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Camila (mitologia)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Camila
Personagem de Eneida
Busto de Camila no Jardim de Verão em São Petersburgo, autor Pietro Baratta.
Informações gerais
Primeira apariçãoEneida, Virgílio I a.C.
Informações pessoais
OrigemVolscos
Características físicas
RaçaHumana

Na mitologia romana, Camila é filha de Casmila e Métabo, rei dos volscos, tribo da Itália central. É uma mulher guerreira e devota de Diana, é personagem da Eneida de Virgílio, ela é aliada do Rei Turno e participa da guerra contra os troianos de Eneias e os latinos. Grande parte do livro XI do poema épico é dedicado a ela.

Origem e inspiração

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Não há consenso entre os estudiosos se Camila é uma criação do próprio Virgílio ou o poeta se inspirou em mitos já existentes da região[1]. No entanto, é evidente a inspiração da personagem nas guerreiras amazônicas da mitologia grega, em especial Pentesiléia[2], rainha amazona que participa da guerra de Tróia, a qual o poema faz referência no canto I[3] e uma simili entre as duas personagens no canto xi, portanto é clara uma emulação da poesia homérica na parte iliádica da Eneida[4].

Participação na Eneida

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Descrição

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A primeira menção de Camila na Eneida ocorre no canto VII durante o catálogo dos guerreiros itálicos, mencionada por último o que demonstra sua importância. Virgílio descreve que Camila era tão veloz que podia correr sobre um campo de trigo sem quebrar as espigas, ou sobre o oceano sem molhar os pés, além disso ressalta suas vestimentas elegantes e suas características armas lança e aljava[5].

No canto xi, a Deusa Diana assume a narração e faz uma digressão para contar a história de sua amada guerreira. Quando Métabo, o rei de Priverno, é expulso de sua cidade por sua população, ele leva consigo sua filha recém-nascida, Camila. Durante sua fuga, perseguido pelos homens de Priverno , Métabo chega às margens do rio Amaseno e promete à Diana que Camila seria sua seguidora caso a Deusa a protegesse. Então amarrou sua filha em uma lança e atirou para a margem oposta do rio, onde a lança se crava no chão. Em seguida, ele mergulha na água e atravessa a nado. Camila chega à outra margem sã e salva, e o seu pai cria-a como virgem. Consagrada ao culto da deusa da caça, ela foi amamentada por uma égua e foi criada para ser caçadora com seu pai e com pastores nos bosques afastados das cidades[6].

Participação na batalha

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Durante a grande batalha entre latinos e troianos contra os rútulos e seus aliados, Camila se voluntaria para ser a linha de frente no campo de batalha, protegendo os muros da cidade. A guerreira luta com uma lança, machado e flechas além de seu cavalo, cercada por outras guerreiras. Ela mata muitos oponentes e é descrita como uma lutadora extremamente habilidosa, enfrentando grandes oponentes como Órnito, Orsículo, Butes e o filho de Auno, derrotando todos eles em seu momento de aristéia[7]

Durante um combate, obcecada com o brilho das armas e das roupas do troiano Cloreu, quis apoderar-se delas, mas ela provoca a própria ruína com sua busca cega e egoísta por um único troiano cujo traje a atrai. Arrunte, guerreiro troiano, aproveitou o descuido de Camila e rezou a Apolo para que pudesse matá-la com seu dardo. Apolo atende à oração, permitindo que a dardo atinja Camila no peito e a ferindo mortalmente. Ela então se volta para sua serva mais confiável, Aca, e lhe diz para entregar suas últimas palavras para Turno, que ele precisa impedir que os troianos cheguem à cidade. A serva de Diana, Ópis, a mando de sua senhora, vingou a morte de Camila matando Arrunte[8].

Em outras obras

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  • Camila é mencionada duas vezes no épico de Dante Alighieri A Divina Comédia[9].
  • Em Lavínia da escritora Ursula K. Le Guin, apesar de seu papel importante durante a guerra, Camila é intencionalmente deixada de fora da narrativa sendo apenas mencionada[10].
  • A personagem Camilla Macaulay do livro A História Secreta de Donna Tartt tem inspiração na Rainha dos Volscos [11].
  • Camila é mencionada no livro Fábulas do autor romano Higino, na seção onde ele dá exemplos de personagens amamentados por animais[12].

Referências bibliográficas

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  1. Martindale, Charles; Mac Góráin, Fiachra (2019). The Cambridge Companion to Virgil 2ª ed. ed. [S.l.]: Cambridge University Press. p. p. 194 
  2. Basson, W.P. “VERGIL’S CAMILLA: A PARADOXICAL CHARACTER.” Acta Classica 29 (1986): p.57 http://www.jstor.org/stable/24591826.
  3. Virgílio, Eneida I v.490-491.
  4. Virgílio, Eneida XI v.659-664.
  5. Virgílio, Eneida VII v.803-817.
  6. Virgílio, Eneida xi v.539-580.
  7. Virgílio, Eneida XI v.655-720.
  8. Virgílio, Eneida XI v.768-865.
  9. Dante, Inferno, Canto I, v.107 e Canto IV, v.124.
  10. Lavinia, Ursula K. LeGuin, pg. 44 e 131
  11. «Donna Tartt answers 11 questions about 'The Secret History». 20 de dezembro de 2022. Consultado em 3 de dezembro de 2025 
  12. Hyginus, Fabulae, 252