Capitania de Cumã
| Capitania de Cumã Capitania Hereditária de Cumã | ||||
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Capitania hereditária da Estado do Maranhão | ||||
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| Continente | América do Sul | |||
| Região | Norte da América Portuguesa | |||
| Capital | Vila de Santo Antônio de Alcântara | |||
| Língua oficial | Português | |||
| Outros idiomas | línguas indígenas; língua geral | |||
| Religião | Catolicismo | |||
| Governo | Monarquia absoluta | |||
| Donatário | ||||
| • 1627 | Antônio Coelho de Carvalho | |||
| História | ||||
| • 1627 | Doação régia | |||
| • 1754 | Reincorporação à Coroa Portuguesa | |||
| Moeda | Réis | |||
| [nota 1] | ||||

A Capitania de Cumã foi uma divisão administrativa do Brasil Colonial, existente aproximadamente entre 1627 e 1754.[1] Também conhecida como Capitania de Tapuitapera ou, ocasionalmente, apenas Alcântara, foi doada a Antônio Coelho de Carvalho.
A noção de colônia na historiografia
[editar | editar código]Embora frequentemente descrita como parte do Brasil Colônia, as capitanias não eram compreendidas por seus contemporâneos como integrante de uma entidade político-administrativa denominada "colônia". Durante o século XVIII, os documentos oficiais da Coroa Portuguesa referiam-se aos territórios ultramarinos americanos como partes do Império Português, subordinadas ao Estado do Brasil ou diretamente à administração régia.[2]
Na historiografia contemporânea, o termo colônia é utilizado como uma categoria analítica destinada a descrever as relações políticas, econômicas e administrativas estabelecidas entre as monarquias europeias e seus domínios ultramarinos. Nesse sentido, a expressão Brasil Colônia constitui uma construção historiográfica posterior, empregada para designar o período em que os territórios americanos sob domínio português encontravam-se subordinados à Coroa e integrados ao sistema imperial luso.[3][4]
Contexto histórico
[editar | editar código]Até 1612, a região de Tapuitapera era ocupada por diversas aldeias indígenas. Nesse período, os franceses, liderados por Daniel de La Touche, estabeleceram relações com as populações locais e teriam erguido a primeira capela da região.[5]
Entre 1616 e 1618, após a expulsão dos franceses e a consolidação do domínio português, teve início o processo sistemático de colonização. Com a reorganização administrativa da região, Tapuitapera tornou-se sede da Capitania de Cumã.[5]
Durante as invasões holandesas, em 1641, os portugueses perderam temporariamente o controle do território. Após a retomada, em 1648, Tapuitapera foi elevada à categoria de vila, passando a denominar-se Vila de Santo Antônio de Alcântara. Nessa fase, foram instituídas a Câmara Municipal, o pelourinho e a Igreja Matriz de São Matias.[5]
No final do século XVII e início do século XVIII, Alcântara apresentou alguma relevância econômica, associada sobretudo à produção de açúcar e algodão. Contudo, as reformas administrativas promovidas pela Coroa portuguesa no século XVIII levaram à reincorporação de diversas capitanias donatárias, culminando na extinção da Capitania de Cumã por Carta Régia, por volta de 1754.[5]
Localização
[editar | editar código]A Capitania de Cumã abrangia a região compreendida entre a foz do rio Mearim, o rio Pindaré e o rio Turiaçu.[1]
Após a extinção da capitania
[editar | editar código]Após a extinção da capitania, Alcântara consolidou-se como um importante centro econômico do Maranhão. Durante o auge da produção de algodão e com o uso intensivo de trabalho escravo, a vila chegou a rivalizar economicamente com São Luís.
Em 1836, Alcântara foi elevada à categoria de cidade. A prosperidade do período refletiu-se na forte influência cultural europeia, uma vez que os filhos da elite local frequentemente realizavam estudos no continente europeu.[6]
Patrimônio histórico
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Entre os principais símbolos históricos de Alcântara destaca-se a Igreja Matriz de São Matias, iniciada em 1622. Em 1875, a edificação foi atingida por um raio, ocasionando o desabamento do telhado e acelerando seu processo de ruína. Até o presente, há debates historiográficos acerca das circunstâncias de sua construção e destruição.[7]
Centro histórico de Alcântara
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Na segunda metade do século XIX, a cidade entrou em acentuado processo de decadência econômica. Apesar disso, permaneceu como testemunho do período áureo um expressivo conjunto arquitetônico colonial, posteriormente tombado pelo IPHAN em 1948.[6]
Entre os bens tombados destacam-se a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, a Igreja e as ruínas do Convento do Carmo, as ruínas da Matriz de São Matias, a Ladeira do Jacaré, a Capela de Nossa Senhora do Desterro, a Fonte de Pedra, o Museu Casa Histórica de Alcântara, o Museu Histórico de Alcântara, as ruínas do Forte de São Sebastião de Alcântara, a antiga Casa de Câmara e Cadeia e a Casa do Divino, entre outros elementos de valor histórico e cultural.[6]
Notas
- ↑ A Capitania de Cumã, também conhecida como Capitania de Tapuitapera, foi uma capitania donatária criada no âmbito do Estado do Maranhão. Sua existência não implicou soberania autônoma, estando subordinada à administração colonial portuguesa e, posteriormente, sendo reincorporada à Coroa no contexto das reformas administrativas do século XVIII.
Referências
- 1 2 Receita Federal do Brasil 2019.
- ↑ Novais, Fernando A. (1979). Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777–1808). São Paulo: Hucitec
- ↑ Novais, Fernando A. (1979). Portugal e Brasil na crise do Antigo Sistema Colonial (1777–1808). São Paulo: Hucitec
- ↑ Bicalho, Maria Fernanda (2003). A Cidade e o Império: o Rio de Janeiro no século XVIII. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira
- 1 2 3 4 Atlas Digital da América Lusa 2019.
- 1 2 3 Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 2019.
- ↑ Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 2018.
Bibliografia
[editar | editar código]- Atlas Digital da América Lusa (2019). «Capitania de Cumã». Consultado em 14 de janeiro de 2019
- Receita Federal do Brasil (2019). «Provedorias». Consultado em 14 de janeiro de 2019
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (2019). «Alcântara». Consultado em 14 de janeiro de 2019
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (2019). «Centro Histórico de Alcântara». Consultado em 14 de janeiro de 2019
- Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (2018). «Manual de Sítios Históricos» (PDF)