Camponês

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Camponês em pequena propriedade rural em Avaré

O Campesinato, cujo indivíduo chama-se Camponês, é o conjunto de grupos sociais de base familiar que se dedica a atividades agrícolas, com graus diversos de autonomia. Caracteriza-se pelo trabalho familiar,(eventualmente empregando trabalhadores assalariados), por ter a propriedade dos instrumentos de trabalho, pela autonomia total ou parcial na gestão da atividade e por ser dono de uma parte ou da totalidade da produção.[1]

Muitas vezes o trabalho ocorre em economia de subsistência, com autonomia total ou parcial na gestão da propriedade, sendo geralmente proprietário dos instrumentos de trabalho e detentor (em parte ou na totalidade) dos frutos do seu trabalho.[2] [3]

História[editar | editar código-fonte]

Na Europa, durante a vigência do feudalismo, a maior parte dos camponeses era formada por servos da gleba, isto é, trabalhadores que, embora não fossem escravos, não podiam jamais abandonar a terra onde trabalhavam. Muitos deles descendiam de antigos colonos ou de escravos romanos, que na época de Carlos Magno se igualaram na condição de servos. Alguns haviam sido pequenos proprietários de terra - ainda relativamente numerosos até o século XI. Em razão das constantes ameaças de guerras e invasões, a maioria deles acabou entregando suas terras a um senhor feudal, ou à Igreja, em troca de proteção. Outros, conhecidos como vilões, eram servos livres, isto é, tinham o direito de deixar a terra, mas também se submetiam ao pagamento da talha e da corveia aos senhores.

Jovens mulheres oferecem frutas para os visitantes do seu izba, 1909. Aqueles que tinham sido servos entre os camponeses russos foram emancipados em 1861. Fotografado por Sergey Prokudin-Gorsky.

A maior parte dos camponeses era formada por servos da gleba, isto é, trabalhadores que, embora não fossem escravos, não podiam jamais abandonar seus lotes de terra. Muitos deles descendiam de antigos colonos ou de escravos romanos, que na época de Carlos Magno se igualaram na condição de servos. Outros servos originaram-se de pequenos proprietários de terra, que ainda eram relativamente numerosos até o século XI. Por causa das constantes ameaças de guerras e invasões, a maioria acabou entregando suas terras a um nobre feudal, ou à Igreja, em troca de proteção. Entre eles, alguns tornavam-se servos, outros, conhecidos como vilões, eram servos livres, isto é, tinham o direito de deixar a terra, mas também se submetiam a uma série de obrigações, especialmente o pagamento aos senhores da talha e da corveia.

O campesinato foi perdendo espaço na Europa, a partir da introdução de relações de produção capitalistas no campo. Na Inglaterra, por exemplo, praticamente desapareceu. No Brasil, tem tido um papel importante nas regiões de expansão da fronteira agrícola, no Norte e no Centro-Oeste, enquanto que, nas regiões de ocupação agrícola consolidada e produção voltada à exportação, a maioria dos camponeses se incorporou ao proletariado rural, constituído por trabalhadores assalariados itinerantes - os chamados "boias frias".[1]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O termo "camponês" difundiu-se no Brasil nos anos 1950 pela via política, com as Ligas Camponesas. O objetivo era dar unidade de classe à diversidade das populações agrárias não proprietárias de terras e não proletárias. O camponês então neste contexto é percebido como sujeito social desprovido da terra e não assalariado, ou seja, era uma outra categoria. Cria-se então a necessidade de saber de quem se estava falando. Com efeito, o termo "camponês" apontava para a construção de um sujeito histórico e um sujeito político, sendo incorporado pelo discurso acadêmico, que em geral percebia as populações rurais somente na dimensão econômica, como uma atividade, e não como um mundo entrecortado de relações sociais e com estreita relação com o urbano. Convém ressaltar que o camponês genérico não existe, variando segundo as suas particularidades, diferenças regionais, relações de produção, de poder,cultura etc..

As Populações rurais[editar | editar código-fonte]

Quando se fala em populações rurais, não se fala apenas em um universo econômico da produção, mas em um circuito de relações sociais mais amplo.

Imaginava-se que as populações rurais iriam desaparecer devido às inovações tecnológicas. A visão que se tinha do trabalhador rural era a de atrasado, numa dicotomia entre o civilizado e o atrasado, entre o urbano, o avançado e o rural atrasado. Já as populações camponesas trazem denominadores comuns entres si.

Neste contexto, é mister entender como essas populações se organizam. Economicamente, a unidade de produção e consumo é o grupo doméstico, sendo a família o núcleo de produção e reprodução de seus membros. O que produzir e quanto produzir é determinado pelo pai, que é o chefe da produção. Posição que lhe confere na hierarquia do grupo o papel de chefe da família e orienta a divisão sexual do trabalho: o homem trabalha na roça e a mulher ajuda na casa. Vai determinar também a submissão do sexo feminino ao masculino, o papel natural da mulher determinado socialmente é de ter filhos.

O trabalho é orientado pelas relações de parentesco não necessariamente consanguíneos, relações básicas na troca - relações de reciprocidade. A terra, suporte da existência do trabalhador rural é percebida pelo homem do campo não como uma mercadoria, mas como um fator de produção. A terra é tida como valor (patrimônio) inalienável da família. Assim, o valor patrimônio da terra diferencia-se da propriedade da terra, que pode ser alienada.

A tradição oral e a predominância da racionalização tradicional ocupam um papel de destaque no mundo rural. Deve-se observar o peso que estas exercem sobre a organização social do grupo.

Nas populações camponesas, a palavra dada basta, está pautada na honra. A concepção de tempo é uma concepção de tempo circular, tempo de plantio e da colheita; não é uma concepção de tempo linear.

Nos padrões de organização social, a interação e as relações que os camponeses travam com outros trabalhadores rurais são características e altamente repetitivas, assim como a posição subserviente (construção da autoimagem negativa) dentro da rede de dominação política, econômica e cultural.

Como ator social, o camponês vem criando formas de resistência à “modernização dolorosa” e à proletarização decorrente da introdução de relações capitalistas no campo, e luta para se reproduzir.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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