Caminho de Ferro de Machipanda

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Caminho de Ferro de Machipanda
Info/Ferrovia
Locomotiva Classe DE10A puxando composição próximo à fronteira moçambicana em Mutare, em 2006.
Informações principais
Sigla ou acrônimo CFMa
Área de operação Moçambique e Zimbábue
Tempo de operação 1900–Presente
Operadora Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique
Ferrovias Nacionais do Zimbábue
Interconexão Ferroviária Sena
Limpopo
Cabo-Cairo
Portos Atendidos Porto da Beira
Extensão c.850 km (528 mi)
Especificações da ferrovia
Diagrama e/ou Mapa da ferrovia

Caminho de Ferro de Machipanda (CFMa),[1] também chamado de Caminho de Ferro Beira-Bulauáio e Caminho de Ferro Beira-Harare-Bulauáio, é uma ferrovia que liga a cidade de Beira, em Moçambique, à cidade de Bulauáio, no Zimbábue. Possui 850 km de extensão, em bitola de 1067 mm.[2]

No trecho moçambicano, entre Beira e Machipanda, a empresa administradora é a Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM);[1] já no trecho zimbabuano, entre a cidade e de Mutare e a de Bulauáio, a administração é feita pela empresa Ferrovias Nacionais do Zimbábue (National Railways of Zimbabwe-NRZ).[3]

Seu ponto de escoamento principal está no Porto da Beira.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o Caminho de Ferro de Machipanda deveria estabelecer uma conexão ferroviária entre Harare e Beira, de acordo com o entendimento celebrado, na década de 1870, entre a África Ocidental Portuguesa e Regência da Companhia Britânica da África do Sul na Rodésia.[4]

Porém, por dificuldades financeiras do lado português, a construção do primeiro trecho do Caminho de Ferro de Machipanda começou somente em 1892; a infraestrutura, em bitola estreita de 610 mm, conectou, já em 4 de fevereiro de 1898, Beira à cidade fronteiriça Mutare, no Zimbábue, percorrendo 357 quilômetros.[5]

Em 1898, foi aberta uma linha de bitola de 1.067 mm de Harare para Mutare, com subsequente conversão do trecho de bitola estreita de 610 mm de conexão para a Beira em 1900.[4]

Ainda na década de 1890 começaram os trabalhos de extensão do projeto original, partindo de Bulauáio, no Zimbábue, para construir uma ferrovia de 1.067 mm para o norte, até Harare, concluída definitivamente em 1899. Após a conversão de Mutare (1067 mm) e Machipanda (610 mm), a linha conectou finalmente Bulauáio, Gweru, Harare, Mutare, Manica, Chimoio, Dondo e Beira.[6]

As locomotivas de bitola estreita de 610 mm foram posteriormente adquiridas das Ferrovias da África do Sul sendo designadas "classe SAR NG6".[7]

Posteriormente o trecho entre Machipanda e Beira adequou-se ao padrão zimbabuano, sendo totalmente convertido para 1.067 mm, eliminando a necessidade da conversão de Mutare-Machipanda.[2]

Em 2005, o troço da linha entre as cidades da Beira e Machipanda foi concedido para a empresa privada indo-moçambicana "Companhia Caminhos de Ferro da Beira" (CCFB; denominada em inglês: Beira Railroad Corporation). A reconstrução da ferrovia foi iniciada, mas a empresa não conseguiu cumprir com as obrigações contratuais. O troço moçambicano da linha foi renacionalizado em 2011, sendo reassumido pela estatal CFM.[8]

Estações principais[editar | editar código-fonte]

O imponente edifício da Estação Ferroviária da Beira, em 2011.

As principais estações do CFMa são:

Referências

  1. a b c «Linha de Machipanda» (HTML). CFM. Consultado em 5 de fevereiro de 2020 
  2. a b Mozambique Logistics Infrastructure: Mozambique Railway Assessment. Atlassian Confluence. 10 de dezembro de 2018.
  3. Network System: System Map. National Railways Of Zimbabwe. 2017.
  4. a b Rhodesia Railways: Engines of History. Memories of Rhodesia. 2019.
  5. Strack, Don (agosto de 1983). «Railroads of Central and Southern Africa». Utah Rails 
  6. Mlambo, Alois (2003). «Bulawayo, Zimbabwe». In: Paul Tiyambe Zeleza; Dickson Eyoh. Encyclopedia of Twentieth-Century African History. [S.l.]: Routledge. ISBN 0415234794 
  7. Admin, Unwired (15 de maio de 2006). «33 106 Falcon 1895 Sandstone». Sandstone-Estates 
  8. The Machipanda railroad is back in action. Infrastructure News. 15 de outubro de 2012.