Campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018

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Campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018
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Eleição Eleição presidencial no Brasil em 2018
Candidato(s) Jair Bolsonaro (presidente), Hamilton Mourão (vice)
Partido PSL
Coligação PSL e PRTB
Slogan "Brasil acima de Tudo, Deus acima de Todos"
jairbolsonaro17.com.br

A campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018 foi oficializada em convenção nacional pelo Partido Social Liberal (PSL), em 22 de julho de 2018.[1] A escolha do vice-presidente para compor a chapa presidencial só foi oficializada em 5 de agosto de 2018, quando o General Hamilton Mourão foi escolhido durante uma convenção do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB).[2]

Jair Bolsonaro foi o primeiro candidato à presidência que conseguiu levantar mais um milhão de reais em doações durante a campanha de 2018.[3]

Candidatura[editar | editar código-fonte]

Protesto a favor de Bolsonaro em Londres, Reino Unido.

Jair Bolsonaro candidatou-se à presidência da República Federativa do Brasil pelo Partido Social Liberal nas eleições presidenciais de 2018 com General Mourão (do PRTB) como vice, na coligação Brasil acima de tudo, Deus acima de todos.[4] Sua candidatura, que tinha duas contestações, foi deferida por unanimidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).[5]

Plano de governo e propostas[editar | editar código-fonte]

Seu plano de governo é denominado 'O Caminho da Prosperidade', nesse plano ele defende a redução de ministérios, defende também a criação de uma nova pasta na área econômica, o Ministério da Economia, que seria formada pela junção de outras pastas ministeriais; esse ministério dividiria sua atuação na economia junto ao Banco Central, ambas atuando independentemente.[6] Na área da educação, propõe a ampliação do número de escolas militares, e tem como meta a criação de um colégio militar por capital.[7] Na área da saúde, propõe a criação da profissão de médico-de-Estado.[7]

Em 20 de março de 2018, afirmou que, em um eventual governo, pretende fundir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente para, segundo ele, colocar "um fim na indústria das multas, bem como levar harmonia ao campo".[8] No dia 29 do mesmo mês, afirmou que pretende extinguir o Ministério da Cultura e transformá-lo em uma secretaria vinculada ao Ministério da Educação.[9]

Bolsonaro ainda defende a redução da maioridade penal para 16 anos (posteriormente cogitou em 17, pelo fato de ter maior facilidade em aprovar no Congresso[10]), acabar com a progressão de pena e com as saídas temporárias, e defende o fim das audiências de custódia.[7] Defende a saída do Brasil do Acordo de Paris de 2015, como fez Donald Trump.[7]

Em relação ao combate à corrupção, Bolsonaro diz que, se eleito, pretende encaminhar para aprovação no Congresso o texto original das Dez Medidas Contra a Corrupção, projeto de lei de iniciativa popular com o Ministério Público Federal que teve trechos suprimidos na votação na Câmara e que desde 2017 está parado no Senado, das quais estão no pacote, aumento das penas para a corrupção de altos valores, a flexibilização de prisões preventivas e a criminalização do caixa dois.[11]

Campanha para o 1.º turno[editar | editar código-fonte]

Participou, em 9 de agosto de 2018, do primeiro debate presidencial, organizado pela Rede Bandeirantes.[12] No dia 17 de agosto, participou do debate organizado pela RedeTV![13] Por conta da incerteza de sua presença, o debate organizado pela Jovem Pan foi cancelado.[14] Dia 28 de agosto, participou de entrevista ao Jornal Nacional, na Rede Globo.[15]

Atentado e recuperação[editar | editar código-fonte]

Bolsonaro no momento do atentado.

Em 6 de setembro, Bolsonaro foi esfaqueado enquanto fazia campanha em Juiz de Fora. O autor do golpe de faca ao candidato era Adélio Bispo de Oliveira.[16][17] Bolsonaro recebeu um atendimento de emergência na Santa Casa de Juiz de Fora, onde se constatou a perda de 45% do sangue no corpo e lesões a veia mesentérica superior, além do intestino grosso e delgado. Após esse primeiro atendimento em Juiz de Fora, Jair Bolsonaro foi transferido para o Hospital Albert Einstein.[18] O primeiro boletim médico após o atentado foi divulgado no dia 9 de setembro. O boletim disse que "o quadro abdominal apresentou melhora nas últimas 24 horas e o paciente persiste em cuidados intensivos e com progresso do tempo de permanência fora de leito e caminhada".[19] No dia 16 de setembro, Bolsonaro recebeu alta da UTI e foi para a unidade semi-intensiva,[20] e do hospital no dia 29 de setembro.[21]

Protestos[editar | editar código-fonte]

Outdoor de apoio a Bolsonaro na BR-343, no Piauí

Em 29 de setembro de 2018,[22] usando a hashtag #EleNão,[23] um movimento iniciado nas redes sociais por mais de 2,5 milhões de mulheres contrárias às propostas do candidato reuniu as maiores manifestações de rua no Brasil durante campanha presidencial de 2018.[24][25][26] As manifestações aconteceram em mais de 160 cidades[27] de todos os estados do país e também em cidades como Nova Iorque, Barcelona, Berlim, Lisboa[28] e Paris.[29][30][31]

No dia 30 de setembro, foram organizados atos de apoio ao candidato. Em Brasília a campanha organizou uma carreata que contou com 25 mil carros, de acordo com a Polícia Militar. Em São Paulo, um ato na Avenida Paulista contou com a presença de 1.8 milhão de pessoas, de acordo com a organização do evento.[32]

Campanha para o 2.º turno[editar | editar código-fonte]

Bolsonaro não deverá participar de nenhum dos debates com seu oponente, o petista Fernando Haddad, que estavam programados para o segundo turno. Sua equipe médica informou que ele deve obter alta apenas no dia 18, pois enfrenta anemia e precisa de recuperação nutricional. Devido ao atentado que sofrera e por causa das cirurgias por que passou, perdeu 15 kgs.[33]

A equipe do pesselista decidiu então apostar nas redes sociais como principal forma de comunicação e manter o discurso antipetista. Entendeu-se que não era o momento para apresentação de propostas.[34]

Assassinatos durante a campanha[editar | editar código-fonte]

Foram registrados casos fatais de intolerância politicamente motivados por parte de apoiadores de Bolsonaro ao longo da campanha.

No dia 8 de outubro, um dia após o primeiro turno, o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, também conhecido como Moa do Katendê, foi assassinado na Bahia após uma discussão política com outro homem. O capoeirista defendeu o voto em Fernando Haddad enquanto o agressor, aos gritos, defendia o apoio a Jair Bolsonaro. Além de capoeirista, a vítima era militante do movimento negro na Bahia.[35]

Na madrugada de 16 de outubro, uma travesti foi assassinada no Largo do Arouche, na região central da cidade de São Paulo. De acordo com uma testemunha, quatro homens teriam gritado o nome do candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, durante a briga. Uma vizinha falou ao Universo Online (UOL): "botei a cara na janela e vi a briga logo à frente. Foi uma gritaria demorada, com muitos xingamentos, e os agressores, não sei se um ou mais, gritava algo sobre o fato de a pessoa ser travesti e sobre 'Bolsonaro'".[36]

Bolsonaro lamentou os atos de violência e afirmou que não tem controle sobre os atos de simpatizantes,[37][38] e disse ainda que dispensa voto de quem comete violência.[39]

Candidatos[editar | editar código-fonte]

Coligação Brasil acima de Tudo, Deus acima de Todos candidatos de 2018
Jair Bolsonaro Hamilton Mourão
Para presidente Para vice-presidente
General Hamilton Mourão.jpg
Deputado federal pelo Rio de Janeiro (1991–presente) General do Exército Brasileiro
(1969–2018)
PSL PRTB
[40][1][41]

Resultado da eleição[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais[editar | editar código-fonte]

Ano de eleição Candidato Primeiro turno Segundo turno
# do total de votos % do total de votos # do total de votos % do total de votos
2018 Jair Bolsonaro 49.275.358 46,03% TBD TBD

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Mendonça, Alba Valéria (22 de julho de 2018). «PSL oficializa candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência, mas adia definição de vice». G1. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  2. «General Mourão é confirmado vice da chapa de Bolsonaro». Imirante. 5 de agosto de 2018. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  3. Maia, Gustavo (3 de setembro de 2018). «Bolsonaro é 1º presidenciável a arrecadar mais de R$ 1 milhão em vaquinha - Notícias - UOL Eleições 2018». UOL Eleições 2018. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  4. «Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais». divulgacandcontas.tse.jus.br. Consultado em 6 de setembro de 2018. 
  5. «TSE aprova por unanimidade candidatura de Bolsonaro à Presidência». G1 
  6. «Conheça o plano de governo do candidato Jair Bolsonaro». pleno.news 
  7. a b c d «As propostas de Jair Bolsonaro e Fernando Haddad à Presidência do Brasil». BBC News Brasil (em inglês). 7 de outubro de 2018 
  8. O Estado de S. Paulo, ed. (13 de março de 2018). «Bolsonaro quer fundir ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente e prega contra direitos humanos e movimento LGBT». Consultado em 20 de março de 2018. 
  9. UOL, ed. (29 de março de 2018). «Bolsonaro defende a extinção do Ministério da Cultura». Consultado em 30 de março de 2018. 
  10. «Bolsonaro cogita propor 17 anos para maioridade penal em vez de 16, como prevê plano de governo». G1. Globo.com. 9 de outubro de 2018. Consultado em 15 de outubro de 2018. 
  11. Mariana Vick. «O que Bolsonaro e Haddad propõem para combater a corrupção». Nexo. Consultado em 16 de outubro de 2018. 
  12. «Band faz primeiro debate com candidatos ao Planalto nesta quinta». Folha de S.Paulo. 9 de agosto de 2018 
  13. «Oito presidenciáveis discutem propostas de governo no segundo debate da campanha eleitoral de 2018». G1 
  14. «Jovem Pan decide não promover debate presidencial – Jovem Pan Online». Jovem Pan decide não promover debate presidencial – Jovem Pan Online. 24 de agosto de 2018 
  15. «Jair Bolsonaro (PSL) é entrevistado no Jornal Nacional». G1 
  16. Arbex, Daniela; Borges, Gabriel Ferreira; Bernadete, Leticya; Araújo, Marcos; Capetti, Pedro; Salles, Renato (6 de setembro de 2018). «Jair Bolsonaro é vítima de atentado em Juiz de Fora - Tribuna de Minas». Tribuna de Minas. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  17. Salles, Fernanda (6 de setembro de 2018). «Jair Bolsonaro é esfaqueado em Juiz de Fora». Terça Livre. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  18. de Andrade, Hanrrikson; Adorno, Luís (7 de setembro de 2018). «Bolsonaro é transferido para São Paulo». UOL. Consultado em 7 de setembro de 2018. 
  19. «Bolsonaro segue em boa recuperação, diz 1° boletim médico deste domingo». Estado de Minas. 9 de setembro de 2018. Consultado em 11 de setembro de 2018. 
  20. «Bolsonaro recebe alta da UTI e segue para semi-intensiva». Terra. 16 de setembro de 2018. Consultado em 16 de setembro de 2018. 
  21. «Bolsonaro recebe alta e deixa hospital em São Paulo». g1.globo.com. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  22. «Milhares tomam ruas contra Bolsonaro em cidades brasileiras e do mundo». UOL. 29 de setembro de 2018 
  23. «Jair Bolsonaro, Candidate in Brazil, Faces Women's Calls: #NotHim» (em inglês) 
  24. Toledo, José Roberto de (29 de setembro de 2018). «Um protesto histórico, menos na tevê». Revista Piauí 
  25. Coletta, Carla Jiménez, Heloísa Mendonça, Regiane Oliveira, Marina Rossi, Ricardo Della (30 de setembro de 2018). «Mulheres quebram o jejum das ruas no Brasil com manifestações contra Bolsonaro». EL PAÍS 
  26. Phillips, Dom (30 de setembro de 2018). «Huge protests in Brazil as far-right presidential hopeful returns home». the Guardian (em inglês). Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  27. «Protesto contra Bolsonaro: vídeo mostra atos no Brasil e no mundo». UOL. 29 de setembro de 2018 
  28. «Protesto contra Bolsonaro lota praça histórica em Lisboa; imagens». Mundo ao Minuto. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  29. «Manifestantes vão às ruas em 26 estados e no DF contra o candidato Jair Bolsonaro». G1. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  30. «Tens of thousands say 'Not him' to leading Brazil candidate» (em inglês). The Associated Press. 29 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  31. «Brazilian women lead nationwide protests against far-right candidate» (em inglês). Reuters. 30 de setembro de 2018. Consultado em 30 de setembro de 2018. 
  32. Coletta, Rodolfo Borges, Ricardo Della (1 de outubro de 2018). «Após ameaça na TV, Bolsonaro diz agora que não há "nada para fazer" se perder». EL PAÍS 
  33. «Bolsonaro não participará de nenhum debate do 2º turno até a próxima semana - Política - Estadão». Estadão 
  34. «Bolsonaro deve manter foco nas redes sociais e no antipetismo para o 2º turno». Folha de S.Paulo. 8 de outubro de 2018 
  35. «Mestre de capoeira é morto com facadas após discussão política na Bahia». Folha de S.Paulo. 8 de outubro de 2018 
  36. «Polícia investiga assassinato de travesti no centro de SP; testemunha cita motivação política - Notícias - Cotidiano». UOL 
  37. «Bolsonaro, sobre atos violentos feitos em seu nome: 'O que tenho a ver com isso?». abril.com.br 
  38. «Bolsonaro lamenta morte e agressões, mas diz não controlar apoiadores - Notícias - UOL Eleições 2018». uol.com.br 
  39. «Bolsonaro diz que dispensa voto de quem pratica violência». abril.com.br 
  40. Redação, Da (3 de março de 2016). «Deputado Jair Bolsonaro anuncia candidatura à presidência em 2018». correio24horas. Consultado em 20 de setembro de 2018. 
  41. Conteúdo, Estadão (13 de agosto de 2018). «Bolsonaro registra candidatura e diz que seu plano de governo está 'fácil de ler'». Estado de Minas. Consultado em 20 de setembro de 2018. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]