Camomila-vulgar

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Inflorescências da camomila

Inflorescências da camomila
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Asterales
Família: Asteraceae
Género: Matricaria
Espécie: M. recutita
Nome binomial
Matricaria recutita
L.
Sinónimos
Chamomilla chamomilla, Chamomilla recutita, Matricaria chamomilla e Matricaria suaveolens

A camomila, camomila-vulgar, camomila-alemã, camomilha ou camomila-dos-alemães (Matricaria recutita) é uma planta da família Asteraceae.[1] Há indícios de que sua concentração de terpenóides e flavonóides contribua para suas propriedades medicinais. No Brasil, a camomila é uma das ervas mais popularmente utilizadas na medicina alternativa[2] visando o tratamento ou prevenção de males como rinite alérgica, inflamações, espasmos musculares, distúrbios menstruais, insônia, úlceras, lesões, distúrbios intestinais, reumatismo e hemorroidas.[3] O óleo essencial feito a partir das flores da camomila também possui fins cosméticos e aromaterápicos.[4]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Camomila" e "camomilha" são procedentes do termo grego moderno chamaimelon (literalmente, "macieira rasteira") através do baixo latim camomilla.[1]

Características[editar | editar código-fonte]

A camomila é conhecida pelas suas pequenas flores brancas que lembram margaridas. Entretanto, sua principal característica é seu aroma intenso e doce, capaz de perfumar grandes ambientes. Possui uma haste ereta e cresce de 25 cm a 50 cm com folhas delgadas e bem recortadas.

Distribuição e habitat[editar | editar código-fonte]

A camomila é bem adaptada a climas temperados, tendo originado-se no sul e leste da Europa, norte da África e oeste da Ásia. Esta espécie se prolifera naturalmente em diversos países dessa região, com floradas anuais ou bianuais.[5] Se propaga bem em locais de temperatura amena, com sol pleno, solos bem drenados, argilo-arenosos e férteis.

Cultivo[editar | editar código-fonte]

O cultivo da camomila é normalmente realizado através da semeadura de sementes, de tal forma que estas não sejam cobertas completamente pelo solo, uma vez que a luz solar contribui para a germinação. A época ideal de plantio no Sul do Brasil ocorre entre março e abril. Contudo, o plantio em épocas mais secas é possível desde que as sementes sejam bem irrigadas.[6]

Apesar de bem adaptada à região Sul do Brasil e até mesmo a regiões mais quentes[carece de fontes?], a camomila produzida no Brasil apresenta baixa qualidade e produtividade (aproximadamente 500 kg ha-1), recebendo pouco destaque comercial em comparação a outros países produtores como a Argentina.[7]

Acredita-se assegurar a saúde das plantas ao redor, convivendo bem com as couves, cebolas, mentas e repolho. [carece de fontes?]

Uso[editar | editar código-fonte]

Camomila seca utilizada para fazer chá.

A incorporação do óleo essencial de camomila em soluções tópicas tem sido estudada há décadas devido a sua propriedade bactericida, sobretudo em relação a bactérias gram-positivas como estafilococos. O óleo essencial de camomila também exibe propriedade fungicida significativa em fungos da espécie Candida albicans.[8]

Existem indícios de que o extrato de camomila sirva como agente anti-helmíntico. Em testes in vitro, os polifenóis presentes na camomila interferiram negativamente na taxa de eclosão de ovos e motilidade de vermes gastrointestinais Haemonchus contortus, comumente encontrados em ovelhas.[9]

Acredita-se que o óleo essencial de camomila também sirva para reduzir níveis de ansiedade devido à presença do flavonoide apigenina, que age como ligante da benzodiazepina.[10] Desta forma, pode ser usada como coadjuvante no tratamento de distúrbios do sono, embora mais estudos sejam necessários para comprovar sua eficácia.[11][12] Efeitos sedativos podem se manifestar em alguns indivíduos dependendo da dose consumida.[13]

Certos compostos presentes na camomila extraídos com água quente podem auxiliar na modulação da glicose sanguínea, sugerindo um possível mecanismo protetivo do chá de camomila em indivíduos com tendência a diabetes.[14][15] O extrato de camomila também é popularmente utilizado para tratar sintomas gástricos associados à má digestão (dispepsia).[16]

A camomila pode ser utilizada também em cremes e pomadas. Alguns cremes a base de camomila são destinados à prevenção dos efeitos deletérios da radioterapia nas células epiteliais.[17][18] Para fins estéticos, certos tipos de preparados são utilizados para clarear o cabelo.[carece de fontes?] A planta atua progressivamente nos pigmentos capilares de forma a atribuir ao cabelo um tom mais claro, chegando mesmo ao louro natural. Existem disponíveis no mercado dezenas de shampoos de camomila e, ainda, outras loções aclaradoras que também recorrem a este processo natural. [carece de fontes?]

A camomila também é popularmente indicada para tratamento de queimaduras de sol, conjuntivite e olhos cansados, apesar de não haver evidências científicas até o momento que suportem sua eficácia para estes fins.[3]

Riscos[editar | editar código-fonte]

A cumarina presente na camomila potencializa o efeito de medicamentos anticoagulantes, como a varfarina, aumentando o risco de hemorragias internas e levando a graves complicações.[19] Além disso, o pólen encontrado em certos preparados de camomila podem desencadear reações alérgicas em alguns indivíduos.[20]

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

No folclore brasileiro, acredita-se que a camomila seja capaz de atrair dinheiro, assim como afastar o "olho gordo" se plantada ao redor da casa; simboliza a prosperidade. [carece de fontes?]

Referências

  1. a b Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda (1986). Dicionario Aurelio da Lingua Portuguesa. [S.l.]: Positivo. 328 páginas. ISBN 9788538583110 
  2. Di Stasi, L. C.; Oliveira, G. P.; Carvalhaes, M. A.; Queiroz, M.; Tien, O. S.; Kakinami, S. H.; Reis, M. S. (Fevereiro de 2002). «Medicinal plants popularly used in the Brazilian Tropical Atlantic Forest». Fitoterapia. 73 (1): 69–91. ISSN 0367-326X. PMID 11864767 
  3. a b Gupta (1 de novembro de 2010). «Chamomile: A herbal medicine of the past with a bright future (Review)». Molecular Medicine Reports. 3 (6). ISSN 1791-2997. doi:10.3892/mmr.2010.377 
  4. Marderosian, Ara Harold Der; Liberti, Lawrence E. (1988). Natural product medicine: a scientific guide to foods, drugs, cosmetics (em inglês). [S.l.]: G.F. Stickley. ISBN 9780893130992 
  5. Moumita Das (14 de julho de 2014). Chamomile: Medicinal, Biochemical, and Agricultural Aspects. [S.l.]: CRC Press. p. 49-50. ISBN 978-1-4665-7760-2 
  6. Panizza, Sylvio (2000). Plantas Que Curam. Cheiro De Mato. São Paulo Brazil: IBRASA. ISBN 9788534800679 
  7. Corrêa Jr., C.; Taniguchi, E. (1992). «Aspectos da cultura de camomila no Estado do Paraná». Horticultura Brasileira. 10 (1). 52 páginas 
  8. Aggag, M.; Yousef, R. (1972). «Study of antimicrobial activity of chamomile oil». Planta Medica (em inglês). 22 (06): 140–144. ISSN 0032-0943. doi:10.1055/s-0028-1099596. Consultado em 11 de outubro de 2017 
  9. Hajaji, S.; Alimi, D.; Jabri, M. A.; Abuseir, S.; Gharbi, M.; Akkari, H. (maio de 2017). «Anthelmintic activity of Tunisian chamomile (Matricaria recutita L.) against Haemonchus contortus». Journal of Helminthology: 1–10. ISSN 0022-149X. doi:10.1017/S0022149X17000396 
  10. Shinomiya, Kazuaki; Inoue, Toshio; Utsu, Yoshiaki; Tokunaga, Shin; Masuoka, Takayoshi; Ohmori, Asae; Kamei, Chiaki (2005). «Hypnotic Activities of Chamomile and Passiflora Extracts in Sleep-Disturbed Rats». Biological and Pharmaceutical Bulletin. 28 (5): 808–810. doi:10.1248/bpb.28.808 
  11. Zick, Suzanna M.; Wright, Benjamin D.; Sen, Ananda; Arnedt, J. Todd (22 de setembro de 2011). «Preliminary examination of the efficacy and safety of a standardized chamomile extract for chronic primary insomnia: A randomized placebo-controlled pilot study». BMC Complementary and Alternative Medicine. 11. 78 páginas. ISSN 1472-6882. doi:10.1186/1472-6882-11-78 
  12. Gyllenhaal, Charlotte; Merritt, Sharon L.; Peterson, Sara Davia; Block, Keith I.; Gochenour, Tom (1 de junho de 2000). «Efficacy and safety of herbal stimulants and sedatives in sleep disorders». Sleep Medicine Reviews. 4 (3): 229–251. doi:10.1053/smrv.1999.0093 
  13. Viola, H.; Wasowski, C.; Levi de Stein, M.; Wolfman, C.; Silveira, R.; Dajas, F.; Medina, J. H.; Paladini, A. C. (junho de 1995). «Apigenin, a component of Matricaria recutita flowers, is a central benzodiazepine receptors-ligand with anxiolytic effects». Planta Medica. 61 (3): 213–216. ISSN 0032-0943. PMID 7617761. doi:10.1055/s-2006-958058 
  14. Kato, Atsushi; Minoshima, Yuka; Yamamoto, Jo; Adachi, Isao; Watson, Alison A; Nash, Robert J. (10 de setembro de 2008). «Protective Effects of Dietary Chamomile Tea on Diabetic Complications». Journal of Agricultural and Food Chemistry. 56 (17): 8206–8211. ISSN 0021-8561. doi:10.1021/jf8014365 
  15. Li, Wei; Dai, Rong-Ji; Yu, Yu-Hong; Li, Liang; Wu, Chong-Ming; Luan, Wei-Wei; Meng, Wei-Wei; Zhang, Xin-Sheng; Deng, Yu-Lin (junho de 2007). «Antihyperglycemic effect of Cephalotaxus sinensis leaves and GLUT-4 translocation facilitating activity of its flavonoid constituents». Biological & Pharmaceutical Bulletin. 30 (6): 1123–1129. ISSN 0918-6158. PMID 17541165 
  16. Valussi, Marco (1 de março de 2012). «Functional foods with digestion-enhancing properties». International Journal of Food Sciences and Nutrition. 63 (sup1): 82–89. ISSN 0963-7486. doi:10.3109/09637486.2011.627841 
  17. Maddocks-Jennings, Wendy; M Wilkinson, Jenny; Shillington, David (1 de novembro de 2005). «Novel approaches to radiotherapy-induced skin reactions: A literature review». Complementary Therapies in Clinical Practice. 11 (4): 224–231. doi:10.1016/j.ctcp.2005.02.001 
  18. Kostler, W. J.; Hejna, M.; Wenzel, C.; Zielinski, C. C. (2001). «Oral Mucositis Complicating Chemotherapy and/or Radiotherapy: Options for Prevention and Treatment». CA: A Cancer Journal for Clinicians. 51 (5): 290–315. ISSN 0007-9235. doi:10.3322/canjclin.51.5.290 
  19. Segal, Robert; Pilote, Louise (25 de abril de 2006). «Warfarin interaction with Matricaria chamomilla». Canadian Medical Association Journal (em inglês). 174 (9): 1281–1282. ISSN 0820-3946. PMID 16636327. doi:10.1503/cmaj.051191 
  20. Reider, N.; Sepp, N.; Fritsch, P.; Weinlich, G.; Jensen-Jarolim, E. (outubro de 2000). «Anaphylaxis to camomile: clinical features and allergen cross-reactivity». Clinical and Experimental Allergy: Journal of the British Society for Allergy and Clinical Immunology. 30 (10): 1436–1443. ISSN 0954-7894. PMID 10998021 



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