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Capitania de Minas Gerais

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A capitania de Minas Gerais foi uma divisão administrativa do Estado do Brasil, criada em 2 de dezembro de 1720[1] a partir da cisão da capitania de São Paulo e Minas de Ouro.[2] Sua capital era Vila Rica.[3]

Em 28 de fevereiro de 1821 tornou-se uma província, a qual viria a ser o atual estado de Minas Gerais com a Proclamação da República.[4]

Consolidação territorial

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Representação aproximada da Capitania de Minas Gerais em 1760, após a incorporação das Minas Novas. Neste momento o território não incluía a margem esquerda do Rio Sapucaí e Rio Grande (integrada em 1764) e o Sertão da Farinha Podre (integrada em 1816).

Definição das divisas com São Paulo

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A divisa inicial de Minas Gerais com São Paulo, em 1720, ficou sendo rio Sapucaí, o rio Grande e deste subindo a Serra da Canastra até o rio Paranaíba.[5]

O governador da capitania de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva, em 24 de setembro de 1764, anexa a margem esquerda do Rio Sapucaí, estendendo os limites da capitania de Minas Gerais, aproximadamente, até a divisa atual com São Paulo.[6]

Incorporação das Minas Novas

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A antiga Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuí foi criada em 1730, inicialmente vinculada à Bahia, mas criada sob jurisdição política e judicial da comarca do Serro Frio. Com a criação da comarca de Jacobina, em 1742, a administração da vila passou para essa nova divisão baiana, o que acabou favorecendo o contrabando de metais preciosos e gêneros de primeira necessidade em direção à zona mineradora. Diante dos prejuízos à Coroa, e após sucessivas solicitações da Capitania de Minas Gerais, a vila foi transferida à jurisdição mineira em 1757. Ainda assim, o ouvidor da comarca de Jacobina manteve o controle civil e judicial da região, concedendo apenas a jurisdição militar a capitania mineira. Somente em 1760, com nova ordem régia, a totalidade da jurisdição foi transferida para Minas, mas permaneceu sob o prelado baiano apenas a autoridade eclesiástica. A ocupação começou no fim do século XVII, intensificando-se na década de 1720, impulsionada tanto pela perseguição a garimpeiros no Distrito Diamantino quanto pela expansão da pecuária e da agricultura entre o norte da Bahia e o sul de Minas. O povoamento resultou da confluência de dois movimentos migratórios: o avanço das frentes agropecuárias para o interior da colônia e a busca dos paulistas por novas áreas de mineração.[7]

Incorporação do Sertão da Farinha Podre

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Em 1816, o território conhecido como Julgado do Desemboque que abrangia todo o denominado também de Sertão da Farinha Podre, correspondente ao que depois passou a se denominar Triângulo Mineiro, foi anexado à capitania de Minas Gerais, desmembrando-se da capitania de Goiás por Carta Régia de João VI[8].

Em 2 de março de 1763[9], foi criado o Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, cujas regras de controle fiscal do ouro eram menos rigorosas, assim trazendo mais colonos oriundos das Minas Gerais.[10]

Com a decadência da mineração no Desemboque, nas primeiras décadas do século XIX muitos de seus habitantes deixaram o povoado, desbravando e se fixando em outras regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, fundando povoados que hoje são cidades como Uberaba, Uberlândia e Sacramento.[10]

Subdivisões

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Comarcas da capitania

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Vilas da capitania[12]

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Notas

  1. Criada em 1711 e elevada à categoria de cidade em 1745 com o nome de Mariana, sendo a única cidade durante a existência da capitania.
  2. A antiga Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuí foi criada em 1730, inicialmente vinculada à Bahia, mas transferida à jurisdição mineira em 1757. Ainda assim, o ouvidor da comarca de Jacobina manteve o controle civil e judicial da região, concedendo apenas a jurisdição militar a capitania mineira. Somente em 1760, com nova ordem régia, a totalidade da jurisdição foi transferida para Minas, mas permaneceu sob o prelado baiano apenas a autoridade eclesiástica.

Referências

  1. Werneck, Gustavo (2 de dezembro de 2020). «Heróis do século XXI recebem homenagem nos 300 anos de Minas». Estado de Minas. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2020 
  2. BARCELOS, Mariana. «Capitania de São Paulo e Minas de Ouro». BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2019 
  3. «IBGE | Cidades@ | Minas Gerais | Ouro Preto | História & Fotos». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 31 de maio de 2019 
  4. Bacelar, Jonildo. «Províncias do Brasil até o Século XIX». Guia Geográfico História do Brasil. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2019 
  5. Queiroz, Leandro (18 de março de 2013). «Capitanias». Santa Rosa de Viterbo. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  6. ASSIS, Maria Emília Aparecida de. Inácio Correia Pamplona: o “Hércules” do sertão mineiro setecentista. 2014. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de São João del-Rei, Programa de Pós-Graduação em História, São João del-Rei, 2014. Disponível em: Inácio Correia Pamplona: o “Hércules” do sertão mineiro setecentista. Acesso em: 2 jul. 2025.
  7. «Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuí - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  8. Luís Augusto Bustamante Lourenço. «Triângulo Mineiro uma fronteira na Colônia e no Império In: A oeste das minas: escravos, índios e homens livres numa fronteira oitocentista Triângulo Mineiro (1750-1861)» (PDF). 2005. Consultado em 25 de março de 2025 
  9. «Desemboque». alessandroabdala.com. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  10. a b «Histórico de Desemboque». Cultura Sacramento. 18 de abril de 2019. Consultado em 19 de julho de 2023 
  11. a b c Minas, Estado de (24 de maio de 2014). «Comarcas pioneiras de Minas Gerais completam 300 anos». Estado de Minas. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  12. «Capitania de Minas Gerais - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  13. «Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  14. «Vila Rica - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  15. «Vila Real do Sabará - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  16. «São João Del-Rei - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  17. «Nova da Rainha do Caeté - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  18. «Príncipe - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  19. «Piedade do Pitangui - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  20. «São José del-Rei - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  21. «Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuí - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  22. «São Bento do Tamanduá - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  23. «Queluz - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  24. «Barbacena - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  25. «Campanha da Princesa - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 
  26. «Paracatu do Príncipe - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025 

Bibliografia

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  • BOSCHI, Caio C. (org.). Inventário dos Manuscritos Avulsos Relativos a Minas Gerais existentes no Arquivo Histórico Ultramarino (Lisboa). Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais,1998, 3 vols.

Ver também

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Ligações externas

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