Campanha das Guianas

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Campanha das Guianas
Data 1714
Local Norte da América do Sul
Desfecho Desenvolvimento económico das Guianas e do Suriname. Ocupação definitiva do território pelos Holandeses
Mudanças
territoriais
Brasil (Amazónia), Guiana Francesa, Suriname e República da Guiana
Combatentes
Flag of Portugal (1707).svg Reino de Portugal
Prinsenvlag.svg República das Sete Províncias Unidas
Pavillon royal de France.svg França
Líderes e comandantes
*Almirante Paes *Almirante Teixeira dos Santos *General Van de Bos *François Albert d’Ouvrent
Forças
*Bandeirantes *Armada Portugueses *Exército Luso-Brasileiro *Armada Holandesa *Exército Holandês *Armada Francesa *Exército Francês

A Campanha das Guianas de 1714 foi um confronto militar entre Portugal, Holanda e França na zona das Guianas e do Suriname. Apesar de não ter sido declarada guerra, foi uma campanha sangrenta cujas repercussões foram uma breve anexação pelo Brasil e a limitação do domínio Holandês.

Este conflito caracterizou-se por ser de extrema rapidez mas demonstrou a astúcia da Marinha portuguesa e a iniciativa militar portuguesa, caracterizada pelo uso dos bandeirantes em estratégias militares. A Campanha foi ideia do Almirante Luís Paes, um militar português bastante esquecido pela História devido ao facto de que recusou-se a receber determinadas ordens do Rei João V de Portugal. Por consequência, foi preso e a campanha acabou por falhar.

Os Bandeirantes invadem território Holandês[editar | editar código-fonte]

O Almirante Luís Paes iniciou a sua campanha a partir da cidade brasileira de Belém, na altura um porto importante no Norte do Brasil. Ordenou aos Bandeirantes da feitoria do rio Xingu que entrassem em território holandês e que fossem avistados. A bandeira portuguesa foi hasteada em Apetina, uma aldeia com poucas tropas holandesas que não ofereceram resistência. Em Paramaribo, algum tempo depois, chegavam mensageiros de Apetina, afirmando que os Portugueses queriam tomar conta da região.

Então, a 26 de Abril de 1714, as tropas holandesas comandadas pelo Coronel Van den bos avançaram rumo a Sul, sem parar até avistarem Apetina. Foi aí que os Bandeirantes “fugiram” para o interior do Brasil e os Holandeses os perseguiram. Claramente, isto era uma armadilha. Os holandeses viram-se na Amazónia, território bastante percorrido pelos bandeirantes do norte. A malária foi uma das várias doenças que afectaram as tropas. Tudo piorou quando as tribos locais começaram a combater os invasores com muito sucesso. As tropas holandesas dispersaram-se. Sabe-se que alguns voltaram a território holandês três meses após a partida e que os outros morreram na floresta.

Jogada de mestre[editar | editar código-fonte]

Com o abandono das fortificações no litoral do Suriname e Guiana (Britânica), a frota holandesa ficou parada em Paramaribo. O Almirante Paes comandou a frota portuguesa e bombardearam o litoral. Deu-se uma ligeira ocupação à qual não se ofereceu resistência.

Entretanto, as tropas que regressaram do Sul reuniram uma resistência e começaram a viajar para Norte, com o intuito de expulsar os invasores. O Almirante Paes, sabendo isto dos seus espiões infiltrados em Brokopondo, abandonou o litoral e queimou as provisões militares. Enviou um delegado português à Guiana Francesa e informou o Governador da Guiana que os Holandeses estavam fracos e que uma invasão iria tomar de assalto os holandeses. Apesar de acharem estranho, os franceses caíram no elaborado trama do Almirante Paes. Os franceses invadiram os territórios holandeses e a rebelião foi abatida sem a perda de um português. No entanto, a Guerra da Sucessão Espanhola deixara repercussões pela América e os Franceses continuaram a ser vistos como grandes inimigos pelos Holandeses durante cerca de dois anos.

A verdade atrás do truque: dividir para conquistar[editar | editar código-fonte]

Com as tropas francesas a serem combatidas pelos colonos, o exército francês ficou espalhado pelas Guianas e pelo Suriname. Quando os franceses acharam que não necessitavam de marinha, deixaram a frota em Caiena. Foi aí que a frota Portuguesa destruiu a frota francesa e impôs um bloqueio nas Guianas e no Suriname. As Antilhas Holandesas não estavam a par do sucedido e, por conseguinte, a frota holandesa nas Antilhas, mais poderosa que a do Almirante Paes, ficou parada. A invasão terrestre deu-se através das naus com tropas de infantaria. Apesar do exército francês ser maior que o português, a divisão tornou-o frágil e em menos de dois meses, toda a região caíra nas mãos dos portugueses.

Abandono e ocupação[editar | editar código-fonte]

Iniciou-se uma pequena colonização espontânea, algo que o Almirante Paes não pretendia. O seu plano era vender os territórios à Inglaterra e entregar o dinheiro ao Estado. Porém, o Rei impediu isto e ordenou o abandono da região, deixando colonos holandeses, franceses e até portugueses à sua mercê. Em 20 de Agosto de 1714, o Almirante Paes, contrariando as ordens do Rei, tentou vender o Suriname aos Holandeses. Porém, o Rei dispensou-o dos seus serviços e o Almirante Teixeira dos Santos ficou a cargo da frota.

Deu-se o abandono da região pelas tropas portuguesas e pouco tempo depois, a frota holandesa chegou a Paramaribo e reconquistou a região. Ao contrário dos territórios holandeses, a Guiana Francesa não mudou em nenhum aspecto, tendo a frota francesa chegado à região um mês depois. Os ingleses só ocuparam a região anos depois mas a Campanha das Guianas modificou a concentração das populações, facto que levou à ocupação inglesa no século XIX.[1]

O desenrolar da Campanha das Guianas

Pós-campanha[editar | editar código-fonte]

Deu-se um grande desenvolvimento económico com o regresso dos holandeses e franceses. No século XIX, assistiu-se de novo à ocupação portuguesa-brasileira da região que durou alguns anos, em vez de alguns meses.

Referências

  1. Notas Militares de Lucílio Santana, página 65

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • VAN JUIL, Hans "La campagne du Suriname par les portugais", Bibliotheque Nacionale de France
  • TEIXEIRA DOS SANTOS, Manuel "Memórias do Almirante Teixeira dos Santos", Porto Editora, 16 de maio de 1951
  • SANTANA, Lucílio "Campanhas Luso-Portuguesas", Editora do Brasil, 13 de agosto de 1936