Calcário

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Calcário (do latim calx (gen. calicis) ou calcariu, "cal") é uma rocha sedimentar que contém minerais com quantidades acima de 30% de carbonato de cálcio (aragonita ou calcita). Quando o mineral predominante é a dolomita (CaMg{CO3}2 ou CaCO3•MgCO3) a rocha calcária é denominada calcário dolomítico.

As principais impurezas que o calcário contém são as sílicas, argilas, fosfatos, carbonato de magnésio, gipso, glauconita, fluorita, óxidos de ferro e magnésio, sulfetos, siderita,sulfato de ferro dolomita e matéria orgânica, entre outros.


Calcários são rochas formadas a partir do mineral calcita, cuja composição química é o carbonato de cálcio. A procedência do carbonato pode variar, desde fósseis de carapaças e esqueletos calcários de organismos vivos, que compõem os calcários fossilíferos, até por precipitação química.

Recifes de corais, conchas de moluscos, algas calcárias, equinodermas, briozoários, foraminíferos e protozoários são os principais responsáveis pelos depósitos provenientes de organismos sintetizantes do carbonato dissolvido em meio aquoso. Esses depósitos são gerados em ambiente marinho raso, de águas quentes, calmas e transparentes. Os organismos morrem e suas conchas e estruturas calcárias vão se depositando no local. 

No caso da precipitação química, o carbonato dissolvido na água se cristaliza e não tem, portanto, nenhum vínculo com carapaças de organismos.

Quanto à nomenclatura, existem várias possibilidades. No diagrama ao lado, é considerada a classificação composicional de rochas que contenham pelo menos 50% de carbonato em sua composição.

Existem outras classificações de acordo com aspectos texturais dos carbonatos, baseadas no tamanho e tipo dos grãos.

Quanto a nomenclatura, na classificação de Folk (1959), o arcabouço fornece o prefixo do nome da rocha: oo (para oóide), bio (para fósseis), pel (para pelotilhas) e intra (para intraclastos). O carbonato intersticial fornece o sufixo do nome da rocha: micrito (para matriz lamítica calcária, com ambiente de deposição calmo) e esparito (cristais de carbonato, maiores que 30 mm, precipitado em calcarenito de alta energia.

A tabela abaixo refere-se ao sistema classificatório de rochas carbonáticas desenvolvida em 1959 por Folk, em  Suguio (1980).

Intraclastos Intraesparito
Intramicrito
Oóides Ooesparito
Oomicrito
Bioclastos Bioesparito
Biomicrito
Pelotilhas Pelesparito
Pelmicrito

Dunham (1962) em  Suguio (1980), propôs uma classificação onde deu destaque às texturas deposicionais, como mostra a tabela abaixo:

Textura deposicional reconhecível Textura deposicional não reconhecível
componentes originais não ligados à deposição componentes originais ligados à deposição carbonato cristalino
contém lama (matriz)

argila/silte

sem lama

(grão-suportado)

suportado por matriz (fino) arcabouço

(grosseiro)

<10% >10%
Mudstone Wackestone Packstone Grainstone Boundstone
*clique sobre as fotos para ampliá-las (fotos de  http://www.science.ubc.ca/)

Existe também a classificação de Embry e Klovan  (1971) em Suguio (1980), onde os calcários são divididos em Mudstone, Wackestone, Packstone, Grainstone, Floatstone, Rudstone e Boundstone, respectivamente, como mostra a tabela abaixo:

Calcários alóctonos Calcários autóctonos
< 10% dos componentes maiores que 2mm >10% dos componentes com mais de 2mm organismo constróem um arcabouço rígido
contém lama calcária <0,005mm suportado pela matriz suportado por componentes maiores que 2mm Calcário cristalino
sup. pela lama sup. por  grãos
<10% >10% sem lama
Mudstone Wackestone Packstone Grainstone Floatstone Rudstone Boundstone
*clique sobre as fotos para ampliá-las (fotos de  http://www.science.ubc.ca/)

A classificação adotada pela Petrobrás especifica os grãos aloquímicos e variações na constituição mineralógica da rocha, como mostra a tabela abaixo. As figuras referentes à esta classificação podem ser visualizadas na galeria de fotos.

Arcabouço Granulometria Razão matriz-cimento Grãos aloquímica Variações
suportada pelos grãos -calcirrudito (>2mm)

-calcarenito (2mm a 0,062mm)

-micrito

-micrito/espático

-espático

-oolítico

-oncolítico -bioclástico -intraclástico -peletoidal -peloidal

-dolomitizado

-silicificado -recristalizado -fosfatizado -com pirita -glauconita -grãos de... -quartzo -feldspato -micas -fragmento de rochas -etc...

suportada pela matriz -calcissiltito (0,062mm a 0,004mm)

-calcilutito (<0,004mm)

-espático "a birdserve" A
-oólitos

-oncolitos -bioclastos -intraclastos -peletes -pelóides

Observações - O calcário deriva do termo latino "calcarius" e significa "o que contém cal". Na superfície terrestre, os afloramentos de calcários de origem orgânica são os mais freqüentes. Esta rocha é muito utilizada como cimento, pedra de construção, cal, calcificação de solos (corretivo de solos) e como fundente na metalurgia, além da produção de barrilha.

     O calcário, sob determinadas condições geológicas, pode constituir um importante reservatório petrolífero.

Formação do Calcário[editar | editar código-fonte]

Os calcários, na maioria das vezes, são formados pelo acúmulo de organismos inferiores (por exemplo, cianobactérias) ou precipitação de carbonato de cálcio na forma de bicarbonato, principalmente em meio marinho. Também podem ser encontrados em rios, lagos e no subsolo (cavernas).

No caso do calcário quimiogénico, a formação é em meio marinho: a calcite (CaCO3), é um mineral que se pode formar a partir de sedimentos químicos, nomeadamente íons de cálcio e bicarbonato:

Cálcio + Bicarbonato → CaCO3 (calcite) + H2O (Água) + CO2 (dióxido de carbono)

Isto acontece quando os meios marinhos sofrem perda de dióxido de carbono (devido a forte ondulação, ao aumento da temperatura ou à diminuição da pressão). Deste modo, para que os níveis de dióxido de carbono que se perdeu sejam repostos, a equação química começa a evoluir no sentido de formar CO2, o que leva também a formação de calcite e assim à precipitação desta que, mais tarde, depois de uma deposição e de uma diagénese dá origem ao calcário.

Tipos de calcários[editar | editar código-fonte]

Não existe uma classificação rigorosa aceita para agrupar os tipos de calcários. Entretanto, de forma grosseira, pode-se dividi-los em oito grupos:

  • Marga: Quando possui uma quantidade de argila entre 35 e 50%.
  • Caliche: Calcário rico em carbonato de cálcio formado em ambientes semi-áridos.
  • Tufo: Calcário esponjoso encontrado em águas de fonte devido à precipitação do carbonato de cálcio associado com matéria orgânica resultante da decomposição de vegetais.
  • Conquífero: Formado pela acumulação de esqueletos e conchas.
  • Giz: Calcário poroso de coloração branca formado pela precipitação de carbonato de cálcio com microorganismos.
  • Travertino: São calcários densos encontrados em grutas e cavernas composta por calcite, aragonite e limonite
  • Dolomito: Um mineral de Carbonato de cálcio e magnésio
  • Recifal: é um calcário de edificação que resulta da fixação de carbonato de cálcio por seres vivos, nomeadamente os corais.

Usos[editar | editar código-fonte]

Os principais usos do calcário são:

Componentes das rochas carbonatadas[editar | editar código-fonte]

As rochas carbonatadas possuem dois tipos de elementos: os aloquímicos e os ortoquímicos. Os aloquímicos são elementos figurados identificáveis ao microscópio óptico fundamentais nas rochas carbonatadas. Eles de natureza carbonatada de origem quimiogénica ou bioquimiogénica, têm comportamento semelhante aos sedimentos siliciclásticos, sendo formados no interior da bacia. Eles podem ser:

  • Bioclastros: partes esqueléticas de vários tipos de invertebrados ou de algas, bem como esqueletos inteiros de indivíduos de pequenas dimensões.
  • Oólitos: corpos esferoidais ou elipsoidais geralmente de tamanho inferior a 1 mm. Quando maiores chamam-se pisólitos.
  • Pelóides: são corpos carbonatados com tamanhos entre os 0.03 mm e os 0,15 mm. São elipsoidais, esferoidais ou irregulares, sem qualquer arranjo textural interno.
  • Intraclastos: são litoclastros carbonatados intrabacinais, removidos e transportados para o local onde integraram o sedimento ou a rocha onde os encontramos.

Estes elementos sofreram transporte e abrasão (arredondamento) por correntes marítimas, selecção de calibres e redeposição, tal como acontece em sedimentos detríticos terrígenos. Os sedimentos ortoquímicos resultam da precipitação do carbonato de cálcio no próprio local onde se encontra o sedimento ou a rocha que integram. Podem ser de dois tipos:

  • Micrite: corresponde ao calcário de textura afanítica, de aspecto baço, translúcido a acastanhado, cujos grãos não ultrapassam o diâmetro de 4 micra. (calcário fundamentalmente formado por micrite: micrito)
  • Microesparite: formas de recristalização da micrite com tamanho de 5 a 15 micra.
  • Esparite (ou calcite espática): corresponde ao calcário translúcido com mais de 15 micra. ( fundamentalmente esparrite: esparrito)

A micrite durante o processo de recristalização pode evoluir para esparrite.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Galopim de Carvalho, A. M. (2006). Geologia Sedimentar. Vol. III. Rochas Sedimentares. Âncora, Lisboa, 332 p.