Camila (mitologia)
| Camila | |
|---|---|
| Personagem de Eneida | |
Busto de Camila no Jardim de Verão em São Petersburgo, autor Pietro Baratta. | |
| Informações gerais | |
| Primeira aparição | Eneida, Virgílio I a.C. |
| Informações pessoais | |
| Origem | Volscos |
| Características físicas | |
| Raça | Humana |
Na mitologia romana, Camila é filha de Casmila e Métabo, rei dos volscos, tribo da Itália central. É uma mulher guerreira e devota de Diana, é personagem da Eneida de Virgílio, ela é aliada do Rei Turno e participa da guerra contra os troianos de Eneias e os latinos. Grande parte do livro XI do poema épico é dedicado a ela.
Origem e inspiração
[editar | editar código]Não há consenso entre os estudiosos se Camila é uma criação do próprio Virgílio ou o poeta se inspirou em mitos já existentes da região[1]. No entanto, é evidente a inspiração da personagem nas guerreiras amazônicas da mitologia grega, em especial Pentesiléia[2], rainha amazona que participa da guerra de Tróia, a qual o poema faz referência no canto I[3] e uma simili entre as duas personagens no canto xi, portanto é clara uma emulação da poesia homérica na parte iliádica da Eneida[4].
Participação na Eneida
[editar | editar código]Descrição
[editar | editar código]A primeira menção de Camila na Eneida ocorre no canto VII durante o catálogo dos guerreiros itálicos, mencionada por último o que demonstra sua importância. Virgílio descreve que Camila era tão veloz que podia correr sobre um campo de trigo sem quebrar as espigas, ou sobre o oceano sem molhar os pés, além disso ressalta suas vestimentas elegantes e suas características armas lança e aljava[5].
Vida
[editar | editar código]No canto xi, a Deusa Diana assume a narração e faz uma digressão para contar a história de sua amada guerreira. Quando Métabo, o rei de Priverno, é expulso de sua cidade por sua população, ele leva consigo sua filha recém-nascida, Camila. Durante sua fuga, perseguido pelos homens de Priverno , Métabo chega às margens do rio Amaseno e promete à Diana que Camila seria sua seguidora caso a Deusa a protegesse. Então amarrou sua filha em uma lança e atirou para a margem oposta do rio, onde a lança se crava no chão. Em seguida, ele mergulha na água e atravessa a nado. Camila chega à outra margem sã e salva, e o seu pai cria-a como virgem. Consagrada ao culto da deusa da caça, ela foi amamentada por uma égua e foi criada para ser caçadora com seu pai e com pastores nos bosques afastados das cidades[6].
Participação na batalha
[editar | editar código]Durante a grande batalha entre latinos e troianos contra os rútulos e seus aliados, Camila se voluntaria para ser a linha de frente no campo de batalha, protegendo os muros da cidade. A guerreira luta com uma lança, machado e flechas além de seu cavalo, cercada por outras guerreiras. Ela mata muitos oponentes e é descrita como uma lutadora extremamente habilidosa, enfrentando grandes oponentes como Órnito, Orsículo, Butes e o filho de Auno, derrotando todos eles em seu momento de aristéia[7]
Morte
[editar | editar código]Durante um combate, obcecada com o brilho das armas e das roupas do troiano Cloreu, quis apoderar-se delas, mas ela provoca a própria ruína com sua busca cega e egoísta por um único troiano cujo traje a atrai. Arrunte, guerreiro troiano, aproveitou o descuido de Camila e rezou a Apolo para que pudesse matá-la com seu dardo. Apolo atende à oração, permitindo que a dardo atinja Camila no peito e a ferindo mortalmente. Ela então se volta para sua serva mais confiável, Aca, e lhe diz para entregar suas últimas palavras para Turno, que ele precisa impedir que os troianos cheguem à cidade. A serva de Diana, Ópis, a mando de sua senhora, vingou a morte de Camila matando Arrunte[8].
Em outras obras
[editar | editar código]- Camila é mencionada duas vezes no épico de Dante Alighieri A Divina Comédia[9].
- Em Lavínia da escritora Ursula K. Le Guin, apesar de seu papel importante durante a guerra, Camila é intencionalmente deixada de fora da narrativa sendo apenas mencionada[10].
- A personagem Camilla Macaulay do livro A História Secreta de Donna Tartt tem inspiração na Rainha dos Volscos [11].
- Camila é mencionada no livro Fábulas do autor romano Higino, na seção onde ele dá exemplos de personagens amamentados por animais[12].
Referências bibliográficas
[editar | editar código]- ↑ Martindale, Charles; Mac Góráin, Fiachra (2019). The Cambridge Companion to Virgil 2ª ed. ed. [S.l.]: Cambridge University Press. p. p. 194
- ↑ Basson, W.P. “VERGIL’S CAMILLA: A PARADOXICAL CHARACTER.” Acta Classica 29 (1986): p.57 http://www.jstor.org/stable/24591826.
- ↑ Virgílio, Eneida I v.490-491.
- ↑ Virgílio, Eneida XI v.659-664.
- ↑ Virgílio, Eneida VII v.803-817.
- ↑ Virgílio, Eneida xi v.539-580.
- ↑ Virgílio, Eneida XI v.655-720.
- ↑ Virgílio, Eneida XI v.768-865.
- ↑ Dante, Inferno, Canto I, v.107 e Canto IV, v.124.
- ↑ Lavinia, Ursula K. LeGuin, pg. 44 e 131
- ↑ «Donna Tartt answers 11 questions about 'The Secret History». 20 de dezembro de 2022. Consultado em 3 de dezembro de 2025
- ↑ Hyginus, Fabulae, 252