Capitania de Pernambuco

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Capitania de Pernambuco

Capitania da América Portuguesa (1534 - 1815)
Capitania do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815 - 1821)

1534 – 1821 Bandeira Província de Pernambuco.svg
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Pernambuco
A Capitania de Pernambuco abrangia os atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas e o Oeste da Bahia. Pernambuco foi a capitania mais rica da América Portuguesa.
Continente América do Sul
Região Nordeste
Capital Olinda (1537-1630)
Recife (1630-1654)
Olinda (1654-1821)
Língua oficial Português
Religião Catolicismo
Governo Monarquia absoluta
Governador
 • 1534 - 1554 Duarte Coelho Pereira (Primeiro)
 • 1817 - 1821 Luís do Rego Barreto (Último)
História
 • 10 de março de 1534 Criação da Capitania
 • 28 de fevereiro de 1821 Mudança de Capitania para Província
Moeda Réis

A Capitania de Pernambuco ou Nova Lusitânia[1] foi uma das subdivisões do território brasileiro no período colonial. Abrangeu anacronicamente os territórios dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Alagoas e a porção ocidental da Bahia, fazendo, deste modo, fronteira com Goiás e Minas Gerais (o extremo noroeste de Minas era a parte final da Comarca do Rio de São Francisco: a capitania/província de Pernambuco avançava um pouco mais adentro do território mineiro do que a atual Bahia).

No início da Colonização do Brasil, as únicas capitanias que prosperaram foram esta de Pernambuco e a de São Vicente, graças à cultura canavieira. São Vicente, no entanto, prosperou somente por efêmeras décadas do século XVI. Pernambuco, por outro lado, se tornou a mais rica de todas as possessões portuguesas.[2][3][4]

Centro da economia colonial durante o ciclo da cana-de-açúcar, Pernambuco impressionara o padre Fernão Cardim, que surpreendeu-se com "as fazendas maiores e mais ricas que as da Bahia, os banquetes de extraordinárias iguarias, os leitos de damasco carmesim, franjados de ouro e as ricas colchas da Índia", e resumiu suas impressões numa frase antológica: "Enfim, em Pernambuco acha-se mais vaidade que em Lisboa". A opulência pernambucana parecia decorrer, como sugere Gabriel Soares de Sousa em 1587, do fato de, então, ser a capitania "tão poderosa (...) que há nela mais de cem homens que têm de mil até cinco mil cruzados de renda, e alguns de oito, dez mil cruzados. Desta terra saíram muitos homens ricos para estes reinos que foram a ela muito pobres". Por volta do início do século XVII, Pernambuco era a maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo.[2][3][4]

História[editar | editar código-fonte]

De acordo com a Carta de Doação passada por D. João III a 10 de março de 1534, o capitão donatário de Pernambuco foi Duarte Coelho Pereira, fidalgo que se destacara nas campanhas portuguesas na Índia. A capitania se estendia entre o rio São Francisco e o rio Igaraçu, compreendendo:

"Sessenta léguas de terra (…) as quais começarão no rio São Francisco (…) e acabarão no rio que cerca em redondo toda a Ilha de Itamaracá, ao qual ora novamente ponho nome rio [de] Santa Cruz (…) e ficará com o dito Duarte Coelho a terra da banda Sul, e o dito rio onde Cristóvão Jacques fez a primeira casa de minha feitoria e a cinquenta passos da dita casa da feitoria pelo rio adentro ao longo da praia se porá um padrão de minhas armas, e do dito padrão se lançará uma linha ao Oeste pela terra firme adentro e a terra da dita linha para o Sul será do dito Duarte Coelho, e do dito padrão pelo rio abaixo para a barra e mar, ficará assim mesmo com ele Duarte Coelho a metade do dito rio de Santa Cruz para a banda do Sul e assim entrará na dita terra e demarcação dela todo o dito Rio de São Francisco e a metade do Rio de Santa Cruz pela demarcação sobredita, pelos quais rios ele dará serventia aos vizinhos dele, de uma parte e da outra, e havendo na fronteira da dita demarcação algumas ilhas, hei por bem que sejam do dito Duarte Coelho, e anexar a esta sua capitania sendo as tais ilhas até dez léguas ao mar na fronteira da dita demarcação pela linha Leste, a qual linha se estenderá do meio da barra do dito Rio de Santa Cruz, cortando de largo ao longo da costa, e entrarão na mesma largura pelo sertão e terra firme adentro, tanto, quanto poderem entrar e for de minha conquista. (…)." (Carta de Doação)

A metade da barra sul do canal de Itamaracá, que o soberano denominou de "rio" de Santa Cruz, até 50 passos além do local onde existira a primitiva feitoria de Cristóvão Jacques, demarcava o limite norte; ao sul, o limite da capitania era o rio São Francisco, em toda sua largura e extensão, incluindo todas suas ilhas da foz até sua nascente. O território da capitania infletia para o sudoeste, a acompanhar o curso do rio, alcançando suas nascentes no atual estado de Minas Gerais. Ao Norte, o soberano estabelecia o traçado de uma linha para o oeste, terra adentro, até os limites da conquista, definidos pelo Tratado de Tordesilhas ou seja, as terras situadas além das 370 léguas ao oeste das ilhas do Cabo Verde. As fronteiras da capitania abrangiam todo o atual Estado de Alagoas e terminavam ao sul, no rio São Francisco, fazendo fronteira com o atual estado de Minas Gerais. Graças à posse deste importante rio, em toda sua extensão e largura, Pernambuco crescia na orientação sudoeste, ultrapassando em largura em muito as 60 léguas estabelecidas na carta de doação. Na observação de Francisco Adolfo de Varnhagen possuía a capitania 12 mil léguas quadradas, constituindo-se na maior área territorial entre todas que o rei distribuiu.

Ao receber a doação, Duarte Coelho Pereira partiu para o Brasil com a esposa, filhos e muitos parentes. Ao chegar ao seu lote, fixou-se numa bela colina, construindo uma fortificação (o Castelo de Duarte Pereira), uma capela e moradias para si e para os colonos: seria o embrião de Olinda, constituída vila em 1537. Pioneiros na terra foram o seu próprio engenho, o do Salvador, e o do seu cunhado, o de Beberibe.

Olinda foi o local mais rico do Brasil Colônia da sua criação até a Invasão Holandesa, quando foi devastada pelos neerlandeses, que escolheram o Recife como a capital da Nova Holanda. A gravura mostra o cerco a Olinda em 1630.[4]
Recife foi a mais cosmopolita cidade da América durante o governo do conde alemão (a serviço da coroa holandesa) Maurício de Nassau.[5] Na imagem o Palácio de Friburgo, residência de Nassau demolida no século XVIII.

Tudo estava por fazer e o donatário organizou o tombamento de terras, a distribuição de justiça, o registro civil, a defesa contra os índios Caetés e Tabajaras. Ao falecer, em Lisboa, em 1554, legou aos filhos uma capitania florescente. O seu cunhado, Jerônimo de Albuquerque, em correspondência com a Coroa, pedia autorização para importar escravos africanos.

Em Olinda, sede administrativa da capitania, se instalaram as autoridades civis e eclesiásticas, o Colégio dos Jesuítas, os principais conventos e o pequeno cais do Varadouro. Em fins do século XVI, cerca de 700 famílias ali residiam, sem contar os que que viviam nos engenhos, que abrigavam de 20 a 30 moradores livres. O pequeno porto de Olinda era pouco significativo, sem profundidade para receber as grandes embarcações que cruzavam o Oceano Atlântico. Por sua vez, Recife, povoado chamado pelo primeiro donatário de "Arrecife dos navios", segundo a Carta de Foral passada a 12 de março de 1537, veio a ser o porto principal da capitania.

Território[editar | editar código-fonte]

A capitania de Pernambuco, em seu auge territorial, abrangia os atuais estados federativos de Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e a porção oeste do atual estado da Bahia, região à época denominada "Comarca do São Francisco", que hoje corresponde grosso modo à mesorregião estatística do Extremo Oeste Baiano. O Além São Francisco, outra denominação da região, em 1824 foi desmembrado de Pernambuco por ordem do imperador dom Pedro I como punição pela participação da elite política pernambucana no movimento separatista da Confederação do Equador. Provisoriamente a administração da região foi passada à competência de Minas Gerais e em 1827 foi transferida à Bahia, à qual foi definitivamente incorporada[6][7].

Economia açucareira[editar | editar código-fonte]

A produção de açúcar sempre desempenhou um papel de destaque na economia de Pernambuco, sendo causa da segunda das Invasões holandesas do Brasil. Essa riqueza, fonte de desigualdade de renda entre ricos e pobres, somada à grande concentração de terras, fez de Pernambuco palco de diversos conflitos - como o que existiu entre os senhores de terra e de engenho pernambucanos de Olinda e os comerciantes portugueses do Recife, chamados de forma pejorativa de mascates. A razão para a precoce supremacia pernambucana e Olindense acropolitana era clara; os maiores protetorados da América Portuguesa em área e/ou comprimento de variação longitudinal eram os do saliente extremo levantino pois iam do extremo levante do mainland até os limes poentes e o saliente era a zona mais próxima dos mercados hanseáticos e estavam num estágio natural costeiro superior e mais avançado (mais sedimentar e menos rochoso) do que o visto a sul. Ao mesmo tempo a América Francesa controlava o norte do saliente fazendo com que esse permanecesse mais tempo sob a economia extrativista vegetal menos rentável a economia externa dando uma vantagem de décadas a Pernambuco que estando no sul do saliente estava menos exposto aos franceses. A Bahia também foi fundada só depois de Olinda e nesse período de vantagem temporal Pernambuco saiu na frente e atraiu colonos de grande riqueza e investidores, nobres, etc. Antes mesmo da conquista do norte do saliente pelos filipinos (não confundir com o país que recebeu o nome da dinastia espanhola) os censos da época demonstram a falência vicentina (até então o único núcleo da repartição do sul no mapa econômico do Brasil) frente ao sucesso pernambucano somado a fundação da Bahia resultante disto. A conquista do Rio pela expedição dos Sás radicados na Bahia e as instabilidades nos limes incipientes entre vários grupos na latitude catarinense envolvendo espanhóis, Carijós e outros acabou por suplantar de vez os colonos vicentinos que viram seu número minguar bastante nos censos inter-deceniais, restanto a muitos subir o planalto em busca de fonte mais rentável de sobrevivência já que a costa parecia pouco propícia a competição com os exportadores mores da costa leste setentrional. O que parecia derrota inicial e precoce para os paulistas iria se mostrar um trunfo, já que na altura não era comum os núcleos de colonos instalarem seus centros principais fora da costa (mas seria anacrônico dizer que isso gerou o sucesso paulista posterior tardio, pois como factor isolado nada significou no processo que teve muito mais relação com a expansão da biopirataria das sementes de café através do Grão Pará entre os séculos XVIII e XIX - e não apenas com isso já que outras zonas de colonos antigos também tiveram seus apogeus e não pensaram a longo prazo como se viu naquela Paulicéia de 1887 e não só vide as convenções de Itu; era atípico na altura planejamentos independentes do império e de outros poderes externos sendo muito disto fruto do que se via na América do Norte que serviria de inspiração mesmo para ideólogos europeus germanistas do século XX em sua expansão para o leste além medievo cruzado prússico).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. História do Ceará
  2. a b «Recife — cidade que surgiu do açúcar». Despertai!. Consultado em 5 de abril de 2015. 
  3. a b Jean Marcel Carvalho França, Sheila Hue. «Piratas no Brasil: As incríveis histórias dos ladrões dos mares que pilharam nosso litoral». Issuu. p. 92. Consultado em 1 de julho de 2016. 
  4. a b c Luiz Geraldo Silva. «A Faina, a Festa e o Rito. Uma etnografia histórica sobre as gentes do mar (sécs XVII ao XIX)». Google Books. p. 122. Consultado em 28 de junho de 2016. 
  5. «Maurício de Nassau, o brasileiro». Editora Abril. Consultado em 28 de junho de 2016. 
  6. Comarca do São Francisco: Pernambuco de A a Z
  7. A formação territorial do Oeste Baiano: a constituição do “Além São Francisco” (1827-1985), por Paulo Roberto Baqueiro Brandão, professor assistente da Universidade Federal da Bahia (Campus de Barreiras) [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARBOSA, Maria do Socorro Ferraz de (Coordenação). Documentos Manuscritos Avulsos da Capitania de Pernambuco. Recife: Ed. Da UFPE, 2006, 3 vols.
  • SILVA, Libório Manuel (2010), A Nau Catrineta e a História Trágico-Marítima: Lições de Liderança, ISBN 978-989-615-090-7, Centro Atlântico, Portugal.
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