Caranguejo-de-água-doce

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O caranguejo-de-água-doce, ou caranguejo dulcícola (Trichodactylus fluviatilis) é uma espécie de crustáceo dulcícola encontrada distribuída em rios costeiros ao longo da faixa litorânea do Brasil, desde Pernambuco ao Rio Grande do Sul.[1]


Como ler uma infocaixa de taxonomiaCaranguejo-de-água-doce
The animal kingdom, arranged according to its organization, serving as a foundation for the natural history of animals (Crustacea. Pl. 12) BHL2459226.jpg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Arthropoda
Superclasse: Crustacea
Classe: Malacostraca
Subclasse: Decapoda
Ordem: Brachyura
Família: Trichodactylidae
Género: Trichodactylus
Espécie: T. fluviatilis
Nome binomial
"Trichodactylus fluviatilis"
(Latreille, 1828)

Características[editar | editar código-fonte]

O caranguejo-de-água-doce possui uma coloração marrom quando adulto e negra quando jovem. Os machos possuem uma carapaça mais escura que a das fêmeas e costumam ser menores. Tem um tamanho pequeno para um caranguejo, apesar de poder ser encontrado em tamanhos maiores. Em algumas localidades a população de caranguejos acabou se tornando de indivíduos menores devido à coleta dos maiores para fins de alimentação e por impactos ecológicos causados no sistema hídrico em que o animal vive.[1]

Além da diferença no tamanho da carapaça, as fêmeas apresenta um tamanho maior do abdome pois utilizam essa parte do corpo para armazenar ovos e recém-nascidos. Através dessa característica a fêmea é mais facilmente diferenciada do macho.[2]

Comportamento e ecologia[editar | editar código-fonte]

Possuem hábitos crípticos e noturnos, permanecendo escondidos em tocas, fendas e buracos de rochas e troncos submersos, nos restos de plantas encontradas debaixo d’água ou entre as raízes e folhas da vegetação ribeirinha.[1]

Os caranguejos dulcícolas desempenham papel importante na cadeia trófica, atuando em diversos níveis: como herbívoros, predadores de vertebrados e invertebrados, bem como necrófagos, alimentando-se de animais mortos. Eles têm importância como processadores eficientes de matéria orgânica ao atuarem como herbívoros, o que contribui na ciclagem de nutrientes e no fluxo de energia nos sistemas hídricos de água doce. Na qualidade de presa, esses caranguejos fazem parte da dieta de insetos, peixes, aves, répteis e mamíferos aquáticos.[1]

A degradação progressiva dos ambientes aquáticos através de poluição, desmatamento, assoreamento, etc., é um potencial fator para afetar a ocorrência de crustáceos.[3] Um estudo de 2006 revela a percepção de moradores do povoado de Pedra Branca (BA), da diminuição da população da espécie na Serra da Jiboia dentro de anos a partir de ações antrópicas que levaram ao assoreamento da corrente de água que passava pelo povoado.[1]

O caranguejo-de-água-doce foi incluído na Lista Vermelha de espécies ameaçadas como "vulneráveis" em vários estados brasileiros.[3]

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Caranguejos de água doce produzem poucos ovos com grandes dimensões e apresentam desenvolvimento pós-embrionário direto, sendo que as fases larvais completam-se ainda dentro do ovo. Na eclosão são liberados indivíduos jovens e com características semelhantes ao adulto.[1]

Potencial bioindicador[editar | editar código-fonte]

O caranguejo-de-água doce tem uma capacidade bioacumuladora de metais podendo assim ser usado como bioindicador, ou seja, analisando a concentração de metais específicos em caranguejos necropsiados, é possível estimar as frações potencialmente biodisponíveis do elemento no meio em que o animal viveu ou entender a composição geológica da região. As diferenças não usuais nas concentrações de metais nos caranguejos são comumente associadas a atividades antrópicas dos locais de coletas dos decápodos, sendo assim um possível indicador para o nível de poluição do local.[4]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c d e f Neto, Eraldo Medeiros Costa (1 de janeiro de 2007). «O caranguejo-de-água-doce, Trichodactylus fluviatilis (Latreille, 1828) (Crustacea, Decapoda, Trichodactylidae), na concepção dos moradores do povoado de Pedra Branca, Bahia, Brasil.». Biotemas. 20 (1): 59–68. ISSN 2175-7925. doi:10.5007/%x 
  2. Silva, Tiago Rozário da; Rocha, Sérgio Schwarz da; Neto, Costa; Medeiros, Eraldo (2014). «Relative growth, sexual dimorphism and morphometric maturity of Trichodactylus fluviatilis (Decapoda: Brachyura: Trichodactylidae) from Santa Terezinha, Bahia, Brazil». Zoologia (Curitiba). 31 (1): 20–27. ISSN 1984-4670. doi:10.1590/S1984-46702014000100003 
  3. a b Oliveira de Almeida, Alexandre; Alves Coelho, Petrônio; Rocha Luz, Joaldo; Santos, Almeida dos; Tiago, José; Ribeiro Ferraz, Neyva (2008). «Decapod crustaceans in fresh waters of southeastern Bahia, Brazil». Revista de Biología Tropical. 56 (3): 1225–1254. ISSN 0034-7744 
  4. Garcia, Ana Luiza Brossi [UNESP], Menegário, Amauri Antonio [UNESP], Universidade Estadual Paulista (UNESP). «Avaliação do potencial bioindicador de Trichdactylus fluviatilis (Latreille, 1828) (Crustaceae : Decapoda : Trichodactylidae) na bacia do Rio Corumbataí». 15 de dezembro de 2008 
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