Capela Nosso Senhor dos Passos

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Capela Nosso Senhor dos Passos
Aspecto da Santa Casa e da Capela em c. 1850-60.

A Capela Nosso Senhor dos Passos é um pequeno templo Católico localizado no interior do edifício histórico da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

História[editar | editar código-fonte]

A Santa Casa foi fundada em 1803, e tardou em edificar um templo para atendimento dos doentes internos. O 1º Livro de Rezoluções da Irmandade da Santa Caza da Mizericordia,[1] em seu primeiro registro, de 24 de janeiro de 1814, parece, apesar do texto ilegível em muitas partes, dar conta da existência de uma imagem do Senhor dos Passos de propriedade da Devoção [2] de mesmo nome, e administrada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento, e da necessidade de estabelecer uma capela ou igreja no Hospital Público da Miziricordia, onde se conserve o Santíssimo Sacramento para dali ser ministrado aos enfermos pelos Irmãos da Miziricordia, e solicita recursos para esse estabelecimento e para o traslado da imagem.

O assentamento seguinte, de 11 de julho de 1814, acusa a necessidade de se eleger um novo Provedor e ampliar a corporação a fim de angariar esmolas. Igualmente aconselha a fusão da Irmandade com a Devoção, cuja imagem a esta altura se achava na Sacristia da Matriz de Porto Alegre, declarando que ela poderia servir como Padroeira para o Hospital, uma vez que a dita imagem já atraía um rendimento de esmolas suficiente para a construção da capela. O deferimento do pedido veio em 26 de julho do mesmo ano, assinado por Dom Diogo de Souza, do Conselho de Sua Alteza Real e governador da Capitania de São Pedro do Rio Grande, sendo registrado no Livro dos Registros Ordinários da Câmara da Capital em 14 de dezembro de 1814. A construção efetiva, porém, se deu em torno de 1819, durante a Provedoria do Desembargador Luiz Corrêa Teixeira de Bragança, perdurando esta primeira capela até 1858, quando foi demolida para dar lugar a um novo edifício.[3]

Desde lá perde-se notícia da capela até 29 de junho de 1909, quando o Jornal do Commercio prometia "para breve uma arquitetura moderna vir entoar o cântico quase secular da psalmodia do frei Joaquim do Livramento",[4] numa referência ao fundador da Santa Casa e à transformação no estilo do pequeno templo. Uma placa comemorativa no interior da Santa Casa, com data de 1911 - sua provável reinauguração - narra que o Provedor, tenente-coronel Antônio Soares de Barcelos, havia mandando entre 1909 e 1910 reconstruir quase por completo o templo, tendo respectivamente como arquiteto e contramestre Victor Ferlini e Hugo Ferlini. Mesmo não havendo registros sobre o caráter e extensão exatos desta reforma, com certeza foram importantes, a julgar por sua fachada atual neogótica e seu interior com elementos neoclássicos, resultando num conjunto eclético.

Desta data até a intervenção seguinte registrada [5] ocorre um novo hiato, também extenso, e em 2004 a capela recebe restauro, estando em perfeito estado de conservação.

Características[editar | editar código-fonte]

Imagem do padroeiro, o Senhor dos Passos, no altar-mor

A fachada, com um corpo central e duas torres sineiras laterais com pilastras em destaque nas quinas, se desenvolve em quatro níveis: o primeiro é um embasamento elevado, sem aberturas. O segundo nível mostra uma grande janela ogival ao centro, fechada por um vitral e emoldurada por uma balaustrada abaixo e um frontão acima, e nas torres há pequenas aberturas de contorno semelhante, mas cegas. Segue um friso saliente decorado com motivo floral, e logo acima três janelas, também de ogiva e com vitrais, ladeadas, já no corpo das torres, por aberturas similares mas com mainel e óculo. Imediatamente aparece uma cornija decorada com arcos góticos pequenos, servindo como base para o frontão principal, um triângulo rebaixado de empenas retas, óculo redondo e uma cruz metálica no vértice superior. Dos lados as torres abrem grandes vãos ogivais, com pináculos nos cantos e coruchéus em cúpula de quatro águas e lanterna de arremate.

A entrada se dá por dentro do edifício da Santa Casa, e o interior da capela tem planta em L, com uma nave única com coro, janelas só à esquerda, e um espaço anexo, com bancadas, à esquerda da capela-mor, que fica ao fundo da nave, sendo delimitada por um grande arco redondo e um gradil. O teto é plano, com curva junto às paredes, sendo dividido em áreas quadradas com medalhões ao centro, de onde pendem lustres contemporâneos. Motivos geométricos e outros medalhões com imagens diversas completam a decoração do teto.

As paredes são quase nuas, salvo por uma imagem em relevo da Virgem da Misericórdia à esquerda, e uma magnífica Via Sacra ao longo da parede direita, em telas pequenas mas de concepção muito refinada. As duas portas de entrada e a que leva à sacristia são revestidas de almofadões com rica talha de um barroco colonial tardio.

Nave e capela-mor

A capela-mor tem um belo altar-mor neoclássico, singelo na decoração mas de proporções harmoniosas, com três nichos para estatuária. O nicho central, bastante profundo, ladeado por duas elegantes colunas coríntias, abriga uma grande imagem do Senhor dos Passos, um exemplar significativo das tradicionais estátuas de roca da devoção colonial de herança barroca, cujo impacto dramático é aumentado por jogo de iluminação.

Os nichos laterais abrigam outras imagens, sendo que o da direita mostra uma bela Nossa Senhora da Misericórdia, também de talhe barroco. Sobre o altar, um florão em motivo de concha inserido em um arco redondo, e como arremate, acima do conjunto, uma pintura mural representando o Divino Espírito Santo. O teto é uma abóbada de berço com decoração semelhante à da nave.

O espaço à esquerda da capela-mor possui igualmente significativa estatuária, como uma Imaculada Conceição neogótica, um Sagrado Coração de Jesus, ambos do início do século XX, e sobretudo uma majestosa Nossa Senhora do Rosário, realizada no século XIX, com o Menino Jesus nos braços e um grupo de anjos a seus pés.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Castro, Lourenço Junior de, in 1º (Livro de) Rezoluç(õe)s da Irm(anda)de da Santa Caza da Mizericordia. Manuscrito inédito. O primeiro, segundo e terceiro assentamentos dão notícia de documentos já possivelmente perdidos, de data anterior à abertura do livro (20 de outubro de 1814). O quarto assentamento é a declaração do escrivão dando fé. Porto Alegre, 1814. Gentilmente cedido para consulta pela equipe dos arquivos históricos da Santa Casa
  2. Devoção, neste contexto, significa um grupo de pessoas que estabelecem um culto mais ou menos organizado a determinada imagem sacra, tendo caráter semelhante a uma Irmandade.
  3. Franco, Sérgio da Costa. Guia Histórico de Porto Alegre. Porto Alegre: Editora da Universidade (UFRGS), 2006. 4ª edição.
  4. Idem. Op. cit.
  5. De cara nova - Revista Santa Casa Notícias
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