Cao Guimarães (cineasta)

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Cao Guimarães
Nascimento 1965 (52 anos)
Belo Horizonte
Nacionalidade Brasil Brasileiro
Residência Belo Horizonte
Ocupação Cineasta e artista plástico
IMDb: (inglês)

lucas

Cao Guimarães, cineasta e artista plástico, nasceu em 1965 em Belo Horizonte, onde vive e trabalha. É graduado em filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e jornalismo na Pontifícia Universidade Católica - PUC, em Belo Horizonte, de 1983 a 1986. Posteriormente torna-se mestre em estudos fotográficos pela Westminster University, em Londres. Antes dedicado à fotografia, a partir dos anos 1990  produz vídeo, videoinstalações e filmes.

Em 1993, recebe o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Arte, para desenvolvimento do ensaio fotográfico Ex-Votos, com Rivane Neuenschwander . Em 1997, participa de curso sobre cinema experimental em The National Film-Makers Cooperation, em Londres. No fim da década de 1990, passa a realizar principalmente documentários experimentais. Como cineasta e videomaker dirige os filmes Otto,Eu Sou Um Outro (1998); The Eye Land, (1999);Sopro (2000); Hypnosis (2001); Word/World (2001); Fim do Sem Fim (2001); Volta ao Mundo em Algumas Páginas (2002); A Alma do Osso (2004); Rua de Mão Dupla (2004);Da Janela do Meu Quarto (2005); Concerto para Clorofila (2005); entre outros.

Desde o fim dos anos 1980, exibe seus trabalhos em museus e galerias como Tate Modern, Guggenheim Museum, Museum of Modern Art NY, Gasworks, Frankfurten Kunstverein, Studio Guenzano, Galeria La Caja Negra e Galeria Nara Roesler. Participou de bienais como a XXV e XXVII Bienal Internacional de São Paulo e Insite Biennial 2005 (San Diego/Tijuana). Alguns de seus trabalhos foram adquiridos por coleções como Fondation Cartier Pour L’art Contemporain, Tate Modern, Walker Art Center, Guggenheim Museum, Museu de Arte Moderna de São Paulo, MoMA NY, Instituto Cultural Inhotim, entre outros.

É premiado em festivais de vídeo e de cinema nacionais e internacionais. Publica artigos, críticas de arte e contos em suplementos literários de jornais e revistas.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e adolescência[editar | editar código-fonte]

Durante a infância Cao observava projeções de filmes da própria família em feitos em 16mm. O projetor de era de seu avô, que era médico pediatra, tendo assim interesse científico de registrar crianças enfermas que passavam pelos cuidados do hospital (casos de gêmeos raros como o de xipófagos, por exemplo). Na adolescência, Cao gostava de projetar estas imagens e as observar. Para ele, a estética mórbida de suas fotografias nos anos 80 pode ser atribuída a esta experiência.

Do avô, Cao herdou uma câmera super 8, com a qual realizou diversos trabalhos. Ele gostava de levar o equipamento para os lugares que frequentava, em seus passeios pela cidade. Cursou filosofia na UFMG e Jornalismo na PUC de Belo Horizonte. Neste período, trabalhou fazendo álbuns de casamento.

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Em seus primeiros trabalhos artísticos com fotografia, trabalhava em laboratórios improvisados e experimentais. Influenciado pela estética exagerada dos anos 80 elas tinham diversas camadas, o que ele costuma chamar de “surrealismo barroco”.

Faz parte da geração de artistas plásticos mineiros como Zé Bento, Cristiane Renó, dos quais era amigo e parceiro de trabalhos.

Cao é  vinculado ao coletivo de realizadores Teia[2], formado em Belo Horizonte.. Com nomes como Helvécio Marins, Pablo Lobato e Marília Rocha, a Teia se assume diretamente influenciada por Cao, ainda que não busque fazer filmes como os dele.

Nos anos 90, casa-se com a artista plástica Rivane Neuenschwander.. Ela ganha uma bolsa de estudos em Londres, e Cao beneficia-se como “bolsista cônjuge”, passando assim um longo período de ócio criativo. A experiência de estar só em um lugar diferente muda sua visão do Brasil e do mundo. Passava os dias registrando eventos banais de seu cotidiano em sua super-8.

Aos 32 anos, inicia estudos na Universidade de Westminster através apresentação de seu portfólio de fotografias.

Seu desejo de fazer cinema coincide com o momento de transição do cinema para o vídeo. Desde o início de sua carreira como cineasta, trabalha em conjunto com Nelson Soares e Marco Moreira, ou “O Grivo”, que trabalham com a parte sonora dos filmes de Cao, usando o som como potencializador da narrativa.

Obra[editar | editar código-fonte]

A força conceitual das artes plásticas e o exercício cinematográfico do olhar convergem na obra de Cao Guimarães, reconhecida por seu impacto e por sua particularidade, tanto no mundo da arte como no do cinema.  [3]

Os filmes de Cao Guimarães expressam de forma exemplar um cruzamento uma circulação cada vez mais intensos entre documentário e arte contemporânea, domínios até pouco tempo distantes, e mesmo hostis entre si. Cineastas que trabalham prioritariamente no documentário criam instalações para serem expostas em museus e galerias ao mesmo tempo em que artistas expandem suas criações para o campo das imagens documentais. Os longa-metragens de Cao Guimarães são fortemente marcadospela fotografia, filmes experimentais e vídeos instalações que o artista realiza desde o início dos anos 90.[4].

Livro[editar | editar código-fonte]

No ano de 1996 ,Cao dá início a um processo que chamou de “Sequestro” . Com os olhos vendados, ele tirava fotografias em lugares escolhidas por algum amigo, que o conduziria. Depois desse processo, através das imagens que captou e de seus outros sentidos e sensações vividas ele narrava o acontecimento. Este processo foi transformado no livro "Histórias do Não Ver".[5]

A última experiência de “sequestro” foi marcante, o que resultou no desejo de terminar o processo. Um amigo de Cao contratou dois atores para encenar um sequestro, sem que Cao soubesse que aquilo era uma farsa. Em seu apartamento, ele foi surpreendido, e viveu momentos de muito medo.

Vídeo Arte[editar | editar código-fonte]

Sin-peso[6][editar | editar código-fonte]

Filmado no méxico, em parceria com O Grivo.

Foi realizada uma pesquisa prévia de som, mistura de falas de vendedores ambulantes, pessoas que gritam nas ruas. As que se sobrepõe a esses sons são coloridas e geométricas.

Inquilino[7][editar | editar código-fonte]

Em uma casa em obras, pairam grande bolha de sabão fabricadas com a ajuda de gás hélio. Tentativa de atribuir um clima de suspense no vídeo.

Hypnosis[8][editar | editar código-fonte]

Feito em Kodachrome, o filme foi realizado em um parque de diversões, depois de uma noite de bebedeira.

Rua de mão dupla (instalação):[editar | editar código-fonte]

Foram convidadas pessoas que não se conheciam, para uma troca de casas, durante 24 horas. Ao final do dia, Cao pediu para que fosse feito um relato sobre a pessoa que mora na casa. Os comentários são colocados ao lado a uma retrato filmado do dono da residência.

Com o material desse projeto, foi montado também um documentário.

Cinema[editar | editar código-fonte]

Alma do Osso:[editar | editar código-fonte]

Construção e desconstrução do personagem: na primeira parte do filme, Cao monta um eremita ideal, criado em sua cabeça antes de fazer um filme. Um homem que não fala. Depois, descontrói isso, deixando a personalidade de Dominguinhos, o eremita em questão, vir a tona, pois ele não parava de falar durante a filmagem do documentário.


Ex-isto[editar | editar código-fonte]

O Itaú cultural convidou Cao para realizar um filme sobre Paulo Leminsky, o que o levou a adaptar de uma forma muito peculiar o primeiro livro e único romance do poeta, o Catatau.


Na obra em questão, Leminski imagina (o filósofo) René Descartes vindo aos trópicos, na época da invasão holandesa do Maurício de Nassau. 

Andarilho[editar | editar código-fonte]

Andarilho se organiza fazendo conviver uma grande economia e delicadeza no modo de filmar esse universo de extrema singularidade, com raros movimentos de câmera, uso do tripé muito presente e planos longos que observam pequenos acontecimentos, ao mesmo tempo em que é exagerado, excessivo, brutalmente separado da informação. Na fala de um dos andarilhos, por exemplo, sua voz começa encoberta pelo som de um caminhão, logo depois podemos ouvir o que ele fala para em seguida seu texto se transformar apenas em gestos corporais – uma boca que mexe, uma cabeça que balança, mãos que gesticulam. O texto desapareceu engolido pelo universo do filme e dos andarilhos. E, quando o texto volta, ele adere a esses movimentos não-narrativos e passa a ser ele também uma modulação do que há para ver e ouvir nesse mundo que vai se inventado com esses homens. Os textos frequentemente são partes dos gestos corporais, menos comunicacionais que sensoriais.

O vapor que brota do asfalto faz vibrar toda a imagem. Suspende a dureza do chão e do asfalto quente e nos joga nessas passagens em que aparecem os andarilhos do filme. Os carros também estão ali, atravessam o filme na suspensão dessas imagens apuradas e fugidias, mas são também barulhentos, rápidos e agressivos.

Os andarilhos aparecem como figuras desgarradas, habitantes de passagens, lugares quaisquer em estradas quaisquer. As passagens existem nas estradas, claro, mas também entre o céu e a terra, entre a narração e um universo caótico. Quase no final do filme um dos três personagens traça seu caminho em um mapa. Este gesto aparece como um choque. O que parecia ser apenas algumas vidas levadas pelo vento (outra imagem do filme) tem também um caminho a ser percorrido. Nesse choque, mais uma vez o filme e os andarilhos se colocam nessa fronteira entre o que prende ao chão, o roteiro e o mapa e o que é puro desgarramento, palavras mais sonoras que do que formas de comunicação, gestos mais estéticos do que expressivos[9]

Rua de Mão Dupla[editar | editar código-fonte]

O fim dos sem fim[editar | editar código-fonte]

O fim dos sem fim é um documentário de longa- metragem que tem como pano de fundo o eminente desaparecimento de certos ofícios e profissões no Brasil.

Rodado nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Alagoas, Sergipe, Pernambuco, Paraíba e Ceará, o filme é um mergulho na inventividade e resistência do brasileiro diante das mudanças tecnológicas e culturais. O filme, co-dirigido por Lucas Bambozzi e Beto Magalhães, foi finalizado em 2001.

Otto[editar | editar código-fonte]

Curta-metragem, 21 minutos, lançado em 1998. Co-dirigido por Lucas Bambozzi.

Otto, de aproximadamente 33 anos, vive em um centro urbano. Passou sua infância numa fazenda, onde desenvolveu uma espécie de segunda personalidade. Compartilhava brincadeiras relacionadas à formas primitivas de comunicação com esse seu “duplo”.  O filme se utiliza da ficção para evidenciar conceitos relativos à duplicidade, dificuldade de comunicação, e a turbulência mental gerada pelo peso de uma existência.

O homem das multidões[editar | editar código-fonte]

Processo de criação em vídeo[editar | editar código-fonte]

Para explicar seus trabalhos e falar de processo de criação, Cao evoca um conceito recorrente, relacionando o ato de criar com a relação com a reação de uma pessoa ao ver um rio e as diversas reações que podem alterar a realidade deste. 

A pessoa pode optar por apenas observar o rio, em um estado contemplativo (como em Hipnosis) ; pode apenas jogar uma pedra e causar uma pequena tremulação(Rua de mão dupla); ou pode se jogar dentro do rio, ficando totalmente imerso (Andarilho, Alma do Osso).

Prêmios[editar | editar código-fonte]

2014

Festival de Guadalajara 

Prêmio Especial do Júri, 

“O homem das multidões”(2013)

2013

Festival do Rio, “O homem das multidões”(2013)

Melhor direção

2012

45 Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. “Otto” (2012)

Melhor filme (longa-metragem documentário)

2008

Prêmio Lady Harimaguada de Oro - Melhor filme" no 9º Festival Internacional de Cine de Las Palmas de Gran Canaria com o filme "Andarilho"

2007

Prêmio de "Melhor Filme" no Forumdoc.bh.2007 - 11º Festival do Filme Documentário e Etnográfico / Brasil, com o filme "Andarilho"

Prêmio "Melhor Diretor" no Festival Internacional de Cinema do Rio, com o filme "Andarilho"

Prêmio de "Melhor Documentário IberoAmericano" no 22o Festival Internacional de Cinema de Guadalajara, com o filme "Acidente"

2006

Prêmio "ABDeC de Melhor Documentário" no Festival de Cinema do Rio, com o filme "Acidente"

2005

Prêmio de "Melhor Filme" no X Festival Internacional de Documentários - É Tudo Verdade / Brasil, com o filme "Da Janela do Meu Quarto"

Prêmio de "Melhor Curta Metragem" no III Cine Esquema Novo/Brasil, com o filme "Da Janela do Meu Quarto"

2004

Prêmios "Melhor documentário da Competição Internacional" (Júri Oficial) e "Melhor documentário da Competição Nacional" (Júri Oficial) no IX Festival Internacional de Documentários - É Tudo Verdade / Brasil

Prêmio de "Melhor Curta Metragem" no Festival de Curtas do Rio de Janeiro/Brasil, com o filme "Da Janela do Meu Quarto"

2001

 Prêmio aquisição no XXVII Panorama da Arte Brasileira - MAM, SP com a instalação "Histórias do Não Ver"

Prêmio E-cinema (filmes experimentais) no II Festival Brasil Digital, pelo filme "Sopro"

Prix George de Beauregard / Canal + - Competição Internacional do Festival Internacional do Documentário / fictions du réel / Marseille - França, com o filme O Fim do Sem Fim

Prêmio Cinema Indireto no Forumdoc.bh.2001 (V Festival do filme documentário e etnográfico, Belo Horizonte, com o filme "O fim do sem fim"

Prêmio de Melhor Montagem na competição de longas metragens do XI Cine Ceará, com o filme O Fim do Sem Fim

Prêmio GNT de Renovação de Linguagem no VI Festival Internacional de Documentários "É tudo verdade" com o filme O Fim do Sem Fim

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Título
1998 Otto, Eu Sou um Outro
2000 Sopro
2000 O Fim do Sem-Fim
2001 Hipnosis
2002 Coletivo
2003 Nanofania
2004 Da Janela do meu Quarto
2004 Rua de mão dupla
2004 A Alma do Osso
2005 Concerto para Clorofila
2006 Peiote
2006 Acidente
2007 Andarilho
2010 Ex-isto

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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  1. «Itau Cultural - Guimarães, Cao (1965)» 
  2. [www.teia.art.b «Coletivo Teia»] Verifique valor |URL= (ajuda) 
  3. «Dossiê Sesc SP Cao Guimarães» 
  4. «Tempo e dispositivo no documentário de Cao Guimarães» (PDF) 
  5. «Site de Cao Guimarães. Histórias do Não Ver.» 
  6. «Sin Peso» 
  7. «Inquilino» 
  8. «Hypnosis» 
  9. «Crítica da revista cinética de Cezar Milhorin sobre o filme Andarilho»