Cardiopatia

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O termo cardiopatia é um referência genérica às doenças do coração, especialmente ao coração humano.

Cardiopatia
Especialidade cardiologia
Classificação e recursos externos
CID-10 I00-I52
CID-9 390-429
MeSH D006331
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Pacientes Cardiopatas[editar | editar código-fonte]

Cardiopatia se consiste em uma doença pela qual o portador da enfermidade possui algum tipo de distúrbio no coração seja essa classificada como adquirida, congênita isquêmica ou hemorrágica, normalmente envolvendo o coração de forma direta ou sendo associada parcialmente, levando a injuria consequentemente do órgão, é uma das doenças consideradas mais comuns que os pacientes apresentam nos consultórios odontológicos, existindo então essa necessidade do profissional cirurgião dentista analisar e tratar de uma forma geral cada caso, pelo risco que existe frente ao atendimento odontológico.

Angina pectoris: Se significado vem do latim, onde angina significa dor, e pectoris, peito, definição pela qual o indivíduo sente um forte desconforto e dor  irradiada no peito causada por uma insuficiência isquêmica de oxigênio no músculo cardíaco, por haver obstrução de alguma veia ou artéria no coração, esse quadro se apresenta após altos níveis de estresse sofrido ou logo após ter realizado um serie de exercícios físicos, essa dor localiza-se no peito, queixo, ombro do lado esquerdo, pescoço. O paciente quando da inicio a esse quadro clínico é possível observar sinais claros de ansiedade, e pela intensidade da dor no momento, torna-se quase que incapaz de explicar onde que esta ocorrendo exatamente essa dor, sendo muito comum entre os portadores fechar o punho e colocar sobre o esterno para tentar mostrar o local. A dor desta forma tenta ser descrita como uma sensação de desconforto forte e um enorme peso sobre o peito, podendo passar para o ombro e o braço esquerdos, colo, mandíbula ou até mesmo a língua. Sua duração costuma ter um tempo médio de 5 minutos, e o alivia logo após o fator desencadeante ser removido, caso a dor não tenha regredido, ou a angina aconteça em situação de repouso, será denominada angina instável, o que pode ser sinal eminente de infarto.

Insuficiência cardíaca congênita: O coração normalmente promove perfusão adequada para a manutenção de atividades vitais de um organismo normalmente saudável. A insuficiência cardíaca congestiva é caracterizada na incapacidade que se tem do coração apresenta um certo fornecimento no suprimento adequado de oxigênio para atender às demandas metabólicas do organismo e está associada a vários fatores que causam complicações de certa forma. Quanto mais predisposição o paciente tiver, mais sério o comprometimento e maior será o risco durante o tratamento odontológico. No geral, este tratamento deve ser conduzido visando reduzir o estresse ao mínimo necessário possível, fazendo uso de medidas preventivas pra estresse antes das consultas, com protocolo de redução de ansiedade. Nos casos de risco elevado, os procedimentos não deveram ser realizados no consultório odontológico, sendo necessário efetuar em ambiente hospitalar.

Arritmias: É considerado como um distúrbio do ritmo normal do coração denominado de arritmia, tendo origem nos átrios (arritmia atrial) ou nos ventrículos (arritmia ventricular). Com frequência, as arritmias representam manifestações de cardiopatia aterosclerótica subjacente. Quando significativas, aumentam o risco de angina, infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca congestiva, crises passageiras de isquemia e acidentes vasculares cerebrais.

Infarto do miocárdio: É considerado consequência de isquemia sucessiva no músculo cardíaco pela grande falta de suprimento sanguíneo causando necrose, as crises de infarto costumam apresentar dor similar à angina pectoris e geralmente essa dor está associada à parte interna do peito, podendo causar além de desconforto náuseas e vômitos. Devido a intensidade da dor que o indivíduo apresenta é necessário fazer a utilização de morfina, e numa segunda instância, de meperidina para a possível reversão do quadro. Antes de qualquer tratamento odontológico, pacientes que sofreram um infarto recentemente devem ser cuidadosamente avaliados pelo seu médico cardiologista e todos os procedimentos odontológicos devem ser adiados pelo período de cerca de seis meses. Pacientes que não tiveram complicações pós-infarto nem fatores de risco adicionais podem ser tratados no consultório odontológico normalmente, desde que alguns cuidados sejam tomados como, consultas breves, utilizar de maneira controlada anestésicos com vasoconstritores associando ao uso de sedação complementar, diminuindo os riscos por meio de medidas preventivas como protocolo de redução de ansiedade. Nos casos de infarto do miocárdio com complicações, ou recuperação instável, se faz necessária uma conduta mais cuidadosa diferencial sendo que as emergências dentárias devem ser tratadas de forma conservadora ou monitoradas e realizadas somente em ambiente hospitalar.

Endocardite bacteriana: A endocardite bacteriana é denominada um processo infeccioso da superfície do endocárdio no músculo cardíaco que envolvem geralmente as valvas cardíacas, sendo considerada uma doença grave, pois apresenta risco de vida e o seu desenvolvimento está correlacionado com as bactérias presentes na boca e que por meio de procedimentos odontológicos podem entram na corrente sanguínea agravando a situação do indivíduo. As intervenções odontológicas se constituem na grande maioria uma das causas principais de bacteremia transitória, pois as bactérias presentes na circulação sanguínea podem colonizar as válvulas danificadas ou anormais, causando um quadro de endocardite bacteriana. Portanto, em qualquer procedimento odontológico com risco em pacientes com comprometimento cardiovascular que possivelmente vai gerar sangramento na hora do atendimento, deve ser tomado medidas específicas avaliando o grau da necessidade de ser feito esse procedimento e de realizar protocolo de profilaxia com antibióticos corretamente nesses pacientes cujo comprometimento e suscetível ao desenvolvimento dessa complicação sistêmica, visando uma conduta coerente frente ao seu paciente, e sempre orienta-lo na higiene bucal para prevenção.

Protocolo de Atendimento: O atendimento odontológico a pacientes cardiopatas exige uma atenção especial do cirurgião dentista devido aos riscos relacionados às intervenções visando a saúde bucal.

Quando relatada uma cardiopatia, a história médica pregressa deve ser detalhada, incluindo dados sobre cirurgias cardíacas, uso de medicamentos, uso de próteses cardíacas, episódios de angina do peito e infarto do miocárdio.

Durante o atendimento, deve-se avaliar os sinais vitais, antes e após os procedimentos, em todas as consultas, registrando-os no prontuário odontológico; planejar o tratamento odontológico de forma a evitar repercussões infecciosas, hemodinâmicas, arrítmicas e interações medicamentosas; considerar, durante a escolha do anestésico local, o tipo de comprometimento cardiovascular do paciente, sabendo que anestésicos locais contendo a epinefrina e seus derivados como vasoconstritor devem ser utilizados em quantidade mínima — no máximo dois tubetes com concentração 1:100.00030, realizando-se aspiração negativa para certificar-se de que não haja injeção intravascular. (Estas medidas, em pacientes que fazem uso de betabloqueadores não seletivos, previnem crises hipertensivas); evitar, em pacientes com arritmias cardíacas, anestésicos contendo vasoconstritores do grupo das aminas simpatomiméticas (por exemplo, epinefrina, norepinefrina e levonordefrina). Recomenda-se, nestes casos, assim como para pacientes com histórico de infarto do miocárdio, a aplicação de anestésicos com o vasoconstritor felipressina, ou o uso de mepivacaína 3% sem vasoconstritor em procedimentos de curta duração.

É sempre recomendado aplicar a profilaxia antibiótica para “todos os procedimentos odontológicos que envolvam manipulação dos tecidos gengivais ou a região periapical dos dentes ou perfuração da mucosa oral”; motivar o paciente a manter hábitos de higiene bucal satisfatórios e realizar retornos periódicos para evitar a instalação de infecção; adiar, em pacientes recentemente infartados, as consultas eletivas até que se completem seis meses após o incidente; evitar a prescrição de anti-inflamatórios não-esteroide em pacientes hipertensos; e principalmente preparar-se para lidar com situações emergenciais quando atender pacientes cardiopatas. Desta forma, o kit de emergências no consultório odontológico deve conter vasodilatadores como nitroglicerina, anti-agregantes plaquetários como ácido acetilsalicílico 100 mg, e oxigênio.

Protocolo Padrão

Protocolo de uso profilático de antibióticos (American Heart Association – AHA)

Amoxicilina Adultos:2g, via oral, 1h antes do procedimento – 4 comprimidos Crianças: 50mg/kg, 1h antes do procedimento

Opções para pacientes alérgicos a Penicilinas

Clindamicina Adultos: 600mg, 1h antes do procedimento – 2 comprimidos

Crianças: 20mg/kg, 1h antes do procedimento

Cefalexina ou Cefadroxil Adultos: 2g, via oral, 1h antes do procedimento – 4 drágeas

Crianças: 50mg/kg, 1h antes do procedimento.

Azitromicina ou Claritromicina Adultos: 500mg, 1h antes do procedimento – 1 comprimido

Crianças: 20mg/kg, 1h antes do procedimento.

Referências:

https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/imagem/4695.pdf

https://odonto.ufg.br/up/133/o/Manual_corrigido-.pdf

De Barros,Maysa Nogueira Ferreira,et al."Tratamento de pacientes cardiopatas na clínica odontologica."Saúde e Pesquisa 4.1(2010).