Canal de Suez

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Canal de Suez
Imagem de satélite do canal
Localização
País  Egito
Detalhes
Inauguração 17 de novembro de 1869 (145 anos)
Proprietário Autoridade do Canal de Suez
Estatísticas
Website www.suezcanal.gov.eg

Canal de Suez (em árabe: قناة السويس Qanāt al-Suways) é uma via navegável artificial a nível do mar localizada no Egito, entre o Mediterrâneo e o Mar Vermelho. Inaugurado 17 de novembro de 1869, após 10 anos de construção, permite que navios viajem entre a Europa e a Ásia Meridional sem ter de navegar em torno de África, reduzindo assim a distância da viagem marítima entre o continente europeu e a Índia em cerca de 7 mil quilômetros. Na ponta norte do canal está Porto Said, onde existem duas saídas para o mar; no lado sul está a cidade de Suez, onde há uma saída para o mar. Ismaília está em sua margem oeste, a 3 km a partir da metade do canal.[1] Em 2012, 17.225 navios atravessaram a passagem de Suez, uma média de 47 por dia.[2]

Quando construído, o canal tinha 164 km de comprimento e 8 metros de profundidade. Depois de vários alargamentos, tem 193,30 km de comprimento, 24 m de profundidade e 205 m de largura.[3] A passagem consiste do canal de acesso norte de 22 km, do próprio canal de 162,25 km e do acesso sul, de 9 km.[4]

O canal tem paradas na passagem de Ballah e no Grande Lago Amargo.[5] A via não contém eclusas; a água do mar flui livremente através dela. Em geral, o canal a norte dos lagos amargos fluem para o norte no inverno e para o sul no verão. A sul dos lagos, as seguem a maré em Suez.[6] O canal pertence e é mantido pela Autoridade do Canal do Suez[7] (SCA) do governo do Egito. Nos termos da Convenção de Constantinopla, ele pode ser usado "em tempo de guerra como em tempo de paz, por todos os navios de comércio ou de guerra, sem distinção de bandeira."."[8]

Em agosto de 2014, foi iniciada a expansão da passagem de Ballah em 35 km, ao custo de 8,4 bilhões de dólares, para aumentar a capacidade do canal. O financiamento foi providenciado através da emissão de certificados de investimento exclusivamente para entidades e indivíduos egípcios. Esta expansão deve dobrar a capacidade do canal de Suez 49 para 97 navios por dia.[9] O "Novo Canal de Suez", como a expansão foi apelidada, foi inaugurado em uma cerimônia no dia 6 de agosto de 2015.[10]

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade[editar | editar código-fonte]

Possivelmente no começo da XII Dinastia o faraó Sesóstris III (1878 a.C. - 1839 a.C.) deve ter construído um canal oeste-leste escavado através do Wadi Tumilat, unindo o Rio Nilo ao Mar Vermelho, para o comércio direto com Punt. Evidências indicam sua existência pelo menos no século XIII a.C. durante o reinado de Ramsés II.[11] [12] [13] [14] [15] Mais tarde entrou em decadência, e de acordo com a História do historiador grego Heródoto, o canal foi escavado por volta de 600 a.C. por Necho II, embora Necho II não tenha completado seu projeto.

O canal foi finalmente completado em cerca de 500 a.C. pelo rei Dario I, o conquistador persa do Egito. Dario comemorou seu feito com inúmeras estelas de granito que ele ergue às margens do Nilo, incluindo uma próximo a Kabret, a 130 km de Suez, onde se lê:

Cquote1.svg Diz o rei Dario: Eu sou um persa. Partindo da Pérsia, conquistei o Egito. Eu ordenei que esse canal fosse escavado a partir do rio chamado Nilo que corre no Egito, até o mar que começa na Pérsia. Quando o canal foi escavado como eu ordenei, navios vieram do Egito através deste canal para a Pérsia, como era a minha intenção. Cquote2.svg

O canal foi novamente restaurado por Ptolomeu II Filadelfo por volta de 250 a.C. Nos 1000 anos seguintes ele seria sucessivamente modificado, destruído, e reconstruído, até ter sido totalmente abandonado no século VIII pelo califa abássida Al-Mansur.[16] [17]

Século XIX[editar | editar código-fonte]

A companhia Suez de Ferdinand de Lesseps construiu o canal entre 1859 e 1869. No final dos trabalhos, o Egito e a França eram os proprietários do canal. Estima-se que 1,5 milhão de egípcios tenham participado da construção do canal e que 120 000 morreram, principalmente de cólera.

Em 17 de fevereiro de 1867, o primeiro navio atravessou o canal, mas a inauguração oficial foi em 17 de novembro de 1869. O imperador da França Napoleão III, não estava presente, estando enfermo, sendo representado pela sua esposa a Imperatriz Eugenia, sobrinha do próprio Lesseps. Ao contrário da crença popular, a ópera Aida não foi encomendada ao compositor italiano Verdi para ser apresentada na inauguração, que só foi concluída e apresentada dois anos depois. Também presente como jornalista convidado, o escritor português Eça de Queiroz escreveu uma reportagem para o Diário de Notícias de Lisboa.[18]

A dívida externa do Egito obrigou o país a vender sua parte do canal ao Reino Unido, que garantia assim sua rota para as Índias. Essa compra, conduzida pelo primeiro-ministro Disraeli, foi financiada por um empréstimo do banco Rotschild. As tropas britânicas instalaram-se às margens do canal para protegê-lo em 1882.

Uma das primeiras travessias do canal no século XIX

A Convenção de Constantinopla (1888) estabeleceu a neutralidade do Canal que, mesmo em tempos de guerra, deveria servir a qualquer nação. Mais tarde, durante a Primeira Guerra Mundial, os britânicos negociaram o Acordo Sykes-Picot, que dividia o Oriente Médio de modo a afastar a influência francesa do canal.

Em 26 de julho de 1956, Gamal Abdel Nasser nacionaliza a companhia do canal com o intuito de financiar a construção da Barragem de Assuã, após a recusa dos Estados Unidos de fornecer os fundos necessários. Em represália, os bens egípcios foram congelados e a ajuda alimentar suprimida. Os principais acionários do canal eram, então, os britânicos e os franceses. Além disso, Nasser denuncia a presença colonial do Reino Unido no Oriente Médio e apoia os nacionalistas na Guerra da Argélia.

O Reino Unido, a França e Israel se lançam então numa operação militar, batizada operação mosqueteiro, em 29 de outubro de 1956. A Crise do canal de Suez durou uma semana. A ONU confirmou a legitimidade egípcia e condenou a expedição franco-israelo-britânica com uma resolução.

Com a Guerra dos Seis Dias em 1967, o canal permaneceu fechado até 1975, com uma força de manutenção da paz da ONU, a qual permaneceu lá estacionada até 1974. Quando por ocasião da Guerra do Yom Kipur em 1973 foi recuperado o canal, bem como foram destruídas as fortificações do exército israelense ao longo do canal.

Expansão[editar | editar código-fonte]

Em 2015 foi inaugurada a expansão do Canal de Suez, que permitirá dobrar até 2023 o fluxo diário de embarcações. Para tanto foi construída uma nova "faixa", de 35 km, paralela ao canal já existente, e a dragagem de um trecho de 37 km para torná-lo mais profundo e largo, permitindo a travessia de navios maiores. Os barcos podem agora viajar nas duas direções ao longo de todo o canal, numa viagem de onze horas, diminuindo em sete horas do tempo atual.[19]

A obra permitirá, segundo estimativas do governo, um aumento na arrecadação de US$ 5,3 bilhões para US$ 13,2 bilhões até 2023. E espera-se que comporte um número maior de embarcações que cruzam o canal por dia de 49 para 97. [20] Tais projeções sofrem críticas de especialistas que só enxergam possibilidade de confirmação caso o comércio mundial tenha um crescimento anual de 9%. [21]

Características[editar | editar código-fonte]

O canal não possui eclusas, pois todo o trajeto está ao nível do mar, contrariamente ao canal do Panamá. O seu traçado apoia-se em três planos d'água, os lagos Manzala, Timsah e Lagos Amargos.

O canal permite a passagem de navios de 15 m de calado, mas trabalhos são previstos a fim de permitir a passagem de supertankers com até 22 m até 2010. Atualmente, esses enormes navios devem distribuir parte da carga em outro tipo de transporte pertencente à administração do canal a fim de diminuir o calado e atravessar o canal.

A largura média do canal é de 365 metros, dos quais 190 m são navegáveis. Inicialmente, esses dois valores eram de 52 e 44 m. Situados dos dois lados do canal, os canais de derivação levam o comprimento total da obra a 195 km.

Aproximadamente 15 000 navios por ano atravessam o canal, representando 14% do transporte mundial de mercadorias. Uma travessia demora de 11 a 16 horas.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Porta-avião USS America (CV-66) cruzando o Canal de Suez em 1981.
  • 25 de abril 1859 - início da construção do canal.
  • 16 de novembro de 1869 - o Canal de Suez é aberto; operado e pertencente à Companhia do Canal de Suez (Compagnie Universelle du Canal Maritime de Suez).
  • 25 de novembro de 1875 - o Reino Unido torna-se acionista majoritário do Canal de Suez (172 602 ações de um total de 400 000 ações ordinárias).
  • 25 de agosto de 1882 - os britânicos tomam o controle do canal.
  • 14 de novembro de 1936 - a Zona do Canal de Suez é estabelecida, sob controle britânico.
  • 13 de junho de 1956 - a Zona do Canal de Suez é devolvida ao Egito.
  • 26 de julho de 1956 - o Egito nacionaliza o Canal de Suez.
  • 5 de novembro de 1956 - 22 de novembro de 1956 - forças francesas, britânicas e israelitas ocupam a Zona do Canal de Suez.
  • 22 de dezembro de 1956 - o canal é novamente devolvido ao Egito.
  • 10 de abril de 1957 - o canal é reaberto.
  • 5 de junho de 1967 - 5 de junho de 1975 - o canal é fechado e bloqueado pelo Egito.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Suez Canal guide Marine Services Co. Visitado em 2 de abril de 2010.
  2. Yearly Number & Net Tone by Ship Type, Direction & Ship Status Suez Canal. Visitado em 23 de abril de 2014.
  3. Canal Characteristics Suez Canal Authority (2010). Visitado em 2 de abril de 2010.
  4. Characteristics of the canal.
  5. Suez Canal Authority
  6. The Red Sea Pilot. [S.l.]: Imray Laurie Norie & Wilson, 1995. p. 266.
  7. Site oficial da Autoridade do Canal de Suez.
  8. Constantinople Convention of the Suez Canal of 2 March 1888 still in force and specifically maintained in Nasser's Nationalization Act.
  9. "New Suez Canal project proposed by Egypt to boost trade", 'Cairo News.Net'. Página visitada em 7 de agosto de 2014.
  10. Tadros, Sherine. "Egypt Opens New £6bn Suez Canal", 6 de agosto de 2015. Página visitada em 6 de agosto de 2015.
  11. (em inglês)http://www.1911encyclopedia.org/S/SU/SUEZ_CANAL.htm
  12. (em inglês)http://www.denverseminary.edu/dj/articles1998/0100/0114.php
  13. (em inglês)http://lexicorient.com/cgi-bin/eo-direct-frame.pl?http://i-cias.com/e.o/suez_can.htm
  14. (em inglês)http://www.e-c-h-o.org/khd/location.html
  15. (em espanhol)http://www.realidade.com.br/rih2/egipto.htm
  16. Canal de Suez. Portal Terra. Acessado em 9 agosto de 2015.
  17. Inauguration du canal de Suez. herodote.net. Acessado em 9 de agosto de 2015.
  18. Crônicas de Eça de Queirós sobre a inauguração do Canal de Suez. O Portal da História. Acessado em 9 de agosto de 2015.
  19. O novo Canal do Suez é hoje inaugurado
  20. Novo canal de Suez é aposta do Egito para renascimento
  21. Ditadura egípcia encena grande inauguração de "novo" Canal do Suez - See more at: http://www.rtp.pt/noticias/mundo/ditadura-egipcia-encena-grande-inauguracao-de-novo-canal-do-suez_n849569#sthash.Dl46x76y.dpuf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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