Capela de São Miguel Arcanjo

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Capela de São Miguel Arcanjo
Vista da fachada principal da Capela
Estilo dominante Barroco
Construção 1580 / Reconstrução 1622
Religião Catolicismo Romano
Diocese Arquidiocese de São Paulo
Website http://capeladesaomiguel.org/
Geografia
País  Brasil
Cidade São Paulo, SP
Endereço Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra, s/nº - São Miguel Paulista

Capela de São Miguel Arcanjo, conhecida popularmente como Capela dos Índios, é o templo religioso mais antigo do estado de São Paulo. Localizada na Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra (Praça do Forró), no distrito de São Miguel Paulista na cidade de São Paulo. A capela, que foi construída pelos índios guaianás catequizados pelos jesuítas, em 1622[1],foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (atual IPHAN), e é a mais antiga da cidade; durante escavações em seu interior foram encontrados diversos objetos antigos e ossadas.

História[editar | editar código-fonte]

Na gênese históricas das cidades brasileiras inclui-se modalidade da transformação de aldeamentos de índios em povoado de brancos colonizadores, o que é comum e resultou na formação de municípios e distritos de São Paulo. Uma forte evidência desse tipo de povoamento é a quantidade de aldeias que surgiram no século XVI nas terras ribeirinhas e mais precisamente ao longo do Rio Tietê. Esses povoamentos transformaram-se nos municípios de Itaquaquecetuba, Guarulhos e o distrito de São Miguel Paulista[2]. O plano de colonização é anterior a própria existência vila de São Paulo, trazido para as novas terras pelo primeiro Governador Geral do Brasil.

Para compreender a história do local, é necessário retornar aos primeiros anos da cidade. Devido à sua posição estratégica, a aldeia destacou-se como um posto avançado na área de vigilância da vila de São Paulo contra os ataques de nativos inimigos da fé católica.

Para alguns historiadores da época, a data em questão é ainda mais remota. Em 1560, índios Guaianases entraram em conflito com os colonos da Vila de São Paulo de Piratininga. Comandados por Piquerobi, aliados dos padres jesuítas, caminharam toda a extensão do planalto. O padre Manuel da Nóbrega, da Companhia de Jesus delegou o padre José de Anchieta que os procurasse para retomar o processo de evangelização dos índios. O percurso era extremamente difícil, principalmente por ser tratar do entorno do Rio Tietê. Ao chegar ao local, as terras de Uraraí, o padre reencontrou o grupo e tratou de formar a nova aldeia como São Miguel de Uraraí. Neste local foi erguida a pequena capela de bambu e sapé que deu, posteriormente, a origem ao bairro.[3] [4]

Construção[editar | editar código-fonte]

Construída em 1580, a Capela de São Miguel tinha como principais materiais o bambu e o sapé Vila de São Paulo de Piratininga , a capela foi reconstruída no dia 16 de julho de 1662, data inscrita na vêrga da porta principal. Sua construção, no entanto, é atribuída de forma incerta, ao Padre João Álvares ora ao bandeirante Fernão Munhoz, podendo-se atribuir a ambos a ação reconstrutora.[5]. O primeiro viveu e possuía terras região de Boigi Mirim, conhecido como Mogi das Cruzes, e, mais tarde, também foi responsável pela construção da Capela de Nossa Senhora da Ajuda, Itaquaquecetuba. A segunda autoria é atribuída ao bandeirante de origem espanhola, pois consta no testamento datado em 1675.[6]

Tombamento[editar | editar código-fonte]

A Capela de São Miguel Arcanjo foi um dos primeiros bens de patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1938. Em 1974 a Capela foi tombada pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico pelo processo nº00368/73. Por último, foi tombado pelo Conpresp - Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - em 1991, conforme a resolução nº05/1991. O patrimônio foi considerado como o marco remanescente e prova de testemunho da antiguidade da ocupação da região do século XVI. O tombamento tem por finalidade proteger a área urbana e o perímetro da Capela.[7]

Restauração[editar | editar código-fonte]

Nave principal

Ao longo dos anos, a Capela recebeu reformas e adaptações que vão desde sua ampliação, ainda no período colonial, como em 1691 por determinação do conselheiro Diogo Barbosa Rego passando por uma reforma no início do século passado. No século XVIII, sob tutela dos franciscanos, o pé direito da capela passou de 4 para 6 metros de altura[8]. Depois disso, aproximadamente entre 1938 a 1940, coordenado pelo SPHAN, atual IPHAN, sob a tutela do engenheiro Luís Saia a Capela foi restaurada. Há registros do dia 16 de outubro de 1937, inclusive, da existência de um relatório feito pelo escritor Mário de Andrade encaminhado a Rodrigo Mello, responsável pelo órgão, de sua visita ao Estado de São Paulo. [9]

Altar Mor

Contudo, a maior restauração feita no terreno foi em 2006 quando a Diocese de São Miguel Paulista e a Associação Cultural Beato José de Anchieta (ACBJA) realizaram um novo restauro que revitalizou a arquitetura histórica, recuperou vários elementos artísticos e ornamentos que até então estavam escondidos ou deteriorados pelo tempo, além dos objetos encontrados no extenso e importante sítio arqueológico.[10] A restauração contemplou o estudo, cadastramento e mapeamento geofísico do terreno. As principais alterações foram na cobertura, estrutura de madeira, paredes, portas, janelas, piso e a restauração dos elementos artísticos. A restauração que durou sete anos, ela foi reaberta ao público em março de 2011 juntamente com um circuito de visitação que conta a história da igreja 90% das paredes de taipa originais foram recuperadas, assim como as pinturas que as ilustram.[11] A primeira parte do processo, cujo objetivo era recuperar o edifício estruturalmente, foi investido aproximadamente R$ 3,1 milhões, bancados pela iniciativa privada[12]. A segunda parte, iniciada em 2009, foi o estudo e a pesquisa do material que resultou na instalação do museu que hoje funciona no local. No mesmo ano, o então prefeito da cidade de São Paulo Gilberto Kassab visitou a Capela para celebrar a obra de restauração. Além da reforma principal, a praça Praça Padre Aleixo Monteiro Mafra também recebeu melhorias como a instalação de bancos, lixeiras e postes de luz.[13] Anualmente, a Capela fica fechada para visitações entre o final de dezembro e o final de janeiro para manutenção e procedimentos de conservação do seu acervo.[14]

Redescoberta de pinturas[editar | editar código-fonte]

Pintura de mural parietais descoberta em 2009

Na desmontagem de parte do altar lateral para sua restauração, em 2007, foi encontrada na parte de trás uma pintura mural parietais executada diretamente no revestimento da taipa. Em 2009, os altares foram removidos para que eles fossem estudados em sua totalidade. Consolidada as paredes de taipa e feita a limpeza do pó acumulado, descobriu-se uma pintura mais antiga que estava preservada na construção do altar. Portanto, a descoberta foi um feito inestimável, cuja pintura contribui para o estudo da arte colonial palista.[15]

Características Arquitetônicas[editar | editar código-fonte]

Construída com características seiscentistas, paredes de taipa de pilão receberam mais tarde acréscimos como adobe, comum no século XVIII. O alpendre, ocupando toda a largura da fechada, prolonga-se com a parede do lado direto da igreja.[2][16] O edifício apresenta uma nave única, nela a capela-mor de teto de telha com madeiramento aparente e apresenta sua construção técnica em taipa de pilão. No interior, existem peças em jacarandá torneada, como no caso da mesa de comunhão.[17]

Estado Atual[editar | editar código-fonte]

Hoje, a Capela de São Miguel Paulista é cercada por uma extensa grade de proteção e possui uma agenda de visitação rígida. As visitas agendadas funcionam de quinta e sextas das 10h às 12h e das 13 às 16h. Visitas espontâneas de sábado das 10h às 12h e das 13h às 16h. A Capela está fechada segunda, terça, quarta e domingos. De sábado são realizadas às 19h e a entrada é gratuita. Além disso há a possibilidade de celebrar casamentos na Capela, porém é preciso agendar uma data com seis meses de antecedência. Por motivos de preservação do acervo, a Capela comporta apenas dois casais de padrinhos, não é permitido mais de dois arranjos florais e nem captar imagens no interior do espaço com flash.[18]

Hoje, a Capela pertence à Diocese de São Miguel Paulista.

Galeria[editar | editar código-fonte]

Veja Também[editar | editar código-fonte]

Biografia[editar | editar código-fonte]

GONÇALVES, Cristiane Souza. Restauração Arquitetônica: A Experiência do SPHAN em São Paulo, 1937-1975. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2007, p. 66.

Referências

  1. Capela de São Miguel Arcanjo, cidadedesaopaulo.com.br, 16 de dezembro de 2010.
  2. a b BOMTEMPI, Sylvio (1970). O bairro de São Miguel Paulista: a aldeia de São Miguel de Ururaí na história de São Paulo (São Paulo: Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo). p. 11. 
  3. Fundação Tide Setubal (2006). Um olhar sobre São Miguel. Caderno de São Miguel Paulista ( 1622 - 2006 ) (São Paulo [s.n.]). p. 15. 
  4. "Capela de São Miguel Arcanjo completa 390 anos - Geral - Estadão". Estadão.
  5. SPHAN-Condephaat, Bens Culturais Arquitetônicos no Município e na Região Metropolitana de São Paulo. São Paulo: SNM (Secretaria dos Negócios Metropolitanos), Emplasa (Empresa Metropolitana de planejamento da Grande São Paulo)Sempla (Secretaria Municipal do Planejamento), 1984, p.161.
  6. "Inventário e Testemunho de Fernando Munhoz (1675) in Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, Vol XXXVI, pág 265.
  7. SÃO PAULO (SP). SMC. Regulamentação da área envoltória da Capela de São Miguel Paulista. São Paulo: CONPRESP, 2008. Processo nº 2008-0.238.011-1.
  8. «Secretaria de Estado da Cultura». www.cultura.sp.gov.br. Consultado em 2016-11-15. 
  9. ANDRADE, Mário de . Mário de Andrade: Cartas de trabalho: correspondência com Rodrigo Mello Franco de Andrade, 1936-1945. Brasília: Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional: Fundação Pró-Memória, 1981, apud GONÇALVES, Cristiane Souza. Restauração Arquitetônica: A Experiência do SPHAN em São Paulo, 1937-1975. São Paulo: Annablume; Fapesp, 2007, p. 66.
  10. http://capeladesaomiguel.org/site/o-restauro/
  11. Flávia Tavares. "Capela mais antiga abre para visitas". Jornal da Tarde, 23 de março de 2011.
  12. http://www.estadao.com.br/noticias/geral,capela-de-sao-miguel-arcanjo-completa-390-anos,901869
  13. «CLN - CENTRAL LESTE NOTICIAS - AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA ZONA LESTE SP». itaimpaulista.com.br. Consultado em 2016-11-15. 
  14. «Capela de São Miguel Arcanjo». capeladesaomiguel.org. Consultado em 2016-11-22. 
  15. http://capeladesaomiguel.org/site/o-restauro/
  16. BOMTEMPI, Sylvio (1970). O bairro de São Miguel Paulista: a aldeia de São Miguel de Ururaí na história de São Paulo (São Paulo: Secretaria de Educação e Cultura da Prefeitura do Município de São Paulo). p. 63. 
  17. Fundação Tide Setubal (2008). Almanaque Um olhar sobre São Miguel Paulista. Manifestações culturais, ontem e hoje. (São Paulo [s.n.]). p. 14. 
  18. «Casamentos | Capela de São Miguel Arcanjo». capeladesaomiguel.org. Consultado em 2016-11-16.