Candomblé Banto

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Candomblé

Religiões afro-brasileiras


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Religiões semelhantes
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O Candomblé Banto (ou candomblé de angola/congo)[1] é uma das maiores nações de candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam quimbundo, Umbundu e quicongo.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra banto é uma reconstrução do protobanto com o significado de gente, termo criado pelo linguista alemão Wilhelm Bleek.[2] O termo banto é usado para identificar os povos da África subsariana que falavam línguas bantas.[3]

Principais inquices[editar | editar código-fonte]

  • Aluvaiá - da comunicação e do corpo humano e guardião da comunidade;[4]
  • Angorô - do arco-íris, que traz a fertilidade do solo com suas chuvas;[5]
  • Kabila - da caça, fatura e abundância;[6]
  • Katendê - das folhas, agricultura e ciência;[7]
  • Caviungo[8] ou Cafungê[9] - da saúde e da morte;[10]
  • Dandalunda - das águas doces, fertilidade, fecundação, ouro, amor, beleza e riqueza;[11][12][13][14]
  • Gangazumba - da lama e dos pântanos;[15]
  • Nkosi - da forja, do ferro, da tecnologia, agricultura, guerras e soldados;[16]
  • Lembá - da procriação e da paz, pai de todos os inquices;[17]
  • Matamba - dos ventos, raios, tempestades e fertilidade;[18]
  • Pambu Njila - dos caminhos, encruzilhadas, bifurcações e comunicação;[19]
  • Kitembo - do tempo cronológico e mítico, atmosfera, tempestade e vento;[20][21]
  • Nvunji - da inocência e protetor das crianças;[21]
  • Nzazi Luango - dos trovões e relâmpagos e a representação do equilíbrio do cosmo;[22]

Rituais (jipangu)[editar | editar código-fonte]

No candomblé de angola, os sacramentos são:

Foto de um terreiro de candomblé de angola na Bahia, na década de 1940
  • Maionga - Banho de ervas frescas maceradas na água doce, feito para limpeza e purificação espiritual.
  • Mujinga - Ritual de limpeza e purificação, feito com banho de pipoca.
  • Kudibala koxi kisaba - Rito de caída sob as folhas.
  • Nkudia Mutue - Ritual de energização de força (ngolo/nguzu), da cabeça (mutuê), feita através de comidas (Nkudia).
  • Kukuana - Celebração de divisão dos alimentos.
  • Nkudia Mutuê Mahinga/Mayonge - Energização de forças da cabeça, através de sangue.
  • Sakulupemba - Sacudimento; ritual de limpeza e purificação com folhas.
  • Katula o jindemba - Ritual de tirar os cabelos; raspagem.
  • Kujinga - Ritual de cortes ritualísticos (kura).
  • Kutambula Nfita - Ritual do Juramento.
  • Kuhandeka/Ukalakele - Ritual de iniciação; "feitura de santo".
  • Kizuá Dijina - Ritual do nome do iniciado.
  • Kuvumbu Kuala Nkita - Obrigação secreta, realizada na Mata.
  • Dizungu Kilume - Saída do santo.
  • Kadianga mivu - Primeiro aniversário.
  • Katatu Mivu - Terceiro aniversário.
  • Kakuinhi Iéia mivu - Décimo quarto aniversário.
  • Kamakuinhi kadianga mivu - Vigésimo primeiro aniversário.
  • Kituminu - Obrigação para o inquice.
  • Kituminu Kizomba ia Kitembu - Obrigação e festa de Kitembu.
  • Ndanka kua Nkosi - ritual de jura para Nkosi.
  • Leri - Ritual de segredo dos Antigos.
  • Ntambi/Mukondo - Ritual fúnebre.
  • Kufunda - Cerimônia fúnebre no cemitério (enterro).
  • Pangu ni Nvumbi - Rito para alma do morto.
  • Pangu ni Makulu - Ritual para os antepassados.
  • Maku ia Nvumbi - Ritual de "tirar a mão do morto".
  • Lukombo - Celebração de homenagem aos mortos.
  • Kunda kubanga Mivu - Purificação do ano.
  • Kutambula Ntanda - Obrigação que autoriza os ensinamentos dos oráculos e transmissão dos direitos aos ensinamentos.

Existem muitos outros rituais do candomblé Congo/Angola, porém esses são os mais importantes e conhecidos.

Cargos (kijingu)[editar | editar código-fonte]

Na hierarquia do candomblé de angola, os cargos de maior importância e responsabilidade são:

  • Tata/Mameto ria inquice - Sacerdote/Sacerdotisa chefe; pai/mãe de santo.
  • Tata/Mameto Ndenge - Pai/Mãe Pequeno(a)
  • Kambondo: Todos os homens não rodantes confirmados.
  • Makota: Todas mulheres não rodantes confirmadas.
  • Koota Maganza - rodantes com mais de sete anos de iniciação.
  • Maganza - Todos os rodantes iniciados, com mais de 3 anos.
  • Muzenza - Iniciados com menos de 3 anos.
  • Ndumbe - Pessoas não iniciadas.
  • Além desses, existem vários outros cargos.

Referências

  1. Candomblé Bantu e a importância dos afro-saberes na educação
  2. Raymond O. Silverstein (1968). «A note on the term 'Bantu' as first used by W. H. I. Bleek» (em inglês). Consultado em 29 de Agosto de 2018 
  3. Cultura Bantu Ngola – Parte 1
  4. Barros 2007, p. 55; 211.
  5. Barros 2007, p. 238-239.
  6. Barros 2007, p. 238; 255.
  7. Barros 2007, p. 55; 107; 130.
  8. Castro 2001, p. 207.
  9. Prandi 2007, p. 191.
  10. Filho 2016, p. 50.
  11. Lima 1996, p. 154.
  12. Castro 2001, p. 327.
  13. Barros 2007, p. 244; 261.
  14. Ferreira 1986, p. 519.
  15. Barros 2007, p. 55.
  16. Barros 2007, p. 244-245.
  17. Barros 2007, p. 220-221.
  18. Barros 2007, p. 253-254.
  19. Barros 2007, p. 251.
  20. Queiroz 2012, p. 34.
  21. a b Barros 2007, p. 256-257.
  22. Barros 2007, p. 258-260.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barros, Elisabete Umbelino de (2007). Línguas e Linguagens nos Candomblés de Nação Angola. São Paulo: Universidade de São Paulo 
  • Castro, Yeda Pessoa de (2001). Falares africanos na Bahia: um vocabulário afro-brasileiro. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras 
  • Ferreira, A. B. H. (1986). Novo dicionário da língua portuguesa 2 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira 
  • Filho, Edmilson Amaro da Hora (2016). Ecopedagogia no Terreiro de Candomblé Angola. Recife: Universidade Federal de Pernambuco 
  • Lima, Tânia Andrade (1996). Sincretismo Religioso: O Ritual Afro. 4. São Paulo: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana 
  • Queiroz, Amarino Oliveira de (2012). «Sob a árvore das palavras: oralidade, escrita e memória nas literaturas de língua portuguesa». INTERSEMIOSE Revista Digital 
  • Prandi, J. Reginaldo; Lira, Joana (2007). Contos e lendas Afro-brasileiros: a criação do mundo. São Paulo: Companhia das Letras 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]