Cane corso

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Cane corso
Cane corso
Outros nomes Cane corso italiano
Mastiff Italiano
País de origem  Itália
Características
Peso macho 45-50 kg
Peso fêmea 40-45 kg
Altura macho 62-70 cm na cernelha
Altura fêmea 58-66 cm na cernelha
Cor preto, cinza, cinza ardósia, cinza claro, tigrado, fulvo claro, fulvo escuro e vermelho cervo
Expectativa de vida 10-11 anos
Classificação e padrões
Federação Cinológica Internacional
Grupo 2 - Cães de tipo Pinscher e Schnauzer, Molossóides e Cães de Montanha, e Boiadeiros Suiços
Seção 2 - Molossos, tipo dogue
Estalão #343 - 24 de junho de 1987

O cane corso[Nota](em italiano: ˈkaːne ˈkɔrso) é uma raça canina molossoide de grande porte oriunda da Itália. O Cane corso é valorizado em seu país de origem como de cão de guarda de fazendas e como cão de caça de javalis. Sua origem, bem como a de outras raças, é antiga e imprecisa, embora alguns historiadores afirmem que seja um descendente direto do canix pugnax(ou Canis pugnaces), antigos molossos de guerra romanos. Apesar disso, sua criação organizada só deu-se em meados da década de 1980, sendo reconhecida internacionalmente a partir da década seguinte. Fisicamente, pode chegar a pesar 50 kg e medir 68 cm na altura da cernelha.[1] Se apresentam nas cores preto, cinza(azul), fulvo, tigrado, vermelho-cervo e variações dessas cores.  

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Levando em consideração a língua italiana moderna, "Cane Corso" significaria "Cão da Córsega". Porém, apesar de existirem citações seculares a cães da Córsega(Córsega é uma ilha bem próxima à Itália), a verdadeira etimologia da nomeação da raça é imprecisa. Segundo alguns autores, "Corso" advém do substantivo feminino em Latim Cohors que significa "quintal", "Pátio". Neste caso Cane corso pode ser interpretado como "Cão de quintal"; "Cão que guarda o quintal/propriedade"; ou até "Cão de fazenda", já que tradicionalmente a raça é utilizada para guarda de fazendas. Outros relatam também a possibilidade de "corso" derivar do termo Celta "coarse", que significa "robusto". [2][3][4][5][6][7][8]

História[editar | editar código-fonte]

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Mosaico Cave canem ("Cuidado com o cão"). Um aviso muito utilizado no Império Romano. Museu arqueológico de Nápoles.

O Cane Corso é considerado um descendente direto do mítico canix pugnax (em latim: "Cão de guerra ou de combate"), um tipo de cão molossoide utilizado pelos romanos em todo o Império em atividades de guerra, combate para entretenimento, caça de grandes animais, e também como cães de guarda de vilas, prédios públicos e casas particulares, onde é comum encontrar os famosos mosaicos Cave canem que avisavam sobre a possível presença destes cães guardiões, que ficavam presos em correntes durante o dia na entrada do local e soltos durante a noite. Por vezes estes possuíam também orelhas e cauda cortadas.[9]

O nome da raça deriva de "cane da corso", um termo italiano antigo para definir os cães de captura utilizados em actividades rurais (para guiar e controlar o gado e os suínos; e para caçar o javali). Este termo é distinto de "cane da camera", que servia para identificar os cães de agarre que eram mantidos como cães de guarda. No passado recente, a sua distribuição foi limitada a algumas regiões do Sul da Itália, especialmente à Basilicata, Campânia e Puglia.

Cane corso em Puglia

O Cane Corso é um cão de agarre ou captura, usado no controle de bovinos e suínos, e também na caça de javalis. Os Cane Corso eram utilizados para guardar propriedades e o gado contra ladrões e predadores, e alguns continuam a ser utilizados para este propósito hoje em dia. Historicamente têm sido também utilizados por guardas noturnos, vigilantes e, no passado, por carroceiros como condutores de gado. Num passado mais distante, esta raça era comum por toda a Itália, servia como um grande testemunho iconográfico e histórico.

Com a mudança de vida nas zonas rurais do sul de Itália no século XX, o Corso começou a tornar-se raro. Um grupo de entusiastas, liderados por Paolo Brebere, "descobriu" a raça esquecida e começou a recuperá-la reunindo os últimos exemplares para trazê-la de volta, a partir da sua quase extinção, no final dos anos 1970.

Alguns dos criadores pioneiros atestam que após o início da recuperação da raça, alguns novos criadores utilizaram-se de mestiçagens para desenvolver cães de acordo com suas preferências pessoais, sem se preocupar com a preservação da genética da raça em sua essência original ou sua saúde e funcionalidade. E por consequência surgiram cães com características não naturais da raça, à exemplo do prognatismo, que teria sido adquirido com a mescla com Boxer e Dogue de bordeaux. Sobre este tema, Federico Lavanche, um criador purista de cane corso, cita:[10]

"Por volta dos anos 80 e 90, mais do que criar cães, algumas pessoas pareciam brincar com Lego. Fazendo suas próprias construções: um pedaço disso, um pedaço daquilo ... e obviamente não é que eles se preocupavam com o uso de cães saudáveis: não! Eles estavam preocupados com o uso de cães com uma boa quadratura de focinho. E, portanto, o pobre cane corso, que durante séculos e séculos permaneceu discretamente homogêneo e decisivamente saudável apesar do (ou talvez "graças ao"?) desinteresse total da cinofilia oficial, começou a assumir diferentes formas, cores e personalidades dependendo da criação de onde vinha, recolhendo todas as doenças genéticas oferecidas pelas outras raças com as quais foi cruzado "ocultamente" ("ocultamente", porque todos sabiam disso). A epilepsia que ele nunca teve (mas o boxer sim), a displasia do quadril e os osteocondritos que ele nunca teve (mas o dogue de bordeaux sim), patologias oculares e toda uma série de problemas de personalidade que ele nunca teve".[11]
www.italian-cane-corso.com

Em 1994, a raça foi totalmente aceita pelo Italian Kennel Club (ENCI)" como a 14ª raça de cães italiana. Um cane corso macho chamado Basir foi adotado como exemplo ideal da raça.

A FCI provisoriamente aceitou o Corso em 1997 e, dez anos depois, foi totalmente reconhecido internacionalmente.

Nos EUA, o American Kennel Club reconheceu o Cane Corso em 2010. A popularidade da raça continua a crescer, classificando-o em 50º lugar nos Estados Unidos em 2013, dando um salto do 60º lugar alcançado em 2012.

Características[editar | editar código-fonte]

Aparência  [editar | editar código-fonte]

O Cane Corso é um cão molosso de porte grande, que está de perto relacionado com o Mastim Napolitano e o Cane da presa.

Cane Corso Fulvo Claro

É bem musculoso e menos volumoso que a maioria das outras raças molossóides. A raça é conhecida como a verdadeira e muito possivelmente a última da linhagem dos verdadeiros Mastins. Um Cane Corso deve ter a pele moderadamente firme, no entanto, algumas barbelas no pescoço são normais e o inferior da mandíbula deve ser definido por um lábio pendurado.

Tamanho[editar | editar código-fonte]

Segundo os padrões oficiais da Fédération Cynologique Internationale (FCI) espera-se que estes cães tenham idealmente entre 58-70 cm até à altura da cernelha - com as fêmeas sendo menores (58-66 cm) e os machos maiores (62-70 cm). O peso deve ser proporcional ao tamanho e a estatura destes cães, variando entre 45 e 50 kg para os machos, e entre 40 e 45 kg para as fêmeas. O aspecto geral deve transparecer potência e equilíbrio com capacidade atlética.

Cabeça[editar | editar código-fonte]

A cabeça do Cane Corso é indiscutivelmente a sua característica mais importante. É grande e imponente. O stop deve ser plana e paralelo com o focinho. O focinho é plano também, retangular quando visto de cima, e geralmente tão largo quanto comprido, aproximadamente 33% do comprimento total do crânio. Os olhos têm forma de amêndoa, alinhados e, quando vistos de frente, ficam dispostos ligeiramente acima da linha do focinho.

Olhos[editar | editar código-fonte]

Os olhos escuros são preferidos, no entanto, a cor dos olhos tende a ser semelhante a cor do pelo.

Cane Corso Preto

Orelhas e cauda[editar | editar código-fonte]

Tradicionalmente, as orelhas são cortadas curtas em triângulos equiláteros que ficam eretos, contudo, como a conchectomia já não é permitida em muitos países, o Cane Corso com orelhas naturais esta a tornar-se mais comum. As orelhas devem ficar suavemente penduradas contra a cabeças, vindo até ou ligeiramente abaixo do nível dos olhos. A cauda do Cane Corso é tradicionalmente cortada, razoavelmente comprida, na 4ª vértebra. Novamente, com as alterações nas tendências de cirurgias estéticas para cães, muitos Cane Corsos têm agora as caudas naturais, estas assumem a posição ereta ou encaracolada para trás.

Com a proibição do corte de orelhas e de cauda no Brasil, criadores brasileiros optaram por levar seus cães para realizar o procedimento em outros países próximos, como a Argentina, onde é permitido.

Cor[editar | editar código-fonte]

O Cane Corso apresenta-se em duas cores base: preto e castanho. E em variações dessas cores que ocorrem através da "diluição" de um pigmento, criando as cores "azul" (cinza) e "frumentino" ou "formentino" (de castanho "fawn", onde a máscara é preta/cinza). A variação da intensidade de castanho ou cinzento em ambas as cores base é também comum, criando "tigrado" (preto acastanhado/acinzentado), e "Grigio Tigrato" (azul acastanhado/acinzentado). Marcas brancas são comuns no peito e pontas dos dedos. Grandes manchas brancas não são desejáveis.

Temperamento[editar | editar código-fonte]

O Cane Corso não é recomendado para donos de cães sem experiência. Como todo cachorro, ele requer forte liderança e treino consistente. O seu instinto natural é ser desconfiado com estranhos e por esta razão é altamente recomendável que comecem a socializá-lo desde filhote. Idealmente, o Cane Corso deve ser indiferente quando abordado e deve apenas reagir de um modo protetor quando uma ameaça real estiver presente.  

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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