Capitania de Minas Gerais
| Capitania de Minas Gerais | |||||
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Capitania do Estado do Brasil (1720 - 1815) | |||||
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| Continente | América do Sul | ||||
| Capital | Vila Rica | ||||
| Língua oficial | Português | ||||
| Religião | Catolicismo | ||||
| Governo | Monarquia absoluta | ||||
| Governador | |||||
| • 1720 - 1732 | Lourenço de Almeida (Primeiro) | ||||
| • 1814 - 1821 | Manuel Francisco Zacarias de Portugal e Castro (Último) | ||||
| Legislatura | Cortes | ||||
| História | |||||
| • 2 de dezembro de 1720 | Revolta de Vila Rica | ||||
| • 28 de fevereiro de 1821 | Mudança de Capitania para Província | ||||
| Moeda | Réis | ||||
A capitania de Minas Gerais foi uma divisão administrativa do Estado do Brasil, criada em 2 de dezembro de 1720[1] a partir da cisão da capitania de São Paulo e Minas de Ouro.[2] Sua capital era Vila Rica.[3]
Em 28 de fevereiro de 1821 tornou-se uma província, a qual viria a ser o atual estado de Minas Gerais com a Proclamação da República.[4]
Consolidação territorial
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Definição das divisas com São Paulo
[editar | editar código]A divisa inicial de Minas Gerais com São Paulo, em 1720, ficou sendo rio Sapucaí, o rio Grande e deste subindo a Serra da Canastra até o rio Paranaíba.[5]
O governador da capitania de Minas Gerais, Luís Diogo Lobo da Silva, em 24 de setembro de 1764, anexa a margem esquerda do Rio Sapucaí, estendendo os limites da capitania de Minas Gerais, aproximadamente, até a divisa atual com São Paulo.[6]
Incorporação das Minas Novas
[editar | editar código]A antiga Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuí foi criada em 1730, inicialmente vinculada à Bahia, mas criada sob jurisdição política e judicial da comarca do Serro Frio. Com a criação da comarca de Jacobina, em 1742, a administração da vila passou para essa nova divisão baiana, o que acabou favorecendo o contrabando de metais preciosos e gêneros de primeira necessidade em direção à zona mineradora. Diante dos prejuízos à Coroa, e após sucessivas solicitações da Capitania de Minas Gerais, a vila foi transferida à jurisdição mineira em 1757. Ainda assim, o ouvidor da comarca de Jacobina manteve o controle civil e judicial da região, concedendo apenas a jurisdição militar a capitania mineira. Somente em 1760, com nova ordem régia, a totalidade da jurisdição foi transferida para Minas, mas permaneceu sob o prelado baiano apenas a autoridade eclesiástica. A ocupação começou no fim do século XVII, intensificando-se na década de 1720, impulsionada tanto pela perseguição a garimpeiros no Distrito Diamantino quanto pela expansão da pecuária e da agricultura entre o norte da Bahia e o sul de Minas. O povoamento resultou da confluência de dois movimentos migratórios: o avanço das frentes agropecuárias para o interior da colônia e a busca dos paulistas por novas áreas de mineração.[7]
Incorporação do Sertão da Farinha Podre
[editar | editar código]Em 1816, o território conhecido como Julgado do Desemboque que abrangia todo o denominado também de Sertão da Farinha Podre, correspondente ao que depois passou a se denominar Triângulo Mineiro, foi anexado à capitania de Minas Gerais, desmembrando-se da capitania de Goiás por Carta Régia de João VI[8].
Em 2 de março de 1763[9], foi criado o Julgado de Nossa Senhora do Desterro do Desemboque, cujas regras de controle fiscal do ouro eram menos rigorosas, assim trazendo mais colonos oriundos das Minas Gerais.[10]
Com a decadência da mineração no Desemboque, nas primeiras décadas do século XIX muitos de seus habitantes deixaram o povoado, desbravando e se fixando em outras regiões do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, fundando povoados que hoje são cidades como Uberaba, Uberlândia e Sacramento.[10]
Subdivisões
[editar | editar código]Comarcas da capitania
[editar | editar código]- Comarca de Paracatu (1815)
- Comarca do Rio das Mortes (1714)[11]
- Comarca do Rio das Velhas (1714)[11]
- Comarca do Serro Frio (1720)
- Comarca de Vila Rica (1714)[11]
Vilas da capitania[12]
[editar | editar código]- Vila de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo (1711)[13][a]
- Vila Rica (1711)[14]
- Vila Real do Sabará (1711)[15]
- Vila de São João del-Rei (1713)[16]
- Vila Nova da Rainha do Caeté (1714)[17]
- Vila do Príncipe (1714)[18]
- Vila de Piedade do Pitangui (1715)[19]
- Vila de São José del-Rei (1718)[20]
- Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuaí[b] (1730)[21]
- Vila de São Bento do Tamanduá (1789)[22]
- Vila de Queluz (1790)[23]
- Vila de Barbacena (1791)[24]
- Vila de Campanha da Princesa (1798)[25]
- Vila de Paracatu do Príncipe (1798)[26]
Notas
- ↑ Criada em 1711 e elevada à categoria de cidade em 1745 com o nome de Mariana, sendo a única cidade durante a existência da capitania.
- ↑ A antiga Vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuí foi criada em 1730, inicialmente vinculada à Bahia, mas transferida à jurisdição mineira em 1757. Ainda assim, o ouvidor da comarca de Jacobina manteve o controle civil e judicial da região, concedendo apenas a jurisdição militar a capitania mineira. Somente em 1760, com nova ordem régia, a totalidade da jurisdição foi transferida para Minas, mas permaneceu sob o prelado baiano apenas a autoridade eclesiástica.
Referências
- ↑ Werneck, Gustavo (2 de dezembro de 2020). «Heróis do século XXI recebem homenagem nos 300 anos de Minas». Estado de Minas. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2020
- ↑ BARCELOS, Mariana. «Capitania de São Paulo e Minas de Ouro». BiblioAtlas - Biblioteca de Referências do Atlas Digital da América Lusa. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 8 de fevereiro de 2019
- ↑ «IBGE | Cidades@ | Minas Gerais | Ouro Preto | História & Fotos». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 31 de maio de 2019
- ↑ Bacelar, Jonildo. «Províncias do Brasil até o Século XIX». Guia Geográfico História do Brasil. Consultado em 17 de junho de 2021. Cópia arquivada em 26 de outubro de 2019
- ↑ Queiroz, Leandro (18 de março de 2013). «Capitanias». Santa Rosa de Viterbo. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ ASSIS, Maria Emília Aparecida de. Inácio Correia Pamplona: o “Hércules” do sertão mineiro setecentista. 2014. Dissertação (Mestrado em História) – Universidade Federal de São João del-Rei, Programa de Pós-Graduação em História, São João del-Rei, 2014. Disponível em: Inácio Correia Pamplona: o “Hércules” do sertão mineiro setecentista. Acesso em: 2 jul. 2025.
- ↑ «Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuí - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ Luís Augusto Bustamante Lourenço. «Triângulo Mineiro uma fronteira na Colônia e no Império In: A oeste das minas: escravos, índios e homens livres numa fronteira oitocentista Triângulo Mineiro (1750-1861)» (PDF). 2005. Consultado em 25 de março de 2025
- ↑ «Desemboque». alessandroabdala.com. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ a b «Histórico de Desemboque». Cultura Sacramento. 18 de abril de 2019. Consultado em 19 de julho de 2023
- ↑ a b c Minas, Estado de (24 de maio de 2014). «Comarcas pioneiras de Minas Gerais completam 300 anos». Estado de Minas. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Capitania de Minas Gerais - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Vila Rica - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Vila Real do Sabará - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «São João Del-Rei - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Nova da Rainha do Caeté - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Príncipe - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Piedade do Pitangui - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «São José del-Rei - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Nossa Senhora do Bom Sucesso de Minas Novas do Araçuí - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «São Bento do Tamanduá - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Queluz - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Barbacena - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Campanha da Princesa - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
- ↑ «Paracatu do Príncipe - Atlas Digital da América Lusa». lhs.unb.br. Consultado em 28 de outubro de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- BOSCHI, Caio C. (org.). Inventário dos Manuscritos Avulsos Relativos a Minas Gerais existentes no Arquivo Histórico Ultramarino (Lisboa). Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais,1998, 3 vols.
