Carl Rogers

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Carl Ransom Rogers

Carl Ransom Rogers (8 de janeiro de 1902, Oak Park, Illinois, EUA - 4 de fevereiro de 1987, La Jolla, Califórnia, EUA), foi um Psicólogo estadunidense atuante na terceira força da psicologia e desenvolvedor da Abordagem Centrada na Pessoa. Sua dedicação à construção de um método científico na psicologia foi reconhecido por prêmio da Associação Americana de Psicologia, da qual também foi eleito presidente, em 1958, tendo sido um pioneiro no estudo sistemático da clinica psicológica[1] .

Não contente com as posições reducionistas, mecanicistas e diretivistas da Psicanálise e do Behaviorismo de Skinner[2] , Rogers funda sua abordagem em uma recusa em identificar a pessoa em terapia como paciente ou doente, como traziam as duas primeiras na época, e aponta a importância da relação da pessoa e do terapeuta, que são iguais e não possuem posição de hierarquia[3] [1] .

Introdução[editar | editar código-fonte]

Ao contrário de outros estudiosos cuja atenção se concentrava na ideia de que todo ser humano possuía uma neurose básica, Rogers concluiu com suas pesquisas que essa visão não era exata, passando a defender que, na verdade, o núcleo básico da personalidade humana era tendente à saúde, ao bem-estar[2] . Tal conclusão sobreveio a um processo meticuloso de investigação científica levado a cabo por ele, ao longo de sua atuação profissional[1] . Carl Rogers ficou famoso por desenvolver um método psicoterapêutico centrado no próprio paciente. O terapeuta tem que desenvolver uma relação de confiança com o paciente para poder fazer com que ele encontre sozinho sua própria cura[3] .

Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 18 de janeiro de 1987.[4]

Realizou-se doze filmes sobre o seu trabalho, deixando um elevado número de documentos sonoros e audiovisuais, que (des)velam seus modos de ser sendo psicólogo (psicoterapeuta)[2] .

Principais ideias[editar | editar código-fonte]

A partir dessa concepção primária, o processo psicoterapêutico consiste em um trabalho de cooperação entre psicólogo e a pessoa que busca ajuda, cujo objetivo é a liberação desse potencial de crescimento, tendo como resultado a pessoa aberta à experiência, vivendo de maneira existencial, tornando-se ele mesmo[2] .

Há três condições básicas e simultâneas defendidas por Rogers como facilitadoras, no relacionamento entre psicoterapeuta a pessoa, para que ocorra a atualização desse núcleo essencialmente positivo existente em cada um de nós. São elas: a consideração positiva incondicional; a empatia e a congruência[5] .

Em linhas gerais, ter consideração positiva incondicional é receber a aceitar a pessoa como ela é e expressar uma consideração positiva por ela, simplesmente por que ela existe, não sendo necessário que existam outras condições para isso [5] ; a empatia, por sua vez, consiste na capacidade de se colocar no lugar do outro, ver o mundo através dos olhos dele e procurar sentir como ele sente; e a congruência, a coerência interna do próprio terapeuta[2] .

Um dos pilares da abordagem centrada na pessoa é a forma com que é aplicado o seu método em psicoterapia, que passa por um processo de amadurecimento do próprio psicoterapeuta, já que ele não pode simplesmente apropriar-se de uma "técnica", ou "receita de bolo" como realizado na Psicanálise ou Behaviorismo[2] , mas que lhe seja próprio e natural agir conforme as condições desenhadas por Rogers. Percebe-se então, por exemplo, que a expressão de uma afetividade incondicional só ocorre devidamente se brotar com sinceridade do psicólogo; não há como simular tal afetividade. O mesmo ocorre com a empatia e com a congruência. Por isso se diz que não existe uma "técnica rogeriana", mas sim psicólogos cuja conduta pessoal e profissional mais se aproximam da perspectiva de Carl Rogers[5] .

Outro ponto a considerar é que após longos estudos, Rogers chegou à conclusão de que as três condições são eficazes como instrumento de aperfeiçoamento da condição humana em qualquer tipo de relacionamento, tais como: na educação entre professor e aluno, no trabalho, na família, nas relações interpessoais em geral [3] .

Influências no Brasil[editar | editar código-fonte]

Acusado de "romântico" durante a ditadura militar no Brasil[carece de fontes?], Rogers chegou a acreditar que a democracia brasileira seria viável caso os governos militares - instalados no poder nacional de então - se submetessem aos Grupos de Encontro e à Psicoterapia[carece de fontes?]. Esse pensamento obviamente impunha, no mínimo, aos psicólogos brasileiros, da época, uma questão ética: Tratar ou não daqueles que eram torturadores? [carece de fontes?]

Rogers expôs suas práticas em inúmeras gravações, tendo também se apresentando num programa de televisão sob o comando de Júlio Lerner, na TV Cultura (8 de março de 1977). Nessa ocasião, foi realizado no estúdio, em tempo real, um Grupo de Encontro com a participação de voluntários, incluindo os próprios funcionários da TV, facilitado por Maria Bowen,que foi posteriormente comentado por Bowen, John Wood, Raquel Rosemberg e o próprio Rogers.

O CVV (Centro de Valorização da Vida) segue a ideia de conduta em seu atendimento estilo Rogers[6] , onde os voluntários atendentes acreditam na tendência atualizante da pessoa sendo atendida.

Notas e Referências

  1. a b c Kirschenbaum, Howard (2004). . Carl Rogers's Life and Work: An Assessment on the 100th Anniversary of His Birth (PDF) Journal Of Counseling And Development [S.l.] 
  2. a b c d e f Rogers et.al., Carl (1977). Psicoterapia das relações humanas Interlivros [S.l.] 
  3. a b c Zimring, Fred (1994). Prospects (PDF) UNESCO [S.l.] 
  4. http://www.nrogers.com/carlrogersevents.html
  5. a b c Rogers, Carl (1961). Tornar - Se Pessoa Martins Fontes [S.l.] 
  6. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2503200124.htm

Ligações externas[editar | editar código-fonte]