Carimbó

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Carimbó
Dançarinos de carimbó
Instrumentos típicos tambor, maracá
Popularidade litoral do Pará, Região nordeste do Brasil
Subgêneros
Dançarinos

O carimbó é um ritmo musical amazônico e também uma dança de roda de origem indígena, típica da região litorânea do nordeste do estado do Pará, no Brasil, influenciado por negros (percussão e sensualidade) e portugueses (palmas e sopro). O nome também se aplica ao tambor utilizado nesse estilo musical, chamado de "curimbó".[1][2]

Uma forma de expressão marcada pelo ritmo e pela dança, sendo, também, uma das principais fontes rítmicas da lambada. Na forma tradicional, o carimbó é acompanhado por tambores de tronco de árvores afinados ao fogo.

A dança se espalhou também pela Região nordeste do Brasil. O carimbó é considerado um gênero de dança de origem indígena, porém, como diversas outras manifestações culturais brasileiras, miscigenou-se, recebendo outras influências, principalmente da cultura negra.[3]

Peculiar pela batida dos tambores, instrumentos de cordas como o banjo e também chocalhos. Essa expressão cultural da região amazônica se tornou patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em setembro de 2014.[4] O registro foi aprovado por unanimidade pelo Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[5][6]

Etimologia

"Carimbó" do tupi "korimbó", originado da junção de "curi" (pau oco) e "m’bó" (furado), significando “pau que produz som".[1]

História

Sendo a música preferida pelos pescadores da Ilha de Marajó,[1] embora não conhecida como carimbó até então, sendo apenas uma representação rimada dos aspectos da vida simples recitada pelos ribeirinhos. O festejo para tocar o curimbó, normalmente ocorria após a pescaria e o plantio.[7]

O ritmo atravessou a baía de Guajará com os pescadores, desembarcando em praias da região do Salgado paraense, ou região atlântica. Em algumas regiões próximas às cidades de Marapanim e Curuçá, o gênero se solidificou, ganhando o nome que tem hoje. Maranhãozinho, no município de Marapanim; e Araquaim, no município de Curuçá, são os sítios que reivindicam a paternidade do gênero, sendo o primeiro o mais provável. Em Marapanim, o gênero é bastante cultivado, acontecendo anualmente o "Festival de Carimbó de Marapanim — O Canto Mágico da Amazônia", no mês de dezembro.[7]

Devido a imensidão do terreno paraense, o carimbó se desmembrou em três variações: o carimbó praieiro, o carimbo pastoril e o carimbó rural. Decorrentes do tipo de atividade desempenhada em cada região, diferenciando nas rimas que irão contar sobre o cotidiano local.[3]

Inicialmente fruto de uma reunião entre amigos e familiares, o fazer carimbó se modificou e deu início a grupos e bandas. Nas décadas de 1960 e 1970, o carimbó tornou-se popular, comum nas rádios e nos bailes. Diversos artistas gravaram discos LP, a exemplo de Pinduca, Cupijó e Verequete.[7]

Banda Calypso durante o "Show da Emancipação", em 2009.

Atualmente, o carimbó tem, como característica, ser mais solto e sensual, com muitos giros e movimentos onde a mulher tenta cobrir o homem com a saia. A maior influência hoje do carimbó em todo território nacional é a banda Calypso (antigamente formado por Joelma e Chimbinha), que o apresenta a todo o Brasil, com todo um figurino colorido característico.

Formas de toque

Na forma tradicional, chamado de "pau e corda", os tocadores sentam sobre o tambor - feitos artesanalmente com a escavação de um tronco de árvore e encoberto com couro de animal - chamados de "curimbó" e tocam com as duas mãos.[7] Costumam estar presentes também os maracás, banjo, reco-reco e a onça, completando o grupo instrumental. A variação moderna também adiciona guitarra e instrumento de sopro.[7]

Vestuário

As mulheres dançam descalças e com saias rodadas, coloridas e longas.[7] A saia é franzida e normalmente possui estampas florais grandes. Blusas brancas, pulseiras e colares de sementes grandes. Os cabelos são ornamentados com ramos de rosas ou camélias.

Os homens dançam utilizando calças curtas, geralmente brancas e simples, comumente com a bainha enrolada, costume herdado dos ancestrais negros que utilizavam a bainha da calça desta forma devido às atividades exercidas, como, por exemplo, a coleta de caranguejos nos manguezais.

Dança

A dança de passos miúdos e em roda é uma tradição indígena, misturado com: o rebolado sensual e o batuque ligeiro do negro e os instrumentos de sopro e o modo de dançar girando, com a formação de casais dos portugueses.[1]

A dança do carimbó apresenta uma coreografia em que os dançantes imitam animais como o macaco e o jacaré.[3] Sendo apresentada em pares, começa com duas fileiras de homens e mulheres com a frente voltadas para o centro. Quando a música inicia, os homens vão em direção às mulheres, diante das quais batem palmas como uma espécie de convite para a dança. Imediatamente, os pares se formam, girando continuadamente em torno de si mesmo, ao mesmo tempo formando um grande círculo que gira em sentido contrário ao ponteiro do relógio. Nesta parte, observa-se a influência indígena, quando os dançarinos fazem alguns movimentos com o corpo curvado para frente, sempre puxando-o com um pé na frente, marcando acentuadamente o ritmo vibrante.

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Referências

  1. a b c d Brandão, Priscila. (20/12/2015). "Conheça a história do carimbó". Agronegócios. Visitado em 16/01/2016.
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 353.
  3. a b c mendes, laysa. «Carimbó: A Dança Paraense». Marcos Geográfico. Consultado em 20 de junho de 2016 
  4. Azevedo, Leno. A história de um compositor. Google Livros: Buqui Livros, 2015. Página visitada em 16/01/2016.
  5. «Carimbó do PA é declarado patrimônio cultural imaterial do Brasil». G1. 11 de setembro de 2014. Consultado em 11 de Setembro de 2014 
  6. «Carimbó é agora patrimônio imaterial brasileiro». Sítio do Ministério da Cultura. 11 de setembro de 2014. Consultado em 11 de Setembro de 2014 
  7. a b c d e f mendes, laysa (29 de maio de 2014). «Carimbó». Pesquisa Escolar Online. Fundação Joaquim Nabuco. Consultado em 20 de junho de 2016 

Ver Também

Ligações Externas