Caranguejo-amarelo

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Caranguejo-amarelo

Caranguejo-amarelo
Estado de conservação
Status iucn3.1 EN pt.svg
Em perigo
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Superclasse: Crustacea
Classe: Malacostraca
Ordem: Decapoda
Família: Gecarcinidae
Género: Gecarcinus
Espécie: G. lagostoma
Nome binomial
Gecarcinus lagostoma
Milne-Edwards, 1835
Sinónimos
Gecarcinus lagostoma H. Milne-Edwards, 1837

O Caranguejo-amarelo (Johngarthia lagostoma, syn. Gecarcinus lagostoma) é um caranguejo da família dos gecarcinídeos, também conhecido como caranguejo-ladrão. Possui carapaça amarela e patas alaranjadas, encontrado principalmente nas ilhas brasileiras de Trindade, Fernando de Noronha e Ascensão, onde se constitui em importante predador de filhotes de tartarugas marinhas. Este tipo de caranguejo tem hábitos noturnos, quando adultos são terrestre, porém com desenvolvimento larval marinho, apresentam polimorfismo, com padrão de cor que variam do amarelo ao roxo.[1]

Está ameaçado de extinção pela destruição de seus habitats, pelo turismo e por outras ameaças antrópicas, como introdução de espécie exóticas em Fernando de Noronha e Trindade.[2] No Brasil não existem muitas ações de conservação para o Johngarthia lagostoma, porém essa espécie é encontrada em locais com programa de conservação bem estabelecidos, como por exemplo, Parque Nacional e Área de Proteção Ambiental de Fernado de Noronha, mas não existem um plano de manejo e conservação específicos para essa espécie. [3]

Ecologia e Conservação[editar | editar código-fonte]

O caranguejo-amarelo é uma espécie insular endêmica das ilhas oceânicas brasileiras,[4] vulnerável à extinção, sendo afetada por diferentes pressões antrópicas, causadas pela perda, degradação e fragmentação do habitat que ocupa, colocando em risco sua conservação. A principal ameaça estar relacionada a introdução de espécie exóticas, por incrimento da agricultura e da urbanização, e devido a esse fato a população dessa espécie está sendo bastante reduzida. No final do século XIV, havia uma recompensa para captura dessa espécie de caranguejo por causa de suas depredações nas lavouras, foram mortos mais de 80.000 mil caranguejos.[5]Antes da descoberta da ilha Ascensão e colonização no início do século XIX, o caranguejo J. lagostoma era o único animal terrestre grande, e dominava o ecossistema, hoje compete com outras espécies introduzidas, especialmente ratos e coelhos. Há evidências de um declínio nos números ao longos dos anos dessa população, e uma escassez de juvenis na ilha de Ascensão. [5]

Existem níveis de variação genética de baixo a moderado nas populações encontradas nas ilhas, sendo geneticamente diferenciadas, e essa evidência sugere que, para fins de conservação, pelo menos três unidades de manejo devem ser consideras: uma da ilha de Ascensão, uma segunda unidade na Trindade e uma outra que possa agrupar as ilhas do Atol das Rosca e Fernando de Noronha. [6] Mas vale ressaltar que um plano de manejo tem que ser bem elaborado, fazendo interação dos padrões espaciais de uso do solo, com a teoria de conservação e planejamento de reservas, pois ações erradas podem prejudicar ainda mais as espécies envolvidas.[7]

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Os J. lagostoma quando juvenis e adultos são quase exclusivamente terrestre, as larvas são marinhas e planctônicas, para libertar a sua descendência os adultos têm de migrar para o mar, são as fêmeas que transportam ovos maduros entram na água brevemente, agitam a massa de ovo, e os ovos eclodem e as larvas nadam afastada.[6] Os ovos são maiores do que em outras espécies de gecarcinídeos e, consequentemente, menos em número.

Na maioria dos membros da família gecarcinidae, a migração coincide com a estação chuvosa, o que reduz o risco de dessecação, nessa espécie o período de migração ocorre de janeiro até março, enquanto o pico de mair precipitação é em março. [6]

Os caranguejos viajam aproximadamente 450m por dia, e o acasalamento pode ocorre em qualquer lugar ao longo da rota. A proporção de machos na migração, vai diminuindo à medida que a migração continua. E também, a migração de adultos para áreas de reprodução torna-os vulneráveis a predadores terrestres.[6]

Descrição[editar | editar código-fonte]

As espécimes adultas têm tipicamente 70-110 milímetros, Alimentam-se de folhas, sementes de amendoeiras, restos de animais, ovos e filhotes de tartarugas.[8] Na família gecarcinidae, as espécies são normalmente separas pela forma do primeiro polipódio, que é usado pelos machos durante o acasalamento, mas não há diferença no polipódio o entre as espécies de J. lagostoma e Johngarthia planata. Em vez disso, J. lagostoma difere de outras espécies no gênero, pela forma do terceiro maxilar. Tem uma fissura que é uma fenda estreita, o terceiro maxilípode também é maior, cobrindo o epistoma e as antenas.

Referências

  1. Ferreira, Rafael (14 de novembro de 2013). «Caranguejo-Amarelo em Alerta». "((o))eco". Consultado em 15 de fevereiro de 2017 
  2. «Avaliação do risco de extinção do crustáceo no Brasil» (PDF). INSTITUTO CHICO MENDES. 2016. Consultado em 15 de feveiro de 2017  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Pinheiro, Marcelo (2016). Livro vermelho dos crustáceos do Brasil: Avaliação 2010-2014 (PDF). Porto Alegre: Sociedade Brasileira de Carcinologia - SBC. 172 páginas. Consultado em 23 de fevereiro de 2017  |nome2= sem |sobrenome2= em Authors list (ajuda)
  4. Serafini, Thiago (2010). «Ilhas oceânicas brasileiras: biodiversidade conhecida e sua relação com o histórico de uso e ocupação humana» (PDF). Consultado em 23 de fevereiro de 2017 
  5. a b Hartnoll, Richard G.; Godley, Brendan J.; Broderick, Annette C.; Saunders, Kate E. (1 de janeiro de 2009). «Population Structure of the Land Crab Johngarthia Lagostoma on Ascension Island». Journal of Crustacean Biology (em inglês). 29 (1): 57–61. doi:10.1651/08-2992.1. ISSN 0278-0372 
  6. a b c d RODRÍGUEZ-REY, Ghennie T; Richard G, HARTNOLL; Antonio M, SOLÉ-CAVA (2016). «Genetic structure and diversity of the island-restricted endangered land crab, Johngarthia lagostoma (H. Milne Edwards, 1837).». Journal of Experimental Marine Biology and Ecology 
  7. Piratelli, Augusto João; FRANCISCO (2003). Conservação da biodiversidade: dos conceitos as ações. Rio de janeiro: Technical Books. pp. 31–32 
  8. Theóphilo, Carolina Yume Sawamura (20 de dezembro de 2013). «Análise de elementos potencialmente tóxicos em material biológico da Ilha da Trindade, Brasil». doi:10.11606/d.21.2013.tde-26112014-161310 
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