da rainha, os quizilbaches enviaram petição ao xá solicitando que removesse-a do poder ou enfrentar revoltas. O xá considerou enviá-la ao exílio, mas ela se recusou a acatar suas exigências. Finalmente, grupo de conspiradores quizilbaches acusou a rainha de ter uma relação amorosa com Adil Girai, irmão do cã tártaro da Crimeia, que estava em cativeiro na corte safávida. Eles entraram no harém e estrangularam ela e sua mãe em 26 de julho de 1579.[6][7]

Referências

  1. Nashat 2003, p. 146, 158.
  2. a b c Savory 2007, p. 71.
  3. Nashat 2003, p. 158.
  4. a b Parsadust 2009.
  5. Nashat 2003, p. 159.
  6. Savory 2007, p. 71-73.
  7. Roemer 1986, p. 254.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Nashat, Guity; Beck, Lois (2003). Women in Iran from the Rise of Islam to 1800. Champaign, Illinois: University of Illinois Press. ISBN 978-0252071218 
  • Roemer, H.R. (1986). «The Safavid Period». In: Peter, Jackson; Lockhart, Laurence. The Cambridge History of Iran Vol. 6 - The Timurid and Safavid Periods. Cambridge: Cambridge University Press 
  • Savory, Roger (2007). Iran under the Safavids. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0521042518